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A grande aventura americana: rotas migratórias

Por uma ironia do destino, uma das primeiras pessoas que levantaram a questão de onde vieram os habitantes do continente americano foi um padre jesuíta chamado José de Acosta, naturalista e antropólogo, nascido em Medina del Campo em 1539 (Encyclopaedia Britannica 2018). Ele visitou Peru e México e escreveu em seu livro Historia natural y moral de las Indias: 

“Ficamos sem dúvida obrigados a confessar que homens da Europa, Ásia ou África passaram por aqui (América), porém como e por qual caminho vieram ainda é uma pergunta que nós fazemos e desejamos saber. O certo é que não houve outra arca de Noé que trouxe os homens às Índias nem muito menos que um anjo os trouxe pendurados pelos cabelos” (de Acosta, 1590, p. 57).

Um fato histórico é simplesmente um acontecimento até quando é estudado e interpretado. Essa interpretação é o passo mais importante porque, dependendo da base teórica, poderemos entender ou não o que aconteceu. Diante disso, este artigo não é nenhuma novidade. Os autores não estão apostando em uma nova teoria. O que mostramos aqui são fatos. Evidências históricas não podem ser refutadas. Podem, sim, ser reinterpretadas ou ignoradas.

Hoje, nas ditas “ciências” modernas, tem se ignorado ou silenciado de modo sistemático muitas evidências históricas que, de alguma forma, contradizem os paradigmas “modernos”. Essas “novas ciências” surgem após o século 15 e negam seletivamente toda verdade descoberta em parceria com a religião – especialmente se esta é cristã. Desse modo, descontrói-se todo o fazer científico. Fatos não se negam devido a um gosto pessoal ou a uma falta de entendimento. Fatos se interpretam, e se nossa interpretação não consegue explicá-los, devemos pensar que nosso paradigma possa não ser o ideal para entender os fatos.

Neste e em outros artigos que estão por vir, por meio de evidências históricas colhidas por antigos cronistas, iremos estudar e comentar as possíveis rotas tomadas pelos povos que povoaram o continente americano. É chegada a hora de discutir fatos à luz da História e de suas evidências.

 

As rotas destacadas neste e nos próximos artigos serão:

Rota Atlântica Antiga (imediatamente pós-dilúvio).

Rota Atlântica posterior (Idade do Ferro).

Rota do Pacífico Sul – Rota inversa ou rota comum de ida e volta (a.C. – d.C.)

Rota do Pacífico Sul – Rota inverso (a.C. – d.C.)

Rota do Pacífico Sul (pós-dilúvio)

Rota de Naylamp – Rota migratória de ida e volta (d.C.)

Como iremos falar de tempos e datas, nosso primeiro tema é determinar qual será o ponto de referência na História. Acreditamos que isso seja o mais importante porque um fato histórico pode ser interpretado desde uma perspectiva marxista (que exclui a noção de Criação) ou numa perspectiva verdadeiramente histórica, e chegar à conclusão de que houve, sim, migrações recentes (no mais, de cerca de quatro mil anos atrás) e feitas por povos cultural e tecnologicamente avançados.

Os autores usados aqui como referências recolheram a maior parte dos dados de homens sábios entre os povos andinos e americanos. Surge, então, a pergunta: Os povos andinos sabiam calcular o tempo corretamente? A resposta é sim! Eles eram doutos em estudos de tempo e astrologia.

Diz  o  cronista  Fernando de  Montesinos, em sua obra Memorias Antiguas Historiales y Políticas del Perú: 

“Dizem os amautas que sabiam as coisas desses tempos por tradições dos antigos, comunicadas de mão em mão, que quando esse príncipe reinava, havia letras e homens doutos nelas, que se chamavam amautas, e estes ensinavam a ler e escrever; a principal ciência era a astrologia”. (Montesinos, 1882, p.24)

Eles calculavam os milênios chamando-os Sois; assim eles mencionam o “primeiro” e “segundo” sóis.

“Dicen los amautas que el segundo ano del reinado de Manco Capac se cumplió el cuarto sol de la Creacion, que son cuatro mil anos, poco menos, y dos mil novecientos y tantos después del Diluvio general” (Montesinos, 1882, p. 77).

É interessante notar que nessa época, logo após os episódios do dilúvio e da Torre de Babel, ou seja, durante ou após, segundo a perspectiva criacionista, do início do período do gelo (ver artigo “A Atlântida e a migração para as Américas após o período do gelo”), os descendentes de Noé já haviam migrado para as Américas. Notemos que a nação de Israel nasce somente no fim desse milênio, portanto, acreditamos que eles vieram para a América antes mesmo que Israel e suas tribos existissem, isto é, antes de existirem hebreus como nação.

E sobre o Dilúvio? O que sabemos?

O arcebispo irlandês James Ussher (1581-1656), um famoso cronologista bíblico, estudando muito seriamente as gerações mencionadas na Bíblia, numademonstração de matemática, calculou que a criação da vida no planeta teria ocorrido em 22 de outubro de 4004 a.C., e o dilúvio teria ocorrido 1.656 anos após a criação (ou 2.348 a.C.) (Cooper, 2008, p. 99, 202). Há registros históricos ainda de datas surpreendentemente aproximadas a essas calculadas por Scaliger e pelos Maias (Cooper, 2008, p. 100-103).

No entanto, nos basearemos num registro antigo (castelhano antigo), que remonta à chegada às Américas dos colonizadores espanhóis os quais mostravam como os povos andinos receberam o mesmo relato dos seus ancestrais. No já mencionado livro Memorias Antiguas Historiales y Políticas del Perú, de autoria de Fernando de Montesinos (1593-1652), o qual esteve no Peru em 1628, é registrado que os povos entendiam que houve um dilúvio e que este teria ocorrido, segundo seus ancestrais, no ano 1.660 após a Criação (muitíssimo próximo do que Usher concluiu):

“Depois de Ophir povoar a América, instruiu seus filhos e netos no temor de Deus e observância da lei natural. Viveram debaixo dela por muitos anos, passando depais para filhos a respeito do Criador de todas as coisas, pelas bênçãos recebidas, em especial pelo dilúvio, em que livrou seus progenitores. Duraram eles muitos anos; e segundo o cálculo do manuscrito citado, seriam quinhentos, contando os do livro, ainda pela conta dos amautas e historiadores peruanos, foi a partir do segundo sol [milênio] depois da criação do mundo, que calculando o tempo pelos anos comuns, vem a ser 2.000 anos, dado que foi o último do segundo sol [milênio]; e porque ainda não tinham se cumprido esses dois sóis [milênios] quando aconteceu o dilúvio, porque faltavam para seu cumprimento 340 anos, segundo nossa conta mais comum, vem, de acordo com esses amautas, a ser esse período o tempo dos ditos 340 anos” (Montesinos, 1882, p. 3).

“Mas eles erraram, porque Ophir, neto de Noé, disse que, quando chegou à América, depois dos 340 anos do dilúvio, os 160 restantes eram aqueles que viveram seus filhos, decentes no temor a Deus e ao próximo, com toda paz, sem anciões nem dissensões” (Montesinos, 1882, p. 3).

Essas evidências históricas recolhidas por Montesinos nos situam na chamada Rota Atlântica Antiga, a qual será a primeira que iremos discutir no próximo artigo. Porém, uma coisa podemos concluir: houve diversas migrações em diversos momentos e por diversas rotas. Em relação a essas rotas, há indícios de que, além de por pontes de terras/gelo (Estreito de Bering, por exemplo), através do Atlântico e pelos mares do norte, parte desses povos antigos vieram pelo mar do Sul (pelo Chile e Andes, vindo talvez da Nova Zelândia ou Austrália):

“Neste tempo, que segundo o que pude descobrir, seria 600 anos após o dilúvio, todas essas províncias estavam cheias de moradores, muitos vieram pelo Chile, outros através dos Andes, outros através da Terra Firme e Mar do Sul, com a qual as costas da ilha de Santa Elena e Puerto Viejo ao Chile foram povoadas. Isto foi recolhido a partir dos antigos poemas e canções dos índios” (Montesinos, 1882, p. 4).

Montesinos também nos informa o tipo de embarcação que eles usavam nesse processo de navegação (ver Kon-Tiki, 1947):

“Ele cuidou disso para o rei e, depois de alguns dias, veio de novo e contou como haviam desembarcado nas planícies em balsas e canoas, e que faziam uma grande frota, um grande número de pessoas estranhas e que iam povoando, especificamente nas margens dos rios, e que homens de grande estatura passaram adiante” (Montesinos, 1882, p. 53).

