Mês: dezembro 2016

O Prêmio Nobel de Química de 2016 foi concedido a Jean-Pierre Sauvage, Sir J. Fraser Stoddart e Bernard L. Feringa “pelo design e síntese de máquinas moleculares”.[1] O trabalho desses pesquisadores é realmente muito interessante. Você já parou para se perguntar o quão pequena pode ser uma máquina? Imagine um computador de apenas 2 mm! Pois bem, isso já existe. Trata-se do Michigan Micro Mote (M3), desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Michigan. [2] O M3 é um sistema de computação completo, sendo capaz de receber dados, processar esses dados, tomar decisões e produzir dados de saída. Parece realmente incrível, mas o que os ganhadores do Nobel de Química de 2016 fizeram vai muito além. Por exemplo, Stoddart e sua equipe, em 1991, desenvolveram um rotaxano. [3] Para isso, Stoddart coordenou a criação de uma molécula longa, na forma de um eixo, e a inseriu em uma outra molécula em forma de anel. Mudando o ambiente químico, os pesquisadores podiam fazer o anel se mover ao longo do eixo, da mesma forma como um trem se move sobre seus trilhos. Mas o movimento era de certa forma bem restrito, como se o trem pudesse ir e voltar apenas entre duas estações.

Em 1999, Feringa e seu grupo publicaram um trabalho no qual descrevem a rotação controlada de uma molécula. [4] O movimento molecular é, por natureza, caótico. As moléculas transladam e realizam rotações em direções aleatórias. Feringa, no entanto, utilizou-se de técnicas bastante sofisticadas para fazer com que uma parte da uma molécula girasse em relação à outra parte em uma direção definida e de forma controlada. Para isso, foi necessário realizar um procedimento que envolvia resfriamento a -55 oC, seguido de irradiação com luz de comprimentos de onda bem específicos e aquecimentos em etapas controladas. Embora os pesquisadores tenham mostrado que esse tipo de movimento é possível, a forma como isso foi alcançado não é nada prática.

Um outro tipo de máquina molecular descoberta há alguns anos realiza tarefas fantásticas. Essa máquina possui um compartimento capaz de armazenar algum tipo de material para transporte e um sistema de tração que a faz se movimentar em uma direção definida. Essa maquina trabalha de forma integrada com outras e é capaz de receber sua carga, caminhar sobre um filamento e entregar a carga em seu destino. O mais impressionante é que ela faz tudo isso sem intervenção externa, ao contrário das máquinas de Sauvage, Stoddart e Feringa. Mas se não bastasse isso, existe também uma linha de montagem para essa maquina, com um rigoroso controle de qualidade. Cada parte dessa linha de montagem é composta por outras máquinas moleculares bastante complexas. Essas máquinas são capazes de acessar o banco de dados com o projeto para a construção, selecionar os materiais certos, executar a montagem em uma sequência coerente e realizar um controle de qualidade em cada etapa. A própria linha de montagem está sujeita a um protocolo de controle que determina quando uma máquina molecular deve ser produzida, ou seja, a produção se dá de acordo com a demanda. Comparar essa máquina de transporte e o seu sistema de montagem com as máquinas de Sauvage, Stoddart e Feringa é como comparar um chocalho de criança às últimas gerações de smatphones. Mas então por que o Prêmio Nobel de Química foi outorgado a esses pesquisadores e não ao inventor dessa máquina de transporte?

Essa máquina de transporte é chamada de cinesina, é encontrada no interior das células e têm a função de transportar as proteínas recém preparadas até o local onde elas são necessárias. A linha de montagem é todo o aparato celular para a síntese de proteínas. Tudo funciona como numa fábrica com tecnologia sofisticadíssima, com procedimentos automatizados, mini robôs programados para executar funções bastante especializadas e softwares extremamente eficientes. Mas pasmem! Enquanto a Academia de Ciências concede um Prêmio Nobel aos brinquedos de Sauvage, Stoddart e Feringa, em reconhecimento ao seu árduo trabalho de planejamento e síntese, um grupo de pretensos cientistas alega que toda a maquinaria celular surgiu completamente ao acaso!

