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A grande aventura americana: rotas migratórias

Por uma ironia do destino, uma das primeiras pessoas que levantaram a questão de onde vieram os habitantes do continente americano foi um padre jesuíta chamado José de Acosta, naturalista e antropólogo, nascido em Medina del Campo em 1539 (Encyclopaedia Britannica 2018). Ele visitou Peru e México e escreveu em seu livro Historia natural y moral de las Indias: 

“Ficamos sem dúvida obrigados a confessar que homens da Europa, Ásia ou África passaram por aqui (América), porém como e por qual caminho vieram ainda é uma pergunta que nós fazemos e desejamos saber. O certo é que não houve outra arca de Noé que trouxe os homens às Índias nem muito menos que um anjo os trouxe pendurados pelos cabelos” (de Acosta, 1590, p. 57).

Um fato histórico é simplesmente um acontecimento até quando é estudado e interpretado. Essa interpretação é o passo mais importante porque, dependendo da base teórica, poderemos entender ou não o que aconteceu. Diante disso, este artigo não é nenhuma novidade. Os autores não estão apostando em uma nova teoria. O que mostramos aqui são fatos. Evidências históricas não podem ser refutadas. Podem, sim, ser reinterpretadas ou ignoradas.

Hoje, nas ditas “ciências” modernas, tem se ignorado ou silenciado de modo sistemático muitas evidências históricas que, de alguma forma, contradizem os paradigmas “modernos”. Essas “novas ciências” surgem após o século 15 e negam seletivamente toda verdade descoberta em parceria com a religião – especialmente se esta é cristã. Desse modo, descontrói-se todo o fazer científico. Fatos não se negam devido a um gosto pessoal ou a uma falta de entendimento. Fatos se interpretam, e se nossa interpretação não consegue explicá-los, devemos pensar que nosso paradigma possa não ser o ideal para entender os fatos.

Neste artigo, por meio de evidências históricas colhidas por antigos cronistas, iremos estudar e comentar as possíveis rotas tomadas pelos povos que povoaram o continente americano. É chegada a hora de discutir fatos à luz da História e de suas evidências.

Como iremos falar de tempos e datas, nosso primeiro desafio é determinar qual será o ponto de referência na História. Acreditamos que isso seja o mais importante porque um fato histórico pode ser interpretado desde uma perspectiva marxista (que exclui a noção de Criação) ou numa perspectiva verdadeiramente histórica, e chegar à conclusão de que houve, sim, migrações recentes (no mais, de cerca de quatro mil anos atrás) e feitas por povos cultural e tecnologicamente avançados.

Os autores usados aqui como referências recolheram a maior parte dos dados de homens sábios entre os povos andinos e americanos. Surge, então, a pergunta: Os povos andinos sabiam calcular o tempo corretamente? A resposta é sim! Eles eram doutos em estudos de tempo e astrologia.

Diz  o  cronista  Fernando de  Montesinos, em sua obra Memorias Antiguas Historiales y Políticas del Perú: 

“Dizem os amautas que sabiam as coisas desses tempos por tradições dos antigos, comunicadas de mão em mão, que quando esse príncipe reinava, havia letras e homens doutos nelas, que se chamavam amautas, e estes ensinavam a ler e escrever; a principal ciência era a astrologia”. (Montesinos, 1882, p.24)

Eles calculavam os milênios chamando-os Sois; assim eles mencionam o “primeiro” e “segundo” sóis.

“Dicen los amautas que el segundo ano del reinado de Manco Capac se cumplió el cuarto sol de la Creacion, que son cuatro mil anos, poco menos, y dos mil novecientos y tantos después del Diluvio general” (Montesinos, 1882, p. 77).

É interessante notar que nessa época, logo após os episódios do dilúvio e da Torre de Babel, ou seja, durante ou após, segundo a perspectiva criacionista, do início do período do gelo (ver artigo “A Atlântida e a migração para as Américas após o período do gelo”), os descendentes de Noé já haviam migrado para as Américas. Notemos que a nação de Israel nasce somente no fim desse milênio, portanto, acreditamos que eles vieram para a América antes mesmo que Israel e suas tribos existissem, isto é, antes de existirem hebreus como nação.

E sobre o Dilúvio? O que sabemos?

O arcebispo irlandês James Ussher (1581-1656), um famoso cronologista bíblico, estudando muito seriamente as gerações mencionadas na Bíblia, numademonstração de matemática, calculou que a criação da vida no planeta teria ocorrido em 22 de outubro de 4004 a.C., e o dilúvio teria ocorrido 1.656 anos após a criação (ou 2.348 a.C.) (Cooper, 2008, p. 99, 202). Há registros históricos ainda de datas surpreendentemente aproximadas a essas calculadas por Scaliger e pelos Maias (Cooper, 2008, p. 100-103).

No entanto, nos basearemos num registro antigo (castelhano antigo), que remonta à chegada às Américas dos colonizadores espanhóis os quais mostravam como os povos andinos receberam o mesmo relato dos seus ancestrais. No já mencionado livro Memorias Antiguas Historiales y Políticas del Perú, de autoria de Fernando de Montesinos (1593-1652), o qual esteve no Peru em 1628, é registrado que os povos entendiam que houve um dilúvio e que este teria ocorrido, segundo seus ancestrais, no ano 1.660 após a Criação (muitíssimo próximo do que Usher concluiu):

“Depois de Ophir povoar a América, instruiu seus filhos e netos no temor de Deus e observância da lei natural. Viveram debaixo dela por muitos anos, passando depais para filhos a respeito do Criador de todas as coisas, pelas bênçãos recebidas, em especial pelo dilúvio, em que livrou seus progenitores. Duraram eles muitos anos; e segundo o cálculo do manuscrito citado, seriam quinhentos, contando os do livro, ainda pela conta dos amautas e historiadores peruanos, foi a partir do segundo sol [milênio] depois da criação do mundo, que calculando o tempo pelos anos comuns, vem a ser 2.000 anos, dado que foi o último do segundo sol [milênio]; e porque ainda não tinham se cumprido esses dois sóis [milênios] quando aconteceu o dilúvio, porque faltavam para seu cumprimento 340 anos, segundo nossa conta mais comum, vem, de acordo com esses amautas, a ser esse período o tempo dos ditos 340 anos” (Montesinos, 1882, p. 3).

“Mas eles erraram, porque Ophir, neto de Noé, disse que, quando chegou à América, depois dos 340 anos do dilúvio, os 160 restantes eram aqueles que viveram seus filhos, decentes no temor a Deus e ao próximo, com toda paz, sem anciões nem dissensões” (Montesinos, 1882, p. 3).

Essas evidências históricas recolhidas por Montesinos nos situam na chamada Rota Atlântica Antiga, que pode ser melhor visualizada no mapa ao final deste texto. É fato, à luz dos atuais dados científicos, que houveram diversas migrações em diversos momentos e por diversas rotas. Em relação a essas rotas, há indícios de que, além de por pontes de terras/gelo (Estreito de Bering, por exemplo), através do Atlântico e pelos mares do norte, parte desses povos antigos vieram pelo mar do Sul (pelo Chile e Andes, vindo talvez da Nova Zelândia ou Austrália):

“Neste tempo, que segundo o que pude descobrir, seria 600 anos após o dilúvio, todas essas províncias estavam cheias de moradores, muitos vieram pelo Chile, outros através dos Andes, outros através da Terra Firme e Mar do Sul, com a qual as costas da ilha de Santa Elena e Puerto Viejo ao Chile foram povoadas. Isto foi recolhido a partir dos antigos poemas e canções dos índios” (Montesinos, 1882, p. 4).

Montesinos também nos informa o tipo de embarcação que eles usavam nesse processo de navegação (ver Kon-Tiki, 1947):

“Ele cuidou disso para o rei e, depois de alguns dias, veio de novo e contou como haviam desembarcado nas planícies em balsas e canoas, e que faziam uma grande frota, um grande número de pessoas estranhas e que iam povoando, especificamente nas margens dos rios, e que homens de grande estatura passaram adiante” (Montesinos, 1882, p. 53).

A movimentação migratória marítima na direção contrária também se deu, e isso é mencionado pelo autor Gregório Garcia, em seu livro Origen de los Indios de el Nuevo Mundo, e Indias Occidentales:

“Também contam os índios de Ica e os de Arica que antigamente costumavam navegar a umas ilhas no poente, muito longe, e que a viagem era realizada nuns couros de lobo marinho inchados” (Garcia, 1729, p. 35).

Evidências científicas atuais têm mostrado que essas rotas marítimas, via oceano Pacífico, podem realmente ter acontecido bem antes de imigrações às Américas via estreito de Beringer. Em 2016, por exemplo, um estudo pôs em cheque a hipótese mais aceita de que as primeiras imigrações às Américas teriam acontecido via estreito de Bering há 15 mil anos atrás – segundo escala evolutiva do tempo (Pedersen et al., 2016). De acordo com a análise, essa rota só teria se tornado viável, com um ecossistema com plantas e animais que forneceriam alimentos para os humanos que vinham da Ásia para a América, milhares de anos depois do que se supunha.

Inclusive, evidências arqueológicas e paleoantropológicas encontradas em ilhas canadenses (revelam os mais antigos vestígios de imigração maritima na América do Norte, apoiando à ideia de que alguns humanos da Ásia se aventuraram na América do Norte via costa do Pacífico, em vez de viajar pelo interior, bem antes do que se supunha (McLaren et al., 2018).Também existem evidências  de que humanos já ocupavam o Canadá há cerca de 24 mil anos (Bourgeon, Burke e Higham, 2017).

Além disso, mais evidências arqueológicas têm sido acumuladas ao longo dos anos revelando que os crânios encontrados em Lagoa Santa, por exemplo, eram semelhantes aos crânios antigos do Equador e diferentes da morfologia dos índios atuais, mostrando que a migração mais antiga para o continente americano ocorreu através de viagens transpacíficas, com origem na Oceania (Rivet, 1908); um acampamento antigo no Texas com 16 mil artefatos e a possibilidade de chegada de barcos (Waters et al., 2011); e acampamentos antigos em cavernas no estado do Oregon com presença de ferramentas de pedras e coprólitos (Gilbert et al., 2008; Shillito et al., 2018).

Em 2018, uma equipe de geólogos analisou rochas de ilhas próximas ao Alasca e concluiu que os primeiros americanos colonizadores tomaram uma rota costeira ao longo da fronteira do Pacífico do Alasca para entrar no continente – bem antes da travessia pela Sibéria via estreito de Bering – e que essa região possivelmente continha fauna e flora tropical exuberante (Lesnek et al., 2018).

Mas essas hipóteses e evidências não se concentram apenas em territórios internacionais. No Brasil, nomes como Walter Neves, bioantropólogo da Universidade de São Paulo, ao analisar morfologicamente fósseis de Homo sapiens pré-colombianos, chegou à conclusão de que a América recebeu duas levas migratórias, uma anterior e que acabou extinta, de indivíduos semelhantes aos da África e aos da Oceania; uma seguinte, que prosperou, supostamente vinda da Ásia (Neves e Hubbe, 2005); embora nunca tenha proposto uma migração direta daAustrália ou da África.

Por fim, outra pesquisa publicada por arqueólogos da Universidade de São Paulo revelou artefatos de povos pré-colombianos em um sítio de São Manuel, no interior de São Paulo. As estimativas são de que os itens sejam de 11 mil anos atrás – antes do que se supunha para a ocupação da região (Troncoso, Correa e Zanettini, 2016).

Quadro ilustrativo de como e quais teriam sido as rotas:

Diversas Rotas migratórias até a América do Sul

(Texto escrito em coautoria com o pesquisador Irwin Susanibar Chavez, a quem o Everton agradece profundamente por compartilhar com ele suas pesquisas e conhecimento)

Texto originalmente publicado em 08/04/2018 no Blog Criacionismo.

Referências:

Bourgeon L, Burke A, Higham T. Earliest Human Presence in North America Dated to the Last Glacial Maximum: New Radiocarbon Dates from Bluefish Caves, Canada. PLoS One. 2017 Jan 6;12(1):e0169486.

Cooper B. Depois do dilúvio. Brasília: SCB, 2008.

De Acosta, Jose. Historia natvral y moral de las Indias, en que se tratan las cosas notables del cielo. Sevilla: Casa de Juan de Leon, 1590.

García, Gregorio, Origen de los indios de el Nuevo Mundo, e Indias Occidentales, Madrid: Impr. de F. Martinez, 1729; ele publica o livro em 1607, mas a versão consultada por nós é de 1729.

Gilbert MT, et al. DNA from pre-Clovis human coprolites in Oregon, North America. Science. 2008 May 9;320(5877):786-9.

Gómara, Francisco López de. La historia general de las Indias y nuevo mundo, con mas la conquista del Peru y de Mexico. Çaragoça, 1555; a abreviação “Fo. Lv” significa fólios, o livro era como pergaminhos, portanto não tinha folhas.

Lesnek AJ, et al. Deglaciation of the Pacific coastal corridor directly preceded the human colonization of the Americas. Science Advances 2018; 4(5):eaar5040.

McLaren D, et al. Terminal Pleistocene epoch human footprints from the Pacific coast of Canada. PLoS One. 2018 Mar 28;13(3):e0193522.

Montesinos, Fernando de. Memorias antiguas historiales y políticas del Perú. Madrid : Impr. de M. Ginesta, 1882. 259p.; essa primeira obra foi copiada de um manuscrito do ano 1644 que se encontra na biblioteca da Universidade Sevilla e cujo título é: “Ophir de España; mémorias historiales políticas del Pirv…”

Neves WA, Hubbe M. Cranial morphology of early Americans from Lagoa Santa, Brazil: implications for the settlement of the New World. Proc Natl Acad Sci U S A. 2005 Dec 20;102(51):18309-14.

Pedersen MW, et al. Postglacial viability and colonization in North America’s ice-free corridor. Nature. 2016 Sep 1;537(7618):45-49.

Rivet P. La race de Lagoa Santa chez les populations précolombiennes de l’Equateur. Bulletins et Mémoires de la Société d’Anthropologie de Paris 1908; 9(1):209-274.

Rocha, Diego Andrés. Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile. V. 1. Madrid: [Impr. de Juan Cayetano García], 1891. Fondo Antiguo.

