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Cascavel recebe Simpósio Universitário Revisitando as Origens

Cascavel sedia, no dia 10 de novembro, o Simpósio Universitário “Revisitando as Origens” na Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste. O encontro acontece a partir das 9h na Unioeste.

As investigações sobre a origem da vida são um tema crescente e atual no meio acadêmico. Teorias têm sido significativamente questionadas, como a teoria da evolução química como proposta para a origem da vida e a possível ancestralidade comum entre o homem e primatas. O evento será realizado pelo Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB) e contará com palestrantes nacionais e internacionais conceituados na área da educação: Dr. Ramon Peres, Dr. Marcio Fraiberg, Dr. Thiago de Melo Costa Pereira, Dra. Debora Santana e Bsc. Danilo Camargo.

Não há como negar, o evento é uma oportunidade imperdível para a comunidade acadêmica e interessados no tema trocar informações, conhecer cientistas engajados em um evento voltado para a construção do conhecimento e incentivo do pensamento reflexivo.

INSCRIÇÕES:

Para participar do Simpósio, basta inscrever-se no site da instituição (www.numar.scb.org.br/eventos) e apresentar 1 kg de alimento não perecível no dia do evento. Para receber o certificado é necessário se inscrever para o evento mediante o pagamento da taxa.

LOCAL: Auditório Central Unioeste. Rua Universitária n.2069, bairro Universitário – Cascavel – PR

DATA: 10 de Novembro

Mais informações e inscrições somente no site: https://numar.scb.org.br/loja/eventos/simposio-universitario-revisitando-as-origens/

Informações à imprensa:

marlontexeira@gmail.com

(45) 99827-7225 Marlon

(45) 9835-0119 Leonardo

Sobre o Numar-SCB

O Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB) fundado em Maringá no ano de 2015 é uma organização sem fins lucrativos, arrojada e inovadora em ações, de caráter cultural, educacional e científico. Atualmente, o Numar-SCB oferece atividades de alta qualidade como o programa semanal (em canal próprio do Youtube), intitulado “Diálogo sobre as Origens”, se destaca por promover vários cursos na modalidade EAD organizados pela SCB – líder neste ramo a quarenta e cinco anos. A produção local de vídeos, entrevistas, cursos de extensão, artigos informativos divulgados em mídia digital (numar.scb.org.br) tem sido intensa. É perfil do Numar-SCB estimular e apoiar o diálogo na temática origem da vida, inclusive em ambiente acadêmico, por essa razão agrega cada vez mais pesquisadores nacionais e internacionais nas diferentes áreas do conhecimento e demais interessados em dialogar e construir conhecimento nos estudos das origens. Como resultado deste volume de ações recentemente o Numar-SCB recebeu premiação no congresso Vocare (http://vocare.org.br/site/). Deste modo, o Numar-SCB tem movimentado um número expressivo de pessoas no Paraná e Brasil agregando maior valor sócio-cultural a esta terra de solo vermelha fértil. O rápido amadurecimento do Numar-SCB se deve ao reflexo da tradição de 46 anos da SCB com sede em Brasília, principalmente inspirado na pessoa de seu fundador e Presidente Emérito Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira.

Como os fósseis se formam a partir da madeira

Madeira fossilizada (Imagem por: Darwin Pucha Cofrep)

Como um tronco de árvore se transforma em madeira petrificada? Isso pode ocorrer por diversas formas e envolver substâncias químicas diferentes. Para que ocorra a petrificação, é necessário que a madeira seja capaz de interagir com a substância petrificante, fazendo-a precipitar a partir da solução aquosa. Entre as substâncias que possuem essa característica está a sílica (SiO2). Na verdade, não há uma molécula de SiO2. A sílica forma sólidos covalentes. Trata-se uma cadeia ou rede de átomos de oxigênio e silício, unidos por ligações covalentes, na proporção de 1 átomo de silício para 2 átomos de oxigênio. O SiO2 é um dos principais constituintes da areia e pode formar sólidos como o quartzo, a calcedônia e as opalas [1]. A sílica é um sólido insolúvel em água com pH nas vizinhanças de 7 e em temperaturas brandas. Ao bem da verdade, se pulverizarmos vidro (que é em grande parte SiO2) e aquecermos até a ebulição com água por cerca de uma hora, mais ou menos 1% da sílica do vidro será hidrolisada (reagirá com água) e passará para a solução aquosa. Isso faz parte de um dos experimentos de laboratórios dos cursos de graduação para os quais leciono. Todavia, em soluções básicas (pH elevado) a sílica pode ser hidrolisada com mais facilidade e liberar quantidades razoáveis de íons silicato. De forma similar, em soluções ácidas a hidrólise da sílica libera o ácido silícico, Si(OH)4.

Chamamos de silicificação a penetração e a fixação de sílica no material orgânico que servirá de base para a formação do fóssil. A silicificação é considerada por alguns autores como o processo individual mais importante na preservação de plantas no registro fóssil [3]. Embora alguns autores prefiram manter uma distinção entre silicificação e petrificação, neste artigo vamos usar os dois termos como sinônimos, como tem sido prática comum na literatura da área. Acredita-se que o ácido silícico seja o principal responsável pela silicificação [2]. Os tecidos vasculares das plantas são compostos principalmente por holoceluloses (um grupo de sacarídeos que inclui a celulose) e por ligninas (polímeros complexos compostos de unidades de fenilpropano) [2]. Tanto as holoceluloses quanto as ligninas possuem grupos hidroxila que podem formar ligações de hidrogênio com o ácido silícico.
No processo de petrificação, as moléculas de ácido silícico passam da solução aquosa para a superfície dos constituintes moleculares do tecido vascular da madeira (holoceluloses e ligninas). Na medida em que o ácido silícico vai se acumulando dentro da madeira, suas moléculas começam a se fundir. A continuação desse processo leva à formação de um filme de sílica ao redor das superfícies celulares, reproduzindo as características histológicas da madeira. Por causa disso, a petrificação por meio de sílica é capaz de preservar uma riqueza impressionante de detalhes não observáveis em outros tipos de fossilização.
Por que um pedaço de madeira não se fossiliza se for simplesmente enterrado no solo, pois a areia é formada principalmente por SiO2? A petrificação da madeira depende da existência de uma quantidade razoável de ácido silícico em solução. O ácido silícico, como vimos, é gerado a partir da sílica em meio ácido, e a maioria dos reservatórios naturais de água não é suficientemente ácida para hidrolisar uma quantidade apreciável de sílica.
É muito comum que madeira petrificada seja encontrada em regiões vulcânicas [4], particularmente se uma erupção ocorreu na época em que a madeira foi soterrada [5]. Os vulcões fornecem três elementos fundamentais para o processo de petrificação. Primeiramente, em um ambiente catastrófico as chances de que a madeira seja soterrada rapidamente antes de se decompor são muito elevadas. A madeira precisa ser protegida contra a degradação para que as moléculas de ácido silícico tenham tempo o bastante para se infiltrar e se depositar em seu interior. Em segundo lugar, as cinzas vulcânicas são constituídas em sua maioria por SiO2 [6]. Por fim, os vulcões são responsáveis pela produção de gases como o SO2 que, quando dissolvido em água, deixa o meio ácido gerando ácido sulfuroso (H2SO3) ou mesmo ácido sulfúrico (H2SO4).
Então os eventos são os seguintes. Durante a erupção de um vulcão nas proximidades de fontes de água, plantas podem ser soterradas catastroficamente, sendo encobertas por sedimentos com grande quantidade de cinzas vulcânicas (fonte rica em SiO2). A água misturada aos sedimentos é ácida, sendo capaz de promover a liberação de ácido silícico para a solução. O ácido silícico, por sua vez, se fixa às holoceluloses e às ligninas da madeira por meio de ligações de hidrogênio. O acúmulo de ácido silício leva então à formação de um filme de sílica, como dissemos acima.
Mas o quão rápido é esse processo? Fragmentos de madeira recuperados de cinzas vulcânicas de uma erupção em 1886 na Nova Zelândia estavam parcialmente petrificados apenas 90 anos após o soterramento [2]. Madeira de coníferas soterradas por cinzas vulcânicas na erupção histórica de 1885 do Monte Santa Helena apresentava petrificação incipiente após 102 do soterramento [5]. Mas o resultado mais impressionante vem de um grupo de pesquisadores do Japão [4]. Esses pesquisadores observaram que em um certo lago de águas quentes, nas vizinhanças de um vulcão, eram frequentemente encontrados pedaços de madeira impregnadas com sílica. Esses pedaços de madeira caiam naturalmente das plantas nas vizinhanças do lago. Os pesquisadores notaram que a textura desse material era a mesma de madeira silicificada encontrada em regiões vulcânicas no registro geológico. Eles decidiram, então, conduzir um experimento muito interessante. Pedaços de madeira foram colocados no lago e monitorados ao longo de sete anos. O resultado foi surpreendente. Os pedaços que permaneceram por mais tempo imersos no lago tiveram próximo de 40% de sua massa silicificada. A conclusão dos autores é bastante significativa para a compreensão de como os fósseis se formam. Segundo eles, “madeira silicificada pode se formar, sob condições apropriadas, em períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos” [4]. Um detalhe muito interessante desse trabalho é o fato dos autores citarem um artigo do Geólogo australiano Andrew Snelling publicado na revista criacionista Creation [7].
Vamos agora relacionar essas descobertas com a proposta criacionista do Dilúvio bíblico. Citando John D. Morris,
“O período imediatamente anterior e pouco depois do Dilúvio foi um tempo de imenso vulcanismo, marcado por extensivas erupções na medida em que os continentes se afastavam, as cadeias de montanha eram elevadas, e o fundo do oceano era rebaixado”.
“Considere os Basaltos do Rio Colúmbia, onde os depósitos vulcânicos cobrem mais de 100.000 milhas quadradas no estado de Washington e Oregon, com o basalto tendo até uma milha de espessura!” [8].
Vulcanismo intenso provê as condições perfeitas para a fossilização de plantas. É notável o fato de que encontramos florestas inteiras preservadas desta maneira ao longo do registro fóssil [3]. Em outras palavras, a proposta catastrofista criacionista encontra-se completamente em acordo com o melhor conhecimento experimental de que dispomos. Além disso, a questão do tempo de fossilização também apoia a proposta criacionista. Nas palavras de Alkahane et al. [4], madeira silicificada pode se formar em “períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos”. Portanto, quando falamos de madeira petrificada, um modelo que apela para uma grande catástrofe ocorrida há poucos milhares de anos está em pleno acordo com os dados de que dispomos. Mais do que isso, a proposta catastrofista criacionista tem se mostrado capaz de explicar aspectos de diversas áreas do conhecimento que são passados por alto ou atribuídos a causas improváveis na visão evolucionista.
Se o processo de fossilização da madeira ocorreu há poucos milhares de anos, poderia ter restado alguma matéria orgânica residual? Essa matéria orgânica poderia ser datada por carbono-14? Esse será o assunto de um outro artigo.
Referências:
[1] G. Scurfield, E.R. Segnit, Petrifaction of wood by silica minerals, Sediment. Geol. 39 (1984) 149–167. doi:10.1016/0037-0738(84)90048-4.
[2] R.F. Leo, E.S. Barghoorn, Silicification of wood, Harvard Univ. Bot. Mus. Leafl. 25 (1976) 1–47. http://www.biodiversitylibrary.org/item/31874 (accessed February 12, 2016).
[3] C. Ballhaus, C.T. Gee, C. Bockrath, K. Greef, T. Mansfeldt, D. Rhede, The silicification of trees in volcanic ash – An experimental study, Geochim. Cosmochim. Acta. 84 (2012) 62–74. doi:10.1016/j.gca.2012.01.018.
[4] H. Akahane, T. Furuno, H. Miyajima, T. Yoshikawa, S. Yamamoto, Rapid wood silicification in hot spring water: an explanation of silicification of wood during the Earth’s history, Sediment. Geol. 169 (2004) 219–228. doi:10.1016/j.sedgeo.2004.06.003.
[5] A.L. Karowe, T.H. Jefferson, Burial of trees by eruptions of Mount St Helens, Washington:implications for the interpretation of fossil forests, Geol. Mag. 124 (2009) 191. doi:10.1017/S001675680001623X.
[6] A.C. Sigleo, Geochemistry of silicified wood and associated sediments, Petrified Forest National Park, Arizona, Chem. Geol. 26 (1979) 151–163. doi:10.1016/0009-2541(79)90036-6.
[7] A. Snelling, “Instant” petrified wood, Creation. 17 (1995) 38–40.
[8] J.D. Morris, The Global Flood: Unlocking Earth’s Geology Hystory (Edição para Kindle), Institute for Creation Research, Dallas, 2012.

Cangurus vivem somente na Austrália?

