Autor: Everton

É escritor e divulgador de ciência.

Adauto Lourenço faz palestras sobre criacionismo no Paraná

Físico ensinará aos presentes como defender a fé bíblica dentro do contexto científico contemporâneo.

Nos dias 19 e 20 de janeiro as cidades paranaenses de Maringá e Nova Esperança receberão o mestre de física Adalto Lourenço que fará um circuito de palestras sobre criacionismo.

Quem participar desses eventos poderá tirar dúvidas de assuntos polêmicos no meio científico como o Dilúvio Bíblico e a Semana da Criação, descrita em Gênesis 1 e 2. Além disso, será possível saber defender a fé bíblica dentro do contexto científico contemporâneo.

O evento é promovido pelo Numar-SCB que permitirá aos interessados dessas duas cidades ter o contato direto com o físico formado pela Bob Jones University, EUA, em 1990, com minors em Matemática e Ciência da Computação.

Nascido em Fortaleza em junho de 1958, tem título de B. Sc., MSc., e Mestre em Física Nuclear pela Clemson University, USA. Além de ser formado em Física, Lourenço também é formado em teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Atualmente, Adalto Lourenço atua também como pesquisador responsável em Sistemas de Imagem de Estruturas Atômicas e na área de nanotecnologia no Oak Ridge National Laboratory, (Tennessee, EUA). Ele também é membro da Sociedade Americana de Física e pesquisador no Max Planck Institut für Strömungsfurchung (Göttingen, Alemanha) na área de troca de energia entre superfícies metálicas e gases.

O circuito de palestras sobre criacionismo, com Adalto Lourenço, acontece neste sábado e domingo, 19 e 20 de janeiro, em três locais com temas diferentes:

Primeira palestra

Tema: Defendendo a fé bíblica dentro do contexto científico do século XXI
Sábado, 19, às 17 horas, na Igreja Adventista de Maringá.
Av. 15 de Novembro, 845 – Maringá, PR

Segunda palestra

Tema: O Dilúvio em Gênesis – mito ou fato histórico?
Domingo, 20, às 9h30, na Igreja Batista Ebenézer
Rua Romário Martins, 270 – Centro – Nova Esperança, PR

Terceira palestra

Tema: Criacionismo bíblico: Gênesis 1 e 2 – a mão de Deus na Criação
Domingo, 20, às 20 horas, na Primeira Igreja Presbiteriana Renovada de Maringá
Av. Tamandaré, 975 – Centro – Maringá, PR.

 

Fonte: Gospelprime.

A Atlântida e a migração para as Américas após o período do gelo

Ao longo destes anos, tenho investigado alguns relatos históricos e evidências arqueológicas relativos ao período pós-diluviano, inclusive tenho apresentado algumas dessas evidências em minhas palestras. No livro Revisitando as Origens, mais especificamente no capítulo intitulado A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica, encontram-se os seguintes dados quanto ao início e à duração da época do gelo: “De acordo com o naturalista Harry Baerg, ‘a formação e o desaparecimento dos lençois de gelo devem ter ocorrido entre o tempo do dilúvio e o começo da história registrada’. É, portanto, razoável admitirmos que o início da idade do gelo coincida com a história da Torre de Babel, construída no vale do Sinar (atual Iraque) entre 100 e 130 anos após o dilúvio. E o que dizer da Bíblia? Existem relatos bíblicos sobre essa época do gelo? Podemos perceber na narrativa do livro de Jó, nos capítulos 6:16; 38:22, 29 e 30, um clima mais frio no princípio da história bíblica, datado entre 300-500 anos após o dilúvio.

“De acordo com os cálculos feitos pelo mestre em Ciências Atmosféricas Michael Oard, a época do gelo pode ter durado menos de mil anos, mais especificamente 500 anos de acúmulo de gelo e 70 anos para derreter as camadas ao longo da borda, e cerca de 200 anos no interior do Canadá e da Escandinávia. Existem evidências históricas relativas ao ano 1454 a.C. em que Partholan, líder do segundo grupo a conquistar a Irlanda, teria desembarcado nessa região e registrado o número de lagos e rios existentes. Pouco tempo depois, na segunda colonização, havia um número bem maior de lagos e rios. Provavelmente, os registros irlandeses antigos evidenciaram o derretimento das camadas de gelo do norte europeu. Segundo Ussher, o dilúvio ocorreu em 2348 a.C. Portanto, a era glacial teria terminado mil anos após a grande inundação” (Alves, 2018, p. 74, 75).

Ao compararmos as evidências bíblico-científicas acima com registros da cultura de povos pré-colombianos, percebemos que as peças vão se encaixando nesse enorme quebra-cabeça acerca de nossas origens. O problema é que pesquisas nos registros originais dessas culturas têm sido pouco valorizadas em nossos dias. Porém, aceitamos o desafio e estamos trazendo para você, leitor, alguns relatos que dificilmente você encontraria, tanto na língua inglesa quanto na língua portuguesa.

Aparentemente, parte da imigração para a América aconteceu por meio dos descendentes de Cam durante o segundo milênio, devido a alterações climáticas, passando por ilhas no Atlântico que devem ter submergido durante ou após o derretimento dos glaciais no norte, ao fim da época do gelo.

Por que descendentes de Cam? Alguns anos atrás, durante uma pesquisa sobre os antigos povos celtas da Irlanda, nos deparamos com um texto que chamou nossa atenção no livro AD 500: A journey Through the Dark Isles of Britain and Ireland:

“Por muito estranho que possa soar, seus sábios insistem que os Celtas chegaram à Irlanda, em épocas passadas, ao final de uma grande jornada que se iniciou na Ásia e passou pela terra das pirâmides.” (Young, 2006, p. 67).

Textos como esse nos deram uma noção de quanto as migrações poderiam ter se estendido, após o dilúvio, na Europa e no mundo a partir da Ásia. Mas será que teriam razão os antigos celtas da Irlanda?

Já nos séculos 15 e 16, pesquisadores percebiam as grandes migrações que ocorreram nos primeiros séculos da história conhecida/registrada, inclusive mencionando literalmente Cam:

“Observa-se que Cam e seus descendentes foram os únicos que viajaram e se espalharam por diversas regiões desconhecidas, pesquisando, explorando e se estabelecendo nelas” (Hogen, 1971, p. 262).

Porém, temos alguma prova de que essas migrações aconteceram? O autor Bill Cooper, em seu livro Depois do Dilúvio, menciona algo sobre a origem do povo chamado Mizraim, que habitou a região do Egito:

“Mizraim: nome do povo que se localizou no Egito. Os modernos israelenses ainda usam esse nome para aquele país. O nome está preservado como Msrm nas inscrições ugaríticas; como Misri nos tabletes de Amarma, e nos registros assírios e babilônicos respectivamente como Musur e Musri. Os árabes modernos ainda o conhecem como Misr” (Cooper, 2008, p. 152).

Mas quem era esse povo, Mizraim? O mesmo autor nos dá a reposta e apresenta uma tabela mostrando a genealogia de Cam. Assim, respondemos à pergunta: “Será que essa convicção dos antigos celtas da Irlanda estaria certa?”, com outra: “Há alguma outra fonte histórica que registre a rota de migração do Egito para a Europa?”

No Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile, do autor Andrés Diego Rocha, vemos a seguinte declaração:

“O rei Osíris, senhor do Egito, que alguns dizem ser este neto de Noé, e que viveu cerca de […] veio do Egito (para a Espanha) e matou a Gerion em uma batalha junto a Tarifa, e alguns dizem que Osíris seguiu governando a Espanha durante muito tempo. No tempo em que viveu Osíris parece que começaram a vir para esta América passando pela ilha da Atlântida” (Rocha, 1891, p. 141-142).

Em que ano teria vivido Osíris, e de que forma o ano em que viveu estaria relacionado com o período da época do gelo? Sobre esse personagem, Osíris, encontramos o seguinte comentário no livro A Torre de Babel e seus mistérios, de autoria de Guilherme Stein Jr.:

“Osíris foi um dos mais importantes deuses do Egito antigo. A origem de Osíris é obscura, não sendo certo ter sido ele inicialmente um deus local de Abydos, no Alto Egito, ou de Busíris, no Baixo Egito, ou se foi a personificação da fertilidade, ou simplesmente um herói deificado. Em torno de 2400 a.C., entretanto, Osíris desempenhava um duplo papel – era ele tanto um ‘deus da fertilidade’ quanto a personificação do ‘rei morto’” (Stein Jr., 2017, p. 63).

A data aproximada em que Osíris viveu (2400 a.C.) coincide com o fim do período do gelo mencionado no início deste texto. Ademais, podem-se encontrar relatos acerca do percurso e da passagem pelo Egito que, assim como Osíris, outros povos teriam feito antes de alcançar seu destino final.