Shillito LM, et al. New Research at Paisley Caves: Applying New Integrated Analytical Approaches to Understanding Stratigraphy, Taphonomy, and Site Formation Processes. PaleoAmerica. 2018; 4(1):1-5.

The Editors. Jose de Acosta. Encyclopaedia Britannica, 2018. Disponível em:https://www.britannica.com/biography/Jose-de-Acosta

Troncoso LPS, Correa AA, Zanettini PE. Paleoíndios em São Paulo: nota a respeito do sítio Caetetuba, município de São Manuel, SP. Palaeoindian Archaeology 2016; 1(1):50-71.

Waters MR, et al. The Buttermilk Creek Complex and the Origins of Clovis at the Debra L. Friedkin Site, Texas. Science. 2011 Mar 25;331(6024):1599-603.

Ao longo destes anos, tenho investigado alguns relatos históricos e evidências arqueológicas relativos ao período pós-diluviano, inclusive tenho apresentado algumas dessas evidências em minhas palestras. No livro Revisitando as Origens, mais especificamente no capítulo intitulado A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica, encontram-se os seguintes dados quanto ao início e à duração da época do gelo: “De acordo com o naturalista Harry Baerg, ‘a formação e o desaparecimento dos lençois de gelo devem ter ocorrido entre o tempo do dilúvio e o começo da história registrada’. É, portanto, razoável admitirmos que o início da idade do gelo coincida com a história da Torre de Babel, construída no vale do Sinar (atual Iraque) entre 100 e 130 anos após o dilúvio. E o que dizer da Bíblia? Existem relatos bíblicos sobre essa época do gelo? Podemos perceber na narrativa do livro de Jó, nos capítulos 6:16; 38:22, 29 e 30, um clima mais frio no princípio da história bíblica, datado entre 300-500 anos após o dilúvio.

“De acordo com os cálculos feitos pelo mestre em Ciências Atmosféricas Michael Oard, a época do gelo pode ter durado menos de mil anos, mais especificamente 500 anos de acúmulo de gelo e 70 anos para derreter as camadas ao longo da borda, e cerca de 200 anos no interior do Canadá e da Escandinávia. Existem evidências históricas relativas ao ano 1454 a.C. em que Partholan, líder do segundo grupo a conquistar a Irlanda, teria desembarcado nessa região e registrado o número de lagos e rios existentes. Pouco tempo depois, na segunda colonização, havia um número bem maior de lagos e rios. Provavelmente, os registros irlandeses antigos evidenciaram o derretimento das camadas de gelo do norte europeu. Segundo Ussher, o dilúvio ocorreu em 2348 a.C. Portanto, a era glacial teria terminado mil anos após a grande inundação” (Alves, 2018, p. 74, 75).

Ao compararmos as evidências bíblico-científicas acima com registros da cultura de povos pré-colombianos, percebemos que as peças vão se encaixando nesse enorme quebra-cabeça acerca de nossas origens. O problema é que pesquisas nos registros originais dessas culturas têm sido pouco valorizadas em nossos dias. Porém, aceitamos o desafio e estamos trazendo para você, leitor, alguns relatos que dificilmente você encontraria, tanto na língua inglesa quanto na língua portuguesa.

Aparentemente, parte da imigração para a América aconteceu por meio dos descendentes de Cam durante o segundo milênio, devido a alterações climáticas, passando por ilhas no Atlântico que devem ter submergido durante ou após o derretimento dos glaciais no norte, ao fim da época do gelo.

Por que descendentes de Cam? Alguns anos atrás, durante uma pesquisa sobre os antigos povos celtas da Irlanda, nos deparamos com um texto que chamou nossa atenção no livro AD 500: A journey Through the Dark Isles of Britain and Ireland:

“Por muito estranho que possa soar, seus sábios insistem que os Celtas chegaram à Irlanda, em épocas passadas, ao final de uma grande jornada que se iniciou na Ásia e passou pela terra das pirâmides.” (Young, 2006, p. 67).

Textos como esse nos deram uma noção de quanto as migrações poderiam ter se estendido, após o dilúvio, na Europa e no mundo a partir da Ásia. Mas será que teriam razão os antigos celtas da Irlanda?

Já nos séculos 15 e 16, pesquisadores percebiam as grandes migrações que ocorreram nos primeiros séculos da história conhecida/registrada, inclusive mencionando literalmente Cam:

“Observa-se que Cam e seus descendentes foram os únicos que viajaram e se espalharam por diversas regiões desconhecidas, pesquisando, explorando e se estabelecendo nelas” (Hogen, 1971, p. 262).

Porém, temos alguma prova de que essas migrações aconteceram? O autor Bill Cooper, em seu livro Depois do Dilúvio, menciona algo sobre a origem do povo chamado Mizraim, que habitou a região do Egito:

“Mizraim: nome do povo que se localizou no Egito. Os modernos israelenses ainda usam esse nome para aquele país. O nome está preservado como Msrm nas inscrições ugaríticas; como Misri nos tabletes de Amarma, e nos registros assírios e babilônicos respectivamente como Musur e Musri. Os árabes modernos ainda o conhecem como Misr” (Cooper, 2008, p. 152).

Mas quem era esse povo, Mizraim? O mesmo autor nos dá a reposta e apresenta uma tabela mostrando a genealogia de Cam. Assim, respondemos à pergunta: “Será que essa convicção dos antigos celtas da Irlanda estaria certa?”, com outra: “Há alguma outra fonte histórica que registre a rota de migração do Egito para a Europa?”

No Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile, do autor Andrés Diego Rocha, vemos a seguinte declaração:

“O rei Osíris, senhor do Egito, que alguns dizem ser este neto de Noé, e que viveu cerca de […] veio do Egito (para a Espanha) e matou a Gerion em uma batalha junto a Tarifa, e alguns dizem que Osíris seguiu governando a Espanha durante muito tempo. No tempo em que viveu Osíris parece que começaram a vir para esta América passando pela ilha da Atlântida” (Rocha, 1891, p. 141-142).

Em que ano teria vivido Osíris, e de que forma o ano em que viveu estaria relacionado com o período da época do gelo? Sobre esse personagem, Osíris, encontramos o seguinte comentário no livro A Torre de Babel e seus mistérios, de autoria de Guilherme Stein Jr.:

“Osíris foi um dos mais importantes deuses do Egito antigo. A origem de Osíris é obscura, não sendo certo ter sido ele inicialmente um deus local de Abydos, no Alto Egito, ou de Busíris, no Baixo Egito, ou se foi a personificação da fertilidade, ou simplesmente um herói deificado. Em torno de 2400 a.C., entretanto, Osíris desempenhava um duplo papel – era ele tanto um ‘deus da fertilidade’ quanto a personificação do ‘rei morto’” (Stein Jr., 2017, p. 63).

A data aproximada em que Osíris viveu (2400 a.C.) coincide com o fim do período do gelo mencionado no início deste texto. Ademais, podem-se encontrar relatos acerca do percurso e da passagem pelo Egito que, assim como Osíris, outros povos teriam feito antes de alcançar seu destino final.

Aliás, evidências científicas atuais reforçam o argumento de que o povo do Egito fazia com facilidade a rota transatlântica antiga, mais de 2000 anos após a criação (veremos sobre isso no próximo texto da série). Em 1992, uma pesquisa inicial alemã encontrou vestígios de cocaína em múmias egípcias, e a autora do estudo foi muito criticada. (Balabanova, Parsche e Pirsig, 1992) Em 2009, porém, outro estudo reforçou os achados prévios alemães (Musshoff, Rosendahl e Madea, 2009) Sendo que a coca é uma planta original da América do Sul, isso evidencia que os antigos egípcios já percorriam essa rota, via oceano Atlântico. (Mallette et al., 2016) Em 2016, por sua vez, um estudo encontrou novos traços de cocaína em múmias e, desta vez, anunciando a possibilidade de migração humana via rota transatlântica antiga. (Görlitz, 2016)

Isso pode ajudar a entender as possíveis rotas de migração dos povos à América antes e depois da Era do Gelo, já que existem antigos relatos de uma movimentação em direção à América do Sul, os quais são bem anteriores aos mencionados pelos historiadores modernos. A propósito, recentemente se descobriram evidências, não apenas de relatos, mas sim da arqueologia encontrada por imagens de satélites que identificaram antigos geoglifos (terraplenagem provavelmente usada para cerimônias), mostrando que a Amazônia pré-colombiana já foi uma grande metrópole que abrigou uma população muito maior do que se imaginava anteriormente, chegando-se a dezenas de milhões de pessoas. (de Souza et al., 2018; Clement, 2015) Inclusive, a distribuição dos sítios arqueológicos em potencial sugere que eles eram interconectados, vilarejos avançados e fortificados.

A seguir, temos o relato de uma antiga imigração, via transatlântica, dos povos americanos feito pelo cronista Francisco Lòpez de Gòmara, em 1555 (em espanhol antigo, mas a tradução está logo abaixo):

“Tambien dizen algunos Indios ancianos, q se llamaua Uiaracocha, que quiere dezir gralla del mar, y quer trajo su gente por la mar. Zopalla en conclusión, afirman q poblo y allendo en el Cuzco, de dõde começarõ los Yngas a guerrear la comarca, y aun otras tierras muy lejos, y pusierõ allí la filla y corte de su império” (Gòmara, 1555, Fo. 55).

Tradução:

“Também dizem alguns anciãos dos índios que ele se chamava Viracocha, que quer dizer gralha do mar, e que trouxe seu povo pelo mar. Zopalla conclui e afirma que o povo foi até o Cuzco, e de lá os incas guerrearam na comarca e ainda por terras mui longínquas, e puseram nesse lugar a corte do seu império” (Gòmara, 1555, Fo. 55).

O autor Andrés Diego Rocha, no seu livro Origen de los Indios defende a ideia de que os antigos espanhóis teriam migrado à América em tempos remotos e, assim, seu retorno em 1492 seria somente uma retomada daquilo que já lhes havia pertencido no passado. Para isso ele usa até argumentos linguísticos:

“Do que acabamos de dizer, encontram-se na língua dos índios muitas palavras semelhantes à antiga língua castelhana, tais como: Aca, alla, ama, anca, ancho, casa, cacha, cala […].” (Rocha, 1891, p. 78, 79).

E a tal ilha, chamada pelos autores de Atlântida, ficava onde? É possível que essa “ilha” tivesse sido um pequeno continente ou um grupo de ilhas no Atlântico sobre a dorsal mesoceânica. Teriam elas sido cobertas durante ou após o derretimento dos gelos do norte?

Ela não é mais mencionada após o segundo milênio antes de Cristo. Isso é evidenciado num relato feito pelo cronista Andrés Diego Rocha, quando se refere a um acontecimento durante o primeiro século, e os navegantes fenícios – um dos últimos povos a chegarem às Américas – não mencionam mais a existência dessa(s) ilha(s):

“Na época dos cartagineses, um grande argonauta chamado Hannon, e Plinio, no livro 2 de sua Historia Natural, capítulo 67, menciona as largas viagens que fez este Hannon, desde Gibraltar até o último da Arábia, passando duas vezes a Equinocial, e também menciona Arriano, de origem grega, autor antigo, no livro 8 de seu comentário, indicando que o referido Hannon fez outra navegação quase semelhante a que em nossos tempos fez Colombo, e de estas últimas navegações, escreve o padre Maluenda em seu livro De AntiCristo, livro 3, capítulo 16 e Gòmara na Historia de las Indias, na primeira parte” (Rocha, 1891, p. 21).

Conforme continua o relato, ao chegarem à América, eles comentam aspectos interessantes sobre o que viram:

“Chegaram a uma ilha muito ampla, abundante de pastagens, de grande frescura e bosques, e muito rica, irrigada por rios, delimitados por montanhas muito íngremes, tão largos e bordais que poderiam ser navegados” (Rocha, 1891, p. 22).

Notemos que o relato acima descreve “montanhas muito íngremes” – no plural -, o que nos mostra que o escrivão não estava se referindo a uma ilha, mas provavelmente aos Andes avistados pela navegação via rio Amazonas. E foi provavelmente dessa forma que aconteceu o povoamento das Américas, após o fim do período do gelo e da dispersão de Babel, não por povos primitivos e atrasados, mas sim por pessoas inteligentes, capazes de grandes construções arquitetônicas como os zigurates em forma de pirâmide.

Como foi mencionado, essa ilha chegava até às ilhas Barlovento:

“E tendo então transitado pela ilha Atlântida, que se continuava até as ilhas de Barlovento […].” (Rocha, 1891, p. 141, 142).

Essas ilhas estão localizadas na região do Caribe. Assim, temos fortes indícios de que uma das rotas naturais dos imigrantes teria sido em direção à América do Sul.

 

 

 

(texto escrito em coautoria com o pesquisador Irwin Susanibar Chavez, a quem o Everton agradece profundamente por compartilhar com ele suas pesquisas e conhecimento)

Texto originalmente publicado em 21/02/2018 no Blog Criacionismo.

Referências:

Alves, Everton Fernando. A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica. In:________. Revisitando as Origens. Maringá: Editorial NUMARSCB, 2018, p.68-78.

Balabanova S, Parsche F, Pirsig W. First identification of drugs in Egyptian mummies.Naturwissenschaften 1992; 79(5):358.

Clement CR, et al. The domestication of Amazonia before European conquest. Proc Biol Sci. 2015 Aug 7;282(1812):20150813.

Cooper B. Depois do dilúvio. 1. Ed. Brasília: SCB, 2008.

de Souza JG et al. Pre-Columbian earth-builders settled along the entire southern rim of the Amazon. Nat Commun. 2018 Mar 27;9(1):1125.

Görlitz D. The Occurrence of Cocaine in Egyptian Mummies – New research provides strong evidence for a trans-Atlantic dispersal by humans. Diffusion Fundamentals 2016; 26(2):1-11.

Gòmara, Francisco Lòpez de. La historia general de las Indias y nuevo mundo, con mas la conquista del Peru y de Mexico. Çaragoça, 1555; a abreviação “Fo. Lv” significa fólios, o livro era como pergaminhos, portanto não tinha folhas.

Hogen M. Early Anthropology in the Sixteenth and Seventeenth Centuries. Philadelphia: Univ. Pensylvania, 1971.