O que as pessoas não sabem é que cerca de uma dúzia de diferentes tipos de marsupiais básicos vivem, além da Austrália, na Papua-Nova Guiné e na Indonésia. Além dos cangurus australianos, existem os cangurus arborícolas presentes na Nova Guiné. Como eles ficaram isolados nesses locais? Os evolucionistas insistem que eles evoluíram lá, há milhões de anos,[1, 2] mas certos fósseis sugerem uma resposta diferente. Marsupiais incluem grupos de cangurus e coalas, além dos menos conhecidos como os bettongs e toupeiras marsupiais. Em vez de se desenvolverem em úteros, seus filhotes crescem dentro de uma bolsa de pele da mãe chamada marsúpio. Que evidência convenceu os pesquisadores de que os marsupiais evoluíram de um único antepassado marsupial na Austrália ou Nova Guiné ao longo de milhões de anos?

Seja qual for a resposta, não são fósseis, que mostram exatamente o oposto dessa história evolutiva. Os menores e os mais antigos fósseis marsupiais encontrados no sistema de rochas do período Cretáceo “são exclusivamente da Eurásia e da América do Norte”.[3] Se os marsupiais australianos evoluíram na Austrália, então por que seus supostos ancestrais foram enterrados no hemisfério oposto (hemisfério norte)? E por que o “mais antigo” fóssil marsupial, que parece notavelmente com um gambá, vem da China?[4] Uma revisão de 2003 admitiu que “esse interruptor geográfico permanece inexplicado”.[3]

A fim de contornar esse problema, um estudo afirmou que os cangurus evoluíram na China e migraram por meio da América para Austrália e a Antártida;[5] além disso, a mesma pesquisa sugeriu que os cangurus são geneticamente semelhantes aos humanos. Outro estudo sugeriu que os característicos coalas, cangurus e gambás da Austrália teriam dividido um [suposto] ancestral comum americano. Os cientistas elaboraram uma árvore genealógica baseada no DNA e sugeriram que uma única espécie de marsupial ancestral se originou na América do Sul (quanto fazia parte do supercontinente de Gondwana) e se dirigiu rumo à Austrália.[6]

Mas o que é pior para este conto é que os fósseis de mamíferos placentários aparecem nos depósitos australianos do Cretáceo. A Austrália tem mantido há muito tempo suas populações marsupiais, e com pouquíssimos placentários. No entanto, a partir da observação da localização dos fósseis, os marsupiais deveriam ter evoluído fora da Austrália e os placentários é que deveriam ter evoluído na Austrália – o oposto da história evolutiva.

Em geral, os fósseis não mostram nenhuma evidência para a evolução marsupial. Observamos tanto marsupiais quanto placentários completamente formados. Uma vez que os fósseis marsupiais aparecem apenas onde os marsupiais não vivem hoje, eles devem ter se mudado (migrado). Mas onde e quando isso teria ocorrido?

Nenhum cientista criacionista ou evolucionista estava lá para observar e gravar quando os marsupiais realmente chegaram à Austrália, então ambos devem apenas sugerir e testar hipóteses. Evolucionistas sugerem que marsupiais do Cretáceo foram extintos com os dinossauros, apenas para a evolução substituí-los com duplicatas exatas milhões de anos depois na Austrália! É como se um gambá evoluísse, fosse extinto, então forças naturais fossem criando virtualmente a mesma criatura uma segunda vez. Muito imaginativo, mas não muito científico.

Felizmente, um cenário favorável à Bíblia explora os fósseis sem recorrer a histórias de evolução. O modelo criacionista diz que os marsupiais do “cretáceo” morreram no dilúvio de Noé. Eles devem ter vivido em regiões pré-diluvianas que, devido a eventos relacionados ao dilúvio, se separaram em áreas menores conhecidas hoje como América do Norte, Europa e Ásia.[7] O relato da testemunha bíblica ocular do dilúvio garante aos leitores que dois de cada animal que habitava na terra e que respirava ar entraram na Arca de Noé.[8] Isso inclui cangurus, coalas, tilacinas e therizinossauros.

Os eventos associados ao dilúvio teriam dado origem à época do gelo (clique aqui e saiba mais), que teria durado vários séculos.[9] Naquela época, o nível do mar era cerca de 100 metros mais baixo do que é hoje.[10] Os mares mais baixos proporcionavam pontes terrestres entre muitas das ilhas modernas.[11] Animais e homens podiam literalmente caminhar desde as montanhas do Ararat (local onde a Arca de Noé pousou) até a Nova Guiné. Alguns poderiam ter sido transportados em detritos da tempestade ou nadado de ilhas como Nova Guiné para a Austrália.[12] Mas a hipótese mais razoável é que os marsupiais conseguiram realmente migrar enquanto o gelo do mundo estava solidificado e o nível do mar ainda estava mais baixo; o derretimento do gelo no final da época do gelo aumentou o nível do mar o suficiente para isolá-los em terras antigas de ponte terrestre que se tornaram ilhas.[13]

Conforme explica o naturalista Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia) que existiam durante o período glacial, submergiram” [14: p. 70]. Isso explicaria o fato de alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus terem ficado ilhados na ilha continental australiana.

Mas quais seriam as evidências de que os cangurus migraram desde o local onde a Arca de Noé parou (conhecido atualmente como Turquia) até a Austrália, região onde teriam ficado isolados tempos depois? As evidências se encontram no fato de que alguns cangurus ficaram no meio do caminho e não conseguiram chegar até a região da Austrália. Os fósseis de cangurus encontrados em distintas regiões do planeta nos dão indícios de que eles ficaram no “meio” desse caminho. Além disso, como falamos no início deste texto, alguns cangurus arborícolas, tais como os cangurus-arborícolas-de-goodfellow, os wallabies e os pademelon, que vivem na Nova Guiné, e os tenkile e o canguru-de-manta-dourada, da Indonésia, prosperaram, portanto, em outras regiões antes que alguns exemplares chegassem até seu destino final (Austrália).

Ademais, é interessante pensarmos no porquê de os cangurus terem se dirigido rumo à Austrália. Alguns criacionistas desenvolveram a hipótese de que talvez eles estivessem apenas retornando ao seu local de origem, uma vez que antes do dilúvio existia apenas um único continente não fragmentado.[15] Mas como eles teriam reconhecido o caminho de volta? A ideia é que eles retornaram ao seu território nativo por meio de uma direção “especial”, ou seja, por meio de instintos de localização (GPS biológico), como os que se observam em pássaros, peixes, insetos e outros animais migratórios.

Mas o que podemos de fato observar é que cangurus e coalas não evoluíram na Austrália. Eles simplesmente não evoluíram. Deus os fez marsupiais desde o início. Muitos deles morreram junto com dinossauros e outras criaturas durante o dilúvio. Aqueles que sobreviveram ao dilúvio na Arca tiveram descendentes que podem ter migrado à frente de muitos mamíferos placentários. Eles provavelmente chegaram à Austrália antes que o aumento dos níveis do mar interrompesse os placentários de continuar a jornada até o fim do caminho. Essa solução se encaixa nas observações fósseis e nas Escrituras.

(Texto adaptado do original Thomas [16], postado originalmente no Brasil em 01/03/2017 no Blog Criacionismo)

Referências e notas:

[1] Janis CM, et al. Locomotion in Extinct Giant Kangaroos: Were Sthenurines Hop-Less Monsters? PLoS One. 2014;9(10):e109888.

[2] Butler K, Travouillon KJ, Price GJ, Archer M, Hand SJ. Cookeroo, a new genus of fossil kangaroo (Marsupialia, Macropodidae) from the Oligo-Miocene of Riversleigh, northwestern Queensland, Australia. Journal of Vertebrate Paleontology. 2016; 36(3):e1083029.

[3] Cifelli RL, Davis BM. Marsupial Origins. Science. 2003;302(5652):1899-1900.

[4] Luo ZX, et al. An Early Cretaceous Tribosphenic Mammal and Metatherian Evolution. Science. 2003;302(5652):1934-1940.

[5] Kangaroos similar to humans, claim Australian researchers. Telegraph (18/11/2008). Disponível em:http://www.telegraph.co.uk/news/science/3477482/Kangaroos-similar-to-humans-claim-Australian-researchers.html

[6] Nilsson MA, et al. Tracking Marsupial Evolution Using Archaic Genomic Retroposon Insertions. PLoS Biol. 2010 Jul 27;8(7):e1000436.

[7] Clarey T. Hot Mantle Initiated Ocean and Flood Beginnings. Acts & Facts. 2013;42(8):15.

[8] “[Gênesis 10: 1] diz respeito à quarta geração do livro de Gênesis (anteriormente observado em Gênesis 2: 4; 5: 1 e 6: 9), presumivelmente marcando as assinaturas de Sem, Cam e Jafé após completar sua narrativa do Dilúvio e os anos pós-dilúvio imediatos. Ver: Morris H. The Henry Morris Study Bible. Green Forest, AR: Master Books, 2012, p.45.

[9] Hebert J. Was There an Ice Age? Acts & Facts. 2013;42(12):20; ver também: “Alves EF. A era do gelo: uma perspectiva bíblico-científica. NUMAR-SCB (31/10/2016). Disponível em: http://numar.scb.org.br/artigos/era-do-gelo-uma-perspectiva-biblico-cientifica/

[10] Gomitz V. Sea level rise, after the Ice Melted and Today. Science Briefs. Goddard Institute for Space Studies da NASA (10/01/2007). Disponível em: https://www.giss.nasa.gov/research/briefs/gornitz_09/

[11] Clarey T. The Ice Age and the Scattering of Nations. Acts & Facts. 2016;45(8): 9.

[12] Mesmo os evolucionistas há muito invocaram a migração em esteiras de detritos flutuantes para explicar o transporte de animais para as ilhas. Tipos de plantas similares em diferentes continentes, florescendo bem onde as correntes oceânicas os levariam, apoiam o transporte

[13] Possivelmente, marsupiais e placentários competiram fora por recursos, assim os marsupiais continuaram a migrar para os habitats com menos competição.

[14] Baerg HJ. O mundo já foi melhor. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992.

[15] Gibson LJ. Patterns of mammal distribution. Manuscrito não publicado, distribuído pelo Geoscience Research Institute, Loma Linda University, Loma Linda, CA.

[16] Thomas B. Why Do Kangaroos Live Only in Australia? Acts & Facts. 2017; 46(2):20.

Bactérias consideradas as formas de vida mais antigas na Terra eram apenas rachaduras em cristais

Microcristais que foram confundidos com bactérias

A explosão do Cambriano é uma das muitas pedras nos sapatos dos defensores da Teoria da Evolução. Isso os tem levado a um busca desesperada por formas de vida simples nas camadas pré-cambrianas que apresentem qualquer conexão com aquelas encontradas nas camadas superiores. Algumas algas e supostas bactérias são relatadas nessas camadas pré-cambrianas, mas não se veem ali formas intermediárias claramente identificáveis como ancestrais de trilobitas ou de braquiópodes, por exemplo. Uma explicação simples para a presença de algas e bactérias nessas regiões é a observação de que nos dias atuais algas e bactérias também habitam rochas profundas. Na época do dilúvio, essas criaturas poderiam ter sido fossilizadas ali.

Estruturas microscópicas filamentosas, encontradas na Austrália ocidental, são consideradas por evolucionistas as formas de vida mais antigas de que se tem relato. As rochas nas quais essas estruturas se localizam têm idades estimadas em 3,5 bilhões de anos, na cronologia evolucionista. Essas estruturas foram encontradas há mais de duas décadas e foram identificadas como fósseis de bactérias fotossintéticas do Archeano.

Pois bem, um grupo de pesquisadores do Instituto Carnegie decidiu fazer aquilo que sempre coloca os evolucionistas em maus lençóis, ou seja, analisar as alegações de forma detalhada. Os pesquisadores, usando técnicas de construção de imagens sofisticas, observaram os interstícios entre os grãos microscópicos de cristais de quartzo nas vizinhanças de um dos supostos microfósseis e descobriram que esses interstícios estavam preenchidos por carbono.

Quando os pesquisadores olharam para o suposto microfóssil usando essa mesma técnica, perceberam que o filamento dividia vários pequenos microcristais, de forma que partes correspondentes desses microcristais eram encontradas nos dois lados dos filamentos. Isso é como cortar uma laranja ao meio e colocar um objeto entre as duas metades. Não é o que se espera de um processo de fossilização. Além disso, o carbono encontrado ao longo do filamento liga-se a outros veios que parecem estar preenchendo fissuras e o filamento parece também estar conectado a uma espécie de cratera local que não faz o menor sentido do ponto de vista biológico. Tudo isso indica que a rocha hospedeira e a estrutura filamentosa não se formaram juntamente. Ao invés disso, o cristal maior no qual a estrutura filamentosa é encontrada se partiu (dividindo também os grãos de tamanho menor) e as fissuras formadas foram posteriormente preenchidas por material rico em carbono. Em outras palavras, olhar para essa estrutura e ver ali uma bactéria é como olhar para as nuvens e tentar identificar figuras familiares.