Aliás, evidências científicas atuais reforçam o argumento de que o povo do Egito fazia com facilidade a rota transatlântica antiga, mais de 2000 anos após a criação (veremos sobre isso no próximo texto da série). Em 1992, uma pesquisa inicial alemã encontrou vestígios de cocaína em múmias egípcias, e a autora do estudo foi muito criticada. (Balabanova, Parsche e Pirsig, 1992) Em 2009, porém, outro estudo reforçou os achados prévios alemães (Musshoff, Rosendahl e Madea, 2009) Sendo que a coca é uma planta original da América do Sul, isso evidencia que os antigos egípcios já percorriam essa rota, via oceano Atlântico. (Mallette et al., 2016) Em 2016, por sua vez, um estudo encontrou novos traços de cocaína em múmias e, desta vez, anunciando a possibilidade de migração humana via rota transatlântica antiga. (Görlitz, 2016)

Isso pode ajudar a entender as possíveis rotas de migração dos povos à América antes e depois da Era do Gelo, já que existem antigos relatos de uma movimentação em direção à América do Sul, os quais são bem anteriores aos mencionados pelos historiadores modernos. A propósito, recentemente se descobriram evidências, não apenas de relatos, mas sim da arqueologia encontrada por imagens de satélites que identificaram antigos geoglifos (terraplenagem provavelmente usada para cerimônias), mostrando que a Amazônia pré-colombiana já foi uma grande metrópole que abrigou uma população muito maior do que se imaginava anteriormente, chegando-se a dezenas de milhões de pessoas. (de Souza et al., 2018; Clement, 2015) Inclusive, a distribuição dos sítios arqueológicos em potencial sugere que eles eram interconectados, vilarejos avançados e fortificados.

A seguir, temos o relato de uma antiga imigração, via transatlântica, dos povos americanos feito pelo cronista Francisco Lòpez de Gòmara, em 1555 (em espanhol antigo, mas a tradução está logo abaixo):

“Tambien dizen algunos Indios ancianos, q se llamaua Uiaracocha, que quiere dezir gralla del mar, y quer trajo su gente por la mar. Zopalla en conclusión, afirman q poblo y allendo en el Cuzco, de dõde começarõ los Yngas a guerrear la comarca, y aun otras tierras muy lejos, y pusierõ allí la filla y corte de su império” (Gòmara, 1555, Fo. 55).

Tradução:

“Também dizem alguns anciãos dos índios que ele se chamava Viracocha, que quer dizer gralha do mar, e que trouxe seu povo pelo mar. Zopalla conclui e afirma que o povo foi até o Cuzco, e de lá os incas guerrearam na comarca e ainda por terras mui longínquas, e puseram nesse lugar a corte do seu império” (Gòmara, 1555, Fo. 55).

O autor Andrés Diego Rocha, no seu livro Origen de los Indios defende a ideia de que os antigos espanhóis teriam migrado à América em tempos remotos e, assim, seu retorno em 1492 seria somente uma retomada daquilo que já lhes havia pertencido no passado. Para isso ele usa até argumentos linguísticos:

“Do que acabamos de dizer, encontram-se na língua dos índios muitas palavras semelhantes à antiga língua castelhana, tais como: Aca, alla, ama, anca, ancho, casa, cacha, cala […].” (Rocha, 1891, p. 78, 79).

E a tal ilha, chamada pelos autores de Atlântida, ficava onde? É possível que essa “ilha” tivesse sido um pequeno continente ou um grupo de ilhas no Atlântico sobre a dorsal mesoceânica. Teriam elas sido cobertas durante ou após o derretimento dos gelos do norte?

Ela não é mais mencionada após o segundo milênio antes de Cristo. Isso é evidenciado num relato feito pelo cronista Andrés Diego Rocha, quando se refere a um acontecimento durante o primeiro século, e os navegantes fenícios – um dos últimos povos a chegarem às Américas – não mencionam mais a existência dessa(s) ilha(s):

“Na época dos cartagineses, um grande argonauta chamado Hannon, e Plinio, no livro 2 de sua Historia Natural, capítulo 67, menciona as largas viagens que fez este Hannon, desde Gibraltar até o último da Arábia, passando duas vezes a Equinocial, e também menciona Arriano, de origem grega, autor antigo, no livro 8 de seu comentário, indicando que o referido Hannon fez outra navegação quase semelhante a que em nossos tempos fez Colombo, e de estas últimas navegações, escreve o padre Maluenda em seu livro De AntiCristo, livro 3, capítulo 16 e Gòmara na Historia de las Indias, na primeira parte” (Rocha, 1891, p. 21).

Conforme continua o relato, ao chegarem à América, eles comentam aspectos interessantes sobre o que viram:

“Chegaram a uma ilha muito ampla, abundante de pastagens, de grande frescura e bosques, e muito rica, irrigada por rios, delimitados por montanhas muito íngremes, tão largos e bordais que poderiam ser navegados” (Rocha, 1891, p. 22).

Notemos que o relato acima descreve “montanhas muito íngremes” – no plural -, o que nos mostra que o escrivão não estava se referindo a uma ilha, mas provavelmente aos Andes avistados pela navegação via rio Amazonas. E foi provavelmente dessa forma que aconteceu o povoamento das Américas, após o fim do período do gelo e da dispersão de Babel, não por povos primitivos e atrasados, mas sim por pessoas inteligentes, capazes de grandes construções arquitetônicas como os zigurates em forma de pirâmide.

Como foi mencionado, essa ilha chegava até às ilhas Barlovento:

“E tendo então transitado pela ilha Atlântida, que se continuava até as ilhas de Barlovento […].” (Rocha, 1891, p. 141, 142).

Essas ilhas estão localizadas na região do Caribe. Assim, temos fortes indícios de que uma das rotas naturais dos imigrantes teria sido em direção à América do Sul.

 

 

 

(texto escrito em coautoria com o pesquisador Irwin Susanibar Chavez, a quem o Everton agradece profundamente por compartilhar com ele suas pesquisas e conhecimento)

Texto originalmente publicado em 21/02/2018 no Blog Criacionismo.

Referências:

Alves, Everton Fernando. A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica. In:________. Revisitando as Origens. Maringá: Editorial NUMARSCB, 2018, p.68-78.

Balabanova S, Parsche F, Pirsig W. First identification of drugs in Egyptian mummies.Naturwissenschaften 1992; 79(5):358.

Clement CR, et al. The domestication of Amazonia before European conquest. Proc Biol Sci. 2015 Aug 7;282(1812):20150813.

Cooper B. Depois do dilúvio. 1. Ed. Brasília: SCB, 2008.

de Souza JG et al. Pre-Columbian earth-builders settled along the entire southern rim of the Amazon. Nat Commun. 2018 Mar 27;9(1):1125.

Görlitz D. The Occurrence of Cocaine in Egyptian Mummies – New research provides strong evidence for a trans-Atlantic dispersal by humans. Diffusion Fundamentals 2016; 26(2):1-11.

Gòmara, Francisco Lòpez de. La historia general de las Indias y nuevo mundo, con mas la conquista del Peru y de Mexico. Çaragoça, 1555; a abreviação “Fo. Lv” significa fólios, o livro era como pergaminhos, portanto não tinha folhas.

Hogen M. Early Anthropology in the Sixteenth and Seventeenth Centuries. Philadelphia: Univ. Pensylvania, 1971.

Mallette JR, et al. Geographically Sourcing Cocaine’s Origin – Delineation of the Nineteen Major Coca Growing Regions in South America. Sci Rep. 2016; 6: 23520.

Musshoff F, Rosendahl W, Madea B. Determination of nicotine in hair samples of pre-Columbian mummies. Forensic Sci Int. 2009 Mar 10;185(1-3):84-8.

Rocha, Diego Andrés. Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile. V. 1. Madrid: [Impr. de Juan Cayetano García], 1891. Fondo Antiguo

Stein Júnior, Guilherme. A Torre de Babel e seus mistérios. 2. Ed. Brasília: SCB, 2017.

Young, Simon. A.D. 500: a journey through the dark isles of Britain and Ireland. London: Phoenix, 2006.

Livro pioneiro sobre a Teoria do Design Inteligente é lançado no Brasil

Acaba de sair do “forno” o superlançamento, já há muito aguardado, tanto pela comunidade tedeísta (estudiosos do design inteligente) quanto pelas comunidades criacionistas e demais simpatizantes do tema, o livro Teoria do Design Inteligente, de autoria do escritor Everton Alves. O livro já era conhecido em formato digital, desde junho de 2015, na plataforma Widbook. Em pouco mais de um ano de lançamento digital, a obra já tinha atingido a marca de dez mil leituras. De lá para cá muita coisa mudou. Em seu formato impresso, a obra foi aprimorada, conteúdos foram inseridos e ilustrações foram desenvolvidas e adicionadas aos capítulos para trazer bom humor e mais prazer na leitura de um assunto que foi escrito com muita seriedade e honestidade intelectual.

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Histórias bíblicas na cultura dos povos pré-colombianos

Ao analisar os registros históricos preservados por nativos pré-colombianos percebemos que eles acreditavam em um Criador Supremo e que suas lendas registram um dilúvio global. Percebemos também que muitos detalhes des­sas lendas são estranhamente parecidos com as narrativas bí­blicas do Gênesis, sendo inevitável uma associação com as terras e os povos da Bíblia. Depois de considerar vários povos antigos, a conclusão mais plausível é a de que boa parte dos nativos americanos herdaram da cultura mesopotâmica tradições que mostram claramente sua ligação com esta cultura e ainda a relacionam com tradições hebraicas. Esta similaridade se dá não só pela semelhança das lendas nativas com as histórias bíblicas, como também por alguns rituais. A seguir, apresentaremos alguns trechos bem curiosos de registros históricos que encontramos ao longo de nossa pesquisa.