Mallette JR, et al. Geographically Sourcing Cocaine’s Origin – Delineation of the Nineteen Major Coca Growing Regions in South America. Sci Rep. 2016; 6: 23520.

Musshoff F, Rosendahl W, Madea B. Determination of nicotine in hair samples of pre-Columbian mummies. Forensic Sci Int. 2009 Mar 10;185(1-3):84-8.

Rocha, Diego Andrés. Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile. V. 1. Madrid: [Impr. de Juan Cayetano García], 1891. Fondo Antiguo

Stein Júnior, Guilherme. A Torre de Babel e seus mistérios. 2. Ed. Brasília: SCB, 2017.

Young, Simon. A.D. 500: a journey through the dark isles of Britain and Ireland. London: Phoenix, 2006.

Histórias bíblicas na cultura dos povos pré-colombianos

Ao analisar os registros históricos preservados por nativos pré-colombianos percebemos que eles acreditavam em um Criador Supremo e que suas lendas registram um dilúvio global. Percebemos também que muitos detalhes des­sas lendas são estranhamente parecidos com as narrativas bí­blicas do Gênesis, sendo inevitável uma associação com as terras e os povos da Bíblia. Depois de considerar vários povos antigos, a conclusão mais plausível é a de que boa parte dos nativos americanos herdaram da cultura mesopotâmica tradições que mostram claramente sua ligação com esta cultura e ainda a relacionam com tradições hebraicas. Esta similaridade se dá não só pela semelhança das lendas nativas com as histórias bíblicas, como também por alguns rituais. A seguir, apresentaremos alguns trechos bem curiosos de registros históricos que encontramos ao longo de nossa pesquisa.

A criação do Mundo – Os nativos peruanos e andinos preservaram relatos bíblicos sobre a Criação do Mundo, Adão e Eva e sobre Noé e sua mulher: “Isto é o que contam os índios peruanos acerca de sua origem, de acordo com a lista dos autores mencionados acima. Do qual o que podemos vender por verdade é que, sem dúvida, os índios tiveram notícias da Criação do mundo e da formação de Adão, Eva, da Inundação e de Noé e sua mulher” (García, 1729, p. 334, 335).

Figura 1: Escudo inca, um símbolo que retrata e registra a origem desse povo, mostrando que eles saíram de uma montanha após o dilúvio (Fonte:Poma de Ayala, 1941).

Alguns conceitos de saúde do Éden bíblico – Aqui percebemos como os Incas viviam mais de cem anos, comiam pouca gordura e outros alimentos, e casavam tarde: “De como esses incas e demais senhores. Principais ou yns. As pessoas particularmente antigas fizeram e aumentaram sua saúde e anos de vida entre 250 e 150 anos, eles duravam tanto porque tinham uma ordem e regras de seguir e criar seus filhos. Quando garoto, não lhe deixavam comer coisa de sebo [gordura] ou nada de mel ou pimenta, sal e vinagre, nem lhe deixavam ter meninas nem dormir com uma mulher até ter cinquenta anos, nem se sangrava e se purgava [expurgava, limpava] todos os meses com três pares de bilca tauri [sementes purgativas usadas pelos Incas, feitas em líquido, usadas como medicamento oral para induzir o vômito em rituais] e misturado com macay [erva medicinal purgativa] que se tomava pela boca a metade e a outra metade se fazia enema [líquido que se introduz no ânus]; com isso, aumentaram a saúde e a vida. Até os trinta anos não tinham mulher, nem marido, nem cargo e, assim, tinham grande força para guerrear” (Poma de Ayala, 1941, p. 118, 119).

Figura 2: Capa do livro El Primer Nueva Corónica y Buen Gobierno, de uma edição de 2011, porém o desenho é o mesmo da versão original (Fonte: Poma de Ayala, 1941).

Alimentação apenas duas vezes ao dia – Isolados na América, alguns grupos mantiveram os costumes após o dilúvio. A refeição principal era a da parte da manhã e sucos e líquidos durante todo o restante do dia e um lanche no meio da tarde, exatamente como aconselha a escritora norte-americano Ellen White: “Como isso era conhecido, o Atabalipa pediu que lhe dessem de comer, e ele ordenou que todo seu povo fizesse o mesmo. Eracostume comer pelas manhãs, e assim todos os nativos desse reino. Os Senhores, depois de ter comido, como digo, passavam o dia todo bebendo até a noite que comiam poucas coisas (Pizarro, 1917, p. 31).

Leis do Antigo Testamento – No trecho a seguir, extraído do livro Historia General del Perú, pode-se perceber semelhanças entre as leis dos Incas e a lei de Levítico: os incas não comiam sangue: “Que os da cidade de Cuzco de forma alguma comessem sangue ou qualquer coisa feita dele. Os leprosos e aqueles que eram porcos, sujos e nojentos, que os expulsassem do meio do povo, para que não contaminassem a outros, e o mesmo para aqueles que tinham enterrado algum falecido em sua casa. Ele ordenou que aqueles que derramassem a semente genital [esperma] fossem expulsos da cidade por um mês e, no início do outro mês, retornassem à cidade e que o pontífice ou o feiticeiro fizessem sacrifícios por ele e ou o que estivesse dormindo houvesse feito o mesmo, e primeiro entrassem desnudo em água fria e se lavasse. Que as mulheres tivessem ou andassem com companhia e vivessem honestamente. Os senhores ou ricos poderiam ter quantas quisessem e pudessem sustentar desde que fosse com o consentimento do Inca” (De Murúa, 1962, [Fol. 247], p. 90).

Neste trecho é possível perceber que, mesmo antes dos hebreus, o sangue tinha significado: “Os pontífices e os sacerdotes das huacas [santuário, templo] sacrificavam e ofereciam uns carneiros, que tinham dedicado para esse fim [sic], branco, sem mancha ou defeito [sic] qualquer” (De Murúa, 1962, [Fol. 256], p. 104).

Notamos também que eles vieram à América logo depois do dilúvio, centenas de anos antes de Abraão. Naquela altura, a lei já estava estabelecida (seja oral ou escrita) e podemos notar isso por meio da sua guarda do sábado: “Quanto ao terceiro preceito de santificar o sábado, eles tinham suas festas em dias designados, nos quais faziam grandes sacrifícios, e eles descansavam, particularmente no Peru. Os índios Totones, que são da Nova Espanha, estavam obrigados a ir ao Templo no sábado, à cerimônia que acontecia lá e ao sacrifício que ofereciam aos seus deuses” (García, 1729, p. 114).

Figura 3: Capa do livro Origen de los Índios de el Nuevo Mundo, e Indias Occidentales (Fonte: García, 1729).

Torre de babel – Várias tradições similares à da Torre de Babel são encontradas na América Central. Uma em especial relacionada aos Astecas diz que Xelhua, um dos sete gigantes salvos do dilúvio, construiu a Grande Pirâmide de Cholula – na América central – para desafiar o Céu. Os deuses destruíram-no com fogo e confundiram a linguagem dos construtores. No livro Ophiolatreiavemos o seguinte:

“Quando as águas diminuíram, um dos gigantes, chamado Xelhua, apelidado de ‘Arquiteto’, foi a Cholula, onde, como memorial do Tlaloc, que serviu para um asilo para si e para seus seis irmãos, ele construiu uma colina artificial em forma de uma pirâmide. Ele ordenou que os tijolos fossem feitos na província de Tlalmanalco, ao pé da Serra de Cecotl, e, para carregá-los até Cholula, ele colocou uma fila de homens que os passou de mão em mão. Os deuses viram, com ira, um edifício cujo topo chegava às nuvens. Irritado pela tentativa atrevida de Xelhua, lançaram fogo na pirâmide [na tradição asteca seriam meteoritos ‘que haviam caído do céu envolvidos em uma bola de fogo’]. Numerosos trabalhadores morreram. O trabalho foi interrompido e o monumento foi depois dedicado para Quetzalcóatl” (Jennings, 1889, p. 63).

Figura 4: Segunda Edad. (vida no segundo milênio após o dilúvio). É curioso que as construções de pedra já estavam em pé. Isso significa que as construções megalíticas não foram obra dos Incas (Fonte: Poma de Ayala, 1941).

Uma inscrição original em Nahuatl, a língua asteca, que havia sido escrita pelo escriba nativo, abaixo de uma ilustração nativa encontrada no templo de Cholula, dizia: “Nobres e senhores, aqui vocês têm seus documentos, o espelho do seu passado, a história de seus antepassados, que, fora de medo de um dilúvio, construiu este lugar de refúgio ou asilo para a possibilidade de recorrer a tal calamidade” (Nuttall, 1901, p. 269).

Outro relato, atribuído pelo historiador nativo Fernando de Alva Cortés Ixtilxochitl aos antigos Toltecas, diz que depois de os homens terem se multiplicado após um grande dilúvio, eles erigiram um alto zacuali ou torre, para se preservarem no caso de um segundo dilúvio. Contudo, as suas línguas foram confundidas e eles foram para diferentes partes da terra (Ixtilxochitl, 1640).

O Sol “parou” por mais de 20 horas – Josué 10:12-14 relata um episódio que teria acontecido cerca de 1400 a.C.: “No dia em que o Senhor entregou os amorreus aos israelitas, Josué exclamou ao Senhor, na presença de Israel: ‘Sol, pare sobre Gibeom! E você, ó Lua, sobre o vale de Aijalom!’ O Sol parou, e a Lua se deteve, até a nação vingar-se dos seus inimigos, como está escrito no Livro de Jasar. O Sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs.” 

O incidente, cuja singularidade é reconhecida na Bíblia (“Não existiu nenhum dia como esse, antes ou depois”), ocorreu do outro lado da Terra, em relação aos Andes situado na América do Sul, descrevendo um fenômeno oposto, mas complementar astronomicamente ao que ocorrera no Peru. Ao contrastarmos os dois relatos, percebemos que, em Canaã (Oriente Médio), o Sol não se pôs por cerca de vinte horas; nos Andes, o sol não se levantou pelo mesmo período de tempo (Sitchin, 1990).

Segundo Montesinos, quando “os bons costumes foram esquecidos e as pessoas se entregaram a todos os tipos de vícios”, houve um dia em que “não houve aurora por vinte horas” (Montesinos, 1882). Em outras palavras, a noite não terminou no horário de sempre e o nascer do sol foi adiado durante vinte horas. Depois de grande comoção, confissões de pecados, sacri­fícios e orações, o sol finalmente apareceu. No livro Memorias Antiguas Historiales y Políticas del Perú, encontra-se a seguinte citação: “Nos tempos do rei Titu Yupanqui Pachacuti “dizem os antigos amautas, e estes aprenderam com seus patriarcas e preservaram na memória pelos seus quipos [sistema binário ou código de leitura] para eterna memória, que o sol se cansou de caminhar e se escondeu dos vivos, e como castigo sua luz sumiu por mais de vinte horas. Os índios gritaram chamando a seu pai o Sol; fizeram grandes sacrifícios para acalmá-lo, oferecendo muitos cordeiros e donzelas e moços, e quando saiu a luz do Sol após as horas mencionadas, lhe agradeceram pelas bênçãos recebidas” (Montesinos, 1882, p. 57, 58).

Figura 5: Um Amauta usando um “quipu”; embora o desenho seja o da versão original, esta imagem foi retirada de uma reedição de 2011 (Fonte: Poma de Ayala, 1941).

Houve muitas interpretações desse fenômeno por cientistas. Em um estudo recente, os pesquisadores atribuíram o evento a um eclipse, aliás acreditam que podem ter identificado a data do mais antigo eclipse solar já registrado. (Humphreys e Wadington, 2017) De acordo com eles, “essa interpretação é apoiada pelo fato de que a palavra hebraica traduzida como ‘parado’ tem a mesma raiz que uma palavra babilônica usada em textos astronômicos antigos para descrever os eclipses”. Eles sugerem que o evento tenha ocorrido no dia 30 de outubro de 1207 a.C. – exatamente 3.224 anos atrás. Para tanto, os pesquisadores da Universidade de Cambridge usaram uma combinação de texto bíblico e texto egípcio antigo para entender a data do suposto eclipse solar.

Em outro estudo, com base em dados obtidos da Nasa, cientistas da Universidade Ben-Gurion do Neguev, em Berbesá, Israel, descobriram não apenas que o relato bíblico descrito em Josué 10:12-14 realmente aconteceu, como também, segundo eles, o dia e a hora exatos do fenômeno (Yitzchak, Weistaub e Avneer, 2017). A equipe de cientistas, chefiada pelo Dr. Hezi Yitzhak, também interpretou o acontecimento como sendo um eclipse, e que ele teria acontecido exatamente em 30 de outubro de 1207 a.C., às 16h28.

Para tanto, os pesquisadores interpretaram a palavra hebraica “dom” como “tornou-se escura” em vez do que tradicionalmente significava como “ficar parado”. Com base nos dados obtidos, eles descobriram que apenas um eclipse aconteceu entre os anos 1500 e 1000 a.C., o que coincide com a chegada dos israelitas ao local onde ocorreu a batalha descrita na Bíblia. Os resultados desse estudo foram publicados na revista Beit Mikra: Journal for the Study of the Bible and Its World.

Para mim, esse fenômeno não pode ter sido um eclipse, porque nenhum eclipse dura tanto tempo. Além disso, os povos incas tinham conhecimento de tais eventos periódicos. A história não diz que o Sol desapareceu. Apenas afirma que “não houve aurora” por vinte horas. Foi como se o Sol, onde quer que tenha se escondido, tivesse parado.

 

Texto escrito em coautoria com o pesquisador Irwin Susanibar Chavez, a quem o Everton agradece profundamente por compartilhar com ele suas pesquisas e conhecimento.

Texto originalmente publicado em 11/02/2018 no Blog Criacionismo.

 

Referências:

De Murúa, Martín. Historia general del Perú, origen y descendencia de los incas. Vol. 1. Colección: Fondo Antiguo – Aurelio Miró Quesada. Madrid: Impr. Don Arturo Gongora, 1962.

García, Gregorio. Origen de los indios de el Nuevo Mundo, e Indias Occidentales. Segunda Edición. Colección: Fondo Antiguo. Madrid: En la imprenta de F. Martinez Abad, 1729. 336p.

Humphreys, Colin; Wadington, Graeme. Solar eclipse of 1207 BC helps to date pharaohs. Astronomy & Geophysics 2017; 58(5):5.39–5.42.