O estudo não afirma que todas as estruturas microscópicas desse tipo são pseudofósseis, mesmo porque nem todas foram estudadas com o mesmo rigor, mas nos mostra que deve-se exercitar muita cautela para não tirar conclusões precipitadas baseadas em uma visão de mundo equivocada e sem o suporte experimental necessário.

Referências:

[1] D.M. Bower, A. Steele, M.D. Fries, O.R. Green, J.F. Lindsay, Raman Imaging Spectroscopy of a Putative Microfossil from the 3.46 Ga Apex Chert: Insights from Quartz Grain Orientation, Astrobiology. 16 (2016) 169.

(Origem e Vida)

 

O criacionismo e a variabilidade dos seres vivos

Matthew Ravosa, da Universidade de Notre Dame, liderou uma equipe que publicou recentemente um artigo na Biological Reviews [1, 2] a respeito da plasticidade dos aspectos físicos de uma dada espécie. Animais submetidos a dietas diferentes possuem desenvolvimento diferentes nos mais diversos níveis, como afirma o professor Ravosa: “Durante o crescimento pós-natal, mostramos que essas variações no estresse de mastigação relacionadas à dieta induzem uma cascata de mudanças nos níveis celular, de tecidos, protéicos e genéticos, de forma a manter a integridade das estruturas craniomandibulares envolvidas no processamento de alimento.” [1]

As variações induzidas nesses experimentos chegam mesmo a ser comparadas a diferenças observadas entre espécies distintas: “Em terceiro lugar, dada a longa duração dos experimentos, somos capazes de demonstrar que um padrão dietético iniciado ainda no período pós-natal e de duração prolongada pode resultar em níveis de variações das mandíbulas de uma única espécie em par com aquelas observadas entre espécies.” [1]

O professor Ravosa também chama a atenção para o tipo de dificuldade que isso traz para a interpretação dos fragmentos de ossos encontrados no registro fóssil: “Essas análises longitudinais mostram que os efeitos morfológicos da ‘sazonalidade’ dietética são detectados apenas em algumas regiões do crânio, o que atrapalha ainda mais nossa habilidade de reconstruir acuradamente a biologia de organismos fósseis representados por espécimes singulares e fragmentados.” [1] Em outras palavras, um pesquisador corre o risco de anunciar a descoberta de uma nova espécie com base em uns poucos fragmentos de ossos, quando na verdade o que tem em mãos pode ser apenas uma variação de uma espécie já conhecida induzida pela própria alimentação. Ressalte-se que a definição de espécies é, há muito tempo, um tema controverso.

Os criacionistas, ao contrário do que afirmam determinados livros-texto universitários, [3] não são fixistas, isto é, não defendem que as espécies que existem hoje foram criadas da forma como as conhecemos desde o início. A própria tese criacionista para o repovoamento do mundo animal após o dilúvio depende da existência de variabilidade. Alguns chamam isso de microevolução, embora existam boas razões para utilizarmos termos como diversificação de baixo nível.

O tipo de variabilidade que normalmente é encontrado no registro fóssil, e que é invocado exaustivamente como evidencia a favor da evolução, ajusta-se melhor à ideia criacionista de variações limitadas. É comum, quando se pesquisa o argumento em fonte evolucionista, encontrarmos um cenário que coloca de um lado a proposta evolucionista, que prevê variações, e do outro uma distorcida proposta criacionista, que não prevê variações. Diante das variações observadas em experimentos e no registro fóssil, argumenta-se então que a evidência é favorável à evolução. Nada mais enganoso.

Quando se entende que ambas as proposta preveem variações, recai sobre os evolucionistas o ônus de demonstrar as transformações que excedem essas mudanças em pequena escala, ou o que muitos chamariam de macroevolução. Nas palavras de um evolucionista sincero neste ponto, “é possível imaginar, por extrapolação, que, se os processos em pequena escala que vimos continuassem por um período de tempo suficientemente longo, eles poderiam produzir a variedade moderna da vida”.[3]  E é esse o ponto que realmente deveria figurar no centro do debate: essa extrapolação é válida? Não seriam o grande número de fraudes e interpretações equivocadas sintomas de que a extrapolação evolucionista se sustenta forçosamente, mais apoiada em uma visão de mundo do que em evidência paupável?

Referências:

[1] University of Notre Dame. “Reinterpreting the fossil record on jaws.” ScienceDaily. ScienceDaily, 17 August 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/08/160817133139.htm>

[2] Matthew J. Ravosa, Rachel A. Menegaz, Jeremiah E. Scott, David J. Daegling, Kevin R. McAbee. Limitations of a morphological criterion of adaptive inference in the fossil record. Biological Reviews, 2015; DOI: 10.1111/brv.12199

[3] Mark Ridley, Evolução, 3a. Ed., Artmed, 2006,  p.67, 77.

 

(Origem e Vida)

Criacionista sugeriu a seleção natural antes de Darwin

Edward Blyth

Ao contrário do que muitos pensam, os criacionistas não rejeitam a ideia de seleção natural.[1,2] Todavia, discordam dos evolucionistas a respeito da extensão das modificações que esse processo é capaz de produzir. Normalmente, coloca-se um sinal de igualdade entre seleção natural e macroevolução; apela-se à primeira para justificar a última. Os exemplos clássicos de evidências a favor evolução que encontramos em livros-texto tratam de variações em pequena escala, ou seja, de microevolução (como mudanças de cor, tamanho, resistência a antibióticos etc). Como os próprios autores evolucionistas admitem, a macroevolucão só pode ser inferida a partir de extrapolação.[3]

Pois bem, não é novidade que Darwin não foi o primeiro a tratar da seleção natural. James Hutton escreveu sobre o mecanismo em 1794, William Wells em 1818 e Patrick Matthew em 1831.[4] Segundo alguns autores, até mesmo William Paley teria antecipado o conceito seleção natural, em 1803.[5] Darwin afirmava ter tomado conhecimento da contribuição desses autores somente após a publicação de A Origem das Espécies, em 1859.[4]

Em 1835, Edward Blyth publicou um artigo no Magazine of Natural History [6] no qual se pode encontrar o mecanismo de seleção natural de forma surpreendentemente clara. Existem evidências históricas de que Darwin era um leitor do Magazine of Natural History,[7] mas não se pode afirmar com certeza que ele tenha lido o trabalho de Blyth antes de elaborar sua teoria.
Embora o termo seleção natural não seja utilizado explicitamente no artigo de Blyth, a ideia está indubitavelmente presente:
“É uma lei geral da natureza para todas as criaturas a propagação de sua própria semelhança: e isso se estende às minúcias mais triviais, para as mais tênues peculiaridades individuais; e assim, entre nós mesmos, vemos a semelhança de uma família sendo transmitida de geração em geração. Quando dois animais acasalam, cada um possuindo uma certa característica em comum, não importando o quão trivial ela seja, existe também uma tendência decisiva na natureza para que aquela peculiaridade se intensifique; e se a prole desses animais for separada, e se somente aqueles nos quais a mesma peculiaridade é mais aparente forem selecionados para reprodução, a próxima geração irá possuí-la em um grau ainda mais notável; e assim por diante, até que a longo prazo a variedade que designei de raça seja formada, podendo ser muito diferente do tipo original”.[6]
“Em um grande rebanho de gado, o touro mais forte afasta de si os indivíduos mais novos e mais fracos de seu próprio sexo, e permanece como o único mestre do rebanho; de modo que todos os jovens que venham a ser produzidos tenham sua origem naquele indivíduo que possui máxima potência e força física; e que, consequentemente, na batalha pela existência, foi o mais capaz para manter seu território, e defender-se de cada inimigo. De maneira similar, entre os animais que procuram sua comida por meio de sua agilidade, força, ou delicadeza dos sentidos, aquele melhor organizado deve sempre obter a maior quantidade; e deve, portanto, tornar-se o mais forte fisicamente, e assim ser habilitado, pela derrota de seus oponentes, a transmitir suas qualidades superiores a um número maior de descendentes”. [6]
Contudo, Blyth não sustentava que a seleção natural seria capaz de proezas como converter um urso em uma baleia, como Darwin sugeriu na primeira edição de seu livro mais famoso.[8] Blyth via esse mecanismo como um recurso que tinha por fim conservar as qualidades típicas de uma espécie:
“A mesma lei, portanto, que foi designada pela Providência para manter as qualidades típicas de uma espécie, pode ser facilmente convertida pelo homem em um meio de criar diferentes variedades; mas também está claro que, se o homem não preservar essas raças pelo controle do intercurso sexual, elas irão naturalmente retornar ao tipo original”. [6]
Em outras palavras, o mecanismo é o mesmo que Darwin publicaria 24 anos mais tarde – que tem como resultado a propagação das qualidades dos indivíduos mais aptos a se reproduzir – mas o efeito final, segundo Blyth, seria o de reestabelecer as variedades de animais aos seus tipos originais e não criar novas espécies sem limite aparente para as modificações. Diga-se de passagem, não é essa a posição defendida pelos criacionistas de hoje. Mas o ponto em questão aqui é a prioridade de Blyth sobre Darwin quanto ao mecanismo de seleção natural.
Edward Blyth, ao contrário de Darwin, não tentou descrever uma natureza sem um Criador. Blyth, como tantos outros cientistas importantes (desde muito antes de seu tempo até os dias atuais), reconheceu a origem de tudo:
“Existe, de forma muito estranha, uma diferença de opinião entre naturalistas quanto a serem essas mudanças sazonais um desígnio da Providência como uma adaptação a mudanças de temperatura, ou um meio de preservar as várias espécies de seus inimigos, pela adaptação de sua matiz às cores da superfície; (…) O fato é que elas respondem a ambos os propósitos; e elas estão entre aqueles impressionantes exemplos de planejamento, que tão claramente e fortemente atestam a existência de uma grandiosa e onisciente Primeira Causa”. [6]
Blyth pode ter errado com sua ideia de conservação. Mas Darwin também errou em outros pontos e principalmente ao propor o que hoje chamamos de macroevolução. Em um ambiente no qual o materialismo ganhava cada vez mais força, Darwin se tornou um ícone mundial. Como o próprio Richard Dawkins admite, “só depois de Darwin é possível ser um ateu intelectualmente satisfeito”.[9]   Edward Blyth foi praticamente lançado no esquecimento. Mas Alguém certamente se lembrará de que ele deu ao Criador a glória que lhe era devida.
“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:32,33).
Referências:
[1]      G. Purdom, N.T. Jeanson, Understanding Natural Selection, Answers in Genesis, Https://answersingenesis.org/natural-Selection/understanding-Natural-Selection/. (2016).
[2]      P.G. Humber, Natural Selection – A Creationist’s Idea, Acts Facts. 26 (1997).
[3]      M. Riddley, Evolução, 3a. ed., Artmed, Porto Alegre, 2006.
[4]      P.N. Pearson, In retrospect: An Investigation of the Principles of Knowledge and of the Progress of Reason, from Sense to Science and Philosophy, Nature. 425 (2003) 665–665. doi:10.1038/425665a.
[5]      W.L. Abler, What Darwin knew, Nature. 426 (2003) 759–759. doi:10.1038/426759b.
[6]      E. Blyth, An Attempt to Classify the “Varieties” of Animals, with Observations on the Marked Seasonal and Other Changes Which Naturally Take Place in Various British Species, and Which Do Not Constitute Varieties, Mag. Nat. Hist. 8 (1835) 40–53.
[7]      J.E. Schwartz, Charles Darwin’s Debt to Malthus and Edward Blyth, J. Hist. Biol. 7 (1974) 301–318.
[8]      C.R. Darwin, On The Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Strugg;e for Life, Facsímile , Harvard University Press, Cambridge, 1859.
[9]      R. Dawkins, O Relojoeiro Cego, Companhia das Letras, São Paulo, 2001.
Pakicetus

Pakicetus, uma baleia com pernas?

A baleia fake da Science

“Estivemos ansiosamente antecipando alguma descoberta desse tipo, mas não estávamos preparados para uma evidência tão convincente da estreita relação faunal entre a Ásia oriental e a América do Norte ocidental tal como é revelado por esse diminuto espécime.”[1] Essas palavras aparecem logo na quinta linha do artigo publicado por Henry F. Osborn em 1922 na revista Science, no qual ele descreve o famoso homem de Nebraska. A evidência tão convincente à qual ele se referia era um dente de cerca de 1 cm. Apenas isso. No artigo, Osborn discute detalhadamente as características do dente que o levaram a concluir que ele havia pertencido a um ancestral do homem. Em 1927, a Science se viu obrigada a publicar uma retratação com o título “Hesperopithecus apparently not an ape nor a man” (Hesperopithecus, aparentemente nem macaco nem homem).[2] O restante do esqueleto ao qual pertencia o dente havia sido encontrado. Tratava-se de um javali extinto!