A movimentação migratória na direção contrária também se deu, e isso é mencionado pelo autor Gregório Garcia, em seu livro Origen de los Indios de el Nuevo Mundo, e Indias Occidentales:

“Também contam os índios de Ica e os de Arica que antigamente costumavam navegar a umas ilhas no poente, muito longe, e que a viagem era realizada nuns couros de lobo marinho inchados” (Garcia, 1729, p. 35).

Quadro ilustrativo de como e quais teriam sido as rotas:

Diversas Rotas migratórias até a América do Sul

(Texto escrito em coautoria com o pesquisador Irwin Susanibar Chavez, a quem o Everton agradece profundamente por compartilhar com ele suas pesquisas e conhecimento)

Texto originalmente publicado em 08/04/2018 no Blog Criacionismo.

Referências:

Cooper B. Depois do dilúvio. Brasília: SCB, 2008.

De Acosta, Jose. Historia natvral y moral de las Indias, en que se tratan las cosas notables del cielo. Sevilla: Casa de Juan de Leon, 1590.

García, Gregorio, Origen de los indios de el Nuevo Mundo, e Indias Occidentales, Madrid: Impr. de F. Martinez, 1729; ele publica o livro em 1607, mas a versão consultada por nós é de 1729.

Gómara, Francisco López de. La historia general de las Indias y nuevo mundo, con mas la conquista del Peru y de Mexico. Çaragoça, 1555; a abreviação “Fo. Lv” significa fólios, o livro era como pergaminhos, portanto não tinha folhas.

Montesinos, Fernando de. Memorias antiguas historiales y políticas del Perú. Madrid : Impr. de M. Ginesta, 1882. 259p.; essa primeira obra foi copiada de um manuscrito do ano 1644 que se encontra na biblioteca da Universidade Sevilla e cujo título é: “Ophir de España; mémorias historiales políticas del Pirv…”

Rocha, Diego Andrés. Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile. V. 1. Madrid: [Impr. de Juan Cayetano García], 1891. Fondo Antiguo.

The Editors. Jose de Acosta. Encyclopaedia Britannica, 2018. Disponível em:https://www.britannica.com/biography/Jose-de-Acosta

Ao longo destes anos, tenho investigado alguns relatos históricos e evidências arqueológicas relativos ao período pós-diluviano, inclusive tenho apresentado algumas dessas evidências em minhas palestras. No livro Revisitando as Origens, mais especificamente no capítulo intitulado A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica, encontra-se a seguinte informação quanto ao início e à duração da época do gelo: “De acordo com o naturalista Harry Baerg, ‘a formação e o desaparecimento dos lençois de gelo devem ter ocorrido entre o tempo do dilúvio e o começo da história registrada’. É, portanto, razoável admitirmos que o início da idade do gelo coincida com a história da Torre de Babel, construída no vale do Sinar (atual Iraque) entre 100 e 130 anos após o dilúvio. E o que dizer da Bíblia? Existem relatos bíblicos sobre essa época do gelo? Podemos perceber na narrativa do livro de Jó, nos capítulos 6:16; 38:22, 29, 30, um clima mais frio no princípio da história bíblica, datado entre 300-500 anos após o dilúvio.

“De acordo com os cálculos feitos pelo mestre em Ciências Atmosféricas Michael Oard, a época do gelo pode ter durado menos de mil anos, mais especificamente 500 anos de acúmulo de gelo e 70 anos para derreter as camadas de gelo ao longo da borda, e cerca de 200 anos no interior do Canadá e da Escandinávia. Existem evidências históricas relativas ao ano 1.454 a.C. em que Partholan, líder do segundo grupo a conquistar a Irlanda, teria desembarcado nessa região e registrado o número de lagos e rios existentes. Pouco tempo depois, na segunda colonização, havia um número bem maior de lagos e rios. Provavelmente, os registros irlandeses antigos evidenciaram o derretimento das camadas de gelo do norte europeu. Segundo Ussher, o dilúvio ocorreu em 2.348 a.C. Portanto, a era glacial teria terminado mil anos após a grande inundação” (Alves, 2018, p. 74, 75).

Ao compararmos as evidências bíblico-científicas acima com registros da cultura de povos pré-colombianos percebemos que as peças vão se encaixando nesse enorme quebra-cabeça acerca de nossas origens. O problema é que pesquisas nos registros originais dessas culturas têm sido pouco valorizadas em nossos dias. Porém, aceitamos o desafio e estamos trazendo para você, leitor, alguns relatos que dificilmente você encontraria, tanto na língua inglesa quanto na língua portuguesa.

Aparentemente, parte da imigração para a América aconteceu por meio dos descendentes de Cam durante o segundo milênio, devido a alterações climáticas, passando por ilhas no Atlântico que devem ter submergido durante ou após o derretimento dos glaciais no norte, ao fim da época do gelo.

Por que descendentes de Cam? Alguns anos atrás, durante uma pesquisa sobre os antigos povos celtas da Irlanda, nos deparamos com um texto que chamou nossa atenção no livro AD 500: A journey Through the Dark Isles of Britain and Ireland:

“Por muito estranho que possa soar, seus sábios insistem que os Celtas chegaram à Irlanda, em épocas passadas, ao final de uma grande jornada que se iniciou na Ásia e passou pela terra das pirâmides” (Young, 2006, p. 67).

Textos como esse nos deram uma noção de quanto se poderiam ter extendido as migrações após o dilúvio na Europa e no mundo a partir da Ásia. Mas será que teriam razão os antigos celtas da Irlanda?

Já nos séculos 15 e 16, pesquisadores percebiam as grandes migrações que ocorreram nos primeiros séculos da história conhecida/registrada, inclusive mencionando literalmente Cam:

“Observa-se que Cam e seus descendentes foram os únicos que viajaram e se espalharam por diversas regiões desconhecidas, pesquisando, explorando e se estabelecendo nelas” (Hogen, 1971, p. 262).

Porém, temos alguma prova de que essas migrações aconteceram? O autor Bill Cooper, em seu livro Depois do Dilúvio, menciona algo sobre a origem do povo chamado Mizraim que habitou a região do Egito:

“Mizraim: nome do povo que se localizou no Egito. Os modernos israelenses ainda usam esse nome para aquele país. O nome está preservado como Msrm nas inscrições ugaríticas; como Misri nos tabletes de Amarma, e nos registros assírios e babilônicos respectivamente como Musur e Musri. Os árabes modernos ainda o conhecem como Misr” (Cooper, 2008, p. 152).

Mas quem era esse povo Mizraim? O mesmo autor nos dá a reposta e apresenta uma tabela mostrando a genealogia de Cam. Assim, respondendo à pergunta: “Será que essa convicção dos antigos celtas da Irlanda estaria certa?” Há alguma outra fonte histórica que registre a rota de migração do Egito a Europa?

No Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile, do autor Andrés Diego Rocha, vemos a seguinte declaração:

“O rei Osiris, senhor do Egito, que alguns dizem ser este neto de Noé, e que viveu cerca de […] veio do Egito (para a Espanha) e matou a Gerion em uma batalha junto a Tarifa, e alguns dizem que Osiris seguiu governando a Espanha durante muito tempo. No tempo em que viveu Osiris parece que começaram a vir para esta América passando pela ilha da Atlântida” (Rocha, 1891, p. 141-142).

Em que ano teria vivido Osiris, e de que forma o ano em que ele viveu estaria relacionado com o período da época do gelo? Sobre esse personagem, Osiris, encontramos o seguinte comentário no livro A Torre de Babel e seus mistérios, de autoria de Guilherme Stein Jr:

“Osiris foi um dos mais importantes deuses do Egito antigo. A origem de Osiris é obscura, não sendo certo ter sido ele inicialmente um deus local de Abydos, no Alto Egito, ou de Busiris, no Baixo Egito, ou se foi a personificação da fertilidade, ou simplesmente um herói deificado. Em torno de 2.400 a.C., entretanto, Osiris desempenhava um duplo papel – era ele tanto um ‘deus da fertilidade’ quanto a personificação do ‘rei morto’” (Stein Jr, 2017, p. 63).

A data aproximada em que Osiris viveu (2.400 a.C.) coincide com o fim do período do gelo mencionado no início deste texto. Ademais, podem-se encontrar relatos acerca do percurso e da passagem pelo Egito que, assim como Osiris, outros povos teriam feito antes de alcançar seu destino final.