A criação do Mundo – Os nativos peruanos e andinos preservaram relatos bíblicos sobre a Criação do Mundo, Adão e Eva e sobre Noé e sua mulher: “Isto é o que contam os índios peruanos acerca de sua origem, de acordo com a lista dos autores mencionados acima. Do qual o que podemos vender por verdade é que, sem dúvida, os índios tiveram notícias da Criação do mundo e da formação de Adão, Eva, da Inundação e de Noé e sua mulher” (García, 1729, p. 334, 335).

Figura 1: Escudo inca, um símbolo que retrata e registra a origem desse povo, mostrando que eles saíram de uma montanha após o dilúvio (Fonte:Poma de Ayala, 1941).

Alguns conceitos de saúde do Éden bíblico – Aqui percebemos como os Incas viviam mais de cem anos, comiam pouca gordura e outros alimentos, e casavam tarde: “De como esses incas e demais senhores. Principais ou yns. As pessoas particularmente antigas fizeram e aumentaram sua saúde e anos de vida entre 250 e 150 anos, eles duravam tanto porque tinham uma ordem e regras de seguir e criar seus filhos. Quando garoto, não lhe deixavam comer coisa de sebo [gordura] ou nada de mel ou pimenta, sal e vinagre, nem lhe deixavam ter meninas nem dormir com uma mulher até ter cinquenta anos, nem se sangrava e se purgava [expurgava, limpava] todos os meses com três pares de bilca tauri [sementes purgativas usadas pelos Incas, feitas em líquido, usadas como medicamento oral para induzir o vômito em rituais] e misturado com macay [erva medicinal purgativa] que se tomava pela boca a metade e a outra metade se fazia enema [líquido que se introduz no ânus]; com isso, aumentaram a saúde e a vida. Até os trinta anos não tinham mulher, nem marido, nem cargo e, assim, tinham grande força para guerrear” (Poma de Ayala, 1941, p. 118, 119).

Figura 2: Capa do livro El Primer Nueva Corónica y Buen Gobierno, de uma edição de 2011, porém o desenho é o mesmo da versão original (Fonte: Poma de Ayala, 1941).

Alimentação apenas duas vezes ao dia – Isolados na América, alguns grupos mantiveram os costumes após o dilúvio. A refeição principal era a da parte da manhã e sucos e líquidos durante todo o restante do dia e um lanche no meio da tarde, exatamente como aconselha a escritora norte-americano Ellen White: “Como isso era conhecido, o Atabalipa pediu que lhe dessem de comer, e ele ordenou que todo seu povo fizesse o mesmo. Eracostume comer pelas manhãs, e assim todos os nativos desse reino. Os Senhores, depois de ter comido, como digo, passavam o dia todo bebendo até a noite que comiam poucas coisas (Pizarro, 1917, p. 31).

Leis do Antigo Testamento – No trecho a seguir, extraído do livro Historia General del Perú, pode-se perceber semelhanças entre as leis dos Incas e a lei de Levítico: os incas não comiam sangue: “Que os da cidade de Cuzco de forma alguma comessem sangue ou qualquer coisa feita dele. Os leprosos e aqueles que eram porcos, sujos e nojentos, que os expulsassem do meio do povo, para que não contaminassem a outros, e o mesmo para aqueles que tinham enterrado algum falecido em sua casa. Ele ordenou que aqueles que derramassem a semente genital [esperma] fossem expulsos da cidade por um mês e, no início do outro mês, retornassem à cidade e que o pontífice ou o feiticeiro fizessem sacrifícios por ele e ou o que estivesse dormindo houvesse feito o mesmo, e primeiro entrassem desnudo em água fria e se lavasse. Que as mulheres tivessem ou andassem com companhia e vivessem honestamente. Os senhores ou ricos poderiam ter quantas quisessem e pudessem sustentar desde que fosse com o consentimento do Inca” (De Murúa, 1962, [Fol. 247], p. 90).

Neste trecho é possível perceber que, mesmo antes dos hebreus, o sangue tinha significado: “Os pontífices e os sacerdotes das huacas [santuário, templo] sacrificavam e ofereciam uns carneiros, que tinham dedicado para esse fim [sic], branco, sem mancha ou defeito [sic] qualquer” (De Murúa, 1962, [Fol. 256], p. 104).

Notamos também que eles vieram à América logo depois do dilúvio, centenas de anos antes de Abraão. Naquela altura, a lei já estava estabelecida (seja oral ou escrita) e podemos notar isso por meio da sua guarda do sábado: “Quanto ao terceiro preceito de santificar o sábado, eles tinham suas festas em dias designados, nos quais faziam grandes sacrifícios, e eles descansavam, particularmente no Peru. Os índios Totones, que são da Nova Espanha, estavam obrigados a ir ao Templo no sábado, à cerimônia que acontecia lá e ao sacrifício que ofereciam aos seus deuses” (García, 1729, p. 114).

Figura 3: Capa do livro Origen de los Índios de el Nuevo Mundo, e Indias Occidentales (Fonte: García, 1729).

Torre de babel – Várias tradições similares à da Torre de Babel são encontradas na América Central. Uma em especial relacionada aos Astecas diz que Xelhua, um dos sete gigantes salvos do dilúvio, construiu a Grande Pirâmide de Cholula – na América central – para desafiar o Céu. Os deuses destruíram-no com fogo e confundiram a linguagem dos construtores. No livro Ophiolatreiavemos o seguinte:

“Quando as águas diminuíram, um dos gigantes, chamado Xelhua, apelidado de ‘Arquiteto’, foi a Cholula, onde, como memorial do Tlaloc, que serviu para um asilo para si e para seus seis irmãos, ele construiu uma colina artificial em forma de uma pirâmide. Ele ordenou que os tijolos fossem feitos na província de Tlalmanalco, ao pé da Serra de Cecotl, e, para carregá-los até Cholula, ele colocou uma fila de homens que os passou de mão em mão. Os deuses viram, com ira, um edifício cujo topo chegava às nuvens. Irritado pela tentativa atrevida de Xelhua, lançaram fogo na pirâmide [na tradição asteca seriam meteoritos ‘que haviam caído do céu envolvidos em uma bola de fogo’]. Numerosos trabalhadores morreram. O trabalho foi interrompido e o monumento foi depois dedicado para Quetzalcóatl” (Jennings, 1889, p. 63).

Figura 4: Segunda Edad. (vida no segundo milênio após o dilúvio). É curioso que as construções de pedra já estavam em pé. Isso significa que as construções megalíticas não foram obra dos Incas (Fonte: Poma de Ayala, 1941).

Uma inscrição original em Nahuatl, a língua asteca, que havia sido escrita pelo escriba nativo, abaixo de uma ilustração nativa encontrada no templo de Cholula, dizia: “Nobres e senhores, aqui vocês têm seus documentos, o espelho do seu passado, a história de seus antepassados, que, fora de medo de um dilúvio, construiu este lugar de refúgio ou asilo para a possibilidade de recorrer a tal calamidade” (Nuttall, 1901, p. 269).

Outro relato, atribuído pelo historiador nativo Fernando de Alva Cortés Ixtilxochitl aos antigos Toltecas, diz que depois de os homens terem se multiplicado após um grande dilúvio, eles erigiram um alto zacuali ou torre, para se preservarem no caso de um segundo dilúvio. Contudo, as suas línguas foram confundidas e eles foram para diferentes partes da terra (Ixtilxochitl, 1640).

O Sol “parou” por mais de 20 horas – Josué 10:12-14 relata um episódio que teria acontecido cerca de 1400 a.C.: “No dia em que o Senhor entregou os amorreus aos israelitas, Josué exclamou ao Senhor, na presença de Israel: ‘Sol, pare sobre Gibeom! E você, ó Lua, sobre o vale de Aijalom!’ O Sol parou, e a Lua se deteve, até a nação vingar-se dos seus inimigos, como está escrito no Livro de Jasar. O Sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs.” 

O incidente, cuja singularidade é reconhecida na Bíblia (“Não existiu nenhum dia como esse, antes ou depois”), ocorreu do outro lado da Terra, em relação aos Andes situado na América do Sul, descrevendo um fenômeno oposto, mas complementar astronomicamente ao que ocorrera no Peru. Ao contrastarmos os dois relatos, percebemos que, em Canaã (Oriente Médio), o Sol não se pôs por cerca de vinte horas; nos Andes, o sol não se levantou pelo mesmo período de tempo (Sitchin, 1990).