Ixtilxochitl, Fernando de Alva Cortés. Historia Chichimeca. 1640.

Jennings, Hargrave. Ophiolatreia: An Account of the Rites and Mysteries Connected With the Origin, Rise and Development of Serpent Worship. Capítulo 6. Privately Printed, 1889. 103p. Disponível em: https://archive.org/details/ophiolatreiaacco00nppr

Montesinos, Fernando de. Memorias antiguas historiales y políticas del Perú. Madrid : Impr. de M. Ginesta, 1882. 259p.; esta primeira obra foi copiada de um manuscrito do ano 1644 que se encontra na biblioteca da Universidade Sevilla e cujo título é: “Ophir de España; mémorias historiales políticas del Pirv…”.

Nuttall, Zelia. The Fundamental Principles of Old and New World Civilizations. Vol. 2. Cambridge, Mass.: Peabody Museum of American archaeology and ethnology, 1901. 602p. Disponível em:https://archive.org/stream/fundamentalprin02nuttgoog#page/n14/mode/2up

Pizarro, Pedro. Descubrimiento y conquista del Perú, seguida de la relación sumaria acerca de la conquista por el Padre Fr. Luis Naharro, de la Orden de la Merced. Lima: Impr. y Libr. Sanmartí y Cía., 1917. 213p. Colección: Fondo Antiguo – Porras Barrenechea.

Poma de Ayala, Felipe Guamán. El Primer nueva corónica y buen gobierno. (1615/1616). Colección:      Fondo Antiguo.          La Paz: Instituto Tihuanacu de Antropología, Etnografía y Prehistoria, 1941. 1169p.

Sitchin, Zecharia. The Lost Realms. Livro 4 da série de Crônicas da Terra. Harper Collins, 1990, 298p. Capítulo 7 “o dia em que o Sol parou”.

Yitzchak, Hezi; Weistaub, Daniel; Avneer, Uzi. A sun in Gibeon, and a moon in the valley of Ayalon — Solar eclipse occurred on October 30, 1207 BC? Beit Mikra: Journal for the Study of the Bible and Its World 2017; 62(1):196-238. Disponível em: http://www.boker.org.il/meida/negev/desert_biking/personal/BM_61-2_196_238.pdf

Existia um único supercontinente antes do dilúvio?

Muitas pessoas têm curiosidade acerca da origem dos continentes. O planeta antes do dilúvio possuía ou não apenas um continente, o que atualmente os cientistas chamam de Pangeia? Este tema realmente é complexo e tem suscitado dúvidas entre os nossos leitores. Essas dúvidas foram, então, sintetizadas na forma de cinco questões norteadoras para a realização dessa entrevista concedida pelo geólogo e professor Dr. Marcos Costa à Origem em Revista.

Marcos Natal de Souza Costa é bacharel em Geologia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Mestre em Geologia Econômica também pela UFMG, onde estudou a aplicação de isótopos estáveis na pesquisa de depósitos de ouro. É Doutor em Geologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP, também na área de Geologia Econômica, mas desta vez relacionada a minerais industriais. Trabalhou por 12 anos como geólogo prospector pesquisando áreas potenciais para depósitos de ouro. Está há 17 anos no Centro Universitário Adventista de São Paulo – UNASP dando aulas de Geologia, Paleontologia, Levantamento de Recursos Naturais e Ciência e Religião, além da coordenação do Núcleo de Estudo das Origens – NEO. Também é membro do Geoscience Research Institute Committe – GRICOM, comitê ligado à Conferência Geral da IASD, responsável pelo planejamento de estratégias e ações visando a expansão do criacionismo em todo mundo. Além disso, Dr. Marcos Natal é novo Presidente eleito da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) para o ano de 2018.

  1. Explique-nos o que é o Rodínia? Quando ele provavelmente teria sido formado?

De acordo com a geologia convencional Rodínia foi um supercontinente formado na passagem do Mesoproterozóico para o Neoproterozóico, há cerca de 1 bilhão de anos, tendo se fragmentado em torno de 750 milhões de anos. Alguns geólogos acreditam que Rodínia deu origem a outro supercontinente chamado Panótia, mas os dados não são conclusivos. Rodínia teria presenciado pelo menos duas glaciações, a Marinoana e a Sturtiana, ambas no Neoproterozóico. A identificação de glaciações no registro geológico é feita através de analogias com ambientes glaciais modernos, entre elas a presença de sulcos e pavimentos polidos e estriados formados durante o movimento dos mantos de gelo sobre o substrato rochoso. Os sedimentos acumulados nas geleiras dão origem a rochas denominadas tilitos e diamictitos. Estas são rochas sedimentares formadas por clastos e fragmentos de rochas pré-existentes de granulação variada, imersos em uma matriz areno-argilosa ou lamosa, semelhantes aos sedimentos observados nas geleiras atuais.

Do ponto de vista criacionista seria possível relacionar Rodínia com a porção seca mencionada no livro de Gênesis (Gn 1:9,10). Entretanto, isto deve ser feito com cuidado para não se confundir com outras colisões observadas no Pré-cambriano e que também deram origem a outros supercontinentes. O Pré-cambriano é uma parte importante do registro geológico não muito explorada na literatura criacionista. Vez e outra ouvimos dizer que o Pré-cambriano é formado por rochas cristalinas de composição granito-gnáissica. Nada mais equivocado. Os terrenos pré-cambrianos são muito diversificados e de geologia complexa devido a predominância do metamorfismo. Além das rochas graníticas, um conjunto variado de bacias sedimentares com características peculiares é observado desde a sua base, no Arqueano até o final, no Proterozoico. Este conhecimento tem implicações importantes para o dilúvio bíblico, pois em determinados locais é praticamente impossível identificar a transição do Pré-cambriano para o Fanerozoico, porção da coluna geológica situada logo acima e dividida nas eras paleozoica, mesozoica e cenozoica.

  1. Em que período do dilúvio a Pangeia foi formada? E onde, nesta perspectiva, podemos encaixar a Laurásia Gondwana?

Ainda segundo a geologia convencional, Pangeia foi um supercontinente formado entre 300 Ma a 250 Ma, no final do Paleozoico, através da colisão de blocos continentais menores, estando cercado em todos os lados pelo grande oceano Pantalassa. Pangeia manteve-se íntegro até o Jurássico, quando começou a se fragmentar, primeiramente em dois grandes blocos, Laurásia e Gondwana, formando entre eles o mar de Tétis (hoje Mar Mediterrâneo). Em seguida, no Cretáceo, Gondwana se fragmenta, originando os continentes que conhecemos hoje.

Boa parte dos cientistas criacionistas considera o Fanerozoico como produto da sedimentação ocorrida durante o dilúvio. Neste cenário, a formação e fragmentação de Pangeia teria ocorrido aproximadamente no meio da grande inundação. As bacias sedimentares paleozoicas, que corresponderiam às partes iniciais do dilúvio, teriam se formado quando os blocos continentais que deram origem à Pangeia (Laurásia e Gondwana) ainda estavam separados. O Cenozoico, situado na porção superior da coluna geológica, constituiria a sedimentação ocorrida após o dilúvio, o que já é um consenso entre a maioria dos criacionistas.

Entretanto, há outros cientistas criacionistas que consideram a maior parte dos sedimentos depositados durante o dilúvio como equivalente à Era Mesozoica. Neste cenário, os sedimentos da Era Paleozoica, na sua maior parte, seriam pré-diluvianos, ou seja, teriam depositado entre a semana da criação e o dilúvio. No livro Understanding Creation traduzido para o português como Mistérios da Criação e publicado pela Casa Publicadora Brasileira em 2013, o Dr. Roberto Biaggi escreve:

“Tem-se proposto que a coluna geológica se formou como resultado de um evento catastrófico único. No entanto, agora sabemos que o registro geológico é muito mais complexo do que um único evento poderia produzir. Com base nos dados, um cenário razoável sugere que parte da porção inferior do registro consiste de rochas anteriores ao dilúvio global, as quais não chegaram a ser completamente alteradas ou erodidas pela catástrofe. Da mesma maneira é muito provável que uma porção superior da sequência represente os estratos e os processos que ocorreram após o dilúvio. Desta maneira, uma quantidade significativa de atividade geológica estaria representada em rochas pré-diluvianas e pós-diluvianas.”

Quando o Dr. Biaggi afirma que “o registro geológico é muito mais complexo do que um único evento poderia produzir”, ele está se referindo, mais apropriadamente, ao registro sedimentar do Fanerozoico. Segundo ele, é bem plausível que parte das bacias sedimentares, mais especificamente as do Paleozoico, teriam se formado antes do dilúvio. Isto faz certo sentido porque é difícil imaginar que no período de cerca de 2.500 anos entre a semana da criação e o dilúvio não houvesse a formação de nenhum depósito sedimentar, por menor que seja. Este modelo explicaria mais facilmente a formação e fragmentação de Pangeia no início do dilúvio, o que na geologia padrão corresponderia ao final da Era Paleozoica.

Sobre os continentes, o que teria ocorrido no episódio do dilúvio teria sido a fragmentação de Pangeia, dando origem aos continentes que conhecemos hoje. Sobre Rodínia, como mencionamos, ele teria sido formado na semana da criação em função dos atos criativos de Deus. A geologia ainda não tem dados suficientes sobre o que ocorreu com Rodínia até a formação de Pangeia. Ele poderia ter se fragmentado em vários núcleos continentais menores ou não. Sabemos que houve orogenias no Paleozoico como a Apalachiana e a Uraliana e o entendimento destes fenômenos é um ponto importante nos modelos criacionistas. Por outro lado, os 2.500 anos que separam um supercontinente do outro não seria um tempo absurdamente curto para o desmembramento do primeiro e configuração do segundo e o processo através do qual isto ocorreu não seria necessariamente catastrófico, como no caso do dilúvio. Um melhor entendimento da tectônica global em termos criacionistas pode trazer maiores esclarecimento sobre o assunto.

  1. Quais as evidências científicas geológicas da formação da Pangeia?

O mecanismo responsável pela formação de Pangeia e de outros continentes é a tectônica de placas. Dois processos são importantes neste contexto, a expansão do assoalho oceânico, que dá origem aos limites divergentes de placas tectônicas e a colisão de blocos continentais, que formam os limites convergentes. Um terceiro limite, denominado limites transformantes ou conservativos ocorre quando uma placa desliza em relação a outra. O exemplo mais típico é a Falha de San Andreas na Califórnia, onde a placa Norte Americana desliza tangencialmente à placa do Pacífico, sendo responsável por terremotos devastadores naquela região. Os limites convergentes compreendem três tipos de colisões: colisão continente-oceano, colisão oceano-oceano e colisão continente-continente. Estas colisões deixam cicatrizes profundas na crosta terrestre, denominadas suturas. Estas suturas constituem cinturões dobrados e muito deformados, com imbricamento de rochas de natureza diversa, inclusive restos de crosta oceânica. Os Himalaias, por exemplo, correspondem a uma colisão do tipo continente-continente, os Andes, a uma colisão do tipo continente-oceano e o arquipélago japonês a uma colisão do tipo oceano-oceano.

No caso de Pangeia, por se tratar de um bloco continental mais antigo, parte destas estruturas foram erodidas e deixaram suas marcas no substrato rochoso. Assim, no decorrer da Era Paleozoica, a acreção de pequenos blocos litosféricos resultou em diversos movimentos orogênicos, entre eles a Orogenia Apalachiana (colisão entre Laurentia e Gondwana), observada atualmente na costa oriental da América do Norte, do Canadá ao sudeste dos Estados Unidos e a Orogenia Uraliana correspondendo à colisão do bloco da Sibéria com Laurêntia, hoje observado principalmente nos Montes Urais, entre Europa e Ásia. Em geologia, o termo orogenia se refere ao conjunto de processos responsáveis pela formação de montanhas.

  1. No modelo criacionista, quando ocorreu a deriva continental?

Se considerarmos o primeiro cenário, em que o Fanerozoico compreenderia todos os sedimentos depositados durante o dilúvio, a fragmentação de Pangeia teria ocorrido no final do Paleozoico, ou seja, aproximadamente no meio da grande inundação. Se considerarmos o segundo cenário em que os sedimentos diluvianos se depositaram a partir do final do Paleozoico até o Mesozoico, então a fragmentação de Pangeia teria ocorrido no início do dilúvio.

  1. Muitos criacionistas assumem que a deriva ocorreu nos dias de Peleg (120 anos após o dilúvio). Isso tem respaldo bíblico ou geológico?

Eu particularmente não acredito nesta hipótese. Seria distorcer muito o texto bíblico. Para os criacionistas, a deriva continental, cujo mecanismo principal foi a tectônica de placas, consistiu em um evento catastrófico de dimensões e consequências globais, envolvendo erupções vulcânicas de grande porte, terremotos avassaladores, tsunamis, etc, o que certamente provocaria inundações sem proporções e destruição em massa, tanto de seres humanos quanto dos demais seres vivos. Isto, com certeza, deixaria um registro facilmente reconhecido tanto pela geologia como pela arqueologia.

Entrevista originalmente publicada em 30/11/2017 na Origem em Revista.

Para entendermos esse tema, de interesse dos leitores, entrevistei o mestre em Astrofísica Eduardo Lütz, membro e palestrante oficial da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) e editor da Origem em Revista, a fim de entendermos com maiores detalhes esse tema tão importante.

Everton Alves: “O que os cientistas criacionistas entendem por ‘ciência’?”

Eduardo Lütz: O termo ‘teoria científica’ tem sido utilizado de duas formas:

1) No conceito mais popular, trata-se de hipóteses sobre temas de interesse acadêmico.

2) No conceito um pouco mais acadêmico, trata-se de um modelo ou framework conceitual.

A “teoria sintética da evolução” é uma teoria no segundo sentido, acadêmico-popular. Mas não se baseia sequer na metodologia de Aristóteles, que muitos chamam de método científico, embora contenha elementos baseados em observações e se façam pesquisas científicas de verdade em alguns ramos dessa área.