Aliás, evidências científicas atuais reforçam o argumento de que o povo do Egito fazia com facilidade a rota transatlântica antiga, mais de 2.000 anos após a criação (veremos sobre isso no próximo texto da série). Em 1992, uma pesquisa inicial alemã encontrou vestígios de cocaína em múmias egípcias, e a autora do estudo foi muito criticada. (Balabanova, Parsche e Pirsig, 1992) Em 2009, porém, outro estudo reforçou os achados prévios alemães (Musshoff, Rosendahl e Madea, 2009) Sendo que a coca é uma planta original da América do Sul, isso evidencia que os antigos egípcios já percorriam essa rota, via oceano Atlântico. (Mallette et al., 2016) Em 2016, por sua vez, estudo encontrou novos traços de cocaína em múmias e, desta vez, anunciando a possibilidade de migração humana via rota transatlântica antiga. (Görlitz, 2016)

Isso pode ajudar a entender as possíveis rotas de migração dos povos à América antes e depois da Era do Gelo, já que existem antigos relatos de uma movimentação em direção à América do Sul bem anteriores aos que são mencionados pelos historiadores modernos. A propósito, recentemente se descobriram evidências, não apenas de relatos, mas, sim, da arqueologia encontrada por imagens de satélites que identificaram antigos geoglifos (terraplenagem provavelmente usada para cerimônias), mostrando que a Amazônia pré-colombiana já foi uma grande metrópole que abrigou uma população muito maior do que se imaginava anteriormente, chegando-se a dezenas de milhões de pessoas. (de Souza et al., 2018; Clement, 2015) Inclusive, a distribuição dos sítios arqueológicos em potencial sugere que eles eram interconectados, vilarejos avançados e fortificados.

A seguir temos o relato de uma antiga imigração dos povos americanos feito pelo cronista Francisco Lòpez de Gòmara em 1555 (em espanhol antigo):

“Tambien dizen algunos Indios ancianos, q se llamaua Uiaracocha, que quiere dezir gralla del mar, y quer trajo su gente por la mar. Zopalla en conclusión, afirman q poblo y allendo en el Cuzco, de dõde começarõ los Yngas a guerrear la comarca, y aun otras tierras muy lejos, y pusierõ allí la filla y corte de su império” (Gòmara, 1555, Fo. Lv).

Tradução:

“Também dizem alguns anciãos dos índios que ele se chamava Viracocha, que quer dizer gralha do mar, e que trouxe seu povo pelo mar. Zopalla conclui e afirma que o povo indo até o Cuzco, e de aí os incas guerrearam na comarca e ainda terras mui longínquas, e puseram nesse lugar a corte do seu império” (Gòmara, 1555, Fo. Lv).

O autor Andrés Diego Rocha no seu livro Origen de los Indios defende a ideia de que os antigos espanhois teriam migrado à América em tempos remotos e, assim, seu retorno em 1492 seria somente um retomar daquilo que lhes pertencera no passado. Para isso ele usa até argumentos linguísticos:

“Do que acabamos de dizer, encontram-se na língua dos índios muitas palavras semelhantes à antiga língua castelhana, tais como: Aca, alla, ama, anca, ancho, casa, cacha, cala…” (Rocha, 1891, p. 78, 79).

E a tal ilha, chamada pelos autores de Atlântida, ficava onde? É possível que essa ilha devesse ser uma ilha continental ou um grupo de ilhas no Atlântico sobre a dorsal messo-oceânica. Teriam elas sido cobertas durante ou após o derretimento dos gelos do norte?

Ela não é mais mencionada após o segundo milênio antes de Cristo. Isso é evidenciado num relato feito pelo cronista Andrés Diego Rocha, quando se refere a um acontecimento durante o primeiro século e os navegantes fenícios não mencionam mais a existência dessa(s) ilha(s):

“Na época dos cartagineses, um grande argonauta chamado Hannon, e Plinio, no livro 2 de sua Historia Natural, capítulo 67, menciona as largas viagens que fez este Hannon, desde Gibraltar até o último da Arábia, passando duas vezes a Equinocial, e também menciona Arriano, de origem grega, autor antigo, no livro 8 de seu comentário, indicando que o referido Hannon fez outra navegação quase semelhante a que em nossos tempos fez Colon, e de estas últimas navegações, escreve o P. Maluenda em seus livros de Anti-Cristo, livro 3, capítulo 16 e Gòmara na Historia de las Indias, na primeira parte” (Rocha, 1891, p. 21).

Ao chegar à América, continua o relato, eles comentam aspectos interessantes sobre o que viram:

“Chegaram a uma ilha muito ampla, abundante de pastagens, de grande frescura e bosques, e muito rica, irrigada por rios, delimitados por montanhas muito íngremes, tão largos e bordais que poderiam ser navegados” (Rocha, 1891, p. 22).

Notemos que o relato acima descreve “montanhas muito íngremes”, no plural, o que nos mostra que o relator não estivesse se referindo a uma ilha, mas provavelmente aos Andes navegados via rio Amazonas. E assim, provavelmente, aconteceu o povoamento das Américas, após o fim do período do gelo e da dispersão de Babel, não por povos primitivos, mas sim por pessoas inteligentes capazes de grandes construções arquitetônicas como os zigurates em formas de pirâmides.

Como é mencionado, essa ilha chegava até às ilhas Barlovento:

“E tendo então transitado pela ilha Atlântida, que se continuava até as ilhas de Barlovento” (Rocha, 1891, p. 141, 142).

Essas ilhas estão localizadas na região do Caribe. Assim, temos fortes indícios de que uma das rotas naturais dos imigrantes teria sido em direção à América do Sul.

 

 

 

(texto escrito em coautoria com o pesquisador Irwin Susanibar Chavez, a quem o Everton agradece profundamente por compartilhar com ele suas pesquisas e conhecimento)

Texto originalmente publicado em 21/02/2018 no Blog Criacionismo.

Referências:

Alves, Everton Fernando. A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica. In:________. Revisitando as Origens. Maringá: Editorial NUMARSCB, 2018, p.68-78.

Balabanova S, Parsche F, Pirsig W. First identification of drugs in Egyptian mummies.Naturwissenschaften 1992; 79(5):358.

Clement CR, et al. The domestication of Amazonia before European conquest. Proc Biol Sci. 2015 Aug 7;282(1812):20150813.

Cooper B. Depois do dilúvio. 1. Ed. Brasília: SCB, 2008.

de Souza JG et al. Pre-Columbian earth-builders settled along the entire southern rim of the Amazon. Nat Commun. 2018 Mar 27;9(1):1125.

Görlitz D. The Occurrence of Cocaine in Egyptian Mummies – New research provides strong evidence for a trans-Atlantic dispersal by humans. Diffusion Fundamentals 2016; 26(2):1-11.

Gòmara, Francisco Lòpez de. La historia general de las Indias y nuevo mundo, con mas la conquista del Peru y de Mexico. Çaragoça, 1555; a abreviação “Fo. Lv” significa fólios, o livro era como pergaminhos, portanto não tinha folhas.

Hogen M. Early Anthropology in the Sixteenth and Seventeenth Centuries. Philadelphia: Univ. Pensylvania, 1971.

Mallette JR, et al. Geographically Sourcing Cocaine’s Origin – Delineation of the Nineteen Major Coca Growing Regions in South America. Sci Rep. 2016; 6: 23520.

Musshoff F, Rosendahl W, Madea B. Determination of nicotine in hair samples of pre-Columbian mummies. Forensic Sci Int. 2009 Mar 10;185(1-3):84-8.

Rocha, Diego Andrés. Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile. V. 1. Madrid: [Impr. de Juan Cayetano García], 1891. Fondo Antiguo

Stein Júnior, Guilherme. A Torre de Babel e seus mistérios. 2. Ed. Brasília: SCB, 2017.

Young, Simon. A.D. 500: a journey through the dark isles of Britain and Ireland. London: Phoenix, 2006.

Existia um único supercontinente antes do dilúvio?

Muitas pessoas têm curiosidade acerca da origem dos continentes. O planeta antes do dilúvio possuía ou não apenas um continente, o que atualmente os cientistas chamam de Pangeia? Este tema realmente é complexo e tem suscitado dúvidas entre os nossos leitores. Essas dúvidas foram, então, sintetizadas na forma de cinco questões norteadoras para a realização dessa entrevista concedida pelo geólogo e professor Dr. Marcos Costa à Origem em Revista.