Segundo Montesinos, quando “os bons costumes foram esquecidos e as pessoas se entregaram a todos os tipos de vícios”, houve um dia em que “não houve aurora por vinte horas” (Montesinos, 1882). Em outras palavras, a noite não terminou no horário de sempre e o nascer do sol foi adiado durante vinte horas. Depois de grande comoção, confissões de pecados, sacri­fícios e orações, o sol finalmente apareceu. No livro Memorias Antiguas Historiales y Políticas del Perú, encontra-se a seguinte citação: “Nos tempos do rei Titu Yupanqui Pachacuti “dizem os antigos amautas, e estes aprenderam com seus patriarcas e preservaram na memória pelos seus quipos [sistema binário ou código de leitura] para eterna memória, que o sol se cansou de caminhar e se escondeu dos vivos, e como castigo sua luz sumiu por mais de vinte horas. Os índios gritaram chamando a seu pai o Sol; fizeram grandes sacrifícios para acalmá-lo, oferecendo muitos cordeiros e donzelas e moços, e quando saiu a luz do Sol após as horas mencionadas, lhe agradeceram pelas bênçãos recebidas” (Montesinos, 1882, p. 57, 58).

Figura 5: Um Amauta usando um “quipu”; embora o desenho seja o da versão original, esta imagem foi retirada de uma reedição de 2011 (Fonte: Poma de Ayala, 1941).

Houve muitas interpretações desse fenômeno por cientistas. Em um estudo recente, os pesquisadores atribuíram o evento a um eclipse, aliás acreditam que podem ter identificado a data do mais antigo eclipse solar já registrado. (Humphreys e Wadington, 2017) De acordo com eles, “essa interpretação é apoiada pelo fato de que a palavra hebraica traduzida como ‘parado’ tem a mesma raiz que uma palavra babilônica usada em textos astronômicos antigos para descrever os eclipses”. Eles sugerem que o evento tenha ocorrido no dia 30 de outubro de 1207 a.C. – exatamente 3.224 anos atrás. Para tanto, os pesquisadores da Universidade de Cambridge usaram uma combinação de texto bíblico e texto egípcio antigo para entender a data do suposto eclipse solar.

Em outro estudo, com base em dados obtidos da Nasa, cientistas da Universidade Ben-Gurion do Neguev, em Berbesá, Israel, descobriram não apenas que o relato bíblico descrito em Josué 10:12-14 realmente aconteceu, como também, segundo eles, o dia e a hora exatos do fenômeno (Yitzchak, Weistaub e Avneer, 2017). A equipe de cientistas, chefiada pelo Dr. Hezi Yitzhak, também interpretou o acontecimento como sendo um eclipse, e que ele teria acontecido exatamente em 30 de outubro de 1207 a.C., às 16h28.

Para tanto, os pesquisadores interpretaram a palavra hebraica “dom” como “tornou-se escura” em vez do que tradicionalmente significava como “ficar parado”. Com base nos dados obtidos, eles descobriram que apenas um eclipse aconteceu entre os anos 1500 e 1000 a.C., o que coincide com a chegada dos israelitas ao local onde ocorreu a batalha descrita na Bíblia. Os resultados desse estudo foram publicados na revista Beit Mikra: Journal for the Study of the Bible and Its World.

Para mim, esse fenômeno não pode ter sido um eclipse, porque nenhum eclipse dura tanto tempo. Além disso, os povos incas tinham conhecimento de tais eventos periódicos. A história não diz que o Sol desapareceu. Apenas afirma que “não houve aurora” por vinte horas. Foi como se o Sol, onde quer que tenha se escondido, tivesse parado.

 

Texto escrito em coautoria com o pesquisador Irwin Susanibar Chavez, a quem o Everton agradece profundamente por compartilhar com ele suas pesquisas e conhecimento.

Texto originalmente publicado em 11/02/2018 no Blog Criacionismo.

 

Referências:

De Murúa, Martín. Historia general del Perú, origen y descendencia de los incas. Vol. 1. Colección: Fondo Antiguo – Aurelio Miró Quesada. Madrid: Impr. Don Arturo Gongora, 1962.

García, Gregorio. Origen de los indios de el Nuevo Mundo, e Indias Occidentales. Segunda Edición. Colección: Fondo Antiguo. Madrid: En la imprenta de F. Martinez Abad, 1729. 336p.

Humphreys, Colin; Wadington, Graeme. Solar eclipse of 1207 BC helps to date pharaohs. Astronomy & Geophysics 2017; 58(5):5.39–5.42.

Ixtilxochitl, Fernando de Alva Cortés. Historia Chichimeca. 1640.

Jennings, Hargrave. Ophiolatreia: An Account of the Rites and Mysteries Connected With the Origin, Rise and Development of Serpent Worship. Capítulo 6. Privately Printed, 1889. 103p. Disponível em: https://archive.org/details/ophiolatreiaacco00nppr

Montesinos, Fernando de. Memorias antiguas historiales y políticas del Perú. Madrid : Impr. de M. Ginesta, 1882. 259p.; esta primeira obra foi copiada de um manuscrito do ano 1644 que se encontra na biblioteca da Universidade Sevilla e cujo título é: “Ophir de España; mémorias historiales políticas del Pirv…”.

Nuttall, Zelia. The Fundamental Principles of Old and New World Civilizations. Vol. 2. Cambridge, Mass.: Peabody Museum of American archaeology and ethnology, 1901. 602p. Disponível em:https://archive.org/stream/fundamentalprin02nuttgoog#page/n14/mode/2up

Pizarro, Pedro. Descubrimiento y conquista del Perú, seguida de la relación sumaria acerca de la conquista por el Padre Fr. Luis Naharro, de la Orden de la Merced. Lima: Impr. y Libr. Sanmartí y Cía., 1917. 213p. Colección: Fondo Antiguo – Porras Barrenechea.

Poma de Ayala, Felipe Guamán. El Primer nueva corónica y buen gobierno. (1615/1616). Colección:      Fondo Antiguo.          La Paz: Instituto Tihuanacu de Antropología, Etnografía y Prehistoria, 1941. 1169p.

Sitchin, Zecharia. The Lost Realms. Livro 4 da série de Crônicas da Terra. Harper Collins, 1990, 298p. Capítulo 7 “o dia em que o Sol parou”.

Yitzchak, Hezi; Weistaub, Daniel; Avneer, Uzi. A sun in Gibeon, and a moon in the valley of Ayalon — Solar eclipse occurred on October 30, 1207 BC? Beit Mikra: Journal for the Study of the Bible and Its World 2017; 62(1):196-238. Disponível em: http://www.boker.org.il/meida/negev/desert_biking/personal/BM_61-2_196_238.pdf

Existia um único supercontinente antes do dilúvio?

Muitas pessoas têm curiosidade acerca da origem dos continentes. O planeta antes do dilúvio possuía ou não apenas um continente, o que atualmente os cientistas chamam de Pangeia? Este tema realmente é complexo e tem suscitado dúvidas entre os nossos leitores. Essas dúvidas foram, então, sintetizadas na forma de cinco questões norteadoras para a realização dessa entrevista concedida pelo geólogo e professor Dr. Marcos Costa à Origem em Revista.

Marcos Natal de Souza Costa é bacharel em Geologia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Mestre em Geologia Econômica também pela UFMG, onde estudou a aplicação de isótopos estáveis na pesquisa de depósitos de ouro. É Doutor em Geologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP, também na área de Geologia Econômica, mas desta vez relacionada a minerais industriais. Trabalhou por 12 anos como geólogo prospector pesquisando áreas potenciais para depósitos de ouro. Está há 17 anos no Centro Universitário Adventista de São Paulo – UNASP dando aulas de Geologia, Paleontologia, Levantamento de Recursos Naturais e Ciência e Religião, além da coordenação do Núcleo de Estudo das Origens – NEO. Também é membro do Geoscience Research Institute Committe – GRICOM, comitê ligado à Conferência Geral da IASD, responsável pelo planejamento de estratégias e ações visando a expansão do criacionismo em todo mundo. Além disso, Dr. Marcos Natal é novo Presidente eleito da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) para o ano de 2018.

  1. Explique-nos o que é o Rodínia? Quando ele provavelmente teria sido formado?

De acordo com a geologia convencional Rodínia foi um supercontinente formado na passagem do Mesoproterozóico para o Neoproterozóico, há cerca de 1 bilhão de anos, tendo se fragmentado em torno de 750 milhões de anos. Alguns geólogos acreditam que Rodínia deu origem a outro supercontinente chamado Panótia, mas os dados não são conclusivos. Rodínia teria presenciado pelo menos duas glaciações, a Marinoana e a Sturtiana, ambas no Neoproterozóico. A identificação de glaciações no registro geológico é feita através de analogias com ambientes glaciais modernos, entre elas a presença de sulcos e pavimentos polidos e estriados formados durante o movimento dos mantos de gelo sobre o substrato rochoso. Os sedimentos acumulados nas geleiras dão origem a rochas denominadas tilitos e diamictitos. Estas são rochas sedimentares formadas por clastos e fragmentos de rochas pré-existentes de granulação variada, imersos em uma matriz areno-argilosa ou lamosa, semelhantes aos sedimentos observados nas geleiras atuais.