Mas a ciência vive de erros e acertos e, naturalmente, o tipo de abordagem que levou ao homem de Nebraska seria revisto no futuro para que não se repetisse tamanho vexame. Certo? Errado. As baleias que o digam.
A capa da edição de 22 de abril de 1983 da Science, 61 anos depois da publicação do homem de Nebraska, estampava um animal meio mamífero terrestre, meio baleia.[3] Na ilustração, o animal saía da margem de uma praia e mergulhava para buscar comida na água. Tratava-se do Pakicetus, nome dado à estranha criatura encontrada no Paquistão.
O Dr. Philip D. Gingerish, lider da pesquisa que apresentou o Pakicetus à comunidade científica, declarou na época que “o Pakicetus e outros cetáceos do início do Eoceno representam um estágio anfíbio na transição evolucionária gradual das baleias primitivas da terra para o mar.” [3] Mas o que era realmente conhecido a respeito do Pakicetus? Apenas fragmentos dos ossos do crânio. A partir deles, todo o crânio foi reconstruído e nele foram adicionadas características que não podiam ser deduzidas apenas com base nos fragmentes. Supôs-se que o Pakicetus possuísse olhos nas laterais da cabeça, como as baleias, e um respirador no topo do focinho. Esse respirador estaria a meio caminho da posição dos respiradores das baleias modernas. Supôs-se, ainda, que o Pakicetus possuísse nadadeiras, que não tivesse um pescoço visível (como nas baleias) e que podia tanto caminhar em terra como nadar no mar, como as baleias.
18 anos depois de o Dr. Gingerich ter encontrado os fragmentos do crânio do Pakicetus, outros 4 crânios parciais e 150 ossos de Pakicetus foram descobertos, permitindo que os cientistas construissem um esqueleto quase completo.[4] Com base nas novas descobertas, pôde-se concluir que o Pakicetus não se assemelhava nada com o animal que estampou a capa da Science em 1983. Ele na verdade possuía um nariz na extremidade do focinho, não um respirador de baleia, pés preparados para correr (não nadadeiras), pescoço longo e visível (não ausente, como nas baleias) e olhos no topo da cabeça (não nas laterais). Não seria um exagero chamar o Pakicetus de a “baleia de Nebraska”.
Mesmo assim, nos dias de hoje ainda se insiste em que o Pakicetus esteja na linha de ancestralidade dos cetáceos modernos com base em características como uma suposta semelhança entre suas bulas auditivas. Os cetáceos modernos possuem uma estrutura chamada de processo sigmoide, algo similar a um polegar estendido. Segundo o Dr. Zhe-Xi Luo, especialista em evolução de mamíferos, o Pakicetus não possuía um processo sigmoide na bula auditiva, mas simplesmente uma placa plana. Placas como essa são encontradas em mamíferos terrestres.[5]  Observe a figura ao lado e tire suas próprias conclusões.
A história toda de como esse animal acabou sendo chamado de baleia é um exemplo muito interessante de como a visão de mundo de um cientista possui um peso decisivo em suas interpretações, especialmente quando tentamos reconstruir a história de um passado do qual sobraram apenas alguns vestígios. Os fragmentos de crânio encontrados pelo Dr. Gingerinsh constituem os dados experimentais dos quais ele dispunha. O significado que ele atribuiu àqueles fragmentos foi pura interpretação baseada em sua visão de mundo evolucionista.
A mídia cientifica muito frequentemente nos apresenta os dados fósseis e sua interpretação evolucionista como um conjunto indissociável. Extrapolações e inferências são apresentadas como fatos incontestáveis e procura-se lançar ao ridículo aqueles que se atrevem a olhar para os mesmos dados com uma visão de mundo diferente. É preciso ter isso em mente quando nos forem apresentados os próximos homens-macaco e baleias com pernas.
Concepção artística atual do Pakicetus
Referências:
[1]    H.F. Osborn, Hesperopithecus, the first anthropoid primate found in America, Science, 55 (1922) 463–465. doi:10.1126/science.55.1427.463.
[2]    W.K. Gregory, Hesperopithecus apparently not an ape nor a man, Science, 66 (1927) 579–581. doi:10.1126/science.66.1720.579.
[3]    P.D. Gingerich, N.A. Wells, D.E. Russell, S.M.I. Shah, Origin of Whales in Epicontinental Remnant Seas: New Evidence from the Early Eocene of Pakistan, Science, 220 (1983) 403–406. doi:10.1126/science.220.4595.403.
[4]    J.G.M. Thewissen, E.M. Williams, L.J. Roe, S.T. Hussain, Skeletons of terrestrial cetaceans and the relationship of whales to artiodactyls, Nature. 413 (2001) 277–281. doi:10.1038/35095005.
[5]   C. Werner, Evolution: The Grand Experiment Vol. 1, 3rd ed., New Leaf Press, 2014.

Fósseis de Galápagos: pedra no sapato dos evolucionistas

Afloramentos vulcânicos no arquipélago de Galápagos não parecem fornecer a riqueza de exemplares encontrados em outras localidades ricas em fósseis ao redor do mundo. No entanto, os fósseis estão, de fato, presentes nas Ilhas Galápagos. Esta breve revisão aborda o onde, o que, quando e por que de haver fósseis nas Ilhas Galápagos, e fecha com uma discussão sobre sua potencial contribuição para o desenvolvimento de modelos sobre as origens.

Onde estão os fósseis encontrados nas Ilhas Galápagos?

  1. Os sedimentos depositados em águas rasas ao redor das ilhas e posteriormente levantados acima do nível do mar, muitas vezes contêm fósseis de organismos marinhos (tais como conchas de moluscos).[1]
  1. Tubos de lava se formam durante as erupções vulcânicas, quando o topo de um fluxo de lava resfria e solidifica, mas a lava continua a fluir por baixo. Quando drenos de lava se esvaem desses condutos tubulares, um espaço vazio é deixado no subsolo. Esses túneis e fissuras muitas vezes contêm sedimentos com restos fósseis de vertebrados terrestres.[2]
  1. O interior de algumas das ilhas é caracterizado por um clima mais consistentemente úmido. Pequenos lagos e pântanos, formados dentro de crateras vulcânicas inativas, podem ser encontrados. Os sedimentos que enchem o fundo dessas pequenas depressões contêm material vegetal fóssil.

Que tipo de fósseis são encontrados nas Ilhas Galápagos?

Os fósseis encontrados nos depósitos marinhos emergidos rasos são dominados por invertebrados marinhos como moluscos bivalves, gastrópodes, briozoários, corais e cracas.[1, 5-7] Não são visíveis a olho nu, mas muito abundantes nos sedimentos também são os microfósseis planctônicos, pequenos animais (2 mm) exóticos que habitam locais inferiores, como os ostracodes, além de grupos específicos de protozoários, como os foraminíferos.[5] Raros, mas às vezes encontrados nesses sedimentos, são fragmentos de esqueletos de vertebrados marinhos e terrestres, como pássaros, lagartos e leões-marinhos.[1, 5, 7]

A carcaça de um leão-marinho parcialmente decomposto em uma praia, Ilha Norte Seymour, Galápagos. Escala em centímetros. Elementos esqueléticos de carcaças podem ser incorporados em depósitos de praia e, eventualmente, se tornar fossilizados.

Os fósseis coletados dos tubos de lava incluem dezenas de milhares de ossos e fragmentos de ossos de aves, répteis e mamíferos, bem como conchas de caracóis terrestres.[2, 8, 9] Os restos de vertebrados incluem espécimes das espécies de Galápagos mais emblemáticas, tais como a tartaruga gigante, iguana terrestre, tentilhões e sabiás, juntamente com espécies de roedores, cobras, lagartos, lagartixas, morcegos e aves. Curiosamente, a maioria desses ossos representa restos de presas regurgitadas por corujas de celeiro de Galápagos, uma espécie que constrói poleiro e ninhos em bordas dos tubos de lava. Ossos de organismos maiores (como tartarugas gigantes), por outro lado, representam animais que caíram e morreram presos nos tubos.

Material vegetal fóssil recuperado de sedimentos de pântano e lago consiste principalmente de pólen e esporos microscópicos.[3, 4] No entanto, de tamanho pequeno (restos macroscópicos tais como sementes de plantas e fragmentos) também foram encontrados.[10]

lava tube composite

A) As aberturas que conectam tubos de lava subterrâneos, Ilha Isabela, Galápagos. A abertura do primeiro plano tem um diâmetro de cerca de 50 cm. B): carcaça de um gato encontrado no interior do tubo de lava conectado à abertura ilustrada em A). Captura e morte em tubos de lava em um dos processos que resultam em fossilização de vertebrados terrestres nas Ilhas Galápagos.

Quando os fósseis das Ilhas Galápagos se formaram?

A questão da idade é sensível para os criacionistas. Existem duas abordagens para datar um objeto geológico, como um fóssil ou uma rocha. O primeiro, denominado datação absoluta, visa a atribuir uma idade numérica para o objeto. O segundo, chamado de datação relativa, tenta estabelecer se o objeto é mais jovem ou mais velho do que outros objetos, mas sem atribuir uma idade numérica específica.

Idades absolutas em geologia são baseadas em métodos de datação radiométrica. Idades radiométricas têm valores que sugerem uma longa cronologia da vida na Terra, criando um conflito potencial com o registro bíblico.[11] Por essa razão, os criacionistas tendem a rejeitar esses valores absolutos, à procura de formas alternativas que expliquem esses resultados. Em geral, no entanto, existe um consenso de que a ordem relativa das datas (mais jovem versus mais velhas) pode ser um indicador fiável da sua idade relativa, independentemente dos valores absolutos. Nas Ilhas Galápagos, as idades de radiocarbono obtidas a partir de alguns dos ossos fósseis são quase invariavelmente mais jovens do que oito mil anos,[12] com apenas um par de exceções dando valores em torno de 20 mil anos.[2, 8] Idades de radiocarbono de matéria orgânica associada com os materiais vegetais fósseis também são consistentemente mais jovens do que 26 mil anos,[4, 13] com exceção de uma camada mais antiga datada em 48 mil anos.[3]

Fósseis em depósitos marinhos são considerados mais jovens do que dois milhões de anos,[14] com base em idades radiométricas de rochas vulcânicas intercaladas com os depósitos.[1] No geral, a cronologia de longa idade dessas datações se correlaciona com os intervalos muito superiores da coluna geológica (Pleistoceno e Holoceno). Em resumo, uma abordagem mista de datação absoluta e relativa parece sugerir que os fósseis de Galápagos se formaram durante uma parte mais recente da história da Terra, sendo restritos às camadas superiores da coluna geológica.

Por que os paleontólogos estão interessados em estudar fósseis das Ilhas Galápagos?

Fósseis de Galápagos são explorados como um arquivo da vida passada e da ecologia nas ilhas. Tópicos sendo perseguidos pelos paleontólogos incluem: (a) padrões documentados na diversidade de espécies e tendências morfológicas, com potencial de visão sobre a origem da fauna e flora endêmicas;[2, 15] (b) estudo do impacto sobre o ecossistema da introdução de flora e fauna não nativas, com implicações para a ecologia e conservação;[2, 10] e (c) reconstrução de tendências climáticas passadas e eventos na ilha e no sistema do Oceano Pacífico tropical.[3, 4]

Implicações para modelos criacionistas

Embora não sejam tão icônicos e bem conhecidos como seus homólogos vivos, os fósseis das Ilhas Galápagos podem realmente oferecer algumas contribuições valiosas para a discussão das origens, quando abordados a partir de uma perspectiva criacionista. Os seguintes pontos resumem algumas das considerações mais importantes:

Correlação com a cronologia bíblica: uma das questões-chave levantadas a partir de uma perspectiva criacionista seria se os fósseis de Galápagos se formaram antes, durante ou depois do dilúvio bíblico. Dois elementos importantes informam uma possível resposta que, provavelmente, a maioria dos criacionistas abraçaria. Em primeiro lugar, os fósseis parecem ser relativamente jovens, sendo encontrados em depósitos que são muitas vezes dentro de características recentes da paisagem (por exemplo, tubos de lava, crateras) e associados com idades radiométricas do Holoceno e do Pleistoceno. Em segundo lugar, as assembleias de fósseis consistem quase completamente de espécies modernas, e não tipos extintos.[8, 15] A maioria dos criacionistas concorda que espécies modernas diferem das espécies pré-diluvianas, devido ao fato de elas se adaptaram às novas condições ambientais após o dilúvio. Portanto, ao considerar esses dois aspectos, uma conclusão razoável em um modelo criacionista seria a de que esses fósseis se formaram durante o período pós-diluviano.

Estase e taxas de evolução: desde a época de Darwin, as espécies modernas em Galápagos têm sido apresentadas como uma ilustração paradigmática de especiação e origem de novas espécies a partir de uma forma ancestral comum. No entanto, os fósseis conhecidos atualmente em Galápagos não corroboram significativamente essa narrativa. A esmagadora maioria dos fósseis recuperados pertence a espécies modernas conhecidas, com muito poucos exemplos de formas extintas.[2, 6, 15, 16] Portanto, em vez de documentar a mudança gradual, os fósseis de Galápagos ilustram estase. Pode-se objetar que a série de fósseis de transição não é observada, porque o registro fóssil das ilhas é fragmentado e representa apenas o intervalo de tempo mais recente. No entanto, essa é uma sugestão baseada em dados que não temos. O que é observável não captura transições evolutivas.