O objetivo não é desmerecer o ‘evolucionismo’, pelo contrário, é mostrar que a nova geração de cientistas deve retornar ao antigo conceito de ciência seguido pelos próprios pais da ciência (Galileu, Kepler, Newton…). Em evolução, também se desenvolvem modelos científicos (matemáticos). Mas eles ainda não atingiram massa crítica para derrubar alguns dogmas mais importantes. Ainda tratam de questões periféricas, como dinâmica de populações, por exemplo. Nessa área, é muito útil expressar leis como algoritmos para ser usados em simulações de computador.

Já no conceito de ‘teoria científica’ compatível com o dos pioneiros da ciência, o qual nós cientistas criacionistas fazemos uso, uma teoria científica é “um conjunto de leis expressas em linguagem formal (matemática) juntamente com os infinitos teoremas demonstráveis a partir delas.”

Atualmente, podemos encontrar mais de uma definição de ‘ciência’ e diferentes abordagens de pesquisa. Fique atento, pois elas não são todas igualmente confiáveis.

Resumo curto da versão de ‘ciência’ dos pioneiros:

1) Deus criou tudo usando Matemática. Portanto, métodos matemáticos são necessários para entendermos mais profundamente o que Deus criou.

2) Se agruparmos os métodos por nível de eficiência (ex.: teorias com alta precisão e exatidão, expressáveis em poucos símbolos), encontraremos duas grandes famílias:

a) abordagens conceituais (pesquisadores confiando na própria genialidade e organização); pesquisa comum, sem pretensão de ser científica; pesquisa usualmente chamada de científica, mas baseada em linhas filosóficas;

b) pesquisas, frameworks, teorias e modelos que usam explicitamente e intencionalmente métodos matemáticos.

A eficiência de “b” é infinitamente maior (isso é literal, não é hipérbole) do que a de “a”. Em outras palavras, se usarmos “b” para definir ciência, chegaremos essencialmente ao mesmo conceito dos pioneiros.

Nesse sentido, entendemos “ciência” como sendo um conjunto infinito de métodos matemáticos, os quais se podem usar em todas as áreas (mas nem todo método é bom para tudo), tanto na pesquisa experimental/observacional quanto na pesquisa teórica (framweorks, teorias e modelos matemáticos).

Porém, devemos atentar que existe mais de uma definição e que existem correntes que lidam com a pesquisa usando métodos mais confiáveis ou menos confiáveis. Por exemplo, as chamadas ciências históricas tipicamente possuem mais dificuldades de conferir conclusões do que as que permitem observação direta.

Quando a definição de ciência é menos rigorosa, os métodos tendem a ser menos rigorosos também. Tomemos como exemplo, o conceito de “teoria científica” apresentado pela Academia Nacional de Ciências dos EUA (National Academy of Sciences, NAS):

“uma explicação bem fundamentada de algum aspecto do mundo natural que pode incorporar fatos, leis e hipóteses testadas”.[1]

“uma explicação detalhada de alguns aspectos da natureza, que é apoiada por um vasto conjunto de evidências”.[2]

Definições como a da Academia Nacional, a rigor não especificam coisa alguma. Se você tomar a definição deles ao pé da letra, consegue encaixar praticamente qualquer coisa como sendo ciência. Esse tipo de definição é muito permissiva, o que nos leva a classificá-la como latu sensu. Nesse sentido, sempre houve ciência e nada de significativamente novo ocorreu na revolução científica. Outro exemplo é o conceito de Popper, baseado em falseabilidade. Pela definição dele, até Astrologia é ciência.

A palavra ciência também tem sido usada equivocadamente para designar áreas do conhecimento. Por isso falamos em ciências sociais, ciências da terra, etc. Mas, precisamos ter cuidado porque isso também nada tem a ver com a revolução científica ou com o uso de métodos confiáveis.

Outro detalhe que nada tem a ver com a revolução científica: o uso do protocolo aristotélico, isto é, a ideia de que o ‘método científico’ consiste naquela sequência de passos que encontramos em livros didáticos, consistindo em: observação, formulação hipóteses para explicar o que se observa, testes das hipóteses, reformulação de hipóteses se necessário, conclusões, formulação de teorias, etc. Mas isso também já era conhecido há milênios e não foi o que provocou a explosão de conhecimento que observamos nos últimos séculos.

O experimentalismo também não foi o que fez a diferença. Experimentos sempre foram feitos desde a antiguidade. Até mesmo superstições têm-se originado da experimentação. Como? Você observa que algumas pessoas que passaram por baixo de uma escada tiveram muito azar (coisas ruins aconteceram a elas). Isso não é uma constatação experimental de que passar por baixo de escada dá azar? O que faltou neste caso?

Antes da revolução científica, as pessoas observavam fenômenos, formulavam hipóteses e as testavam, mas faziam essas coisas com uma estrutura de pensamento qualitativa subordinada à Filosofia. Conclusões fisicamente absurdas eram tão fáceis de aceitar quanto as mais razoáveis.

O que estava faltando? De acordo com os pioneiros da revolução científica, o que faltava era colocar a Matemática em uma posição central. Segundo Galileu, por exemplo, Deus criou o universo usando padrões matemáticos, os quais são como caracteres com os quais foi escrito esse grandioso livro que é o universo. Se não aprendermos esses caracteres matemáticos, disse Galileu, ficaremos como que a vaguear por um labirinto escuro como se fazia até então.

Então, o que faltou na abordagem experimental do azar ao passar por baixo da escada, que mencionei? Faltou Estatística (área da Metamática) e certos cuidados que deveriam ter sido tomados os quais estão ligados à Teoria da Informação (outra área da Matemática). Faltou analisar o resultado com o auxílio de modelos matemáticos (pesquisa teórica) para ter acesso a implicações inacessíveis à intuição e para conseguir verificar o quanto essas consequências se encaixam no mundo observável.

Nesse sentido, a ‘ciência’ passa a ser entendida como “uma coleção infinita de métodos matemáticos que aprendemos ao estudar a natureza e que servem para estudá-la cada vez mais profundamente’. É como um ciclo de aprofundamento. Por exemplo, usando coisas bem acessíveis aos sentidos, como movimentos de objetos, Newton descobriu o Cálculo Diferencial, que inicialmente causou uma explosão de conhecimento na Física e que provocou uma onda de choque que afetou todas as áreas. Até as tecnologias a que temos acesso hoje são consequências de conseguirmos expressar leis físicas como equações diferenciais, graças ao Cálculo Diferencial. O Cálculo diferencial abriu as portas ao princípio da ação mínima, que abriu as portas a todas as leis da natureza.

Pesquisadores de áreas como Química, Biologia, Psicologia, Sociologia, Letras, etc., usam frequentemente conceitos (geralmente pensando que são exclusivos de suas áreas) que foram descobertos e aprofundados graças ao Cálculo Diferencial. Só para citar uns poucos exemplos na Química: entalpia, energia de ativação, entropia, energia livre de Gibbs, orbital, números quânticos, ligação covalente, estado metaestável, etc. E o Cálculo é só um dos infinitos métodos matemáticos que temos à disposição, a maioria dos quais nada tem a ver com números (o Cálculo tem).

Portanto, para finalizar, devemos ter em mente que o que as pessoas chamam de ciência hoje em dia não tem nada a ver com a revolução científica e muito menos com a explosão de conhecimento que observamos nos últimos séculos. Por isso, costumamos chamar isso de ciência latu sensu, ciência humana ou até de falsa ciência.

É do nosso interessa que tanto criacionistas quanto evolucionistas utilizem cada vez mais métodos matemáticos. Isso ajuda a eliminar uma série de ideias de ambos os lados que são apenas ruídos e não agregam conhecimento real. Nesse sentido, hipóteses inconsistentes, por exemplo, seriam descartadas mais cedo. Com metodologia não científica, só podemos lidar com o que nossa intuição consegue acompanhar. Conclusões inacessíveis à intuição podem ser atingidas e aprofundadas quando nos baseamos no conceito de ‘ciência’ stricto sensu, como a dos pioneiros, que utilizavam métodos matemáticos.

Texto publicado originalmente em 16/11/2017 no site da Origem em Revista.

Referências

[1] Science and Creationism: A View from the National Academy of Sciences. 2. Ed. Washington, DC: The National Academy Press, 1999. Disponível em: https://www.nap.edu/catalog/6024/science-and-creationism-a-view-from-the-national-academy-of

[2] Science, Evolution, and Creationism. Washington, DC: The National Academies Press, 2008. Disponível em: https://www.nap.edu/catalog/11876/science-evolution-and-creationism

Foi por meio de um livro publicado pela Casa Publicadora Brasileira que Everton Fernando Alves teve seu primeiro contato com a Teoria do Design Inteligente (TDI). “Fiquei impressionado e interessado pelo tema ao ponto de ir pesquisar na internet se as evidências apresentadas faziam sentido ou não”, conta Alves, que é mestre em Ciências [Imunogenética] pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Depois de ler Por Que Creio, de autoria do jornalista Michelson Borges, ele concluiu: “As evidências de design na natureza não só fazem sentido, como também consistem na melhor explicação para a complexidade percebida com meus próprios olhos nas estruturas biológicas.” “Para mim, o design inteligente foi uma porta de entrada ao criacionismo que, a meu ver, é muito mais amplo”, acrescenta.

Desde então, o jovem pesquisador, de 31 anos, tem dado grande contribuição no país para a disseminação dessa teoria que ganhou status científico há pouco mais de duas décadas. Além de ser autor de dezenas de artigos publicados na área das ciências da saúde e ter escrito o e-book Teoria do Design Inteligente: Evidências científicas no campo das Ciências Biológicas e da Saúde (lançado em 2015), Everton Alves foi convidado recentemente pelo editor de uma importante publicação científica para apresentar e defender a TDI.

Segundo ele, o trabalho publicado na revista Clinical and Biomedical Research consiste na primeira divulgação científica brasileira sobre design inteligente numa revista revisada por pares no campo da Biomedicina (para ler a publicação na íntegra, clique aqui). “Minha contribuição ao periódico é singela e apenas o primeiro de muitos trabalhos de divulgação científicos que estão sendo elaborados e serão publicados também no Brasil pela Sociedade Brasileira do Design Inteligente, a partir de 2016”, ele enfatiza.

Nesta entrevista, concedida à Revista Adventista, Everton, que é membro da Igreja Adventista Central de Maringá e atua como diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (NUMAR-SCB), comenta sobre a abertura no meio científico para a divulgação de cosmovisões contrárias ao evolucionismo e explica em quais aspectos a Teoria do Design Inteligente e o criacionismo bíblico concordam ou não.

Qual é exatamente o caráter dessa publicação e seu significado para os que defendem a Teoria do Design Inteligente (TDI)?

O trabalho publicado na revista Clinical and Biomedical Research é a primeira divulgação científica brasileira com o objetivo exclusivo de apresentar e defender a proposta da Teoria do Design Inteligente (TDI) em uma revista revisada por pares no campo da Biomedicina e, a propósito, a convite do próprio editor da revista! Confesso que fiquei surpreso com o convite, pois a biologia tem sido um campo de estudo que não é muito receptivo a uma ideia ou teoria que não invoque Darwin.

Meu objetivo com esta publicação, de gênero “Carta ao Editor”, foi de estabelecer um diálogo com a comunidade científica, buscando apresentar a ela os principais conceitos ligados à teoria, ressaltar questões de relevância da TDI para o progresso científico e desmistificar alguns argumentos equivocados. Além disso, também procurei contar um pouco da história do movimento do design inteligente ao redor do mundo. Ademais, a publicação cita os principais objetivos, compromissos e desafios da TDI para seu estabelecimento como teoria científica, seus critérios metodológicos, bem como sua literatura especializada nacional e internacional.

É importante mencionar que, em 2004, o historiador da ciência Enézio de Almeida Filho, presidente emérito da Sociedade Brasileira do Design Inteligente (SBDI) e pioneiro na divulgação da TDI no Brasil, também contribuiu com o movimento ao enviar uma Carta a uma tradicional revista científica brasileira, porém, com uma função distinta da minha: a de criticar um artigo que havia sido publicado anteriormente. Nessa publicação, Enézio questionava alguns pontos de um artigo pró-evolucionismo publicado na revista, e o criticava afirmando que o trabalho continha uma análise tendenciosa do livro A caixa preta de Darwin, do bioquímico Michael Behe, além de taxar os proponentes do design inteligente como “criacionistas”.

O que ainda dificulta o desenvolvimento de pesquisas, bem como a publicação dos resultados de estudos que apresentem uma visão alternativa ao evolucionismo em periódicos científicos tradicionais?

O problema se encontra no fato de que a ciência adotou a teoria da evolução como paradigma na academia. Cientistas que aceitam a evolução são tratados como “racionais” enquanto os demais são taxados como “ignorantes” e “fundamentalistas religiosos”. Há 150 anos a ciência baniu a possibilidade de que exista algo além de matéria e energia nesse universo. Só que a comunidade científica se esqueceu de que existe um terceiro elemento envolvido: a informação. A informação é aperiódica e imaterial, não podendo ser explicada pela teoria da evolução. A informação somente pode vir de uma atividade intelectual, ou seja, de uma fonte inteligente.

Sabemos que não é fácil combater e desconstruir uma crença profundamente enraizada na ciência como é o caso do naturalismo filosófico (a propósito, cheio de lacunas e hipóteses imaginativas que não podem ser testadas em laboratório). Mas, o fato de a teoria evolutiva ainda ser um paradigma dentro da academia se deve também ao apoio da mídia que tenta blindar o darwinismo a todo custo. As últimas gerações foram doutrinadas a aceitar por meio da fé, e não dos fatos, esse modelo filosófico. Por meio de desenhos animados, filmes, novelas, jornais e, principalmente, dos livros didáticos, as crianças são bombardeadas com a ideia de “milhões de anos”.

Dessa forma, toda ideia distinta desse conceito tende a ser ignorada ou até mesmo combatida pela academia. Quer um exemplo? Pesquisadores que não aceitam o evolucionismo têm enfrentado dificuldades em obter financiamento para seus projetos de pesquisa e em publicar seus resultados em anais de congressos ou em periódicos de alto fator de impacto. Por esse motivo, pesquisadores do design inteligente têm sido injustamente excluídos da literatura científica por muitos anos. Eu pude vivenciar algumas experiências nesse sentido. Há algum tempo vinha tentando publicar um manuscrito com base em design e só recebi sonoros “nãos” de revistas científicas. A desculpa é sempre a mesma: “a submissão não se encaixa no escopo e foco de nossa revista”. Será esse mesmo o real motivo? Eu creio que não!