Marcos Natal de Souza Costa é bacharel em Geologia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Mestre em Geologia Econômica também pela UFMG, onde estudou a aplicação de isótopos estáveis na pesquisa de depósitos de ouro. É Doutor em Geologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP, também na área de Geologia Econômica, mas desta vez relacionada a minerais industriais. Trabalhou por 12 anos como geólogo prospector pesquisando áreas potenciais para depósitos de ouro. Está há 17 anos no Centro Universitário Adventista de São Paulo – UNASP dando aulas de Geologia, Paleontologia, Levantamento de Recursos Naturais e Ciência e Religião, além da coordenação do Núcleo de Estudo das Origens – NEO. Também é membro do Geoscience Research Institute Committe – GRICOM, comitê ligado à Conferência Geral da IASD, responsável pelo planejamento de estratégias e ações visando a expansão do criacionismo em todo mundo. Além disso, Dr. Marcos Natal é novo Presidente eleito da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) para o ano de 2018.

  1. Explique-nos o que é o Rodínia? Quando ele provavelmente teria sido formado?

De acordo com a geologia convencional Rodínia foi um supercontinente formado na passagem do Mesoproterozóico para o Neoproterozóico, há cerca de 1 bilhão de anos, tendo se fragmentado em torno de 750 milhões de anos. Alguns geólogos acreditam que Rodínia deu origem a outro supercontinente chamado Panótia, mas os dados não são conclusivos. Rodínia teria presenciado pelo menos duas glaciações, a Marinoana e a Sturtiana, ambas no Neoproterozóico. A identificação de glaciações no registro geológico é feita através de analogias com ambientes glaciais modernos, entre elas a presença de sulcos e pavimentos polidos e estriados formados durante o movimento dos mantos de gelo sobre o substrato rochoso. Os sedimentos acumulados nas geleiras dão origem a rochas denominadas tilitos e diamictitos. Estas são rochas sedimentares formadas por clastos e fragmentos de rochas pré-existentes de granulação variada, imersos em uma matriz areno-argilosa ou lamosa, semelhantes aos sedimentos observados nas geleiras atuais.

Do ponto de vista criacionista seria possível relacionar Rodínia com a porção seca mencionada no livro de Gênesis (Gn 1:9,10). Entretanto, isto deve ser feito com cuidado para não se confundir com outras colisões observadas no Pré-cambriano e que também deram origem a outros supercontinentes. O Pré-cambriano é uma parte importante do registro geológico não muito explorada na literatura criacionista. Vez e outra ouvimos dizer que o Pré-cambriano é formado por rochas cristalinas de composição granito-gnáissica. Nada mais equivocado. Os terrenos pré-cambrianos são muito diversificados e de geologia complexa devido a predominância do metamorfismo. Além das rochas graníticas, um conjunto variado de bacias sedimentares com características peculiares é observado desde a sua base, no Arqueano até o final, no Proterozoico. Este conhecimento tem implicações importantes para o dilúvio bíblico, pois em determinados locais é praticamente impossível identificar a transição do Pré-cambriano para o Fanerozoico, porção da coluna geológica situada logo acima e dividida nas eras paleozoica, mesozoica e cenozoica.

  1. Em que período do dilúvio a Pangeia foi formada? E onde, nesta perspectiva, podemos encaixar a Laurásia Gondwana?

Ainda segundo a geologia convencional, Pangeia foi um supercontinente formado entre 300 Ma a 250 Ma, no final do Paleozoico, através da colisão de blocos continentais menores, estando cercado em todos os lados pelo grande oceano Pantalassa. Pangeia manteve-se íntegro até o Jurássico, quando começou a se fragmentar, primeiramente em dois grandes blocos, Laurásia e Gondwana, formando entre eles o mar de Tétis (hoje Mar Mediterrâneo). Em seguida, no Cretáceo, Gondwana se fragmenta, originando os continentes que conhecemos hoje.

Boa parte dos cientistas criacionistas considera o Fanerozoico como produto da sedimentação ocorrida durante o dilúvio. Neste cenário, a formação e fragmentação de Pangeia teria ocorrido aproximadamente no meio da grande inundação. As bacias sedimentares paleozoicas, que corresponderiam às partes iniciais do dilúvio, teriam se formado quando os blocos continentais que deram origem à Pangeia (Laurásia e Gondwana) ainda estavam separados. O Cenozoico, situado na porção superior da coluna geológica, constituiria a sedimentação ocorrida após o dilúvio, o que já é um consenso entre a maioria dos criacionistas.

Entretanto, há outros cientistas criacionistas que consideram a maior parte dos sedimentos depositados durante o dilúvio como equivalente à Era Mesozoica. Neste cenário, os sedimentos da Era Paleozoica, na sua maior parte, seriam pré-diluvianos, ou seja, teriam depositado entre a semana da criação e o dilúvio. No livro Understanding Creation traduzido para o português como Mistérios da Criação e publicado pela Casa Publicadora Brasileira em 2013, o Dr. Roberto Biaggi escreve:

“Tem-se proposto que a coluna geológica se formou como resultado de um evento catastrófico único. No entanto, agora sabemos que o registro geológico é muito mais complexo do que um único evento poderia produzir. Com base nos dados, um cenário razoável sugere que parte da porção inferior do registro consiste de rochas anteriores ao dilúvio global, as quais não chegaram a ser completamente alteradas ou erodidas pela catástrofe. Da mesma maneira é muito provável que uma porção superior da sequência represente os estratos e os processos que ocorreram após o dilúvio. Desta maneira, uma quantidade significativa de atividade geológica estaria representada em rochas pré-diluvianas e pós-diluvianas.”

Quando o Dr. Biaggi afirma que “o registro geológico é muito mais complexo do que um único evento poderia produzir”, ele está se referindo, mais apropriadamente, ao registro sedimentar do Fanerozoico. Segundo ele, é bem plausível que parte das bacias sedimentares, mais especificamente as do Paleozoico, teriam se formado antes do dilúvio. Isto faz certo sentido porque é difícil imaginar que no período de cerca de 2.500 anos entre a semana da criação e o dilúvio não houvesse a formação de nenhum depósito sedimentar, por menor que seja. Este modelo explicaria mais facilmente a formação e fragmentação de Pangeia no início do dilúvio, o que na geologia padrão corresponderia ao final da Era Paleozoica.

Sobre os continentes, o que teria ocorrido no episódio do dilúvio teria sido a fragmentação de Pangeia, dando origem aos continentes que conhecemos hoje. Sobre Rodínia, como mencionamos, ele teria sido formado na semana da criação em função dos atos criativos de Deus. A geologia ainda não tem dados suficientes sobre o que ocorreu com Rodínia até a formação de Pangeia. Ele poderia ter se fragmentado em vários núcleos continentais menores ou não. Sabemos que houve orogenias no Paleozoico como a Apalachiana e a Uraliana e o entendimento destes fenômenos é um ponto importante nos modelos criacionistas. Por outro lado, os 2.500 anos que separam um supercontinente do outro não seria um tempo absurdamente curto para o desmembramento do primeiro e configuração do segundo e o processo através do qual isto ocorreu não seria necessariamente catastrófico, como no caso do dilúvio. Um melhor entendimento da tectônica global em termos criacionistas pode trazer maiores esclarecimento sobre o assunto.

  1. Quais as evidências científicas geológicas da formação da Pangeia?

O mecanismo responsável pela formação de Pangeia e de outros continentes é a tectônica de placas. Dois processos são importantes neste contexto, a expansão do assoalho oceânico, que dá origem aos limites divergentes de placas tectônicas e a colisão de blocos continentais, que formam os limites convergentes. Um terceiro limite, denominado limites transformantes ou conservativos ocorre quando uma placa desliza em relação a outra. O exemplo mais típico é a Falha de San Andreas na Califórnia, onde a placa Norte Americana desliza tangencialmente à placa do Pacífico, sendo responsável por terremotos devastadores naquela região. Os limites convergentes compreendem três tipos de colisões: colisão continente-oceano, colisão oceano-oceano e colisão continente-continente. Estas colisões deixam cicatrizes profundas na crosta terrestre, denominadas suturas. Estas suturas constituem cinturões dobrados e muito deformados, com imbricamento de rochas de natureza diversa, inclusive restos de crosta oceânica. Os Himalaias, por exemplo, correspondem a uma colisão do tipo continente-continente, os Andes, a uma colisão do tipo continente-oceano e o arquipélago japonês a uma colisão do tipo oceano-oceano.

No caso de Pangeia, por se tratar de um bloco continental mais antigo, parte destas estruturas foram erodidas e deixaram suas marcas no substrato rochoso. Assim, no decorrer da Era Paleozoica, a acreção de pequenos blocos litosféricos resultou em diversos movimentos orogênicos, entre eles a Orogenia Apalachiana (colisão entre Laurentia e Gondwana), observada atualmente na costa oriental da América do Norte, do Canadá ao sudeste dos Estados Unidos e a Orogenia Uraliana correspondendo à colisão do bloco da Sibéria com Laurêntia, hoje observado principalmente nos Montes Urais, entre Europa e Ásia. Em geologia, o termo orogenia se refere ao conjunto de processos responsáveis pela formação de montanhas.