Ordem no registro fóssil: diferentes tipos de fósseis não são distribuídos aleatoriamente na coluna geológica, mas seguem um padrão específico de aparecimento e desaparecimento. Fósseis de Galápagos podem ser usados como um modelo para explorar por que vários tipos de fósseis não estão todos misturados nos estratos, mas seguem certa ordem. Dois fatores principais parecem estar em jogo: tempo e espaço. Não há fósseis de dinossauros ou leões africanos em Galápagos. Sabemos que os leões africanos não estão extintos, mas eles vivem apenas no continente Africano. Portanto, a razão pela qual os leões não estão fossilizados em Galápagos está ligada à sua distribuição geográfica (espaço). Por outro lado, os dinossauros estão extintos. Portanto, pode ser que eles nunca fossilizaram em Galápagos, porque eles não estavam presentes na Terra no momento da formação dos fósseis de Galápagos (tempo). A presença ou ausência de certos grupos de organismos no tempo e no espaço determina a distribuição ordenada de fósseis, tanto em interpretações criacionistas quanto evolucionistas do registro fóssil.

O processo de fossilização: fósseis de Galápagos podem ser usados para mostrar como o processo de fossilização depende de ambas as características de um organismo e seu ambiente deposicional. Por exemplo, as criaturas marinhas mais bem representadas nos fósseis de Galápagos são aquelas com conchas e partes duras. Animais de corpo mole, como pepinos do mar, apresentam menor probabilidade de ser fossilizados. O meio de deposição também é crucial para a fossilização. Por exemplo, lavas vulcânicas não são favoráveis para a preservação de organismos mortos, mas se armadilhas onde os sedimentos podem acumular estão presentes (por exemplo, os tubos de lava), fósseis podem ser encontrados mesmo em terreno vulcânico. Além disso, os ambientes terrestres (por exemplo, lagos e pântanos) são mais propensos a preservar fósseis de organismos terrestres (por exemplo, plantas terrestres), e ambientes marinhos tendem a ser dominados por fósseis de organismos marinhos. Usando as Ilhas Galápagos como estudo de caso, pode-se concluir que a fossilização certamente não é onipresente e não preserva todos os tipos de organismos, mas mesmo em ambientes desfavoráveis (por exemplo, províncias vulcânicas), a fossilização não é tão improvável quanto se poderia pensar. Representar o registro fóssil como altamente fragmentado e incompleto pode ser uma má caracterização de um arquivo muito rico de formas de vida passadas.

Traduzido do original Geoscience Research Institute[17] e publicado originalmente em 07/12/2016 no Blog Criacionismo.

Notas e referências:

  1. Hickman, C.S. and J.H. Lipps, Geologic youth of Galápagos Islands confirmed by marine stratigraphy and paleontology. Science, 1985. 227(4694): p. 1578-1580.
  2. Steadman, D.W., et al., Chronology of Holocene vertebrate extinction in the Galápagos Islands. Quaternary Research, 1991. 36(1): p. 126-133.
  3. Colinvaux, P.A., Climate and the Galapagos Islands. Nature, 1972. 240(5375): p. 17-20.
  4. Collins, A.F., M.B. Bush, and J.P. Sachs, Microrefugia and species persistence in the Galápagos highlands: a 26,000-year paleoecological perspective. Frontiers in Genetics, 2013. 4: p. 269.
  5. Finger, K.L., et al. Pleistocene Marine Paleoenvironments on the Galapagos Islands. in GSA Abstracts with Programs. 2007.
  6. Ragaini, L., et al., Paleoecology and paleobiogeography of fossil mollusks from Isla Isabela (Galápagos, Ecuador). Journal of South American Earth Sciences, 2002. 15(3): p. 381-389.
  7. Johnson, M.E., P.M. Karabinos, and V. Mendia, Quaternary Intertidal Deposits Intercalated with Volcanic Rocks on Isla Sombrero Chino in the Galápagos Islands (Ecuador). Journal of Coastal Research, 2010: p. 762-768.
  8. Steadman, D.W., Holocene vertebrate fossils from Isla Floreana, Galápagos. Smithsonian Contirbutions to Zoology, 413: 104 pp.
  9. Chambers, S.M. and D.W. Steadman, Holocene terrestrial gastropod faunas from Isla Santa Cruz and Isla Floreana, Galapagos: evidence for late Holocene declines. Transactions of the San Diego Society of Natural History, 1986. 21(6): p. 89-110.
  10. Coffey, E.E.D., C.A. Froyd, and K.J. Willis, When is an invasive not an invasive? Macrofossil evidence of doubtful native plant species in the Galápagos Islands. Ecology, 2011. 92(4): p. 805-812.
  11. Uma discussão sobre abordagens criacionistas para a datação radiométrica está além do escopo deste artigo, mas um resumo útil pode ser encontrada em: https://grisda.wordpress.com/2013/07/29/radiometric-dating/
  12. ka = milhares de anos antes do presente
  13. van Leeuwen, J.F., et al., Fossil pollen as a guide to conservation in the Galápagos. Science, 2008. 322(5905): p. 1206-1206.
  14. Ma = Milhões de anos antes do presente
  15. James, M.J., A new look at evolution in the Galapagos: evidence from the late Cenozoic marine molluscan fauna. Biological Journal of the Linnean Society, 1984. 21(1‐2): p. 77-95.
  16. Steadman, D.W. and C.E. Ray, The Relationships of Megaoryzomys curioi, an Extinct Cricetine Rodent (Muroidea: Muridae) from the Galapagos Islands, Ecuador. Smithsonian Contributions to Paleobiology, 51: 24 pp.
  17. Fossils of the Galápagos: A review with implications for creationist models. Geoscience Research Institute (29/05/2016). Disponível em: https://grisda.wordpress.com/2016/05/29/fossils-of-the-galapagos-a-review-with-implications-for-creationist-models/

Saltadores-do-lodo (mudskippers): maravilhas do lamaçal!

Se você já viu um documentário da vida selvagem em manguezais tropicais, provavelmente deve ter observado mudskippers no trabalho e nas brincadeiras. Esse peixe incomum, com cerca de 15 cm de comprimento, pertence ao gênero Gobius (pequenos peixes marinhos).[1] Enquanto estão na água, eles não parecem mais notáveis do que outros peixes. No entanto, uma vez que a maré se vai para expor os alagados, se torna um assunto completamente diferente. As palhaçadas do mudskipper em terra são certamente divertidas de assistir. Para se mover, ummudskipper se joga para a frente, fazendo “flexões” com suas nadadeiras peitorais, um tipo de locomoção chamado crutching (termo relacionado ao ato de andar com a ajuda de muletas).[2] Quando dois mudskippers macho disputam território, eles estufam seus peitorais e mantêm a boca aberta, dando cabeçadas nas laterais do adversário. Essa cena cômica foi divertidamente capturada na série de TV sobre vida selvagem chamada “Life”.[3] O mais dramático é que um mudskipper pode tentar atrair a atenção de um companheiro por meio de um salto impressionante para o ar, seguido de um pouso deselegante.

O pior pesadelo de um criacionista?

Um peixe que passa a maior parte da vida na terra do que na água e “anda” sobre suas nadadeiras peitorais é certamente uma raridade. Alguns evolucionistas já se utilizaram domudskipper como uma suposta evidência contra a criação bíblica. Em um conhecido site anticriacionista, um blogueiro alegremente respondeu a uma imagem de dois mudskippersindonésios com o comentário: “Oh, não! O pior pesadelo dos criacionistas: um peixe caminhando!”[4]

Um vídeo online também expressa isso como um grande “pesadelo dos criacionistas”.[5] Entre as razões dadas estão o método incomum de respiração dos mudskipper e seus olhos originais (no topo da cabeça). No entanto, o golpe de misericórdia, de acordo com certos evolucionistas, é que “as nadadeiras dianteiras já não podem mais ser chamadas de barbatanas: elas são, claramente, uma transição entre barbatanas e pernas mais complexas, para andar sobre a terra”. A conclusão triunfal alcançada? “Sabendo de tudo isso, como você pode sempre alegar que não existem espécies transitórias?”

Aceitando o desafio

Contrariamente a essas afirmações confiantes, esse peixe anfíbio fascinante e único não é, de forma alguma, um problema para aqueles que veem Gênesis 1-11 como um relato histórico literal. Periodicamente, a revista Creation tem confrontado noções evolucionistas sobre peixes estranhos e maravilhosos e animais como peixes, tais como o axolotl[6] e o brachionichthyidae,[7] semelhantemente mencionados como transições evolutivas ou atavismos. Então, o que dizer de mudskippers?

Suas nadadeiras peitorais robustas são distintas daquelas da maioria dos outros gobies, possuindo hipermobilidade articular devido à sua dupla articulação móvel. Os músculos das barbatanas também são incomuns, sendo divididos em seções que movem os raios superiores e inferiores da nadadeira independentemente.[8] Estudos têm demonstrado que os raios da nadadeira são parcialmente desfeitos quando se deslocam sobre a terra, mas estão posicionados para dar o máximo de apoio para o pé sobre a lama.[9] A anatomia e a implantação dessas barbatanas fornecem a força necessária, flexibilidade, controle e amplitude de movimento para o estilo de vida do mudskipper no lamaçal.

Modificação evolutiva lenta e gradual desses órgãos cruciais de movimento exigiria muitas mutações simultâneas para o acréscimo de informação ocorrendo apenas nos lugares certos e nos momentos certos – mutações que alterassem o sistema músculo-esquelético, a fiação dos nervos e, mais importante, o desenvolvimento embrionário das barbatanas. Em vez disso, uma extensa pesquisa sobre esses tipos de alterações genéticas complexas especificadas não forneceu nenhuma evidência de que essas alterações possam ocorrer, e muito menos em tais coincidências coordenadas, como seriam necessárias.[10] Além disso, cada mutação precisa fornecer uma vantagem distinta para os peixes, a fim de ser “fixada” pela seleção natural. A probabilidade de tudo isso ocorrer é muito pequena.

O peixe que pisca

Especializações de olhos em criaturas vivas são frequentemente reivindicadas para demonstrar a verdade da evolução, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Por exemplo, o peixe de superfície anableps (que possui olhos com o equivalente a lentes bifocais)[11] e o peixe de profundidade Dolichopteryx longipes (com seus olhos telescópicos que funcionam como espelhos para refletir flashes da luz bioluminescente de outros animais)[12] são ambos criaturas cujos desenhos de olho não podem ser explicados por apenas uma estória contada.

Mudskippers têm visão excelente ao redor,[13] que faz todo o sentido para uma criatura que poderia facilmente se tornar um saboroso lanche para os predadores, e atesta contra a suposta evolução lenta dessa funcionalidade ao longo de milhões de anos. Todas as espécies mudskipper têm olhos proeminentes posicionados em cima da cabeça, mais para frente do que na maioria dos outros peixes. Isso lhes dá visão estereoscópica limitada, permitindo a percepção de profundidade como em seres humanos. Músculos oculares externos formam um assento para os olhos do tipo de uma rede, permitindo-lhes ser levantados ou abaixados à vontade[14] e até mesmo ser completamente fechados no interior da pele cheia de líquido, quando necessário. Essa característica é essencial para manter os olhos úmidos, e os torna únicos como peixes que piscam.

A retina sensível à luz de cada olho é inclinada, de modo que está mais longe da lente em direção ao topo do olho.[15] Isso significa que pode focar objetos a diferentes distâncias com as partes superior e inferior do olho, um recurso útil para um peixe que está tanto dentro quanto fora da água.

Para qualquer uma dessas especializações complexas surgir por erros genéticos não guiados é improvável, para dizer o mínimo. Consideradas em conjunto, essas características de olhos do mudskipper representam uma solução de design brilhante para seu estilo de vida peculiar. Basta supor que olhos salientes, de alguma forma, evoluíram, mas os copos especiais hidratantes ainda tinham que aparecer e/ou a relação especial lente-retina ainda tinha que surgir. Peixe tentando fazer isso na terra, sem que conseguisse focar corretamente em objetos, e cujos olhos estavam sujeitos a ser danificados pelo ambiente seco, teria sido extremamente desfavorecido e menos apto para sobreviver.