No que consiste a Teoria do Design Inteligente?

A TDI talvez seja hoje a maior novidade no meio científico. Ela pode ser entendida como o estudo dos padrões na natureza que carregam as marcas de causalidade inteligente. De maneira mais simples, podemos considerá-la uma teoria de detecção de design. Mas como detectar design? Os passos são os seguintes: um cientista pró-design analisa um objeto de estudo e busca distinguir se esse objeto possui informação que lhe confere as características de um design intencional (projetado por uma mente inteligente) ou se esse objeto é produto do acaso, necessidades, ou leis naturais.

A TDI não tem como foco principal estudar a origem da vida e do Universo, mas sim analisar as estruturas biológicas complexas que podem ser observadas na natureza. Entretanto, os teóricos do design também entendem que os mecanismos propostos pelo atual paradigma para explicar as origens (a hipótese do “Mundo RNA”, por exemplo) são demonstrados inadequados no contexto de justificação teórica. Ademais, o problema da origem da vida é indissociável do problema da origem da informação contida no DNA. Como afirma o filósofo e historiador da ciência Stephen Meyer, “sem informação, não há a possibilidade de construir nada em biologia”. É com base na presença de informação que conseguimos distinguir entre produtos do acaso e produtos da inteligência.

A ideia da existência de design na natureza não é recente. Filósofos gregos como Platão e Aristóteles já defendiam isso. Mas quando foi que esse conceito se popularizou e se estabeleceu oficialmente como teoria científica?

O argumento de design se tornou popular através da famosa tese de William Paley, publicada em 1802, conhecida como a “tese do relojoeiro”. Por outro lado, o design inteligente, como uma teoria científica, surgiu oficialmente em 1993 em Pajaro Dunes, Califórnia (EUA), em uma reunião coordenada pelo Dr. Phillip Johnson, fundador do movimento do design inteligente, juntamente com outros dissidentes da teoria evolucionista. Portanto, a TDI ainda é uma teoria muito jovem. Formulada em 1993, ela tem pouco mais de 20 anos.

No que ela difere da visão criacionista e, por outro lado, quais são os pontos em comum?

A TDI difere em quase todos os aspectos do modelo criacionista. O criacionismo assume o pressuposto de que Deus é o Criador da vida e do Universo. Por sua vez, a TDI não pretende identificar a fonte de inteligência, nem tem como foco principal explicar a origem da vida e do Universo. Seu ponto central é a detecção de informação existente na natureza e não a busca da origem dessa informação, no sentido de um designer (projetista). Embora a informação complexa e específica por si só – como no caso do DNA – aponte para a existência de uma mente inteligente devido à atribuição de propósito. É apenas nesse argumento teleológico de design (componente filosófico) que o criacionismo e o design inteligente convergem.

Embora o objetivo da TDI não seja identificar o Criador do Universo e da vida, quem ela supõe que seja esse designer inteligente?

Como uma teoria plenamente científica, a TDI não assume a priori quem seja esse designer. No entanto, os adeptos da teoria possuem cosmovisões diferentes entre si e podem interpretar a identidade dessa mente inteligente através de uma escolha pessoal, não científica. Entre os integrantes da TDI, existem cientistas de diversas religiões, alguns agnósticos e até mesmo ateus. Alguns pesquisadores cristãos brasileiros, entre os quais me incluo, extrapolam as evidências e assumem por meio da fé que esse designer é o Deus judaico-cristão.

Por não atribuir necessariamente os créditos da criação a Deus, até que ponto essa teoria é aceita no meio adventista? É possível conciliar o criacionismo bíblico com a Teoria do Design Inteligente?

É correto afirmar que, tanto o modelo criacionista quanto os princípios da biologia histórica dentro do evolucionismo são estruturas conceituais, e não teorias científicas. Assim sendo, a única que tem as características necessárias para ser considerada uma teoria originalmente “científica” é a do design inteligente. Atualmente, a TDI tem sido utilizada por criacionistas para complementar as explicações referentes ao campo da biologia funcional, ou seja, explicar a existência de informação biológica complexa na natureza. Como mencionei anteriormente, a convergência entre as duas teorias no argumento de design (propósito) possibilita o uso da TDI pelos criacionistas. No entanto, o inverso não é verdadeiro, isto é, a TDI não utiliza os argumentos e conceitos criacionistas para suas observações e experimentos científicos.

Dessa forma, cada vez mais os argumentos, predições e evidências levantados pela TDI tem sido utilizados também por criacionistas adventistas a fim de demonstrar os sinais de inteligência detectados na natureza e a assinatura de um projeto da vida que “só provém de vida”. A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), cujo presidente-fundador é adventista, tem publicado muitos materiais que incluem os argumentos do design. Cabe ainda mencionar que a SCB recém-lançou um curso a distância sobre criacionismo, que também traz bastante conteúdo relacionado ao design inteligente. O mesmo programa já está sendo ofertado em uma pós-graduação sobre criacionismo pelo Unasp. Além disso, nos últimos anos alguns líderes adventistas têm divulgado veementemente os atributos da teoria do design inteligente juntamente com as evidências criacionistas. Como podemos observar, é plenamente possível conciliar o criacionismo bíblico com a Teoria do Design Inteligente, e isso tem sido feito a cada ano com mais intensidade dentro da igreja.

Destaco, por exemplo, o trabalho feito pelo jornalista Michelson Borges. Desde 1998, ele vem incluindo o tema em suas palestras e pregações. Outros nomes se destacam no meio científico adventista, a exemplo do Dr. Ruy Vieira, do Dr. Nahor Neves de Souza Jr., da Dra. Marcia Oliveira, do Dr. Urias Takatohi, entre outros. Na região em que moro, o pastor Ericson Danese, líder de Jovens da sede administrativa adventista para a região Norte do Paraná, bem como o Dr. Agrinaldo Jacinto Jr. e o Dr. Rodrigo Meneghetti Pontes, diretor-presidente e vice-presidente, respectivamente, do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (NUMAR-SCB), têm dado especial contribuição para essa divulgação.

Como a TDI vê a questão da evolução proposta pelo naturalismo filosófico?

Em primeiro lugar, é importante esclarecer alguns pontos para que não haja generalizações e sejam entendidos dentro do contexto adequado. Os proponentes do design entendem e aceitam que a teoria da evolução trouxe grandes contribuições à história da ciência. Já está bem estabelecido o papel da seleção natural, das variações de baixo nível (conhecidas como o processo de microevolução observado nos experimentos de Lenski), especiação e ancestralidade comum com limitações.

Em segundo lugar, é preciso definir o que é “evolução” ou a qual tipo de evolução estamos nos referindo. Há pelo menos seis definições de “evolução”. Se por “evolução” entendemos “mudança ao longo do tempo” (microevolução ou “diversificação de baixo nível”, como alguns estudiosos propõem) ou até mesmo que organismos vivos estão relacionados pela ancestralidade comum (a origem das raças de cães a partir de lobos, por exemplo), então não existe nenhum conflito entre a teoria da evolução e a teoria do design inteligente. Porém, a TDI rejeita as propostas evolutivas ainda dominantes (Síntese Evolutiva Moderna ou neodarwinismo) que afirmam a possibilidade de grandes mudanças ao longo de milhões de anos dando origem a novas espécies conduzidas pela seleção natural que supostamente agiu por meio de mutações aleatórias. Ou seja, um processo não dirigido, imprevisível, sem nenhum propósito ou objetivo discerníveis e que não podem ser testados em laboratório.

Em sistemas biológicos, por exemplo, a TDI contraria tais pressupostos, pois defende a existência do conceito de complexidade irredutível no mundo molecular que jamais poderia ter se formado por meio de processos lentos, sucessivos e graduais. Já a ideia de ancestralidade comum no contexto neodarwinista ainda é uma questão em debate. No entanto, as evidências disponíveis levam a maioria dos adeptos da TDI a rejeitar também essa hipótese.

“Muitos cientistas têm se declarado publicamente contra a teoria da evolução. Isso demonstra que eles têm percebido suas falhas e lacunas”

Como é a aceitação da Teoria do Design Inteligente pela comunidade científica?

Muitos cientistas têm se declarado publicamente contra a teoria da evolução. Para se ter uma ideia, existe uma lista criada pelo Discovery Institute intitulada A Scientific Dissent from Darwin (A Dissidência Científica de Darwin). Isso demonstra que muitos têm percebido as falhas e lacunas que existem na teoria evolucionista. Sendo assim, a TDI encontra abertura ao redor do mundo para explanar suas propostas e argumentos. Isso porque muitos cientistas de renome têm aberto a mente para explicações alternativas sobre a complexidade da vida e a biodiversidade da natureza.

No Brasil, por exemplo, em 2013, foram realizadas palestras sobre Design Inteligente na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), espaço cedido pela própria instituição. No ano passado, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) promoveu e apoiou totalmente um curso de extensão acerca dos diferentes olhares sobre as origens (design inteligente, evolucionismo e criacionismo). A abertura ao debate e questionamentos em instituições públicas de ensino é um marco na história da ciência brasileira. Diversas outras instituições públicas e privadas de ensino também têm dado seu apoio para a causa. É necessário mencionar que muito dessa abertura ao diálogo se deve ao mérito do cientista e maior propagador atual da TDI no Brasil: o Dr. Marcos Nogueira Eberlin, presidente da Sociedade Brasileira do Design Inteligente (SBDI).

Quando você aceitou essa teoria e passou a defendê-la?

A primeira vez que li a respeito da TDI foi por meio do livro Por que Creio (CPB), do jornalista Michelson Borges. Fiquei impressionado e interessado pelo tema ao ponto de ir pesquisar na internet se as evidências apresentadas pela TDI faziam sentido ou não. A conclusão: não só fazem sentido, como também consistem, na minha opinião, na melhor explicação para a complexidade percebida com meus próprios olhos nas estruturas biológicas. Entretanto, quando ganhei o exemplar da obra durante o I Congresso de Universitários Adventistas da Associação Norte Paranaense, em 2004, fiz uma leitura superficial dela. Considero que somente em 2013 eu estava realmente preparado para assimilar seu conteúdo. Reli o livro e fiquei maravilhado com as evidências científicas apresentadas por cientistas criacionistas e pró-design entrevistados pelo autor.

Na época em que tive esse primeiro contato com a TDI, estava fazendo pesquisas dentro de um laboratório de imunogenética. Assim, todas as evidências estavam diante dos meus olhos. Quer mais design do que na estrutura tridimensional do DNA? Ela é o melhor exemplo de codificação e compactação de informação. Desse modo, por meio da TDI é possível entender o ajuste fino nas sequências do código genético (ordem e organização) e a complexidade irredutível presente no ciclo de síntese de proteínas, no armazenamento e leitura da informação genética necessária para a construção dos blocos da vida e a transmissão de dados.

No fim de 2014, entrei de cabeça nas pesquisas sobre a TDI. Tudo aconteceu rápido demais, de maneira inesperada. Ao pesquisar grupos que tratavam sobre o tema, conheci alguns jovens de valor que já divulgavam a teoria nas mídias sociais. Então, em 2015, fui convidado por um deles para ser colunista do site TDIBrasil.org, uma das maiores fontes de divulgação da teoria no Brasil, e também iniciei o projeto de escrita do meu e-book.

Quais são os principais desafios para a disseminação da TDI?

A meu ver, o principal desafio se encontra no âmbito da divulgação científica. A ciência especializada se desenvolve, em grande parte, através do processo de publicação em revistas avaliadas por pares. Portanto, podemos fazer a seguinte pergunta: qual será o futuro das pesquisas com base em design? Apesar de os pesquisadores do design terem sido injustamente excluídos da literatura científica por muitos anos, acredito que as expectativas futuras sejam positivas, em grande parte, igualmente, devido à atual abertura científica ao diálogo, debate e crítica. Como escritor e divulgador da TDI, espero que os editores e revisores de periódicos científicos tradicionais tenham a mente aberta para uma análise justa e imparcial. Assim, os méritos científicos do design dependerão, exclusivamente, de seu conteúdo.

Em junho de 2015, você publicou o e-book Teoria do Design Inteligente: Evidências científicas no campo das Ciências Biológicas e da Saúde. Qual é a contribuição dessa obra para a TDI?

Capa do livro Teoria do Design Inteligente

A ideia desse livro eletrônico surgiu durante o período em que atuei como colunista do site TDIBrasil.org. Percebi a escassez de bibliografia em português sobre o assunto. Tendo em vista que muitos brasileiros ainda não dominam idiomas como o inglês, decidi pesquisar, traduzir e desenvolver material bibliográfico de alta qualidade em nossa própria língua, fundamentado nas mais diversas e atuais evidências científicas disponíveis sobre o assunto. Por meio da obra, o leitor pode ter acesso a mais de 350 evidências científicas que apoiam o design. O e-book tem sido considerado uma contribuição ímpar no Brasil. Está registrado como uma das duas primeiras obras genuinamente brasileiras, relevantes e exclusivas acerca do design inteligente, ficando atrás apenas – em ordem cronológica – do livro Fomos planejados: a maior descoberta científica de todos os tempos, do Dr. Marcos Eberlin.

Fonte: Revista Adventista.

O gênero Carta ao Editor é considerado uma publicação científica e tem sido foco de interesse na área do design inteligente. Cartas ao Editor representam a correspondência entre diversos autores e os leitores, através dos editores das revistas.[1] Portanto, uma Carta irá ser avaliada pelo Editor, que avaliará a pertinência de sua publicação. Dessa forma, elas oferecem a oportunidade de debater em um fórum aberto, e contribuem para a validação da pesquisa. Praticamente todas as grandes revistas científicas têm, na atualidade, uma seção de Cartas ao Editor, que possui basicamente duas funções: 1) servir de Opiniões e comentários sobre um artigo específico publicado nos últimos números da Revista; 2) servir de espaço para que autores possam apresentar resultados preliminares de suas próprias pesquisas ou sobre temas de relevância científica de interesse à comunidade tais como a descrição de riscos à saúde pública ou avanços em uma nova área da ciência.[1]

Em relação à primeira função, tem sido a mais frequente entre os trabalhos publicados nesse tipo de seção. Os leitores constantemente apresentam suas críticas ou solicitam esclarecimento de eventuais dúvidas suscitadas por um artigo publicado na revista.[1] Nesse formato, há a possibilidade de haver réplica por parte do autor do artigo que está sendo criticado, e até mesmo uma tréplica por parte do leitor que apresentou a crítica. A depender do periódico, há um prazo, que varia entre 15 dias e 3 meses, para comentar um artigo depois de sua publicação.