Do ponto de vista criacionista seria possível relacionar Rodínia com a porção seca mencionada no livro de Gênesis (Gn 1:9,10). Entretanto, isto deve ser feito com cuidado para não se confundir com outras colisões observadas no Pré-cambriano e que também deram origem a outros supercontinentes. O Pré-cambriano é uma parte importante do registro geológico não muito explorada na literatura criacionista. Vez e outra ouvimos dizer que o Pré-cambriano é formado por rochas cristalinas de composição granito-gnáissica. Nada mais equivocado. Os terrenos pré-cambrianos são muito diversificados e de geologia complexa devido a predominância do metamorfismo. Além das rochas graníticas, um conjunto variado de bacias sedimentares com características peculiares é observado desde a sua base, no Arqueano até o final, no Proterozoico. Este conhecimento tem implicações importantes para o dilúvio bíblico, pois em determinados locais é praticamente impossível identificar a transição do Pré-cambriano para o Fanerozoico, porção da coluna geológica situada logo acima e dividida nas eras paleozoica, mesozoica e cenozoica.

  1. Em que período do dilúvio a Pangeia foi formada? E onde, nesta perspectiva, podemos encaixar a Laurásia Gondwana?

Ainda segundo a geologia convencional, Pangeia foi um supercontinente formado entre 300 Ma a 250 Ma, no final do Paleozoico, através da colisão de blocos continentais menores, estando cercado em todos os lados pelo grande oceano Pantalassa. Pangeia manteve-se íntegro até o Jurássico, quando começou a se fragmentar, primeiramente em dois grandes blocos, Laurásia e Gondwana, formando entre eles o mar de Tétis (hoje Mar Mediterrâneo). Em seguida, no Cretáceo, Gondwana se fragmenta, originando os continentes que conhecemos hoje.

Boa parte dos cientistas criacionistas considera o Fanerozoico como produto da sedimentação ocorrida durante o dilúvio. Neste cenário, a formação e fragmentação de Pangeia teria ocorrido aproximadamente no meio da grande inundação. As bacias sedimentares paleozoicas, que corresponderiam às partes iniciais do dilúvio, teriam se formado quando os blocos continentais que deram origem à Pangeia (Laurásia e Gondwana) ainda estavam separados. O Cenozoico, situado na porção superior da coluna geológica, constituiria a sedimentação ocorrida após o dilúvio, o que já é um consenso entre a maioria dos criacionistas.

Entretanto, há outros cientistas criacionistas que consideram a maior parte dos sedimentos depositados durante o dilúvio como equivalente à Era Mesozoica. Neste cenário, os sedimentos da Era Paleozoica, na sua maior parte, seriam pré-diluvianos, ou seja, teriam depositado entre a semana da criação e o dilúvio. No livro Understanding Creation traduzido para o português como Mistérios da Criação e publicado pela Casa Publicadora Brasileira em 2013, o Dr. Roberto Biaggi escreve:

“Tem-se proposto que a coluna geológica se formou como resultado de um evento catastrófico único. No entanto, agora sabemos que o registro geológico é muito mais complexo do que um único evento poderia produzir. Com base nos dados, um cenário razoável sugere que parte da porção inferior do registro consiste de rochas anteriores ao dilúvio global, as quais não chegaram a ser completamente alteradas ou erodidas pela catástrofe. Da mesma maneira é muito provável que uma porção superior da sequência represente os estratos e os processos que ocorreram após o dilúvio. Desta maneira, uma quantidade significativa de atividade geológica estaria representada em rochas pré-diluvianas e pós-diluvianas.”

Quando o Dr. Biaggi afirma que “o registro geológico é muito mais complexo do que um único evento poderia produzir”, ele está se referindo, mais apropriadamente, ao registro sedimentar do Fanerozoico. Segundo ele, é bem plausível que parte das bacias sedimentares, mais especificamente as do Paleozoico, teriam se formado antes do dilúvio. Isto faz certo sentido porque é difícil imaginar que no período de cerca de 2.500 anos entre a semana da criação e o dilúvio não houvesse a formação de nenhum depósito sedimentar, por menor que seja. Este modelo explicaria mais facilmente a formação e fragmentação de Pangeia no início do dilúvio, o que na geologia padrão corresponderia ao final da Era Paleozoica.

Sobre os continentes, o que teria ocorrido no episódio do dilúvio teria sido a fragmentação de Pangeia, dando origem aos continentes que conhecemos hoje. Sobre Rodínia, como mencionamos, ele teria sido formado na semana da criação em função dos atos criativos de Deus. A geologia ainda não tem dados suficientes sobre o que ocorreu com Rodínia até a formação de Pangeia. Ele poderia ter se fragmentado em vários núcleos continentais menores ou não. Sabemos que houve orogenias no Paleozoico como a Apalachiana e a Uraliana e o entendimento destes fenômenos é um ponto importante nos modelos criacionistas. Por outro lado, os 2.500 anos que separam um supercontinente do outro não seria um tempo absurdamente curto para o desmembramento do primeiro e configuração do segundo e o processo através do qual isto ocorreu não seria necessariamente catastrófico, como no caso do dilúvio. Um melhor entendimento da tectônica global em termos criacionistas pode trazer maiores esclarecimento sobre o assunto.

  1. Quais as evidências científicas geológicas da formação da Pangeia?

O mecanismo responsável pela formação de Pangeia e de outros continentes é a tectônica de placas. Dois processos são importantes neste contexto, a expansão do assoalho oceânico, que dá origem aos limites divergentes de placas tectônicas e a colisão de blocos continentais, que formam os limites convergentes. Um terceiro limite, denominado limites transformantes ou conservativos ocorre quando uma placa desliza em relação a outra. O exemplo mais típico é a Falha de San Andreas na Califórnia, onde a placa Norte Americana desliza tangencialmente à placa do Pacífico, sendo responsável por terremotos devastadores naquela região. Os limites convergentes compreendem três tipos de colisões: colisão continente-oceano, colisão oceano-oceano e colisão continente-continente. Estas colisões deixam cicatrizes profundas na crosta terrestre, denominadas suturas. Estas suturas constituem cinturões dobrados e muito deformados, com imbricamento de rochas de natureza diversa, inclusive restos de crosta oceânica. Os Himalaias, por exemplo, correspondem a uma colisão do tipo continente-continente, os Andes, a uma colisão do tipo continente-oceano e o arquipélago japonês a uma colisão do tipo oceano-oceano.

No caso de Pangeia, por se tratar de um bloco continental mais antigo, parte destas estruturas foram erodidas e deixaram suas marcas no substrato rochoso. Assim, no decorrer da Era Paleozoica, a acreção de pequenos blocos litosféricos resultou em diversos movimentos orogênicos, entre eles a Orogenia Apalachiana (colisão entre Laurentia e Gondwana), observada atualmente na costa oriental da América do Norte, do Canadá ao sudeste dos Estados Unidos e a Orogenia Uraliana correspondendo à colisão do bloco da Sibéria com Laurêntia, hoje observado principalmente nos Montes Urais, entre Europa e Ásia. Em geologia, o termo orogenia se refere ao conjunto de processos responsáveis pela formação de montanhas.

  1. No modelo criacionista, quando ocorreu a deriva continental?

Se considerarmos o primeiro cenário, em que o Fanerozoico compreenderia todos os sedimentos depositados durante o dilúvio, a fragmentação de Pangeia teria ocorrido no final do Paleozoico, ou seja, aproximadamente no meio da grande inundação. Se considerarmos o segundo cenário em que os sedimentos diluvianos se depositaram a partir do final do Paleozoico até o Mesozoico, então a fragmentação de Pangeia teria ocorrido no início do dilúvio.

  1. Muitos criacionistas assumem que a deriva ocorreu nos dias de Peleg (120 anos após o dilúvio). Isso tem respaldo bíblico ou geológico?

Eu particularmente não acredito nesta hipótese. Seria distorcer muito o texto bíblico. Para os criacionistas, a deriva continental, cujo mecanismo principal foi a tectônica de placas, consistiu em um evento catastrófico de dimensões e consequências globais, envolvendo erupções vulcânicas de grande porte, terremotos avassaladores, tsunamis, etc, o que certamente provocaria inundações sem proporções e destruição em massa, tanto de seres humanos quanto dos demais seres vivos. Isto, com certeza, deixaria um registro facilmente reconhecido tanto pela geologia como pela arqueologia.

Entrevista originalmente publicada em 30/11/2017 na Origem em Revista.

O que os cientistas criacionistas entendem por “ciência”?

Para entendermos esse tema, de interesse dos leitores, entrevistei o mestre em Astrofísica Eduardo Lütz, membro e palestrante oficial da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) e editor da Origem em Revista, a fim de entendermos com maiores detalhes esse tema tão importante.

Everton Alves: “O que os cientistas criacionistas entendem por ‘ciência’?”

Eduardo Lütz: O termo ‘teoria científica’ tem sido utilizado de duas formas:

1) No conceito mais popular, trata-se de hipóteses sobre temas de interesse acadêmico.

2) No conceito um pouco mais acadêmico, trata-se de um modelo ou framework conceitual.

A “teoria sintética da evolução” é uma teoria no segundo sentido, acadêmico-popular. Mas não se baseia sequer na metodologia de Aristóteles, que muitos chamam de método científico, embora contenha elementos baseados em observações e se façam pesquisas científicas de verdade em alguns ramos dessa área.