Especialistas em respiração pela pele

Mudskippers não respiram através de brânquias, as quais são utilizadas em vez de excretar resíduos de produtos como amônia.[16] Em vez disso, a troca gasosa ocorre em toda a superfície de toda a pele, que deve ser mantida úmida para o propósito. Isso inclui a mucosa interna da boca e da garganta, que, como nossos próprios pulmões, são superfícies umedecidas revestidas com capilares sanguíneos. Mudskippers podem engolir bocados de ar através do alargamento da cavidade da garganta ao fechar uma válvula especial às brânquias. Enquanto estão na água eles são, de fato, menos eficientes na troca gasosa do que a maioria dos outros peixes, mantendo seu batimento cardíaco e o metabolismo geral a um nível reduzido para conservar oxigênio. Esse conjunto de características especiais para respiração do ar faz sentido em uma criatura que vive o estilo de vida do mudskipper. No entanto, é difícil contemplar como as forças cegas da evolução poderiam gradualmente ter mudado um peixe de respiração branquial (perfeitamente adaptado à vida em água) em uma boca e corpo de peixe anfíbio de respiração em superfície. Em cada um dos numerosos passos intermédios distantes de um peixe verdadeiro, desafios fisiológicos e anatômicos deixariam sua cabeça feia, tornando qualquer alegação de benefício de sobrevivência um pensamento ilusório.

Nada foi deixado ao acaso no projeto do mudskipper. Por exemplo, peixes em geral devem manter um revestimento muco viscoso como uma barreira contra diversos parasitas. Isso é muito mais importante para mudskippers devido ao fato de ele deslizar sobre a terra e através de suas tocas (ver mais informações abaixo). O muco dos mudskippers faz mais do que apenas lubrificar a pele, reduzindo o arrasto. Pesquisas recentes têm mostrado que ele também tem atividade antimicrobiana contra uma vasta gama de bactérias.[17] Isso inclui muitos que infectam os seres humanos, de modo que estudar esse muco pode beneficiar a humanidade.

Mudskippers atestam a criação

Mudskippers realmente são maravilhas dos mangues e alagados. Quer nos concentremos em seus olhos especiais, em sua respiração única ou reflitamos sobre sua divertida barbatana caminhante, esses peixes parecem ter uma combinação ideal de características para as criaturas que vivem na água e sobre a terra. Seus vários “desvios” da anatomia dos peixes normais mostram uma economia de design, com as partes complexas de cada sistema do corpo claramente especificadas (por instruções do DNA) e afinadas. Mudskippercertamente não é a razão para os criacionistas ter pesadelos! Aqueles que optarem por acreditar no contrário parecem ser voluntariamente ignorantes (2 Pedro 3:5).

Um pouco mais sobre o mudskipper
– Mais de 30 espécies de mudskippers existem (em cinco gêneros) e compõem a maior parte da subfamília Oxudercinae, classificadas na família Gobiidae (gobies). A especialização em mudskippers torna improvável que todos os gobies façam parte do mesmo tipo criado, no entanto.
Mudskippers no gênero Periophthalmus fazem aquaristas gostar de alimentá-los com insetos, aranhas e outros alimentos vivos pela mão.[16]
– O tamanho médio de adultos depende das espécies, em média de 15 a 25 cm de comprimento.
Mudskippers têm muitas especializações para a vida anfíbia. Por exemplo, em terra, eles escavam tocas em forma de J nas quais podem criar seus filhotes.
– A escavação de tocas envolve o carregamento com a boca cheia de lama macia, cuspindo-a para fora na superfície – um trabalho constante em uma zona intertidal (isto é, entre marés).[3]
– A lama e a toca aquática é muito pobre em oxigênio, então o ar de fora é engolido e liberado na parte interna da toca para arejar os ovos.[18]

Texto traduzido do original Bell [2012] e publicado originalmente em 30/12/2015 no Blog Criacionismo.

Referências

[1] Outros nomes são “kangaroo fish” e “johnny jumpers”.

[2] Pace CM, Gibb AC, Mudskipper pectoral fin kinematics in aquatic and terrestrial environments, J. Exp. Biol. 2009; 212(14):2279–2286.

[3] Episódio 4 “Fish, Série “Life” da BBC, Minutos: 17:10s-21:35s, apresentado por David Attenborough, no YouTube. Disponível em:

[4] Comentários em pandasthumb.org. Disponível em: http://pandasthumb.org/archives/2009/02/periophthalmus.html

[5] Acessado no Youtube. Disponível em:

[6] O peixe axolotl pode transformar (em poucas semanas) seu estilo de vida aquático para terrestre, incluindo o encolhimento de suas brânquias e um aumento na função pulmonar.In: Dykes J. The Axolotl: The fish that walks? Creation 2005; 27(4):21–23. Disponível em:http://creation.com/the-axolotl-the-fish-that-walks

[7] May K. Rare Australian fish has fins like hands, Creation 2006; 28(3):28–29. Disponível em: http://creation.com/rare-australian-fish-has-fins-like-hands

[8] Ref. 2, p. 2279. Em outros gobies, estes músculos abdutores superficialis são músculos simples (não-divididos).

[9] Ref. 2, p. 2285.

[10] Sarfati J. Refuting Evolution 2. Powder Springs, GA: Creation Book Publishers, 2011, capítulo 5. Disponível em: http://creation.com/refuting-evolution-2-chapter-5-argument-some-mutations-are-beneficial

[11] Grigg R. The fish with ‘four eyes’ (Anableps). Creation 1995; 18(1):52. Disponível em:http://creation.com/the-fish-with-four-eyes-anableps

[12] Sarfati J. Four-eyed spookfish has mirror eyes. Creation 2009; 31(4):32–33. Disponível em: http://creation.com/four-eyed-spookfish-mirror-eyes

[13] Seus campos visuais abrangem quase 180 graus para cada olho!

[14] Schwab IR. Janus on the mudflats. British Journal of Ophthalmology 2003; 87(1): 13. Disponível em: http://bjo.bmj.com/content/87/1/13.full.pdf+html

[15] Ver site do pesquisador Gianluca Polgar. Seção: Ecophysiology. Vision and mechanoreception, 2013. Disponível em: http://www.mudskipper.it/VisMech.html

[16] Muitas das informações neste parágrafo é cortesia do pesquisador Gianluca Polgar. In: Polgar G. Mudskippers: an introduction for aquarists. Disponível em:http://www.wetwebmedia.com/ca/volume_7/volume_7_1/mudskippers.html

[17] Em muitos peixes, ação antibacteriana do seu muco é muito mais específico para uma determinada bactéria. In: Ravi V, Kesavan K, Sandhya S, Rajagopal S. Antibacterial activity of the mucus of mudskipper Boleophthalmus boddarti (Pallas, 1770) from Vellar Estuary.AES Bioflux 2010; 2(1):11–14. Disponível em:http://www.aes.bioflux.com.ro/docs/2010.2.11-14.pdf

[18] Lee HJ, Martinez CA, Hertzberg KJ, Hamilton AL, Graham JB. Burrow air phase maintenance and respiration by the mudskipper Scartelaos histophorus (Gobiidae: Oxudercinae). J. Exp. Biol. 2004; 208(1):169–177. Disponível em:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15601887

[19] Bell P. Mudskippers—marvels of the mud-flats! Creation 2012; 34(2):48-50. Disponível em: http://creation.com/mudskipper

Evidências de que a macroevolução é falsa

Este texto foi escrito com o propósito de refutar o artigo publicado no site Hypescience, com o título “Descobertas científicas que provam que a evolução é real”. Antes, porém, é importante esclarecer alguns pontos a fim de que não sejam generalizadas as afirmações feitas no texto, e que sejam entendidas dentro do contexto adequado. Nós, criacionistas, entendemos e aceitamos que a teoria da evolução trouxe grandes contribuições à história da ciência. Já está bem estabelecido o papel da seleção natural, das variações de baixo nível (conhecidas como o processo de microevolução observado nos experimentos de Lenski), especiação e ancestralidade comum com limitações. Porém, nos posicionamos contra a ideia de macroevolução (grandes mudanças ao longo de milhões de anos), que não pode ser testada, e a ancestralidade comum no contexto neodarwinista, questões ainda em debate.

Ácido Desoxirribonucleico (DNA)

Analisemos a primeira afirmação: “Uma das coisas mais notáveis sobre A Origem das Espécies de Charles Darwin é que ele articulou sua teoria sem saber o mecanismo exato pelo qual a variação genética ocorria.

Sim, Darwin nada sabia sobre DNA ou leis de hereditariedade, por isso a “redescoberta” das leis de Mendel, por Hugo de Vries e colaboradores, no início do século 20,[1] levou a três décadas de intensas disputas sobre a veracidade da teoria de Darwin,[2] visto que o que Darwin postulou foi contrariado pelos fatos. Com muito esforço, os evolucionistas deram origem à síntese moderna da evolução, que tentou unir o evolucionismo com as leis de Mendel.

Apesar de mais de meio século de especulação, o DNA sempre se demonstrou incompatível com teorias naturalistas – que defendem que tudo é fruto de causas naturais, incluindo a vida -, ao ponto de levar um de seus descobridores, Francis Crick, a publicar um estudo[3] apoiando a hipótese da panspermia dirigida, que defende que a vida foi implantada na Terra por seres inteligentes extraterrestres, embora essa mesma hipótese já tivesse sido apresentada em 1966 por Shklovskii e Carl Sagan.[4]

A impossibilidade de negar que o DNA seja fruto de criação inteligente se encontra no fato de que sua estrutura é complexa, elegante e delicada demais para ter surgido por acaso no meio de qualquer “sopa primordial”, onde seria degradada por inúmeras reações químicas diferentes, o que ocorre mesmo dentro de uma célula.[5, 6] Além disso, o DNA é um verdadeiro disco rígido: um grama de DNA pode armazenar até 455 exabytes de informação, humilhando qualquer tecnologia humana atual.[7]

Analisemos a segunda afirmação: “Como o DNA é universal a toda vida, sua presença sugere fortemente que todas as criaturas da Terra evoluíram de um ancestral comum.

Dizer que a presença de DNA em todos os organismos prova uma ancestralidade comum é o mesmo que dizer que todos os livros evoluíram de um “livro primordial”, só porque todos usam as mesmas letras do alfabeto. Assim como as linguagens humanas possuem palavras, regras e estruturas distintas, o DNA também possui muitas diferenças entre espécies. Cada táxon (grupo de animais ou plantas que possuam semelhanças entre si) possui suas peculiaridades, incluindo a ordem das bases nitrogenadas (as “letras” do DNA) dos genes, as diferenças na maneira como eles são expressos, suas funções, etc.

Podemos exemplificar da seguinte maneira: embora os olhos de cefalópodes (certos moluscos, tais como polvos e lulas) e vertebrados (seres com coluna vertebral, incluindo humanos) possuam um formato similar (tipo câmera), somente poucos genes são compartilhados por ambos os grupos. Dos 5.707 genes específicos do olho de moluscos, apenas 1.571 são encontrados em vertebrados (menos de um terço do total).[8]

Analisemos a terceira afirmação: “Ele também explica como a proliferação de mutações genéticas (essencialmente erros de cópia), combinada com os processos de seleção natural, permitem a evolução.

A autora parece desconhecer os efeitos devastadores das mutações em quase sua totalidade. O acervo médico contabiliza a existência de quase sete mil doenças genéticas causadas por mutações em humanos,[9] embora outro estudo indique um número próximo a dez mil.[10] A estimativa é que até um milhão de bases sejam danificadas em humanos diariamente.[11]

Ademais, em humanos, as estimativas atuais são de que ocorram entre 100-200 novas mutações por indivíduo a cada geração.[12-14] Destas, os dados variam entre 1-15% de mutações deletérias que causariam a perda direta de informação genética em humanos a cada geração.[12, 14-17] Em relação ao fitness, em 1997, um estudo estimou entre 1-2% a taxa de perda da aptidão humana, ou seja, a frequência com que a humanidade está se degenerando a cada geração.[18] Em 2010, por sua vez, outro estudo estimou que a aptidão humana está em declínio em 3-5% por geração.[14]

Se mutações fossem benéficas, não haveria inúmeros mecanismos moleculares que sondam constantemente e procuram reparar todas as mutações que afetam o DNA.[19] Portanto, o organismo inteligentemente procura reparar esses erros, e quando não consegue, apela para a morte programada da célula mutante, a fim de evitar que ela se multiplique, dando então origem a um câncer (de fato, mutações no gene p53 [um dos componentes fundamentais no combate aos tumores malignos] são responsáveis por cerca de metade dos casos de certas variedades de câncer).[20]

É válido esclarecer que o DNA não age sozinho. Para ser replicado e funcionar, ele precisa, durante a sua síntese, de centenas de proteínas, que por sua vez precisam do próprio DNA e, especificamente, dos RNAs (mRNA, rRNA e tRNA) que, nessa cadeia de produção interdependente, também precisam de DNA e proteínas, levando a um verdadeiro dilema (ao estilo de “quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha?”), tanto para teorias sobre a origem da vida quanto para a evolução,[21] cuja única solução para essa interdependência funcional é conceber que foram formados ao mesmo tempo.

Referências:

[1] Moore R. “The ‘Rediscovery’ of Mendel’s Work.” Bioscene 2004; 27(2):13-24. Disponível em: http://papa.indstate.edu/amcbt/volume_27/v27-2p13-24.pdf

[2] Dickins D. “Mendelian Genetics Rediscovered.” Wiley StatsRef: Statistics Reference Online, 2014. Disponível em:http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/9781118445112.stat06663/abstract

[3] Crick FHC, Orgel LE. “Directed panspermia.” Icarus 1973; 19(3):341-346.