Os ganhadores do Prêmio Nobel de Química de 2016 não foram, nem de longe, os inventores dos motores moleculares. São imitadores de algo que já está aí desde o princípio. Se algo tão simples como uma molécula que pode se mover em uma direção merece um Prêmio Nobel, que tipo de reconhecimento daríamos ao Projetista das cinesinas e do flagelo bacteriano, obras primas químicas inigualáveis? Um interruptor ou um rotor (tal como os de Sauvage, Stoddart e Feringa) precisa de um projetista e de uma hábil equipe para sua construção, que tenha à sua disposição compostos químicos muito específicos e caros e equipamentos bastante sofisticados. Mas quando nos deparamos com a cinesina, aí tudo muda. Ela simplesmente surgiu de processos aleatórios, não teve um Projetista e nem um Criador. Isso porque já estamos nos referindo ao produto final, sem sequer levar em consideração que as máquinas biológicas se montam sozinhas. Não precisam de nossa interferência.

Quando Paley apresentou seu argumento em meados do século XIX, os críticos do planejamento o acusaram de tecer uma analogia entre coisas muito diferentes. Não se poderia comparar o corpo humano com as máquinas construídas pelo homem, diziam eles. Numa época em que quase nada se sabia sobre a vida no nível subcelular, essa objeção poderia até ser razoável. Todavia, os avanços recentes da bioquímica e da química têm mostrado que a correspondência entre as máquinas produzidas pelo homem e os sistemas encontrados no interior das células é muito mais forte do que se imaginava a princípio. E mais do que isso, que a tecnologia molecular do interior das células deixa nossos melhores esforços no chinelo. Até quando vamos continuar fechando os olhos para o fato óbvio de que há uma Mente Inteligente por trás de tudo isso? Só não conseguem aceitar isso aqueles que fizeram um pacto não científico com a filosofia materialista. Como diz um ditado popular, o pior tipo de cego é aquele que não quer ver.

Referências:

[1] Press Release: The Nobel Prize in Chemistry 2016, https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2016/press.html.
[2] Michigan Micro Mote (M3) Makes History, http://www.eecs.umich.edu/eecs/about/articles/2015/Worlds-Smallest-Computer-Michigan-Micro-Mote.html.
[3] P.L.Anelli,N.Spencer,J.F.Stoddart,J.Am.Chem.Soc.1991, 113,5131–5133.
[4] N. Koumura, R. W. J. Zijlstra, R. A. van Delden, N. Harada, B. L. Feringa, Nature, 401, 152-155.

(Origem e Vida)

 

Mark Armitage obteve vitória judicial

O cientista microscopista demitido por ter publicado artigo científico com achados de tecidos moles em fóssil de dinossauro que embaraçou Darwin obteve uma decisão histórica contra a Universidade Estadual da Califórnia.

Mark Armitage contou ao Creation Evolution Headlines (CEH) que seu caso contra a Universidade Estadual da Califórnia (CSUN, em inglês) resultou em um acordo após a juíza Dalila Lyons do Tribunal Superior da Califórnia ter decidido em seu favor em uma moção de adjudicação. Em vez de enfrentar uma perda provável perante um júri, os advogados da CSUN escolheram resolver tudo com o próprio Armitage. Armitage escreve:

“Não foi simplesmente uma moção de julgamento sumário que o juiz decidiu contra. O juiz decidiu contra eles [universidade] em uma moção para julgamento. Há uma grande diferença. Em outras palavras, o juiz fez uma decisão sobre o caso e conclui, de fato, que nós provamos nosso caso, que eles me discriminaram contra a minha religião, e eles falharam em acompanhar ou investigar uma queixa por escrito de discriminação religiosa. Não havia sentido que a Universidade fosse arrastada para o julgamento do júri porque estava claro que eles iriam perder no julgamento e os ganhos teriam sido muito maiores do que são atualmente.”

De acordo com FreedomX, para o advogado Bill Becker, que litigou o caso Coppedge vs JPL em 2012, uma moção para adjudicação significa que o juiz confirmou que certas provas são verídicas e, portanto, não precisa de debate antes de um juiz de fato. Essas provas podem, assim, ser estipuladas como factuais no início de um processo judicial. Quaisquer que fossem os fatos, eles devem ter sido suficientemente significativos para assustar os advogados da CSUN de apresentarem um julgamento perante um júri.