O objetivo não é desmerecer o ‘evolucionismo’, pelo contrário, é mostrar que a nova geração de cientistas deve retornar ao antigo conceito de ciência seguido pelos próprios pais da ciência (Galileu, Kepler, Newton…). Em evolução, também se desenvolvem modelos científicos (matemáticos). Mas eles ainda não atingiram massa crítica para derrubar alguns dogmas mais importantes. Ainda tratam de questões periféricas, como dinâmica de populações, por exemplo. Nessa área, é muito útil expressar leis como algoritmos para ser usados em simulações de computador.

Já no conceito de ‘teoria científica’ compatível com o dos pioneiros da ciência, o qual nós cientistas criacionistas fazemos uso, uma teoria científica é “um conjunto de leis expressas em linguagem formal (matemática) juntamente com os infinitos teoremas demonstráveis a partir delas.”

Atualmente, podemos encontrar mais de uma definição de ‘ciência’ e diferentes abordagens de pesquisa. Fique atento, pois elas não são todas igualmente confiáveis.

Resumo curto da versão de ‘ciência’ dos pioneiros:

1) Deus criou tudo usando Matemática. Portanto, métodos matemáticos são necessários para entendermos mais profundamente o que Deus criou.

2) Se agruparmos os métodos por nível de eficiência (ex.: teorias com alta precisão e exatidão, expressáveis em poucos símbolos), encontraremos duas grandes famílias:

a) abordagens conceituais (pesquisadores confiando na própria genialidade e organização); pesquisa comum, sem pretensão de ser científica; pesquisa usualmente chamada de científica, mas baseada em linhas filosóficas;

b) pesquisas, frameworks, teorias e modelos que usam explicitamente e intencionalmente métodos matemáticos.

A eficiência de “b” é infinitamente maior (isso é literal, não é hipérbole) do que a de “a”. Em outras palavras, se usarmos “b” para definir ciência, chegaremos essencialmente ao mesmo conceito dos pioneiros.

Nesse sentido, entendemos “ciência” como sendo um conjunto infinito de métodos matemáticos, os quais se podem usar em todas as áreas (mas nem todo método é bom para tudo), tanto na pesquisa experimental/observacional quanto na pesquisa teórica (framweorks, teorias e modelos matemáticos).

Porém, devemos atentar que existe mais de uma definição e que existem correntes que lidam com a pesquisa usando métodos mais confiáveis ou menos confiáveis. Por exemplo, as chamadas ciências históricas tipicamente possuem mais dificuldades de conferir conclusões do que as que permitem observação direta.

Quando a definição de ciência é menos rigorosa, os métodos tendem a ser menos rigorosos também. Tomemos como exemplo, o conceito de “teoria científica” apresentado pela Academia Nacional de Ciências dos EUA (National Academy of Sciences, NAS):

“uma explicação bem fundamentada de algum aspecto do mundo natural que pode incorporar fatos, leis e hipóteses testadas”.[1]

“uma explicação detalhada de alguns aspectos da natureza, que é apoiada por um vasto conjunto de evidências”.[2]

Definições como a da Academia Nacional, a rigor não especificam coisa alguma. Se você tomar a definição deles ao pé da letra, consegue encaixar praticamente qualquer coisa como sendo ciência. Esse tipo de definição é muito permissiva, o que nos leva a classificá-la como latu sensu. Nesse sentido, sempre houve ciência e nada de significativamente novo ocorreu na revolução científica. Outro exemplo é o conceito de Popper, baseado em falseabilidade. Pela definição dele, até Astrologia é ciência.

A palavra ciência também tem sido usada equivocadamente para designar áreas do conhecimento. Por isso falamos em ciências sociais, ciências da terra, etc. Mas, precisamos ter cuidado porque isso também nada tem a ver com a revolução científica ou com o uso de métodos confiáveis.

Outro detalhe que nada tem a ver com a revolução científica: o uso do protocolo aristotélico, isto é, a ideia de que o ‘método científico’ consiste naquela sequência de passos que encontramos em livros didáticos, consistindo em: observação, formulação hipóteses para explicar o que se observa, testes das hipóteses, reformulação de hipóteses se necessário, conclusões, formulação de teorias, etc. Mas isso também já era conhecido há milênios e não foi o que provocou a explosão de conhecimento que observamos nos últimos séculos.

O experimentalismo também não foi o que fez a diferença. Experimentos sempre foram feitos desde a antiguidade. Até mesmo superstições têm-se originado da experimentação. Como? Você observa que algumas pessoas que passaram por baixo de uma escada tiveram muito azar (coisas ruins aconteceram a elas). Isso não é uma constatação experimental de que passar por baixo de escada dá azar? O que faltou neste caso?

Antes da revolução científica, as pessoas observavam fenômenos, formulavam hipóteses e as testavam, mas faziam essas coisas com uma estrutura de pensamento qualitativa subordinada à Filosofia. Conclusões fisicamente absurdas eram tão fáceis de aceitar quanto as mais razoáveis.

O que estava faltando? De acordo com os pioneiros da revolução científica, o que faltava era colocar a Matemática em uma posição central. Segundo Galileu, por exemplo, Deus criou o universo usando padrões matemáticos, os quais são como caracteres com os quais foi escrito esse grandioso livro que é o universo. Se não aprendermos esses caracteres matemáticos, disse Galileu, ficaremos como que a vaguear por um labirinto escuro como se fazia até então.

Então, o que faltou na abordagem experimental do azar ao passar por baixo da escada, que mencionei? Faltou Estatística (área da Metamática) e certos cuidados que deveriam ter sido tomados os quais estão ligados à Teoria da Informação (outra área da Matemática). Faltou analisar o resultado com o auxílio de modelos matemáticos (pesquisa teórica) para ter acesso a implicações inacessíveis à intuição e para conseguir verificar o quanto essas consequências se encaixam no mundo observável.

Nesse sentido, a ‘ciência’ passa a ser entendida como “uma coleção infinita de métodos matemáticos que aprendemos ao estudar a natureza e que servem para estudá-la cada vez mais profundamente’. É como um ciclo de aprofundamento. Por exemplo, usando coisas bem acessíveis aos sentidos, como movimentos de objetos, Newton descobriu o Cálculo Diferencial, que inicialmente causou uma explosão de conhecimento na Física e que provocou uma onda de choque que afetou todas as áreas. Até as tecnologias a que temos acesso hoje são consequências de conseguirmos expressar leis físicas como equações diferenciais, graças ao Cálculo Diferencial. O Cálculo diferencial abriu as portas ao princípio da ação mínima, que abriu as portas a todas as leis da natureza.

Pesquisadores de áreas como Química, Biologia, Psicologia, Sociologia, Letras, etc., usam frequentemente conceitos (geralmente pensando que são exclusivos de suas áreas) que foram descobertos e aprofundados graças ao Cálculo Diferencial. Só para citar uns poucos exemplos na Química: entalpia, energia de ativação, entropia, energia livre de Gibbs, orbital, números quânticos, ligação covalente, estado metaestável, etc. E o Cálculo é só um dos infinitos métodos matemáticos que temos à disposição, a maioria dos quais nada tem a ver com números (o Cálculo tem).

Portanto, para finalizar, devemos ter em mente que o que as pessoas chamam de ciência hoje em dia não tem nada a ver com a revolução científica e muito menos com a explosão de conhecimento que observamos nos últimos séculos. Por isso, costumamos chamar isso de ciência latu sensu, ciência humana ou até de falsa ciência.

É do nosso interessa que tanto criacionistas quanto evolucionistas utilizem cada vez mais métodos matemáticos. Isso ajuda a eliminar uma série de ideias de ambos os lados que são apenas ruídos e não agregam conhecimento real. Nesse sentido, hipóteses inconsistentes, por exemplo, seriam descartadas mais cedo. Com metodologia não científica, só podemos lidar com o que nossa intuição consegue acompanhar. Conclusões inacessíveis à intuição podem ser atingidas e aprofundadas quando nos baseamos no conceito de ‘ciência’ stricto sensu, como a dos pioneiros, que utilizavam métodos matemáticos.

Texto publicado originalmente em 16/11/2017 no site da Origem em Revista.

Referências

[1] Science and Creationism: A View from the National Academy of Sciences. 2. Ed. Washington, DC: The National Academy Press, 1999. Disponível em: https://www.nap.edu/catalog/6024/science-and-creationism-a-view-from-the-national-academy-of

[2] Science, Evolution, and Creationism. Washington, DC: The National Academies Press, 2008. Disponível em: https://www.nap.edu/catalog/11876/science-evolution-and-creationism

Núcleo de estudos criacionista será inaugurado em Blumenau-SC

Nos dias 6 a 7 de outubro acontece, na cidade de Blumenau, a I Jornada Criacionista do Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB).  O evento tem o objetivo de fundar o terceiro núcleo de estudos da SCB e assim iniciar suas atividades de divulgação do criacionismo no estado de Santa Catarina. O criacionismo é uma interpretação alternativa da natureza a partir da cosmovisão bíblica nas discussões acadêmicas sobre a origem da vida. Serão dois dias de muita informação abertos a toda a comunidade, com palestras de cientistas e pesquisadores do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB).

PALESTRAS
06/09 (19:30) – O Criador e o Método Científico

Com o Dr. Agrinaldo Jacinto do Nascimento Júnior, Químico, professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR), e Diretor-Presidente do Numar-SCB.