[4] Shklovskii IS, Sagan C. Intelligent life in the universe. San Francisco, CA: Holden-Day, 1966.

[5] Andrew SE, Peters AC. “DNA Instability and Human Disease.” Am J Pharmacogenomics. 2001; 1(1):21-8.

[6] Mills KD, Ferguson DO, Alt FW. “The role of DNA breaks in genomic instability and tumorigenesis.” Immunol Rev. 2003; 194:77-95.

[7] Church GM, Gao Y, Kosuri S. “Next-Generation Digital Information Storage in DNA.”Science. 2012; 337(6102):1628.

[8] Yoshida MA, Ogura A. “Genetic mechanisms involved in the evolution of the cephalopod camera eye revealed by transcriptomic and developmental studies.” BMC Evol Biol. 2011; 11:180.

[9] Pinnapureddy AR, Stayner C, McEwan J, Baddeley O, Forman J, Eccles MR. “Large animal models of rare genetic disorders: sheep as phenotypically relevant models of human genetic disease.” Orphanet J Rare Dis. 2015; 10:107.

[10] MacDonald IM, Haney PM, Musarella MA. “Summary of ocular genetic disorders and inherited systemic conditions with eye findings.” Ophthalmic Genet. 1998; 19(1):1-17.

[11] Lodish HF, Berk A, Matsudaira PT, Kaiser C, Krieger M, Scott M, Zipursky S, Darnell J.Molecular Cell Biology. 5th ed. New York, NY: W.H. Freeman and Company, 2004.

[12] Nachman MW, Crowell SL. “Estimate of the Mutation Rate per Nucleotide in Humans.”Genetics. 2000; 156(1):297-304.

[13] Dolgin E. “Human mutation rate revealed.” Nature News (27 ago. 2009). Disponível em:http://www.nature.com/news/2009/090827/full/news.2009.864.html

[14] Lynch M. “Rate, molecular spectrum, and consequences of human mutation.” Proc Natl Acad Sci USA. 2010; 107(3):961-8.

[15] Eyre-Walker A, Keightley PD. “High genomic deleterious mutation rates in hominids.”Nature. 1999; 397(6717):344-7.

[16] Shabalina SA, Ogurtsov AY, Kondrashov VA, Kondrashov AS. “Selective constraint in intergenic regions of human and mouse genomes.” Trends Genet. 2001; 17(7):373-6.

[17] Keightley PD. “Rates and Fitness Consequences of New Mutations in Humans.”Genetics. 2012; 190(2):295-304.

[18] Crow JF. “The high spontaneous mutation rate: is it a health risk?” Proc Natl Acad Sci USA. 1997; 94(16):8380-6.

[19] Mathews LA, Cabarcas SM, Hurt EM. DNA Repair of Cancer Stem Cells. [ebook] Springer, 2013.

[20] Olivier M, Hollstein M, Hainaut P. “TP53 Mutations in Human Cancers: Origins, Consequences, and Clinical Use.” Cold Spring Harb Perspect Biol. 2010; 2(1):a001008.

[21] Wolf YI, Koonin EV. “On the origin of the translation system and the genetic code in the RNA world by means of natural selection, exaptation, and subfunctionalization.” Biol Direct. 2007; 2:14.

Fósseis de transição

Analisemos a primeira afirmação: “Um dos mais famosos fósseis de todos os tempos é o Archaeopteryx.

O Archaeopteryx não é a forma intermediária de nada, é somente uma ave extinta, fato defendido até por evolucionistas como Alan Feduccia, autoridade mundial em aves, que afirmou:

“Paleontólogos têm tentado tornar o Archaeopteryx em um dinossauro emplumado, que caminha no chão. Mas ele não é. É uma ave, do tipo passeriforme (tipo de ave que vive em árvores). E nem um monte de ‘paleobaboseiras’ irá mudar isso.”[1]

É possível encontrar mais evidências sobre isso neste artigo.

Analisemos a segunda afirmação: “Há também fósseis que medem a evolução dos cavalos modernos a partir do minúsculo Eohippus.

Não, não há um fóssil sequer. De fato, essa história puramente especulativa e sua persistente divulgação em livros e museus foi algo criticado até por Niles Eldredge, outro evolucionista renomado.[2]

Analisemos a terceira afirmação: “Baleias tinham ancestrais quadrúpedes que andavam sobre a terra, e criaturas conhecidas como Ambulocetus e Rodhocetus ajudaram a fazer essa transição.

Nenhuma dessas formas intermediárias é considerada como fato conclusivo, pelo contrário, o fóssil do Ambulocetus não possui o orifício nasal no topo da cabeça, como é comum em cetáceos, algo confessado pelo Dr. Hans Thewissen,[3] assim como ocorre com o Rodhocetus, cujos fósseis verdadeiros não possuem a cauda e as barbatanas encontradas em baleias, como admitido pelo Dr. Philip Gingerich.[4]

A verdade é que o registro fóssil falhou completamente em apoiar a evolução, como relata Robert Carroll:

“O que estão faltando são as inúmeras formas intermediárias hipotetizadas por Darwin, assim como a contínua divergência das maiores linhagens, gerando a morfologia distinta entre (diferentes) classes adaptativas.”[5]

Analisemos a quarta afirmação: “Outros ramos se mostraram mais resistentes, permitindo que as espécies continuassem em novas direções (aves, como um ramo dos dinossauros, são um excelente exemplo).

As aves não evoluíram dos dinossauros. Em 2011, um estudo desafiou a centralidade do Archaeopteryx na transição para as aves; dessa vez a descoberta de um novo fóssil e uma análise filogenética mais abrangente sugeriu que o Archaeopteryx (o suposto elo de transição entre dinossauros e aves), antes considerado da família aviária, seja agora incluído numa família relacionada a dinossauros não aviários (Deinonychosauria).[6] Dito de outra forma, antes foi considerado ave extinta e hoje dinossauro não aviário; essas divergências entre as “evidências evolutivas” apenas mostram a ausência de fósseis de transição e a inconsistência do argumento cladístico que insiste em apoiar a hipótese falha dos fósseis transicionais.

Em 2000, um estudo encontrou um fóssil, mal preservado e incompleto, que foi classificado como um pequeno réptil planador de supostos 220 milhões de anos atrás (Triássico superior).[7] O curioso é que esse réptil, chamado de Longisquama insignis, apresentou estruturas semelhantes a penas de aves modernas e teria vivido 75 milhões de anos antes do suposto elo transicional (Archaeopterix) entre dinossauros e aves. Entretanto, outros pesquisadores acreditam que se trate apenas de uma ave extinta. Portanto, parece que terão que reescrever novamente a teoria da evolução em relação à forma teria se dado o surgimento das penas.

Em 2012, um segundo estudo descreveu a descoberta de dois fósseis de dinossauros (Sinocalliopteryx gigas) que viveram há cerca de 120 milhões de anos (período Cretáceo) e que se alimentaram de uma ave – com voo motorizado e com bico em vez de dentes – conhecida como Confuciusornis sanctus.[8] Portanto, o esqueleto dessa ave encontrado no estômago dos dinossauros evidencia que os dinossauros não poderiam ter evoluído para pássaros porque, entre outras razões, eles se alimentavam de pássaros durante a vida. O mais intrigante é que essa não é a única evidencia de aves em estômago de dinossauros.[9]

É possível encontrar mais evidências sobre isso neste artigo.

Referências:

[1] Morell V. “Archaeopteryx: Early Bird Catches a Can of Worms.” Science. 1993; 259(5096):764-5.

[2] Dr. Niles Eldredge em entrevista feita por Luther Sunderland, publicada no livroDarwin’s Enigma: Fossils and Other Problems. 4th ed. (El Cajon, CA: Master Books, 1988).

[3] Entrevista com o Dr. Hans Thewissen. Disponível em:

[4] Entrevista com o Dr. Philip Gingerich. Disponível em:

[5] Carroll RL. “Towards a new evolutionary synthesis.” Trends Ecol Evol. 2000; 15(1):27-32.

[6] Xu X, You H, Du K, Han F. “An Archaeopteryx-like theropod from China and the origin of Avialae.” Nature. 2011; 475(7357):465-70.

[7] Jones TD, Ruben JA, Martin LD, Kurochkin EN, Feduccia A, Maderson PF, Hillenius WJ, Geist NR, Alifanov V. “Nonavian Feathers in a Late Triassic Archosaur.” Science. 2000; 288(5474):2202-5.

[8] Xing L, Bell PR, Persons IV WS, Ji S, Miyashita S, Burns ME, Ji Q, Currie PJ. “Abdominal Contents from Two Large Cretaceous Compsognathids (Dinosauria: Theropoda) Demonstrate Feeding on Confuciusornithids and Dromaeosaurids.” PLoS One. 2012; 7(8):e44012.

[9] O’Connor J, Zhou Z, Xu X. “Additional specimen of Microraptor provides unique evidence of dinosaurs preying on birds.” Proc Natl Acad Sci USA. 2011; 108(49):19662-5.

Traços iguais a antepassados comuns

Não exatamente. Embora Darwin tenha observado a existência de traços comuns em vários organismos, principalmente em animais criados e selecionados por humanos (aliás, foi da criação seletiva por parte dos agricultores que Darwin tirou inspiração para criar a ideia de seleção natural), ele se equivocou ao extrapolar e sugerir que todas as espécies (vivas e extintas) seriam descendentes de um mesmo ancestral primordial, como visto a seguir:

“Portanto, eu deveria inferir por analogia que todos os seres orgânicos que já existiram na Terra provavelmente descendem de uma forma primordial, na qual a vida foi primeiramente soprada.”[1]

Darwin concluiu isso com base no conhecimento rudimentar da época. Uma observação superficial e grosseira iria mesmo mostrar muitas aparentes semelhanças entre diferentes organismos. No entanto, os detalhes genéticos, bioquímicos e fisiológicos descobertos nas últimas décadas demonstram diferenças enormes.

Analisemos a seguinte afirmação: “Por exemplo, a forma e a estrutura (morfologia) de cervos, alces, cavalos e zebras são muito semelhantes. Não surpreendentemente, eles compartilham um ancestral comum.

É verdade que esses animais apresentam semelhanças, no entanto, esse fato não é suficiente para sustentar a hipótese de ancestralidade universal. Ao corroborar o conceito criacionista de baramins (espécies, tipo; termo extraído da palavra hebraica barah), as evidências indicam que espécies de uma mesma família descendem de ancestrais comuns, mas que não há ligações ancestrais entre organismos de táxons/famílias diferentes.

Tomemos como exemplo os felinos. Comparações genéticas realizadas entre tigres e gatos domésticos revelaram uma semelhança genômica total de 95,6%,[2] além de uma similaridade de 98,8% entre os genes codificantes de proteínas de ambos.[2] É notável a semelhança entre esses animais sob todos os ângulos (incluindo anatomia, comportamento, instintos, etc.), bem como o fato de vários deles poderem cruzar uns com os outros (a saber, todas as combinações entre tigres vs leões vs jaguares vs leopardos, pertencentes ao gênero Panthera, além de várias combinações possíveis entre espécies da subfamília Felinae, incluindo o gato doméstico e variedades selvagens, linces, etc.).

Essas evidências indicam que são mesmo espécies e raças descendentes de precursores igualmente felinos. Já quando comparamos com outras famílias, mesmo que sejam de outros mamíferos, um “abismo” se forma, onde o número de diferenças é enorme, e as semelhanças, cada vez mais escassas, de maneira a tornar impossível qualquer sugestão de ligação evolutiva; por isso, o fato de haver semelhanças entre diferentes táxons em nada fere o modelo criacionista.

Finalmente, é importante frisar que esses eventos de especiação (considerados parte da “microevolução”, ou seja, mudanças dentro do nível de espécies), de maneira alguma podem levar à chamada macroevolução (isto é, evolução acima do nível de espécies), em que ocorre surgimento de novos táxons (exemplo, aves surgirem a partir de répteis após milhões de anos). Mas por que exatamente a microevolução (adaptação) não poderia dar sequência à macroevolução? Porque o processo de microevolução não possibilita o surgimento de nova informação genética (novos genes, proteínas, mecanismos regulatórios, epigenéticos, metabólicos, etc.). Devem ocorrer aumento de informação genética e surgimento de novos elementos complexos e funcionais para que novos órgãos, funções e classes taxonômicas surjam, e isso é o que não ocorre em casos de adaptação.

Os canídeos são o melhor exemplo dos custos causados pela especiação e seleção. Cerca de 300 raças conhecidas surgiram nos últimos 200 anos [3], tendo sofrido grande cruzamento seletivo e isolamento de outras raças, a fim de manter sua “pureza”, o que, obviamente, inclui inúmeros casos de incesto. Para Darwin, isso certamente seria algo benéfico, que levaria ao aprimoramento ilimitado dessas raças, mas a verdade é que a ciência demonstra exatamente o contrário: a seleção intensa desses animais causou prejuízos enormes à saúde e ao fitness deles (aptidão).