  1. No modelo criacionista, quando ocorreu a deriva continental?

Se considerarmos o primeiro cenário, em que o Fanerozoico compreenderia todos os sedimentos depositados durante o dilúvio, a fragmentação de Pangeia teria ocorrido no final do Paleozoico, ou seja, aproximadamente no meio da grande inundação. Se considerarmos o segundo cenário em que os sedimentos diluvianos se depositaram a partir do final do Paleozoico até o Mesozoico, então a fragmentação de Pangeia teria ocorrido no início do dilúvio.

  1. Muitos criacionistas assumem que a deriva ocorreu nos dias de Peleg (120 anos após o dilúvio). Isso tem respaldo bíblico ou geológico?

Eu particularmente não acredito nesta hipótese. Seria distorcer muito o texto bíblico. Para os criacionistas, a deriva continental, cujo mecanismo principal foi a tectônica de placas, consistiu em um evento catastrófico de dimensões e consequências globais, envolvendo erupções vulcânicas de grande porte, terremotos avassaladores, tsunamis, etc, o que certamente provocaria inundações sem proporções e destruição em massa, tanto de seres humanos quanto dos demais seres vivos. Isto, com certeza, deixaria um registro facilmente reconhecido tanto pela geologia como pela arqueologia.

Entrevista originalmente publicada em 30/11/2017 na Origem em Revista.

Simpósio Criacionista
cientista ex ateu
Phd Grady S McMurtry

Nas noites de 26 a 29 de julho, acontece, na cidade de Campo Mourão, o Simpósio Criacionista Um Diálogo Sobre a Origem da Vida.  O evento tem o objetivo de apresentar uma interpretação alternativa da natureza a partir da cosmovisão criacionista bíblica nas discussões acadêmicas sobre a origem da vida. Serão quatro noites de muita informação para a comunidade, com palestras de cientistas do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB), e participação internacional de um cientista que já foi ateu e hoje é um grande ícone na divulgação do criacionismo, o Dr. Grady S. McMurtry, que passa uma temporada no Brasil.

PALESTRAS
26/07 – O Dilúvio e a Arca de Noé
27/07 – Teoria do Design Inteligente
Duas noites com o Mestre em Ciências Everton Fernando Alves, autor de diversos artigos publicados em revistas científicas, na área Biomédica, e Relações Públicas do Numar-SCB.

28/07 – As Digitais do Criador
Com o Dr. Agrinaldo Jacinto do Nascimento Júnior, Químico, professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR), e Diretor-Presidente do Numar-SCB.

29/07 – A Origem da Vida
Com o palestrante de renome internacional PhD. Grady S. McMurtry, fundador e presidente da Creation Worldview Ministries (Ministérios da Cosmovisão Criacionista).

SOBRE O DR. MCMURTRY
Cientista e professor de Ciência e Religião, com ênfase em Criacionismo. 
Autor do livro Criação ou Evolução: onde está a verdade científica (A.D.Santos Editora), há 38 anos divulga o criacionismo bíblico científico. Antes, porém, foi professor de Evolução durante dez anos. Seu currículo é extenso, e mostra o quanto ele se dedica aos assuntos que se propõe a ensinar: Bacharel em Ciências Agronômicas pela Universidade do Tennessee, Mestre em Ciências Ambientais pela Universidade Estadual de Nova Iorque, Doutor em Teologia pela Faculdade Teológica Beacon, de Columbus, e Doutor em Literatura pela Universidade Mid-Continent, no Kentucky.

INSCRIÇÕES:
26 a 29 de Julho, às 20h
R. Roberto Brzezinski, 1519 – Centro, em frente ao Espaço Allure, Campo Mourão-PR
Para participar do evento, basta inscrever-se online, no site: www.inscritoja.com.br
As inscrições são gratuitas, e haverá certificado de participação.
Aproveite a oportunidade!

 

Como os fósseis se formam a partir da madeira

Madeira fossilizada (Imagem por: Darwin Pucha Cofrep)

Como um tronco de árvore se transforma em madeira petrificada? Isso pode ocorrer por diversas formas e envolver substâncias químicas diferentes. Para que ocorra a petrificação, é necessário que a madeira seja capaz de interagir com a substância petrificante, fazendo-a precipitar a partir da solução aquosa. Entre as substâncias que possuem essa característica está a sílica (SiO2). Na verdade, não há uma molécula de SiO2. A sílica forma sólidos covalentes. Trata-se uma cadeia ou rede de átomos de oxigênio e silício, unidos por ligações covalentes, na proporção de 1 átomo de silício para 2 átomos de oxigênio. O SiO2 é um dos principais constituintes da areia e pode formar sólidos como o quartzo, a calcedônia e as opalas [1]. A sílica é um sólido insolúvel em água com pH nas vizinhanças de 7 e em temperaturas brandas. Ao bem da verdade, se pulverizarmos vidro (que é em grande parte SiO2) e aquecermos até a ebulição com água por cerca de uma hora, mais ou menos 1% da sílica do vidro será hidrolisada (reagirá com água) e passará para a solução aquosa. Isso faz parte de um dos experimentos de laboratórios dos cursos de graduação para os quais leciono. Todavia, em soluções básicas (pH elevado) a sílica pode ser hidrolisada com mais facilidade e liberar quantidades razoáveis de íons silicato. De forma similar, em soluções ácidas a hidrólise da sílica libera o ácido silícico, Si(OH)4.