07/09 (09:30) – Um panorama sobre as atividades criacionistas no Brasil

Cofundador e editor associado da Origem em Revista e Diretor Executivo do NBLU-SCB.

07/09 (10:30) – Evidências bíblicas do Dilúvio

Com Everton Alves, escritor e divulgador de ciências.

07/09 (16:00) – Mitos sobre a Evolução dos Dinossauros

Com Everton Alves, escritor e divulgador de ciências.

MAIS SOBRE O EVENTO

O Simpósio está sendo organizado pelo Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB) e conta com o apoio Da Sociedade Criacionista Brasileira, com sede em Brasília/DF, e do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB). O evento contará com certificação emitida pelo NBLU-SCB.

De acordo com o MSc. Emerson Lubitz, professor do Departamento de Engenharia Civil da FURB e diretor-presidente do NBLU-SCB,

“a I Jornada Criacionista de Blumenau é o evento inaugural do recém-formado Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista do Brasil – NBLU-SCB, criado por um grupo de entusiastas deste tema tão controverso quanto fascinante. Pretende-se, a partir deste começo, unir esforços a outros núcleos formados e em formação na obra de apontar a narrativa bíblica como fundamento real e preciso da origem da vida, enfatizando a atuação de um Ser de infinitas magnificência, sabedoria e excelência, que conhecemos simplesmente por Deus. A Ele daremos honra através de cada ação, cada palavra, cada esforço, enfim, nesta jornada que ora se inicia.”

INSCRIÇÕES:

As inscrições serão gratuitas (com certificação) e deverão ser feitas online através do seguinte link: https://goo.gl/GiJw6v

DATA: 06 e 07 de outubro

LOCAL: Espaço Vida & Saúde. Rua Gustavo Salinger, 500 – Bairro Itoupava Seca – Blumenau-SC.

Maiores informações sobre o evento:
Alexandre Kretzschmar
47 9 9149-0208
alexandre.kretzschmar@gmail.com
Diretor Executivo do NBLU-SCB

Maringá-PR sediará simpósio criacionista com participação de cientistas

Estão abertas as inscrições para o Simpósio “Diálogos Sobre a Origem da Vida”, que será realizado em Maringá-PR, no Centro Universitário Cesumar – UniCesumar entre os dias 02 e 03 de junho de 2017. O debate científico, que é aberto ao público, é resultado de uma parceria entre a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) e o Núcleo Maringaense da SCB (Numar-SCB).

O evento é uma oportunidade imperdível para a comunidade acadêmica e interessados no tema, de troca de informações e interação com cientistas engajados, em um ambiente voltado para a construção do conhecimento e incentivo do pensamento reflexivo. As inscrições para o Simpósio são feitas apenas pela internet, no site http://numar.scb.org.br/simposio/

SAIBA QUEM SÃO OS PALESTRANTES ABAIXO

As palestras exploram eixos temáticos como:

  • O que é ciência?
  • Astronomia
  • Paleontologia e a complexidade da vida
  • Datação Radiométrica
  • Criacionismo na Mídia

No decorrer do evento será lançada publicação da SCB em parceria com o NUMAR-SCB sobre assuntos afins.

O QUE: Simpósio Criacionista

LOCAL: Auditório Dona Etelvina – Bloco 7, Centro Universitário Cesumar – UniCesumar, Av. Guedner, 1610 – Jd. Aclimação, Maringá – PR.

DATA: 02 e 03 de junho

 

CONHEÇA OS PALESTRANTES:

 

Dr. Ruy Vieira

Ruy Carlos de Camargo Vieira

Engenheiro mecânico-eletricista pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e professor Emérito da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP. Ex-professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) (1954-1956). Foi Diretor-Científico da FAPESP (1979-1985), e um dos fundadores da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Ex-representante do MEC no Conselho da Agência Espacial Brasileira (2003). Cofundador da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Presidente-fundador da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB).

 

 

Me. Michelson Borges

 Michelson Borges

 

Escritor, jornalista e mestre em Teologia pelo UNASP; editor da Casa Publicadora Brasileira (CPB). Idealizador do site www.criacionismo.com.br, Autor de diversos livros criacionistas pela CPB e editor associado da Origem em Revista.

 

 

Dr. Rodrigo Meneghetti

Rodrigo Meneguetti Pontes

 

Bacharel e doutor em Química pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); professor adjunto do Departamento de Química da UEM; membro fundador do Numar-SCB. Editor associado da Origem em Revista. Autor de diversos artigos científicos publicados em prestigiadas revistas internacionais, como Journal of Organic Chemistry, Applied Catalysis A, Journal of Physical Chemistry A, Chemical Physics Letters, entre outras.

 

 

Dr. Marcio Fraiberg

Márcio Fraiberg Machado

 

Biólogo. mestre em Ciências e Matemática e doutor em Educação. Autor de diversos livros didáticos e para-didáticos em Biologia e Ciências naturais pela Casa Publicadora Brasileira (CPB) e editor associado da Origem em Revista. Professor universitário de biologia aplicada à enfermagem na Faculdade Adventista Paranaense (FAP/IAP) e membro do Numar-SCB.

 

Engº Claudio Abeche

Cláudio Luiz Abeche

 

Engenheiro Químico pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduado em MBA em Administração pela mesma Universidade. Empresário no ramo da indústria plástica (Eletroflex), área em que atua há 30 anos. Tem pesquisado assuntos sobre Astronomia há cinco anos.

 

 

Bel. Danilo de Oliveira

Danilo Camargo de Oliveira

 

Bacharel em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Cesumar (UNICESUMAR). Diretor de Assuntos Internacionais do Núcleo Maringaense da SCB (Numar-SCB)

 

 

 

O evento conta com o apoio do Departamento de Educação da União Sul-Brasileira (USB) da IASD, do Instituto Adventista Paranaense (IAP), do UniCesumar, da Eletroflex, da Gráfica Maranata e está sendo patrocinado pela Associação Norte Paranaense (ANP) da IASD.

Design Inteligente na morte?

Argumento evolucionista:

O design inteligente é capaz de verificar um projeto intencional nas garras e dentes de um leão que os utiliza para caçar e matar um antílope a fim de saciar sua fome? Em outras palavras: é capaz de identificar um projeto intencional na morte?

Argumento do design:

Alguns adeptos da Teoria do Design Inteligente (TDI) até poderiam levantar objeções de natureza moral a esse respeito, porque muitas vezes a intencionalidade desperta essa questão. Mas devemos nos restringir apenas ao campo científico. Nesse sentido, o design está especificamente comprometido com forma e função (Ex.: como lindas e eficientes facas de cozinha). A propósito, as espadas são projetos formidáveis (design para a morte).

Mas em relação a questionamentos como esse, precisamos separar o que é científico do que não é científico. Esse tipo de argumento é científico, mas a analogia não. Por quê? Porque estão sendo usadas duas coisas ontologicamente diferentes: uma teoria e um leão. Uma teoria científica é uma tentativa LÓGICA de nos levar ao conhecimento. O leão é um ser.

Essa pergunta científica se reduziria a pó numa análise filosófica. Por quê? Porque está atribuindo à TDI o status de TEORIA DO TUDO – capaz de identificar um projeto intencional de morte! Os proponentes do design buscam esclarecer que a TDI é uma teoria científica minimalista que IDENTIFICA sinais de inteligência. Só isso!

Quanto ao leão, se realmente suas garras e dentes foram projetados para matar, por que nem sempre ele mata um antílope? Quanto ao antílope, se suas pernas foram projetadas para correr, por que nem sempre sobrevive? Aqui entramos em outro ponto. É preciso entender que a TDI possui um comprometimento mínimo com o grau de otimização (eficiência) de um projeto. Aliás, esse comprometimento mínimo está relacionado às regras básicas de sistemas. Portanto, uma das predições da TDI é que existem fatores que podem vir a interferir no design de um projeto.

(Texto publicado em 25/02/2017 em coautoria com Junior Eskelsen, responsável pelo Portal tdibrasil.org)

Cangurus vivem somente na Austrália?

O que as pessoas não sabem é que cerca de uma dúzia de diferentes tipos de marsupiais básicos vivem, além da Austrália, na Papua-Nova Guiné e na Indonésia. Além dos cangurus australianos, existem os cangurus arborícolas presentes na Nova Guiné. Como eles ficaram isolados nesses locais? Os evolucionistas insistem que eles evoluíram lá, há milhões de anos,[1, 2] mas certos fósseis sugerem uma resposta diferente. Marsupiais incluem grupos de cangurus e coalas, além dos menos conhecidos como os bettongs e toupeiras marsupiais. Em vez de se desenvolverem em úteros, seus filhotes crescem dentro de uma bolsa de pele da mãe chamada marsúpio. Que evidência convenceu os pesquisadores de que os marsupiais evoluíram de um único antepassado marsupial na Austrália ou Nova Guiné ao longo de milhões de anos?