Os cães representam a segunda posição em número de doenças hereditárias catalogadas, atrás apenas do ser humano;[4] segundo um estudo recente, no Reino Unido, 27% dos cães morreram por conta de câncer;[3] esse mesmo estudo relatou que uma pesquisa anterior na Dinamarca constatou que 14,5% das mortes caninas foram causadas por cânceres, além de um levantamento sobre a causa da morte de dois mil cães, que demonstrou que 23% deles foram vitimados por tumores. Outro estudo[5] demonstrou que casos de doenças no disco intervertebral, hipotireoidismo, estenose aórtica, síndrome da dilatação vólvulo gástrica, catarata, displasia nos cotovelos, epilepsia, cardiomiopatia dilatada, derivação hepática portossistêmica e dermatites alérgicas ocorrem mais em raças puras do que em “vira-latas”. Outras doenças pesquisadas não demonstraram maior prevalência em raças puras do que em cães mistos, mas vale lembrar que cães são descendentes de lobos cinzentos;[6] então, é óbvio que todos sejam sujeitos a várias doenças por conta do decaimento decorrente dos processos de especiação.

Em gatos domésticos a tendência é a mesma, segundo Leslie A. Lyons (7):

“a maioria das doenças [genéticas] são identificadas em gatos de raça, que representam um pequeno percentual da população mundial de gatos, talvez de 10% a 15% [da população] nos EUA”.

O declínio na qualidade e variação genética por conta de seleção também tem sido amplamente observado na agricultura. Picone e Van Tassel[8] relataram como o cultivo de inúmeras variedades de plantas cultiváveis foi substituído por poucas variedades selecionadas por serem amplamente produtivas. De acordo com relatório das Nações Unidas, 75% das variedades cultiváveis foram perdidas ao longo do século 20, causando o processo chamado de “erosão genética”.

Segundo Bijlsma e Loeschcke,[9] descobriu-se que perda de variação genética leva ao declínio nas respostas ao estresse ambiental entre populações geneticamente erodidas, em que a ação combinada da redução na tolerância por conta da endogamia/consanguinidade (cruzamento entre indivíduos aparentados) com a perda de potencial genético impedem respostas adaptativas e aumentam grandemente o risco de extinção sob condições de estresse ambiental.

Para Cooper,[10] está claro o quanto os eventos de especiação tornam os organismos frágeis e menos aptos:

“A maravilha da diversidade biológica esconde um contexto enigmático. As espécies são definidas tanto por suas limitações quanto por suas capacidades. Muito poucas espécies conhecidas toleram viver em uma ampla variedade de ambientes” (ênfase nossa).

Cooper também descreve que uma das explicações para essa diminuição no fitness das espécies é que uma “sombra seletiva” recai sobre traços não utilizados, tornando-os suscetíveis à erosão mutacional, induzida pela deriva genética aleatória.

Essas evidências nos levam à seguinte pergunta: Se a seleção permite a perda de traços e genes não utilizados em um dado ambiente, então, como os darwinistas poderiam explicar o aumento e a fixação da variação e do potencial genético ao longo de milhões de anos?

Referências:

[1] Darwin CR. On the origin of species by means of natural selection, or the preservation of favoured races in the struggle for life. 1st ed. London: John Murray, 1859.

[2] Cho YS, et al. “The tiger genome and comparative analysis with lion and snow leopard genomes.” Nat Commun. 2013;4:2433.

[3] Dobson JM. “Breed-Predispositions to Cancer in Pedigree Dogs.” ISRN Vet Sci. 2013; 2013:941275.

[4] Bellumori TP, Famula TR, Bannasch DL, Belanger JM, Oberbauer AM. “Prevalence of inherited disorders among mixed-breed and purebred dogs: 27,254 cases (1995-2010).” J Am Vet Med Assoc. 2013 Jun 1;242(11):1549-55.

[5] Oberbauer AM, Belanger JM, Bellumori T, Bannasch DL, Famula TR. “Ten inherited disorders in purebred dogs by functional breed groupings.” Canine Genet Epidemiol. 2015 Jul 11;2:9.

[6] Boyko AR. “The domestic dog: man’s best friend in the genomic era.” Genome Biol.2011;12(2):216.

[7] Lyons LA. “Feline Genetics: Clinical Applications and Genetic Testing.” Top Companion Anim Med. 2010 Nov. 25(4):203-12.

[8] Picone C, Van Tassel DL. “Agriculture and biodiversity loss: industrial agriculture.” In: Eldredge N (Ed). Life on Earth: An Encyclopedia of Biodiversity, Ecology and Evolution. Santa Barbara, CA: ABC-CLIO publishers, 2002. Disponível em:https://landinstitute.org/wp-content/uploads/2014/04/Picone-and-Van-Tassel-2002.pdf

[9] Bijlsma R, Loeschcke V. “Genetic erosion impedes adaptive responses to stressful environments.” Evol Appl. 2012 Feb; 5(2):117–129.

[10] Cooper VS. “The Origins of Specialization: Insights from Bacteria Held 25 Years in Captivity.” PLoS Biol. 2014 Feb; 12(2): e1001790.

Traços vestigiais

Analisemos a seguinte afirmação: “Nos seres humanos, exemplos clássicos incluem o apêndice, os dentes do siso e as amígdalas. Não por acaso, a maioria das pessoas acaba tendo que retirá-los artificialmente.

Há muito tempo o apêndice tem sido considerado pelos naturalistas darwinianos como um “órgão vestigial”. No entanto, estudos têm mostrado que ele possui múltiplas funções e é de extrema importância para a manutenção da saúde humana. O apêndice em lactantes e crianças tem a aparência de um órgão linfoide bem desenvolvido e possui importantes funções imunológicas.[1]

Pesquisa recente revelou que o apêndice humano pode proteger contra a infecção recorrente por Clostridium difficile.[2] Os resultados indicaram que indivíduos sem apêndice foram quatro vezes mais propensos a ter uma infecção recorrente por Clostridium difficile (um patógeno comum em hospitais). Enquanto a infecção recorrente nos indivíduos com o apêndice intacto foi de apenas 11%, em indivíduos sem o apêndice a recorrência atingiu 48% dos casos. Outro estudo sugere que o apêndice vermiforme funciona como uma casa segura para a sobrevivência de bactérias intestinais comensais (bactérias boas), facilita o crescimento da flora bacteriana normal (cultiva as bactérias boas), e permite a recolonização do cólon após diarreias ou uso de antibióticos que matam as bactérias benéficas.[3]

É possível encontrar mais evidências sobre isso neste artigo.

Outro exemplo usado por evolucionistas para fundamentar suas alegações é o fato de que temos problemas com os dentes do siso. No entanto, a extração do terceiro molar com a finalidade de prevenir doença não é mais lógica do que a extração dos primeiros ou segundos molares para os mesmos fins.[4] Pesquisas têm observado que há outras maneiras de resolver os problemas com os dentes do siso, em vez de apenas extraí-los. As evidências sugerem que os problemas verificados com os dentes do siso na sociedade moderna são devidos, em grande parte, à adaptação a um novo padrão alimentar que não dá aos dentes o treino que eles exigem para assegurar a relação adequada com a boca.

É possível encontrar mais evidências sobre isso neste artigo.

Referências:

[1] Moore KL. Clinically Oriented Anatomy. Baltimore: Williams & Wilkins, 1992.

[2] Im GY, Modayil RJ, Lin CT, Geier SJ, Katz DS, Feuerman M, Grendell JH. “The Appendix May Protect Against Clostridium difficile Recurrence.” Clin Gastroenterol Hepatol. 2011; 9(12):1072-7.

[3] Bollinger RR, Barbas AS, Bush EL, Lin SS, Parker W. “Biofilms in the large bowel suggest an apparent function of the human vermiform appendix.” J Theor Biol. 2007; 249(4):826-31.

[4] Daily T. “Third molar prophylactic extraction: a review and analysis of the literature.” General Dentistry 1996; 44(4):310-320.

Traços imperfeitos

Analisemos a primeira afirmação: “Há muitas falhas no corpo humano. A garganta (faringe), por exemplo, serve como um canal tanto para alimentos quanto para a passagem de ar.

São inúmeras as tentativas argumentativas dos neodarwinistas em afirmar que nossas supostas deficiências físicas existem porque a seleção natural nos faz sobreviver “apenas o tempo suficiente para nos reproduzir”. Eles também chamam esses supostos defeitos de “bad design”. Mas será mesmo que a faringe humana é um projeto ruim? Para compreendermos melhor a fisiologia e a função do projeto atual da faringe e suas implicações para a sobrevivência humana, reportemo-nos às diversas evidências científicas a favor do projeto presentes neste artigo.

Analisemos a segunda afirmação: “Depois, há a nossa incapacidade de sintetizar naturalmente vitamina C.

Para os evolucionistas, um dos exemplos de descendência comum é a evolução do gene responsável pela etapa final na produção de vitamina C. O ser humano tem esse gene, chamado GULO (L-gulonolactone oxidase), mas ele não funciona devido à presença de uma mutação que resulta na incapacidade para sintetizar a proteína. Sem a enzima GULO, o ser humano não produz a vitamina C. É por isso que humanos têm que beber suco de laranja ou encontrar alguma outra fonte externa de vitamina C. No entanto, o fato de o ser humano não ser capaz de produzir sua própria vitamina C não é um problema, visto que ele é capaz de consumir mais do que o suficiente de vitamina C em sua dieta. Pesquisas sugerem que os organismos sem um gene GULO funcional (como o do ser humano) têm um método de “reciclagem” da vitamina C que obtêm de suas dietas, utilizando células vermelhas do sangue.[1]

Ademais, os evolucionistas afirmam que, por meio do sequenciamento do gene GULO e do rastreamento de mutações, é possível rastrear exatamente quando a capacidade de sintetizar a vitamina C foi perdida.[4] Para eles, a perda ocorreu em um suposto ancestral que teria dado origem a toda a linhagem de primatas antropoides. No entanto, um artigo publicado recentemente sugere que a ancestralidade comum devido à perda de autoprodução de vitamina C é falsa.[2]

É possível encontrar mais evidências sobre isso neste artigo.

Referências:

[1] Montel-Hagen A, Kinet S, Manel N, Mongellaz C, Prohaska R, Battini JL, Delaunay J, Sitbon M, Taylor N. “Erythrocyte Glut1 Triggers Dehydroascorbic Acid Uptake in Mammals Unable to Synthesize Vitamin C.” Cell. 2008; 132(6):1039-1048.

[2] Tomkins J. “The Human GULO Pseudogene—Evidence for Evolutionary Discontinuity and Genetic Entropy.” Answers Research Journal 2014; 7:91-101.

Desenvolvimento embrionário inicial

Analisemos a primeira afirmação: “Os embriões de humanos e outros animais muitas vezes apresentam características físicas semelhantes em determinadas fases.

Não, eles não apresentam características semelhantes. Em 1868, Haeckel usou uma série de desenhos falsificada para dar sustentação à sua teoria.[1] Entre esses desenhos estava um do 25º dia de um embrião de cachorro que tinha sido anteriormente publicado por T. L. W. Bischoff, em 1845, e um desenho da 4ª semana de um embrião humano, publicado em 1851-59 por A. Ecker.[2] Se não bastasse, Haeckel havia somado 3,5 milímetros ao desenho da cabeça do embrião de cachorro, desenhado por Bishoff, e subtraído 2 milímetros do desenho da cabeça do embrião humano desenhado por Ecker, dobrou a duração do posterior humano e alterou substancialmente os detalhes do olho humano.

Em 1874, os desenhos de embriões de Haeckel foram provados falsos pelo famoso embriologista comparativo e professor de anatomia na Universidade de Leipzig Wilhelm His.[2] Em 1997, uma publicação científica de autoria do embriologista Michael Richardson e colaboradores trouxe novamente à tona o trabalho meticuloso e fraudulento de Haeckel ao comprovar cientificamente a falsificação por meio da comparação de fotos reais dos embriões vertebrados com os desenhos de Haeckel.[3]

É possível encontrar mais evidências sobre isso neste artigo.

Referências:

[1] Haeckel E. Natürliche Schöpfungs-geschichte. Berlin: George Reimer, 1868; os desenhos podem ser vistos na página 240. Disponível em: https://archive.org/stream/natrlichesch1868haec#page/260/mode/2up

[2] Grigg R. “Ernst Haeckel: Evangelist for evolution and apostle of deceit.” Journal of Creation 1996; 18(2):33-36.

[3] Richardson MK.  Hanken J, Gooneratne ML, Pieau C, Raynaud A,  Selwood L,  Wright et GM. “There is no highly conserved embryonic stage in the vertebrates: implications for current theories of evolution and development.” Anatomy and Embryology 1997; 196(2):91-106.

Texto escrito em parceria com Wallace Barbosa e publicado originalmente em 30/11/2015 no Blog Criacionismo.