Chamamos de silicificação a penetração e a fixação de sílica no material orgânico que servirá de base para a formação do fóssil. A silicificação é considerada por alguns autores como o processo individual mais importante na preservação de plantas no registro fóssil [3]. Embora alguns autores prefiram manter uma distinção entre silicificação e petrificação, neste artigo vamos usar os dois termos como sinônimos, como tem sido prática comum na literatura da área. Acredita-se que o ácido silícico seja o principal responsável pela silicificação [2]. Os tecidos vasculares das plantas são compostos principalmente por holoceluloses (um grupo de sacarídeos que inclui a celulose) e por ligninas (polímeros complexos compostos de unidades de fenilpropano) [2]. Tanto as holoceluloses quanto as ligninas possuem grupos hidroxila que podem formar ligações de hidrogênio com o ácido silícico.
No processo de petrificação, as moléculas de ácido silícico passam da solução aquosa para a superfície dos constituintes moleculares do tecido vascular da madeira (holoceluloses e ligninas). Na medida em que o ácido silícico vai se acumulando dentro da madeira, suas moléculas começam a se fundir. A continuação desse processo leva à formação de um filme de sílica ao redor das superfícies celulares, reproduzindo as características histológicas da madeira. Por causa disso, a petrificação por meio de sílica é capaz de preservar uma riqueza impressionante de detalhes não observáveis em outros tipos de fossilização.
Por que um pedaço de madeira não se fossiliza se for simplesmente enterrado no solo, pois a areia é formada principalmente por SiO2? A petrificação da madeira depende da existência de uma quantidade razoável de ácido silícico em solução. O ácido silícico, como vimos, é gerado a partir da sílica em meio ácido, e a maioria dos reservatórios naturais de água não é suficientemente ácida para hidrolisar uma quantidade apreciável de sílica.
É muito comum que madeira petrificada seja encontrada em regiões vulcânicas [4], particularmente se uma erupção ocorreu na época em que a madeira foi soterrada [5]. Os vulcões fornecem três elementos fundamentais para o processo de petrificação. Primeiramente, em um ambiente catastrófico as chances de que a madeira seja soterrada rapidamente antes de se decompor são muito elevadas. A madeira precisa ser protegida contra a degradação para que as moléculas de ácido silícico tenham tempo o bastante para se infiltrar e se depositar em seu interior. Em segundo lugar, as cinzas vulcânicas são constituídas em sua maioria por SiO2 [6]. Por fim, os vulcões são responsáveis pela produção de gases como o SO2 que, quando dissolvido em água, deixa o meio ácido gerando ácido sulfuroso (H2SO3) ou mesmo ácido sulfúrico (H2SO4).
Então os eventos são os seguintes. Durante a erupção de um vulcão nas proximidades de fontes de água, plantas podem ser soterradas catastroficamente, sendo encobertas por sedimentos com grande quantidade de cinzas vulcânicas (fonte rica em SiO2). A água misturada aos sedimentos é ácida, sendo capaz de promover a liberação de ácido silícico para a solução. O ácido silícico, por sua vez, se fixa às holoceluloses e às ligninas da madeira por meio de ligações de hidrogênio. O acúmulo de ácido silício leva então à formação de um filme de sílica, como dissemos acima.
Mas o quão rápido é esse processo? Fragmentos de madeira recuperados de cinzas vulcânicas de uma erupção em 1886 na Nova Zelândia estavam parcialmente petrificados apenas 90 anos após o soterramento [2]. Madeira de coníferas soterradas por cinzas vulcânicas na erupção histórica de 1885 do Monte Santa Helena apresentava petrificação incipiente após 102 do soterramento [5]. Mas o resultado mais impressionante vem de um grupo de pesquisadores do Japão [4]. Esses pesquisadores observaram que em um certo lago de águas quentes, nas vizinhanças de um vulcão, eram frequentemente encontrados pedaços de madeira impregnadas com sílica. Esses pedaços de madeira caiam naturalmente das plantas nas vizinhanças do lago. Os pesquisadores notaram que a textura desse material era a mesma de madeira silicificada encontrada em regiões vulcânicas no registro geológico. Eles decidiram, então, conduzir um experimento muito interessante. Pedaços de madeira foram colocados no lago e monitorados ao longo de sete anos. O resultado foi surpreendente. Os pedaços que permaneceram por mais tempo imersos no lago tiveram próximo de 40% de sua massa silicificada. A conclusão dos autores é bastante significativa para a compreensão de como os fósseis se formam. Segundo eles, “madeira silicificada pode se formar, sob condições apropriadas, em períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos” [4]. Um detalhe muito interessante desse trabalho é o fato dos autores citarem um artigo do Geólogo australiano Andrew Snelling publicado na revista criacionista Creation [7].
Vamos agora relacionar essas descobertas com a proposta criacionista do Dilúvio bíblico. Citando John D. Morris,
“O período imediatamente anterior e pouco depois do Dilúvio foi um tempo de imenso vulcanismo, marcado por extensivas erupções na medida em que os continentes se afastavam, as cadeias de montanha eram elevadas, e o fundo do oceano era rebaixado”.
“Considere os Basaltos do Rio Colúmbia, onde os depósitos vulcânicos cobrem mais de 100.000 milhas quadradas no estado de Washington e Oregon, com o basalto tendo até uma milha de espessura!” [8].
Vulcanismo intenso provê as condições perfeitas para a fossilização de plantas. É notável o fato de que encontramos florestas inteiras preservadas desta maneira ao longo do registro fóssil [3]. Em outras palavras, a proposta catastrofista criacionista encontra-se completamente em acordo com o melhor conhecimento experimental de que dispomos. Além disso, a questão do tempo de fossilização também apoia a proposta criacionista. Nas palavras de Alkahane et al. [4], madeira silicificada pode se formar em “períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos”. Portanto, quando falamos de madeira petrificada, um modelo que apela para uma grande catástrofe ocorrida há poucos milhares de anos está em pleno acordo com os dados de que dispomos. Mais do que isso, a proposta catastrofista criacionista tem se mostrado capaz de explicar aspectos de diversas áreas do conhecimento que são passados por alto ou atribuídos a causas improváveis na visão evolucionista.
Se o processo de fossilização da madeira ocorreu há poucos milhares de anos, poderia ter restado alguma matéria orgânica residual? Essa matéria orgânica poderia ser datada por carbono-14? Esse será o assunto de um outro artigo.
Referências:
[1] G. Scurfield, E.R. Segnit, Petrifaction of wood by silica minerals, Sediment. Geol. 39 (1984) 149–167. doi:10.1016/0037-0738(84)90048-4.
[2] R.F. Leo, E.S. Barghoorn, Silicification of wood, Harvard Univ. Bot. Mus. Leafl. 25 (1976) 1–47. http://www.biodiversitylibrary.org/item/31874 (accessed February 12, 2016).
[3] C. Ballhaus, C.T. Gee, C. Bockrath, K. Greef, T. Mansfeldt, D. Rhede, The silicification of trees in volcanic ash – An experimental study, Geochim. Cosmochim. Acta. 84 (2012) 62–74. doi:10.1016/j.gca.2012.01.018.
[4] H. Akahane, T. Furuno, H. Miyajima, T. Yoshikawa, S. Yamamoto, Rapid wood silicification in hot spring water: an explanation of silicification of wood during the Earth’s history, Sediment. Geol. 169 (2004) 219–228. doi:10.1016/j.sedgeo.2004.06.003.
[5] A.L. Karowe, T.H. Jefferson, Burial of trees by eruptions of Mount St Helens, Washington:implications for the interpretation of fossil forests, Geol. Mag. 124 (2009) 191. doi:10.1017/S001675680001623X.
[6] A.C. Sigleo, Geochemistry of silicified wood and associated sediments, Petrified Forest National Park, Arizona, Chem. Geol. 26 (1979) 151–163. doi:10.1016/0009-2541(79)90036-6.
[7] A. Snelling, “Instant” petrified wood, Creation. 17 (1995) 38–40.
[8] J.D. Morris, The Global Flood: Unlocking Earth’s Geology Hystory (Edição para Kindle), Institute for Creation Research, Dallas, 2012.

Cangurus vivem somente na Austrália?

O que as pessoas não sabem é que cerca de uma dúzia de diferentes tipos de marsupiais básicos vivem, além da Austrália, na Papua-Nova Guiné e na Indonésia. Além dos cangurus australianos, existem os cangurus arborícolas presentes na Nova Guiné. Como eles ficaram isolados nesses locais? Os evolucionistas insistem que eles evoluíram lá, há milhões de anos,[1, 2] mas certos fósseis sugerem uma resposta diferente. Marsupiais incluem grupos de cangurus e coalas, além dos menos conhecidos como os bettongs e toupeiras marsupiais. Em vez de se desenvolverem em úteros, seus filhotes crescem dentro de uma bolsa de pele da mãe chamada marsúpio. Que evidência convenceu os pesquisadores de que os marsupiais evoluíram de um único antepassado marsupial na Austrália ou Nova Guiné ao longo de milhões de anos?

Seja qual for a resposta, não são fósseis, que mostram exatamente o oposto dessa história evolutiva. Os menores e os mais antigos fósseis marsupiais encontrados no sistema de rochas do período Cretáceo “são exclusivamente da Eurásia e da América do Norte”.[3] Se os marsupiais australianos evoluíram na Austrália, então por que seus supostos ancestrais foram enterrados no hemisfério oposto (hemisfério norte)? E por que o “mais antigo” fóssil marsupial, que parece notavelmente com um gambá, vem da China?[4] Uma revisão de 2003 admitiu que “esse interruptor geográfico permanece inexplicado”.[3]

A fim de contornar esse problema, um estudo afirmou que os cangurus evoluíram na China e migraram por meio da América para Austrália e a Antártida;[5] além disso, a mesma pesquisa sugeriu que os cangurus são geneticamente semelhantes aos humanos. Outro estudo sugeriu que os característicos coalas, cangurus e gambás da Austrália teriam dividido um [suposto] ancestral comum americano. Os cientistas elaboraram uma árvore genealógica baseada no DNA e sugeriram que uma única espécie de marsupial ancestral se originou na América do Sul (quanto fazia parte do supercontinente de Gondwana) e se dirigiu rumo à Austrália.[6]

Mas o que é pior para este conto é que os fósseis de mamíferos placentários aparecem nos depósitos australianos do Cretáceo. A Austrália tem mantido há muito tempo suas populações marsupiais, e com pouquíssimos placentários. No entanto, a partir da observação da localização dos fósseis, os marsupiais deveriam ter evoluído fora da Austrália e os placentários é que deveriam ter evoluído na Austrália – o oposto da história evolutiva.

Em geral, os fósseis não mostram nenhuma evidência para a evolução marsupial. Observamos tanto marsupiais quanto placentários completamente formados. Uma vez que os fósseis marsupiais aparecem apenas onde os marsupiais não vivem hoje, eles devem ter se mudado (migrado). Mas onde e quando isso teria ocorrido?

Nenhum cientista criacionista ou evolucionista estava lá para observar e gravar quando os marsupiais realmente chegaram à Austrália, então ambos devem apenas sugerir e testar hipóteses. Evolucionistas sugerem que marsupiais do Cretáceo foram extintos com os dinossauros, apenas para a evolução substituí-los com duplicatas exatas milhões de anos depois na Austrália! É como se um gambá evoluísse, fosse extinto, então forças naturais fossem criando virtualmente a mesma criatura uma segunda vez. Muito imaginativo, mas não muito científico.