Ainda em relação à função da Carta ao Editor, pesquisadores concordam que

“mesmo com a nítida melhora da produção científica e do rigor metodológico dos artigos publicados, não há trabalho científico perfeito, vieses pós-publicação podem ser identificados e motivar até mesmo a retratação dos autores ou, em caso de se constatar fraude ou manipulação dos resultados, a retirada do artigo da revista. Em outros casos, erros estatísticos podem ser evidenciados, ou, ainda, mínimas correções requeridas, não comprometendo as conclusões do artigo”.[1: p. 1]

Em 2004, por exemplo, o professor mestre em História da Ciência Enézio Eugênio de Almeida Filho, o então coordenador do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente (NBDI), enviou uma Carta ao Editor para a revista História, Ciências, Saúde-Manguinhos onde questionava especificamente alguns pontos de um artigo publicado na revista, e o criticava afirmando que o trabalho, “documentalmente infundado”, distorceria a realidade.[2]

O artigo criticado, intitulado “De Darwin, de caixas-pretas e do surpreendente retorno do criacionismo”, publicado no Dossiê Darwinismo de 2001, afirmava a equiparação, no segundo semestre de 1999, da teoria da evolução de Darwin ao texto bíblico do Gênesis nos currículos escolares de um estado norte-americano.[3] Para o professor Enézio, este ponto não corresponde aos fatos, e suas críticas direcionadas ao artigo são justificadas diante da tendenciosa análise e crítica de seu autor para com o livro A caixa preta de Darwin, do bioquímico Michael Behe. Além disso, o artigo criticado por Enézio identificou os proponentes do design inteligente como “criacionistas”, polarizando o tema em “ciência versus religião” quando o que estava em debate era a questão científica da “complexidade irredutível” levantada por Behe.[2]

A propósito, considero uma das maiores publicações científicas no design inteligente exatamente uma Carta ao Editor escrita por Michael Behe.[4] Em 2009, Behe escreveu essa carta a fim de exercer o direito de resposta a um artigo original publicado no ano de 2008, cujo objetivo do autor era expor as supostas falhas de Behe acerca dos limites matemáticos para a evolução darwiniana, publicadas no ano de 2007 em seu livro The Edge of Evolution. Para entendermos melhor a situação é necessário analisarmos o que dizia o livro de Behe. No livro, baseando-se em estudos de saúde pública sobre a malária, Behe observou que um novo aparecimento de resistência à cloroquina em parasitas da malária foi um evento de probabilidade de 1 em 1020 (para o cálculo, a propósito, ele utilizou uma estatística empírica da literatura).[5]

Assim, a probabilidade de ocorrer em seres humanos uma dupla mutação simultânea por acaso seria de 1 para 10 bilhões.[5] Isso exigiria mais organismos e gerações do que os que estiveram disponíveis ao longo de toda a história da Terra. Portanto, quando múltiplas mutações devem estar presentes simultaneamente para haver ganho de uma vantagem funcional, a evolução darwiniana fica limitada. Diante disso, em 2008, numa tentativa improdutiva de expor supostas falhas nos argumentos de Behe, os biólogos Rick Durrett e Deena Schmidt acabaram reconhecendo a contragosto que o argumento de Behe estava basicamente correto.[6]

Na ocasião, os biólogos usaram uma estimativa teórica a partir de um modelo de genética populacional para calcular a probabilidade de duas mutações simultâneas ocorrer por evolução darwiniana em uma população de seres humanos. Para Behe, o modelo utilizado pelos biólogos para o cálculo é inadequado [4]. Durrett e Schmidt descobriram que um evento como esse levaria 216 milhões de anos para acontecer, enquanto o cálculo de Behe foi “5 milhões de vezes maior” do que eles encontraram [6: p. 1507]. Ainda assim, 216 milhões de anos continuavam sendo um tempo demasiadamente longo. Tendo em vista que os humanos supostamente divergiram de seu ancestral comum com os chimpanzés há apenas 6 milhões de anos, eles reconheceram que tais mutações são “muito pouco prováveis de acontecer em uma escala razoável de tempo”.[4; 5: p. 1507]

Em 2015, eu também contribuí com o movimento do design inteligente ao publicar uma Carta no Clinical and Biomedical Research, periódico revisado por pares situado no campo de interface entre Biologia e Medicina. Foi mais uma divulgação com o objetivo exclusivo de apresentar e defender a proposta da Teoria do Design Inteligente (TDI) em uma revista revisada por pares na área de Biomedicina. A propósito, a convite do próprio editor da revista!

Através desse convite, pude abordar os principais conceitos ligados à teoria, ressaltar questões de relevância da TDI para o progresso científico e desmitificar alguns argumentos equivocados, constantemente divulgados por seus oponentes a fim de descaracterizar o design inteligente. Também apresentei a história do movimento do design inteligente ao redor do mundo, bem como de suas publicações científicas. Ademais, citei os principais objetivos, compromissos e desafios da TDI para o seu estabelecimento como teoria científica, seus critérios metodológicos, sua literatura especializada nacional e internacional, além de deixar registrada minha perspectiva futura em relação às futuras publicações científicas baseadas em design.

Essas evidências nos mostram a influência e/ou poder que uma Carta ao Editor pode exercer sobre uma determinada área da ciência.

Fonte: Texto publicado em 14/01/2016 no Portal TDI Brasil.org.

Referências:

[1] Amorim MMR, Souza ASR. A cultura da carta ao editor. Femina. 2013; 41(1):1-4. [Link]

[2] Almeida Filho EE. Cartas. Hist. cienc. saude-Manguinhos. 2004; 11(2):519-20. [Link]

[3] Martins MV. De Darwin, de caixas-pretas e do surpreendente retorno do ‘criacionismo’. Hist. cienc. saude-Manguinhos. 2001; 8(3):739-756. [Link]

[4] Behe MJ. Waiting Longer for Two Mutations. Genetics. 2009; 181(2): 819–820. [Link]

[5] Behe MJ. The Edge of Evolution: The Search for the Limits of Darwinism. New York: Free Press, 2007.

[6] Durrett R, Schmidt D. Waiting for Two Mutations: With Applications to Regulatory Sequence Evolution and the Limits of Darwinian Evolution. Genetics 2008; 180(3):1501-1509. [Link]

Design Inteligente na morte?

Argumento evolucionista:

O design inteligente é capaz de verificar um projeto intencional nas garras e dentes de um leão que os utiliza para caçar e matar um antílope a fim de saciar sua fome? Em outras palavras: é capaz de identificar um projeto intencional na morte?

Argumento do design:

Alguns adeptos da Teoria do Design Inteligente (TDI) até poderiam levantar objeções de natureza moral a esse respeito, porque muitas vezes a intencionalidade desperta essa questão. Mas devemos nos restringir apenas ao campo científico. Nesse sentido, o design está especificamente comprometido com forma e função (Ex.: como lindas e eficientes facas de cozinha). A propósito, as espadas são projetos formidáveis (design para a morte).

Mas em relação a questionamentos como esse, precisamos separar o que é científico do que não é científico. Esse tipo de argumento é científico, mas a analogia não. Por quê? Porque estão sendo usadas duas coisas ontologicamente diferentes: uma teoria e um leão. Uma teoria científica é uma tentativa LÓGICA de nos levar ao conhecimento. O leão é um ser.

Essa pergunta científica se reduziria a pó numa análise filosófica. Por quê? Porque está atribuindo à TDI o status de TEORIA DO TUDO – capaz de identificar um projeto intencional de morte! Os proponentes do design buscam esclarecer que a TDI é uma teoria científica minimalista que IDENTIFICA sinais de inteligência. Só isso!

Quanto ao leão, se realmente suas garras e dentes foram projetados para matar, por que nem sempre ele mata um antílope? Quanto ao antílope, se suas pernas foram projetadas para correr, por que nem sempre sobrevive? Aqui entramos em outro ponto. É preciso entender que a TDI possui um comprometimento mínimo com o grau de otimização (eficiência) de um projeto. Aliás, esse comprometimento mínimo está relacionado às regras básicas de sistemas. Portanto, uma das predições da TDI é que existem fatores que podem vir a interferir no design de um projeto.

(Texto publicado em 25/02/2017 em coautoria com Junior Eskelsen, responsável pelo Portal tdibrasil.org)

Como os fósseis se formam a partir da madeira

Madeira fossilizada (Imagem por: Darwin Pucha Cofrep)

Como um tronco de árvore se transforma em madeira petrificada? Isso pode ocorrer por diversas formas e envolver substâncias químicas diferentes. Para que ocorra a petrificação, é necessário que a madeira seja capaz de interagir com a substância petrificante, fazendo-a precipitar a partir da solução aquosa. Entre as substâncias que possuem essa característica está a sílica (SiO2). Na verdade, não há uma molécula de SiO2. A sílica forma sólidos covalentes. Trata-se uma cadeia ou rede de átomos de oxigênio e silício, unidos por ligações covalentes, na proporção de 1 átomo de silício para 2 átomos de oxigênio. O SiO2 é um dos principais constituintes da areia e pode formar sólidos como o quartzo, a calcedônia e as opalas [1]. A sílica é um sólido insolúvel em água com pH nas vizinhanças de 7 e em temperaturas brandas. Ao bem da verdade, se pulverizarmos vidro (que é em grande parte SiO2) e aquecermos até a ebulição com água por cerca de uma hora, mais ou menos 1% da sílica do vidro será hidrolisada (reagirá com água) e passará para a solução aquosa. Isso faz parte de um dos experimentos de laboratórios dos cursos de graduação para os quais leciono. Todavia, em soluções básicas (pH elevado) a sílica pode ser hidrolisada com mais facilidade e liberar quantidades razoáveis de íons silicato. De forma similar, em soluções ácidas a hidrólise da sílica libera o ácido silícico, Si(OH)4.

Chamamos de silicificação a penetração e a fixação de sílica no material orgânico que servirá de base para a formação do fóssil. A silicificação é considerada por alguns autores como o processo individual mais importante na preservação de plantas no registro fóssil [3]. Embora alguns autores prefiram manter uma distinção entre silicificação e petrificação, neste artigo vamos usar os dois termos como sinônimos, como tem sido prática comum na literatura da área. Acredita-se que o ácido silícico seja o principal responsável pela silicificação [2]. Os tecidos vasculares das plantas são compostos principalmente por holoceluloses (um grupo de sacarídeos que inclui a celulose) e por ligninas (polímeros complexos compostos de unidades de fenilpropano) [2]. Tanto as holoceluloses quanto as ligninas possuem grupos hidroxila que podem formar ligações de hidrogênio com o ácido silícico.
No processo de petrificação, as moléculas de ácido silícico passam da solução aquosa para a superfície dos constituintes moleculares do tecido vascular da madeira (holoceluloses e ligninas). Na medida em que o ácido silícico vai se acumulando dentro da madeira, suas moléculas começam a se fundir. A continuação desse processo leva à formação de um filme de sílica ao redor das superfícies celulares, reproduzindo as características histológicas da madeira. Por causa disso, a petrificação por meio de sílica é capaz de preservar uma riqueza impressionante de detalhes não observáveis em outros tipos de fossilização.
Por que um pedaço de madeira não se fossiliza se for simplesmente enterrado no solo, pois a areia é formada principalmente por SiO2? A petrificação da madeira depende da existência de uma quantidade razoável de ácido silícico em solução. O ácido silícico, como vimos, é gerado a partir da sílica em meio ácido, e a maioria dos reservatórios naturais de água não é suficientemente ácida para hidrolisar uma quantidade apreciável de sílica.
É muito comum que madeira petrificada seja encontrada em regiões vulcânicas [4], particularmente se uma erupção ocorreu na época em que a madeira foi soterrada [5]. Os vulcões fornecem três elementos fundamentais para o processo de petrificação. Primeiramente, em um ambiente catastrófico as chances de que a madeira seja soterrada rapidamente antes de se decompor são muito elevadas. A madeira precisa ser protegida contra a degradação para que as moléculas de ácido silícico tenham tempo o bastante para se infiltrar e se depositar em seu interior. Em segundo lugar, as cinzas vulcânicas são constituídas em sua maioria por SiO2 [6]. Por fim, os vulcões são responsáveis pela produção de gases como o SO2 que, quando dissolvido em água, deixa o meio ácido gerando ácido sulfuroso (H2SO3) ou mesmo ácido sulfúrico (H2SO4).
Então os eventos são os seguintes. Durante a erupção de um vulcão nas proximidades de fontes de água, plantas podem ser soterradas catastroficamente, sendo encobertas por sedimentos com grande quantidade de cinzas vulcânicas (fonte rica em SiO2). A água misturada aos sedimentos é ácida, sendo capaz de promover a liberação de ácido silícico para a solução. O ácido silícico, por sua vez, se fixa às holoceluloses e às ligninas da madeira por meio de ligações de hidrogênio. O acúmulo de ácido silício leva então à formação de um filme de sílica, como dissemos acima.
Mas o quão rápido é esse processo? Fragmentos de madeira recuperados de cinzas vulcânicas de uma erupção em 1886 na Nova Zelândia estavam parcialmente petrificados apenas 90 anos após o soterramento [2]. Madeira de coníferas soterradas por cinzas vulcânicas na erupção histórica de 1885 do Monte Santa Helena apresentava petrificação incipiente após 102 do soterramento [5]. Mas o resultado mais impressionante vem de um grupo de pesquisadores do Japão [4]. Esses pesquisadores observaram que em um certo lago de águas quentes, nas vizinhanças de um vulcão, eram frequentemente encontrados pedaços de madeira impregnadas com sílica. Esses pedaços de madeira caiam naturalmente das plantas nas vizinhanças do lago. Os pesquisadores notaram que a textura desse material era a mesma de madeira silicificada encontrada em regiões vulcânicas no registro geológico. Eles decidiram, então, conduzir um experimento muito interessante. Pedaços de madeira foram colocados no lago e monitorados ao longo de sete anos. O resultado foi surpreendente. Os pedaços que permaneceram por mais tempo imersos no lago tiveram próximo de 40% de sua massa silicificada. A conclusão dos autores é bastante significativa para a compreensão de como os fósseis se formam. Segundo eles, “madeira silicificada pode se formar, sob condições apropriadas, em períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos” [4]. Um detalhe muito interessante desse trabalho é o fato dos autores citarem um artigo do Geólogo australiano Andrew Snelling publicado na revista criacionista Creation [7].
Vamos agora relacionar essas descobertas com a proposta criacionista do Dilúvio bíblico. Citando John D. Morris,
“O período imediatamente anterior e pouco depois do Dilúvio foi um tempo de imenso vulcanismo, marcado por extensivas erupções na medida em que os continentes se afastavam, as cadeias de montanha eram elevadas, e o fundo do oceano era rebaixado”.
“Considere os Basaltos do Rio Colúmbia, onde os depósitos vulcânicos cobrem mais de 100.000 milhas quadradas no estado de Washington e Oregon, com o basalto tendo até uma milha de espessura!” [8].
Vulcanismo intenso provê as condições perfeitas para a fossilização de plantas. É notável o fato de que encontramos florestas inteiras preservadas desta maneira ao longo do registro fóssil [3]. Em outras palavras, a proposta catastrofista criacionista encontra-se completamente em acordo com o melhor conhecimento experimental de que dispomos. Além disso, a questão do tempo de fossilização também apoia a proposta criacionista. Nas palavras de Alkahane et al. [4], madeira silicificada pode se formar em “períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos”. Portanto, quando falamos de madeira petrificada, um modelo que apela para uma grande catástrofe ocorrida há poucos milhares de anos está em pleno acordo com os dados de que dispomos. Mais do que isso, a proposta catastrofista criacionista tem se mostrado capaz de explicar aspectos de diversas áreas do conhecimento que são passados por alto ou atribuídos a causas improváveis na visão evolucionista.
Se o processo de fossilização da madeira ocorreu há poucos milhares de anos, poderia ter restado alguma matéria orgânica residual? Essa matéria orgânica poderia ser datada por carbono-14? Esse será o assunto de um outro artigo.
Referências:
[1] G. Scurfield, E.R. Segnit, Petrifaction of wood by silica minerals, Sediment. Geol. 39 (1984) 149–167. doi:10.1016/0037-0738(84)90048-4.
[2] R.F. Leo, E.S. Barghoorn, Silicification of wood, Harvard Univ. Bot. Mus. Leafl. 25 (1976) 1–47. http://www.biodiversitylibrary.org/item/31874 (accessed February 12, 2016).
[3] C. Ballhaus, C.T. Gee, C. Bockrath, K. Greef, T. Mansfeldt, D. Rhede, The silicification of trees in volcanic ash – An experimental study, Geochim. Cosmochim. Acta. 84 (2012) 62–74. doi:10.1016/j.gca.2012.01.018.
[4] H. Akahane, T. Furuno, H. Miyajima, T. Yoshikawa, S. Yamamoto, Rapid wood silicification in hot spring water: an explanation of silicification of wood during the Earth’s history, Sediment. Geol. 169 (2004) 219–228. doi:10.1016/j.sedgeo.2004.06.003.
[5] A.L. Karowe, T.H. Jefferson, Burial of trees by eruptions of Mount St Helens, Washington:implications for the interpretation of fossil forests, Geol. Mag. 124 (2009) 191. doi:10.1017/S001675680001623X.
[6] A.C. Sigleo, Geochemistry of silicified wood and associated sediments, Petrified Forest National Park, Arizona, Chem. Geol. 26 (1979) 151–163. doi:10.1016/0009-2541(79)90036-6.
[7] A. Snelling, “Instant” petrified wood, Creation. 17 (1995) 38–40.
[8] J.D. Morris, The Global Flood: Unlocking Earth’s Geology Hystory (Edição para Kindle), Institute for Creation Research, Dallas, 2012.