Mark foi contratado como microscopista e instrutor de laboratório na universidade, mas foi abruptamente demitido em 2014, sem explicação, depois que ele e o Dr. Kevin Anderson publicaram um artigo científico na Acta Histochemica descrevendo o tecido mole que encontraram em um chifre de Triceratops em Montana, EUA. Esse paper não menciona nada sobre design inteligente ou criacionismo, mas Mark é bem conhecido como um criacionista da terra jovem, sendo membro do conselho da Creation Research Society (CRS), juntamente com Anderson. O caso chamou a atenção da revista Nature (11/5/2014). Encontrar tecido mole preservado dentro de um osso de dinossauro causa problemas óbvios para a escala de tempo geológica padrão (6/10/2015). Desde sua demissão, Mark continuou o trabalho de microscopia eletrônica em tecido mole de dinossauro sob o patrocínio da CRS.

Há indícios de que houve contínua tentativa de baixar o valor antes que se chegasse a um acordo final. Mark e seu advogado, Alan Reinach, do Church State Council, aparentemente permaneceram firmes, de acordo com o Dr. Jay Wile, que falou com Mark e escreveu sobre isso em um post de blog. Mark disse a CEH que todas as partes assinaram, cheques foram escritos, e, “oh, meu Deus, alguns deles eram muito grandes”:

“Então esse é um negócio concluído e conseguimos uma nítida vitória. Como meu advogado disse, especialmente a um grupo de seus pares em uma reunião de advogados trabalhistas, tivemos uma vitória histórica.”

Maiores detalhes do acordo não estarão disponíveis até Reinach emitir um comunicado de imprensa formal. Mark disse à CEH que não houve nenhum acordo de não divulgação, “então eu sou livre para relatar toda a história, incluindo o incrível testemunho de deposição”, disse ele. Até agora, no entanto, a única notícia online sobre o caso como esta entrada se encontra em um blog do Jay Wile, um vídeo caseiro no YouTube elaborado por Mark e postado em 1º de outubro, e as conversas por e-mail com Mark citadas aqui. Veja abaixo alguns comunicados de imprensa emitidos após a postagem desse texto, no original:

04/10/16: Mark escreveu mais informações sob seu vídeo no YouTube e está respondendo a comentários.

05/10/16: Um artigo sobre The College Fix acrescentou mais informações, afirmando que Mark recebeu um montante de seis dígitos no acordo, cerca de 15 vezes o seu salário anual de meio período. Alan Reinach diz que a universidade ainda não está admitindo a discriminação: “o juiz não se pronunciou, no acordo não há admissão de culpa, e eles seguiram alegando que ele [Mark] foi demitido por razões orçamentárias.” Portanto, não aparece haver uma decisão sobre o mérito. No entanto, a CSUN não teria concordado com um acordo tão grande se achasse que poderia ganhar no tribunal, acredita Reinach; “Eles certamente não teriam pagado essa quantia de dinheiro se não reconhecessem que os tínhamos derrotados em relação aos direitos”.

07/10/16: O site de notícias Inside Higher Ed declarou que a universidade teria afirmado ter acordado o valor de US $ 399.500 para evitar uma batalha legal prolongada.

Texto originalmente publicado em 28/12/2016 no Blog Criacionismo.

Fonte em inglês: 

Creation Evolution Headlines. Mark Armitage Wins Legal Victory. Postado em 04/10/2016. Disponível em: http://crev.info/2016/10/mark-armitage-wins-legal-victory/

Fósseis de Galápagos: pedra no sapato dos evolucionistas

Afloramentos vulcânicos no arquipélago de Galápagos não parecem fornecer a riqueza de exemplares encontrados em outras localidades ricas em fósseis ao redor do mundo. No entanto, os fósseis estão, de fato, presentes nas Ilhas Galápagos. Esta breve revisão aborda o onde, o que, quando e por que de haver fósseis nas Ilhas Galápagos, e fecha com uma discussão sobre sua potencial contribuição para o desenvolvimento de modelos sobre as origens.

Onde estão os fósseis encontrados nas Ilhas Galápagos?

  1. Os sedimentos depositados em águas rasas ao redor das ilhas e posteriormente levantados acima do nível do mar, muitas vezes contêm fósseis de organismos marinhos (tais como conchas de moluscos).[1]
  1. Tubos de lava se formam durante as erupções vulcânicas, quando o topo de um fluxo de lava resfria e solidifica, mas a lava continua a fluir por baixo. Quando drenos de lava se esvaem desses condutos tubulares, um espaço vazio é deixado no subsolo. Esses túneis e fissuras muitas vezes contêm sedimentos com restos fósseis de vertebrados terrestres.[2]
  1. O interior de algumas das ilhas é caracterizado por um clima mais consistentemente úmido. Pequenos lagos e pântanos, formados dentro de crateras vulcânicas inativas, podem ser encontrados. Os sedimentos que enchem o fundo dessas pequenas depressões contêm material vegetal fóssil.