Felizmente, um cenário favorável à Bíblia explora os fósseis sem recorrer a histórias de evolução. O modelo criacionista diz que os marsupiais do “cretáceo” morreram no dilúvio de Noé. Eles devem ter vivido em regiões pré-diluvianas que, devido a eventos relacionados ao dilúvio, se separaram em áreas menores conhecidas hoje como América do Norte, Europa e Ásia.[7] O relato da testemunha bíblica ocular do dilúvio garante aos leitores que dois de cada animal que habitava na terra e que respirava ar entraram na Arca de Noé.[8] Isso inclui cangurus, coalas, tilacinas e therizinossauros.

Os eventos associados ao dilúvio teriam dado origem à época do gelo (clique aqui e saiba mais), que teria durado vários séculos.[9] Naquela época, o nível do mar era cerca de 100 metros mais baixo do que é hoje.[10] Os mares mais baixos proporcionavam pontes terrestres entre muitas das ilhas modernas.[11] Animais e homens podiam literalmente caminhar desde as montanhas do Ararat (local onde a Arca de Noé pousou) até a Nova Guiné. Alguns poderiam ter sido transportados em detritos da tempestade ou nadado de ilhas como Nova Guiné para a Austrália.[12] Mas a hipótese mais razoável é que os marsupiais conseguiram realmente migrar enquanto o gelo do mundo estava solidificado e o nível do mar ainda estava mais baixo; o derretimento do gelo no final da época do gelo aumentou o nível do mar o suficiente para isolá-los em terras antigas de ponte terrestre que se tornaram ilhas.[13]

Conforme explica o naturalista Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia) que existiam durante o período glacial, submergiram” [14: p. 70]. Isso explicaria o fato de alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus terem ficado ilhados na ilha continental australiana.

Mas quais seriam as evidências de que os cangurus migraram desde o local onde a Arca de Noé parou (conhecido atualmente como Turquia) até a Austrália, região onde teriam ficado isolados tempos depois? As evidências se encontram no fato de que alguns cangurus ficaram no meio do caminho e não conseguiram chegar até a região da Austrália. Os fósseis de cangurus encontrados em distintas regiões do planeta nos dão indícios de que eles ficaram no “meio” desse caminho. Além disso, como falamos no início deste texto, alguns cangurus arborícolas, tais como os cangurus-arborícolas-de-goodfellow, os wallabies e os pademelon, que vivem na Nova Guiné, e os tenkile e o canguru-de-manta-dourada, da Indonésia, prosperaram, portanto, em outras regiões antes que alguns exemplares chegassem até seu destino final (Austrália).

Ademais, é interessante pensarmos no porquê de os cangurus terem se dirigido rumo à Austrália. Alguns criacionistas desenvolveram a hipótese de que talvez eles estivessem apenas retornando ao seu local de origem, uma vez que antes do dilúvio existia apenas um único continente não fragmentado.[15] Mas como eles teriam reconhecido o caminho de volta? A ideia é que eles retornaram ao seu território nativo por meio de uma direção “especial”, ou seja, por meio de instintos de localização (GPS biológico), como os que se observam em pássaros, peixes, insetos e outros animais migratórios.

Mas o que podemos de fato observar é que cangurus e coalas não evoluíram na Austrália. Eles simplesmente não evoluíram. Deus os fez marsupiais desde o início. Muitos deles morreram junto com dinossauros e outras criaturas durante o dilúvio. Aqueles que sobreviveram ao dilúvio na Arca tiveram descendentes que podem ter migrado à frente de muitos mamíferos placentários. Eles provavelmente chegaram à Austrália antes que o aumento dos níveis do mar interrompesse os placentários de continuar a jornada até o fim do caminho. Essa solução se encaixa nas observações fósseis e nas Escrituras.

(Texto adaptado do original Thomas [16], postado originalmente no Brasil em 01/03/2017 no Blog Criacionismo)

Referências e notas:

[1] Janis CM, et al. Locomotion in Extinct Giant Kangaroos: Were Sthenurines Hop-Less Monsters? PLoS One. 2014;9(10):e109888.

[2] Butler K, Travouillon KJ, Price GJ, Archer M, Hand SJ. Cookeroo, a new genus of fossil kangaroo (Marsupialia, Macropodidae) from the Oligo-Miocene of Riversleigh, northwestern Queensland, Australia. Journal of Vertebrate Paleontology. 2016; 36(3):e1083029.

[3] Cifelli RL, Davis BM. Marsupial Origins. Science. 2003;302(5652):1899-1900.

[4] Luo ZX, et al. An Early Cretaceous Tribosphenic Mammal and Metatherian Evolution. Science. 2003;302(5652):1934-1940.

[5] Kangaroos similar to humans, claim Australian researchers. Telegraph (18/11/2008). Disponível em:http://www.telegraph.co.uk/news/science/3477482/Kangaroos-similar-to-humans-claim-Australian-researchers.html

[6] Nilsson MA, et al. Tracking Marsupial Evolution Using Archaic Genomic Retroposon Insertions. PLoS Biol. 2010 Jul 27;8(7):e1000436.

[7] Clarey T. Hot Mantle Initiated Ocean and Flood Beginnings. Acts & Facts. 2013;42(8):15.

[8] “[Gênesis 10: 1] diz respeito à quarta geração do livro de Gênesis (anteriormente observado em Gênesis 2: 4; 5: 1 e 6: 9), presumivelmente marcando as assinaturas de Sem, Cam e Jafé após completar sua narrativa do Dilúvio e os anos pós-dilúvio imediatos. Ver: Morris H. The Henry Morris Study Bible. Green Forest, AR: Master Books, 2012, p.45.

[9] Hebert J. Was There an Ice Age? Acts & Facts. 2013;42(12):20; ver também: “Alves EF. A era do gelo: uma perspectiva bíblico-científica. NUMAR-SCB (31/10/2016). Disponível em: http://numar.scb.org.br/artigos/era-do-gelo-uma-perspectiva-biblico-cientifica/

[10] Gomitz V. Sea level rise, after the Ice Melted and Today. Science Briefs. Goddard Institute for Space Studies da NASA (10/01/2007). Disponível em: https://www.giss.nasa.gov/research/briefs/gornitz_09/

[11] Clarey T. The Ice Age and the Scattering of Nations. Acts & Facts. 2016;45(8): 9.

[12] Mesmo os evolucionistas há muito invocaram a migração em esteiras de detritos flutuantes para explicar o transporte de animais para as ilhas. Tipos de plantas similares em diferentes continentes, florescendo bem onde as correntes oceânicas os levariam, apoiam o transporte

[13] Possivelmente, marsupiais e placentários competiram fora por recursos, assim os marsupiais continuaram a migrar para os habitats com menos competição.

[14] Baerg HJ. O mundo já foi melhor. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992.

[15] Gibson LJ. Patterns of mammal distribution. Manuscrito não publicado, distribuído pelo Geoscience Research Institute, Loma Linda University, Loma Linda, CA.

[16] Thomas B. Why Do Kangaroos Live Only in Australia? Acts & Facts. 2017; 46(2):20.

Microcristais que foram confundidos com bactérias

A explosão do Cambriano é uma das muitas pedras nos sapatos dos defensores da Teoria da Evolução. Isso os tem levado a um busca desesperada por formas de vida simples nas camadas pré-cambrianas que apresentem qualquer conexão com aquelas encontradas nas camadas superiores. Algumas algas e supostas bactérias são relatadas nessas camadas pré-cambrianas, mas não se veem ali formas intermediárias claramente identificáveis como ancestrais de trilobitas ou de braquiópodes, por exemplo. Uma explicação simples para a presença de algas e bactérias nessas regiões é a observação de que nos dias atuais algas e bactérias também habitam rochas profundas. Na época do dilúvio, essas criaturas poderiam ter sido fossilizadas ali.

Estruturas microscópicas filamentosas, encontradas na Austrália ocidental, são consideradas por evolucionistas as formas de vida mais antigas de que se tem relato. As rochas nas quais essas estruturas se localizam têm idades estimadas em 3,5 bilhões de anos, na cronologia evolucionista. Essas estruturas foram encontradas há mais de duas décadas e foram identificadas como fósseis de bactérias fotossintéticas do Archeano.

Pois bem, um grupo de pesquisadores do Instituto Carnegie decidiu fazer aquilo que sempre coloca os evolucionistas em maus lençóis, ou seja, analisar as alegações de forma detalhada. Os pesquisadores, usando técnicas de construção de imagens sofisticas, observaram os interstícios entre os grãos microscópicos de cristais de quartzo nas vizinhanças de um dos supostos microfósseis e descobriram que esses interstícios estavam preenchidos por carbono.