Cangurus vivem somente na Austrália?

O que as pessoas não sabem é que cerca de uma dúzia de diferentes tipos de marsupiais básicos vivem, além da Austrália, na Papua-Nova Guiné e na Indonésia. Além dos cangurus australianos, existem os cangurus arborícolas presentes na Nova Guiné. Como eles ficaram isolados nesses locais? Os evolucionistas insistem que eles evoluíram lá, há milhões de anos,[1, 2] mas certos fósseis sugerem uma resposta diferente. Marsupiais incluem grupos de cangurus e coalas, além dos menos conhecidos como os bettongs e toupeiras marsupiais. Em vez de se desenvolverem em úteros, seus filhotes crescem dentro de uma bolsa de pele da mãe chamada marsúpio. Que evidência convenceu os pesquisadores de que os marsupiais evoluíram de um único antepassado marsupial na Austrália ou Nova Guiné ao longo de milhões de anos?

Seja qual for a resposta, não são fósseis, que mostram exatamente o oposto dessa história evolutiva. Os menores e os mais antigos fósseis marsupiais encontrados no sistema de rochas do período Cretáceo “são exclusivamente da Eurásia e da América do Norte”.[3] Se os marsupiais australianos evoluíram na Austrália, então por que seus supostos ancestrais foram enterrados no hemisfério oposto (hemisfério norte)? E por que o “mais antigo” fóssil marsupial, que parece notavelmente com um gambá, vem da China?[4] Uma revisão de 2003 admitiu que “esse interruptor geográfico permanece inexplicado”.[3]

A fim de contornar esse problema, um estudo afirmou que os cangurus evoluíram na China e migraram por meio da América para Austrália e a Antártida;[5] além disso, a mesma pesquisa sugeriu que os cangurus são geneticamente semelhantes aos humanos. Outro estudo sugeriu que os característicos coalas, cangurus e gambás da Austrália teriam dividido um [suposto] ancestral comum americano. Os cientistas elaboraram uma árvore genealógica baseada no DNA e sugeriram que uma única espécie de marsupial ancestral se originou na América do Sul (quanto fazia parte do supercontinente de Gondwana) e se dirigiu rumo à Austrália.[6]

Mas o que é pior para este conto é que os fósseis de mamíferos placentários aparecem nos depósitos australianos do Cretáceo. A Austrália tem mantido há muito tempo suas populações marsupiais, e com pouquíssimos placentários. No entanto, a partir da observação da localização dos fósseis, os marsupiais deveriam ter evoluído fora da Austrália e os placentários é que deveriam ter evoluído na Austrália – o oposto da história evolutiva.

Em geral, os fósseis não mostram nenhuma evidência para a evolução marsupial. Observamos tanto marsupiais quanto placentários completamente formados. Uma vez que os fósseis marsupiais aparecem apenas onde os marsupiais não vivem hoje, eles devem ter se mudado (migrado). Mas onde e quando isso teria ocorrido?

Nenhum cientista criacionista ou evolucionista estava lá para observar e gravar quando os marsupiais realmente chegaram à Austrália, então ambos devem apenas sugerir e testar hipóteses. Evolucionistas sugerem que marsupiais do Cretáceo foram extintos com os dinossauros, apenas para a evolução substituí-los com duplicatas exatas milhões de anos depois na Austrália! É como se um gambá evoluísse, fosse extinto, então forças naturais fossem criando virtualmente a mesma criatura uma segunda vez. Muito imaginativo, mas não muito científico.

Felizmente, um cenário favorável à Bíblia explora os fósseis sem recorrer a histórias de evolução. O modelo criacionista diz que os marsupiais do “cretáceo” morreram no dilúvio de Noé. Eles devem ter vivido em regiões pré-diluvianas que, devido a eventos relacionados ao dilúvio, se separaram em áreas menores conhecidas hoje como América do Norte, Europa e Ásia.[7] O relato da testemunha bíblica ocular do dilúvio garante aos leitores que dois de cada animal que habitava na terra e que respirava ar entraram na Arca de Noé.[8] Isso inclui cangurus, coalas, tilacinas e therizinossauros.

Os eventos associados ao dilúvio teriam dado origem à época do gelo (clique aqui e saiba mais), que teria durado vários séculos.[9] Naquela época, o nível do mar era cerca de 100 metros mais baixo do que é hoje.[10] Os mares mais baixos proporcionavam pontes terrestres entre muitas das ilhas modernas.[11] Animais e homens podiam literalmente caminhar desde as montanhas do Ararat (local onde a Arca de Noé pousou) até a Nova Guiné. Alguns poderiam ter sido transportados em detritos da tempestade ou nadado de ilhas como Nova Guiné para a Austrália.[12] Mas a hipótese mais razoável é que os marsupiais conseguiram realmente migrar enquanto o gelo do mundo estava solidificado e o nível do mar ainda estava mais baixo; o derretimento do gelo no final da época do gelo aumentou o nível do mar o suficiente para isolá-los em terras antigas de ponte terrestre que se tornaram ilhas.[13]

Conforme explica o naturalista Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia) que existiam durante o período glacial, submergiram” [14: p. 70]. Isso explicaria o fato de alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus terem ficado ilhados na ilha continental australiana.

Mas quais seriam as evidências de que os cangurus migraram desde o local onde a Arca de Noé parou (conhecido atualmente como Turquia) até a Austrália, região onde teriam ficado isolados tempos depois? As evidências se encontram no fato de que alguns cangurus ficaram no meio do caminho e não conseguiram chegar até a região da Austrália. Os fósseis de cangurus encontrados em distintas regiões do planeta nos dão indícios de que eles ficaram no “meio” desse caminho. Além disso, como falamos no início deste texto, alguns cangurus arborícolas, tais como os cangurus-arborícolas-de-goodfellow, os wallabies e os pademelon, que vivem na Nova Guiné, e os tenkile e o canguru-de-manta-dourada, da Indonésia, prosperaram, portanto, em outras regiões antes que alguns exemplares chegassem até seu destino final (Austrália).

Ademais, é interessante pensarmos no porquê de os cangurus terem se dirigido rumo à Austrália. Alguns criacionistas desenvolveram a hipótese de que talvez eles estivessem apenas retornando ao seu local de origem, uma vez que antes do dilúvio existia apenas um único continente não fragmentado.[15] Mas como eles teriam reconhecido o caminho de volta? A ideia é que eles retornaram ao seu território nativo por meio de uma direção “especial”, ou seja, por meio de instintos de localização (GPS biológico), como os que se observam em pássaros, peixes, insetos e outros animais migratórios.

Mas o que podemos de fato observar é que cangurus e coalas não evoluíram na Austrália. Eles simplesmente não evoluíram. Deus os fez marsupiais desde o início. Muitos deles morreram junto com dinossauros e outras criaturas durante o dilúvio. Aqueles que sobreviveram ao dilúvio na Arca tiveram descendentes que podem ter migrado à frente de muitos mamíferos placentários. Eles provavelmente chegaram à Austrália antes que o aumento dos níveis do mar interrompesse os placentários de continuar a jornada até o fim do caminho. Essa solução se encaixa nas observações fósseis e nas Escrituras.

(Texto adaptado do original Thomas [16], postado originalmente no Brasil em 01/03/2017 no Blog Criacionismo)

Referências e notas:

[1] Janis CM, et al. Locomotion in Extinct Giant Kangaroos: Were Sthenurines Hop-Less Monsters? PLoS One. 2014;9(10):e109888.

[2] Butler K, Travouillon KJ, Price GJ, Archer M, Hand SJ. Cookeroo, a new genus of fossil kangaroo (Marsupialia, Macropodidae) from the Oligo-Miocene of Riversleigh, northwestern Queensland, Australia. Journal of Vertebrate Paleontology. 2016; 36(3):e1083029.

[3] Cifelli RL, Davis BM. Marsupial Origins. Science. 2003;302(5652):1899-1900.

[4] Luo ZX, et al. An Early Cretaceous Tribosphenic Mammal and Metatherian Evolution. Science. 2003;302(5652):1934-1940.

[5] Kangaroos similar to humans, claim Australian researchers. Telegraph (18/11/2008). Disponível em:http://www.telegraph.co.uk/news/science/3477482/Kangaroos-similar-to-humans-claim-Australian-researchers.html

[6] Nilsson MA, et al. Tracking Marsupial Evolution Using Archaic Genomic Retroposon Insertions. PLoS Biol. 2010 Jul 27;8(7):e1000436.

[7] Clarey T. Hot Mantle Initiated Ocean and Flood Beginnings. Acts & Facts. 2013;42(8):15.

[8] “[Gênesis 10: 1] diz respeito à quarta geração do livro de Gênesis (anteriormente observado em Gênesis 2: 4; 5: 1 e 6: 9), presumivelmente marcando as assinaturas de Sem, Cam e Jafé após completar sua narrativa do Dilúvio e os anos pós-dilúvio imediatos. Ver: Morris H. The Henry Morris Study Bible. Green Forest, AR: Master Books, 2012, p.45.

[9] Hebert J. Was There an Ice Age? Acts & Facts. 2013;42(12):20; ver também: “Alves EF. A era do gelo: uma perspectiva bíblico-científica. NUMAR-SCB (31/10/2016). Disponível em: http://numar.scb.org.br/artigos/era-do-gelo-uma-perspectiva-biblico-cientifica/

[10] Gomitz V. Sea level rise, after the Ice Melted and Today. Science Briefs. Goddard Institute for Space Studies da NASA (10/01/2007). Disponível em: https://www.giss.nasa.gov/research/briefs/gornitz_09/

[11] Clarey T. The Ice Age and the Scattering of Nations. Acts & Facts. 2016;45(8): 9.

[12] Mesmo os evolucionistas há muito invocaram a migração em esteiras de detritos flutuantes para explicar o transporte de animais para as ilhas. Tipos de plantas similares em diferentes continentes, florescendo bem onde as correntes oceânicas os levariam, apoiam o transporte

[13] Possivelmente, marsupiais e placentários competiram fora por recursos, assim os marsupiais continuaram a migrar para os habitats com menos competição.

[14] Baerg HJ. O mundo já foi melhor. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992.

[15] Gibson LJ. Patterns of mammal distribution. Manuscrito não publicado, distribuído pelo Geoscience Research Institute, Loma Linda University, Loma Linda, CA.

[16] Thomas B. Why Do Kangaroos Live Only in Australia? Acts & Facts. 2017; 46(2):20.