Seja qual for a resposta, não são fósseis, que mostram exatamente o oposto dessa história evolutiva. Os menores e os mais antigos fósseis marsupiais encontrados no sistema de rochas do período Cretáceo “são exclusivamente da Eurásia e da América do Norte”.[3] Se os marsupiais australianos evoluíram na Austrália, então por que seus supostos ancestrais foram enterrados no hemisfério oposto (hemisfério norte)? E por que o “mais antigo” fóssil marsupial, que parece notavelmente com um gambá, vem da China?[4] Uma revisão de 2003 admitiu que “esse interruptor geográfico permanece inexplicado”.[3]

A fim de contornar esse problema, um estudo afirmou que os cangurus evoluíram na China e migraram por meio da América para Austrália e a Antártida;[5] além disso, a mesma pesquisa sugeriu que os cangurus são geneticamente semelhantes aos humanos. Outro estudo sugeriu que os característicos coalas, cangurus e gambás da Austrália teriam dividido um [suposto] ancestral comum americano. Os cientistas elaboraram uma árvore genealógica baseada no DNA e sugeriram que uma única espécie de marsupial ancestral se originou na América do Sul (quanto fazia parte do supercontinente de Gondwana) e se dirigiu rumo à Austrália.[6]

Mas o que é pior para este conto é que os fósseis de mamíferos placentários aparecem nos depósitos australianos do Cretáceo. A Austrália tem mantido há muito tempo suas populações marsupiais, e com pouquíssimos placentários. No entanto, a partir da observação da localização dos fósseis, os marsupiais deveriam ter evoluído fora da Austrália e os placentários é que deveriam ter evoluído na Austrália – o oposto da história evolutiva.

Em geral, os fósseis não mostram nenhuma evidência para a evolução marsupial. Observamos tanto marsupiais quanto placentários completamente formados. Uma vez que os fósseis marsupiais aparecem apenas onde os marsupiais não vivem hoje, eles devem ter se mudado (migrado). Mas onde e quando isso teria ocorrido?

Nenhum cientista criacionista ou evolucionista estava lá para observar e gravar quando os marsupiais realmente chegaram à Austrália, então ambos devem apenas sugerir e testar hipóteses. Evolucionistas sugerem que marsupiais do Cretáceo foram extintos com os dinossauros, apenas para a evolução substituí-los com duplicatas exatas milhões de anos depois na Austrália! É como se um gambá evoluísse, fosse extinto, então forças naturais fossem criando virtualmente a mesma criatura uma segunda vez. Muito imaginativo, mas não muito científico.

Felizmente, um cenário favorável à Bíblia explora os fósseis sem recorrer a histórias de evolução. O modelo criacionista diz que os marsupiais do “cretáceo” morreram no dilúvio de Noé. Eles devem ter vivido em regiões pré-diluvianas que, devido a eventos relacionados ao dilúvio, se separaram em áreas menores conhecidas hoje como América do Norte, Europa e Ásia.[7] O relato da testemunha bíblica ocular do dilúvio garante aos leitores que dois de cada animal que habitava na terra e que respirava ar entraram na Arca de Noé.[8] Isso inclui cangurus, coalas, tilacinas e therizinossauros.

Os eventos associados ao dilúvio teriam dado origem à época do gelo (clique aqui e saiba mais), que teria durado vários séculos.[9] Naquela época, o nível do mar era cerca de 100 metros mais baixo do que é hoje.[10] Os mares mais baixos proporcionavam pontes terrestres entre muitas das ilhas modernas.[11] Animais e homens podiam literalmente caminhar desde as montanhas do Ararat (local onde a Arca de Noé pousou) até a Nova Guiné. Alguns poderiam ter sido transportados em detritos da tempestade ou nadado de ilhas como Nova Guiné para a Austrália.[12] Mas a hipótese mais razoável é que os marsupiais conseguiram realmente migrar enquanto o gelo do mundo estava solidificado e o nível do mar ainda estava mais baixo; o derretimento do gelo no final da época do gelo aumentou o nível do mar o suficiente para isolá-los em terras antigas de ponte terrestre que se tornaram ilhas.[13]

Conforme explica o naturalista Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia) que existiam durante o período glacial, submergiram” [14: p. 70]. Isso explicaria o fato de alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus terem ficado ilhados na ilha continental australiana.

Mas quais seriam as evidências de que os cangurus migraram desde o local onde a Arca de Noé parou (conhecido atualmente como Turquia) até a Austrália, região onde teriam ficado isolados tempos depois? As evidências se encontram no fato de que alguns cangurus ficaram no meio do caminho e não conseguiram chegar até a região da Austrália. Os fósseis de cangurus encontrados em distintas regiões do planeta nos dão indícios de que eles ficaram no “meio” desse caminho. Além disso, como falamos no início deste texto, alguns cangurus arborícolas, tais como os cangurus-arborícolas-de-goodfellow, os wallabies e os pademelon, que vivem na Nova Guiné, e os tenkile e o canguru-de-manta-dourada, da Indonésia, prosperaram, portanto, em outras regiões antes que alguns exemplares chegassem até seu destino final (Austrália).

Ademais, é interessante pensarmos no porquê de os cangurus terem se dirigido rumo à Austrália. Alguns criacionistas desenvolveram a hipótese de que talvez eles estivessem apenas retornando ao seu local de origem, uma vez que antes do dilúvio existia apenas um único continente não fragmentado.[15] Mas como eles teriam reconhecido o caminho de volta? A ideia é que eles retornaram ao seu território nativo por meio de uma direção “especial”, ou seja, por meio de instintos de localização (GPS biológico), como os que se observam em pássaros, peixes, insetos e outros animais migratórios.

Mas o que podemos de fato observar é que cangurus e coalas não evoluíram na Austrália. Eles simplesmente não evoluíram. Deus os fez marsupiais desde o início. Muitos deles morreram junto com dinossauros e outras criaturas durante o dilúvio. Aqueles que sobreviveram ao dilúvio na Arca tiveram descendentes que podem ter migrado à frente de muitos mamíferos placentários. Eles provavelmente chegaram à Austrália antes que o aumento dos níveis do mar interrompesse os placentários de continuar a jornada até o fim do caminho. Essa solução se encaixa nas observações fósseis e nas Escrituras.

(Texto adaptado do original Thomas [16], postado originalmente no Brasil em 01/03/2017 no Blog Criacionismo)

Referências e notas:

[1] Janis CM, et al. Locomotion in Extinct Giant Kangaroos: Were Sthenurines Hop-Less Monsters? PLoS One. 2014;9(10):e109888.

[2] Butler K, Travouillon KJ, Price GJ, Archer M, Hand SJ. Cookeroo, a new genus of fossil kangaroo (Marsupialia, Macropodidae) from the Oligo-Miocene of Riversleigh, northwestern Queensland, Australia. Journal of Vertebrate Paleontology. 2016; 36(3):e1083029.

[3] Cifelli RL, Davis BM. Marsupial Origins. Science. 2003;302(5652):1899-1900.

[4] Luo ZX, et al. An Early Cretaceous Tribosphenic Mammal and Metatherian Evolution. Science. 2003;302(5652):1934-1940.

[5] Kangaroos similar to humans, claim Australian researchers. Telegraph (18/11/2008). Disponível em:http://www.telegraph.co.uk/news/science/3477482/Kangaroos-similar-to-humans-claim-Australian-researchers.html

[6] Nilsson MA, et al. Tracking Marsupial Evolution Using Archaic Genomic Retroposon Insertions. PLoS Biol. 2010 Jul 27;8(7):e1000436.

[7] Clarey T. Hot Mantle Initiated Ocean and Flood Beginnings. Acts & Facts. 2013;42(8):15.

[8] “[Gênesis 10: 1] diz respeito à quarta geração do livro de Gênesis (anteriormente observado em Gênesis 2: 4; 5: 1 e 6: 9), presumivelmente marcando as assinaturas de Sem, Cam e Jafé após completar sua narrativa do Dilúvio e os anos pós-dilúvio imediatos. Ver: Morris H. The Henry Morris Study Bible. Green Forest, AR: Master Books, 2012, p.45.

[9] Hebert J. Was There an Ice Age? Acts & Facts. 2013;42(12):20; ver também: “Alves EF. A era do gelo: uma perspectiva bíblico-científica. NUMAR-SCB (31/10/2016). Disponível em: http://numar.scb.org.br/artigos/era-do-gelo-uma-perspectiva-biblico-cientifica/

[10] Gomitz V. Sea level rise, after the Ice Melted and Today. Science Briefs. Goddard Institute for Space Studies da NASA (10/01/2007). Disponível em: https://www.giss.nasa.gov/research/briefs/gornitz_09/

[11] Clarey T. The Ice Age and the Scattering of Nations. Acts & Facts. 2016;45(8): 9.

[12] Mesmo os evolucionistas há muito invocaram a migração em esteiras de detritos flutuantes para explicar o transporte de animais para as ilhas. Tipos de plantas similares em diferentes continentes, florescendo bem onde as correntes oceânicas os levariam, apoiam o transporte

[13] Possivelmente, marsupiais e placentários competiram fora por recursos, assim os marsupiais continuaram a migrar para os habitats com menos competição.

[14] Baerg HJ. O mundo já foi melhor. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992.

[15] Gibson LJ. Patterns of mammal distribution. Manuscrito não publicado, distribuído pelo Geoscience Research Institute, Loma Linda University, Loma Linda, CA.

[16] Thomas B. Why Do Kangaroos Live Only in Australia? Acts & Facts. 2017; 46(2):20.

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