Quando os pesquisadores olharam para o suposto microfóssil usando essa mesma técnica, perceberam que o filamento dividia vários pequenos microcristais, de forma que partes correspondentes desses microcristais eram encontradas nos dois lados dos filamentos. Isso é como cortar uma laranja ao meio e colocar um objeto entre as duas metades. Não é o que se espera de um processo de fossilização. Além disso, o carbono encontrado ao longo do filamento liga-se a outros veios que parecem estar preenchendo fissuras e o filamento parece também estar conectado a uma espécie de cratera local que não faz o menor sentido do ponto de vista biológico. Tudo isso indica que a rocha hospedeira e a estrutura filamentosa não se formaram juntamente. Ao invés disso, o cristal maior no qual a estrutura filamentosa é encontrada se partiu (dividindo também os grãos de tamanho menor) e as fissuras formadas foram posteriormente preenchidas por material rico em carbono. Em outras palavras, olhar para essa estrutura e ver ali uma bactéria é como olhar para as nuvens e tentar identificar figuras familiares.

O estudo não afirma que todas as estruturas microscópicas desse tipo são pseudofósseis, mesmo porque nem todas foram estudadas com o mesmo rigor, mas nos mostra que deve-se exercitar muita cautela para não tirar conclusões precipitadas baseadas em uma visão de mundo equivocada e sem o suporte experimental necessário.

Referências:

[1] D.M. Bower, A. Steele, M.D. Fries, O.R. Green, J.F. Lindsay, Raman Imaging Spectroscopy of a Putative Microfossil from the 3.46 Ga Apex Chert: Insights from Quartz Grain Orientation, Astrobiology. 16 (2016) 169.

(Origem e Vida)

 

Novo estudo com DNA confirma a história de Noé

Os ensinamentos evolutivos sustentam que toda a humanidade surgiu a partir de uma população de ancestrais comuns aos macacos a partir dos quais os chimpanzés também evoluíram. Mas Gênesis, o restante da Bíblia e Jesus ensinam que toda a humanidade surgiu a partir dos três filhos de Noé e de suas esposas. Uma nova análise do DNA mitocondrial humano apresenta duas novas evidências que validam o relato bíblico sobre a origem da humanidade.

O DNA mitocondrial é passado para os filhos através da linhagem materna. As células-ovo da mãe transmitem seu DNA mitocondrial (mtDNA) para a mitocôndria celular de cada recém-nascido. Este anexo único de DNA contém 16.569 bases − seja adenina, guanina, citosina ou timina (A, G, C, T) − que codificam a informação celular vital, como um manual de instruções. Os cientistas vêm comparando as diferenças genéticas entre cada grande grupo populacional em todo o mundo. Como essas diferenças surgiram?

Supondo que Deus colocou a sequência ideal de mtDNA em Eva, todas essas diferenças surgiram por mutações desde a maldição em Gênesis 3, cerca de 6.000 anos atrás. Outros cientistas mediram a taxa com a qual ocorrem erros de cópia no DNA. Embora muito lento – adquirimos cerca de uma mutação a cada seis gerações −, algumas dezenas de mutações poderiam aparecer após vários milênios. Isso preparou o palco para pesquisadores poderem comparar previsões dos modelos contra as diferenças medidas no mtDNA.

O biólogo molecular criacionista Dr. Nathaniel Jeanson baixou dados da sequência do genoma mitocondrial humano disponíveis publicamente para fazer exatamente isso. Publicados em Answers Research Journal, seus resultados mostram que o número de diferenças de mtDNA de hoje corresponde exatamente ao número previsto pelos 6.000 anos bíblicos da história humana.[1] O DNA mitocondrial de todo o mundo não mostra nenhum traço de 200.000 anos ou mais que o modelo evolutivo prevê.

Geneticistas construíram diagramas na forma de árvores filogenéticas usando softwareque coloca as sequências genéticas mais semelhantes perto umas das outras, e as sequências mais desiguais sobre os ramos mais longos. Jeanson encontrou pelo menos dois padrões distintos na árvore filogenética do mtDNA humano que confirmam Gênesis.

O centro do diagrama mostra três troncos principais. Cada um reflete uma sequência específica de mtDNA com apenas poucas diferenças dos outros dois. Poderiam esses três troncos representar o único mtDNA das esposas de Sem, Cam e Jafé?

Um segundo padrão emergente que também se encaixa na explicação das três esposas. Assumindo maior tempo entre cada geração, de acordo com o relato bíblico da expectativa de vida antes do dilúvio, e usando a taxa de mutação lenta dos dias de hoje, os 1.656 anos entre Adão e Noé teriam produzido o pequeno número de diferenças que as linhas curtas entre cada tronco representam.

Jeanson comparou o pequeno número de diferenças do mtDNA entre cada tronco, ou nó central, com o número relativamente grande de diferenças nos ramos. Ele escreveu:

“Cerca de 1.660 anos se passaram desde a criação até o dilúvio, enquanto 4.365 anos se passaram desde o dilúvio até o presente – uma relação de tempo de aproximadamente 2,6:1. Coerente com isso, os ramos que conectam os nós uns aos outros eram muito mais curtos do que os ramos de dispersão dos nós – como se os ramos curtos representassem as mutações pré-diluvianas, e os longos ramos representassem as mutações pós-dilúvio.”[1]

Parece que a genética moderna confirma Gênesis, que diz:

“Então saiu Noé, e seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos com ele” (Gênesis 8:18).

Esse estudo produziu dois resultados que confirmam o relato de Gênesis. Primeiro, a árvore do mtDNA humano tem três troncos, o que se encaixa no modelo de Gênesis segundo o qual todos os povos descendem de basicamente três mães – as esposas de Sem, Cam e Jafé. Em segundo lugar, 6.000 anos de taxa de mutação lenta de hoje produziriam exatamente o número medido atualmente de diferenças no mtDNA. A genética mais uma vez confirma Gênesis.

Nota do autor: Vale lembrar que em 2004 estudo publicado na Nature[3] descobriu que após o período equivalente ao dilúvio bíblico existiu um ancestral comum a toda humanidade. O estudo afirmou que as diferenças raciais da população têm uma origem recente: entre 2.000 e 5.000 anos atrás. Além desse, outros estudos publicados nas revistas Science[4] eNature[5] mostraram que a espécie humana sofreu uma explosão de variação do genoma humano devido à entropia genética (mutações deletérias) entre 5.000 e 10.000 anos atrás. Época condizente com o relato do dilúvio de Noé.Nota do autor: Vale lembrar que em 2004 estudo publicado na Nature[3] descobriu que após o período equivalente ao dilúvio bíblico existiu um ancestral comum a toda humanidade. O estudo afirmou que as diferenças raciais da população têm uma origem recente: entre 2.000 e 5.000 anos atrás. Além desse, outros estudos publicados nas revistas Science[4] e Nature[5] mostraram que a espécie humana sofreu uma explosão de variação do genoma humano devido à entropia genética (mutações deletérias) entre 5.000 e 10.000 anos atrás. Época condizente com o relato do dilúvio de Noé.

Texto traduzido do original Thomas[2] e publicado originalmente em 16/06/2016 no Blog Criacionismo.

Referências

[1] Jeanson, N.T. “On the Origin of Human Mitochondrial DNA Differences, New Generation Time Data Both Suggest a Unified Young-Earth Creation Model and Challenge the Evolutionary Out-of-Africa Model.” Answers Research Journal. 9 (2016): 123-130. Disponível em: https://assets.answersingenesis.org/doc/articles/pdf-versions/arj/v9/out_of_africa_model.pdf

[2] Brian Thomas. “New DNA Study Confirms Noah.” Institute for Creation Research. (16 Mai 2016). Disponível em: http://www.icr.org/article/9325/

[3] Rohde DLT, Olson S, Chang JT. “Modelling the recent common ancestry of all living humans.” Nature 2004;431:562-566. Disponível em:http://www.nature.com/nature/journal/v431/n7008/full/nature02842.html

[4] Tennessen JA, et al. “Evolution and functional impact of rare coding variation from deep sequencing of human exomes.” Science. 2012 Jul 6;337(6090):64-9. Disponível em:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22604720

[5] Fu W, et al. “Analysis of 6,515 exomes reveals the recent origin of most human protein-coding variants.” Nature. 2013 Jan 10;493(7431):216-20. Disponível em:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23201682