Que tipo de fósseis são encontrados nas Ilhas Galápagos?

Os fósseis encontrados nos depósitos marinhos emergidos rasos são dominados por invertebrados marinhos como moluscos bivalves, gastrópodes, briozoários, corais e cracas.[1, 5-7] Não são visíveis a olho nu, mas muito abundantes nos sedimentos também são os microfósseis planctônicos, pequenos animais (2 mm) exóticos que habitam locais inferiores, como os ostracodes, além de grupos específicos de protozoários, como os foraminíferos.[5] Raros, mas às vezes encontrados nesses sedimentos, são fragmentos de esqueletos de vertebrados marinhos e terrestres, como pássaros, lagartos e leões-marinhos.[1, 5, 7]

A carcaça de um leão-marinho parcialmente decomposto em uma praia, Ilha Norte Seymour, Galápagos. Escala em centímetros. Elementos esqueléticos de carcaças podem ser incorporados em depósitos de praia e, eventualmente, se tornar fossilizados.

Os fósseis coletados dos tubos de lava incluem dezenas de milhares de ossos e fragmentos de ossos de aves, répteis e mamíferos, bem como conchas de caracóis terrestres.[2, 8, 9] Os restos de vertebrados incluem espécimes das espécies de Galápagos mais emblemáticas, tais como a tartaruga gigante, iguana terrestre, tentilhões e sabiás, juntamente com espécies de roedores, cobras, lagartos, lagartixas, morcegos e aves. Curiosamente, a maioria desses ossos representa restos de presas regurgitadas por corujas de celeiro de Galápagos, uma espécie que constrói poleiro e ninhos em bordas dos tubos de lava. Ossos de organismos maiores (como tartarugas gigantes), por outro lado, representam animais que caíram e morreram presos nos tubos.

Material vegetal fóssil recuperado de sedimentos de pântano e lago consiste principalmente de pólen e esporos microscópicos.[3, 4] No entanto, de tamanho pequeno (restos macroscópicos tais como sementes de plantas e fragmentos) também foram encontrados.[10]

lava tube composite

A) As aberturas que conectam tubos de lava subterrâneos, Ilha Isabela, Galápagos. A abertura do primeiro plano tem um diâmetro de cerca de 50 cm. B): carcaça de um gato encontrado no interior do tubo de lava conectado à abertura ilustrada em A). Captura e morte em tubos de lava em um dos processos que resultam em fossilização de vertebrados terrestres nas Ilhas Galápagos.

Quando os fósseis das Ilhas Galápagos se formaram?

A questão da idade é sensível para os criacionistas. Existem duas abordagens para datar um objeto geológico, como um fóssil ou uma rocha. O primeiro, denominado datação absoluta, visa a atribuir uma idade numérica para o objeto. O segundo, chamado de datação relativa, tenta estabelecer se o objeto é mais jovem ou mais velho do que outros objetos, mas sem atribuir uma idade numérica específica.

Idades absolutas em geologia são baseadas em métodos de datação radiométrica. Idades radiométricas têm valores que sugerem uma longa cronologia da vida na Terra, criando um conflito potencial com o registro bíblico.[11] Por essa razão, os criacionistas tendem a rejeitar esses valores absolutos, à procura de formas alternativas que expliquem esses resultados. Em geral, no entanto, existe um consenso de que a ordem relativa das datas (mais jovem versus mais velhas) pode ser um indicador fiável da sua idade relativa, independentemente dos valores absolutos. Nas Ilhas Galápagos, as idades de radiocarbono obtidas a partir de alguns dos ossos fósseis são quase invariavelmente mais jovens do que oito mil anos,[12] com apenas um par de exceções dando valores em torno de 20 mil anos.[2, 8] Idades de radiocarbono de matéria orgânica associada com os materiais vegetais fósseis também são consistentemente mais jovens do que 26 mil anos,[4, 13] com exceção de uma camada mais antiga datada em 48 mil anos.[3]

Fósseis em depósitos marinhos são considerados mais jovens do que dois milhões de anos,[14] com base em idades radiométricas de rochas vulcânicas intercaladas com os depósitos.[1] No geral, a cronologia de longa idade dessas datações se correlaciona com os intervalos muito superiores da coluna geológica (Pleistoceno e Holoceno). Em resumo, uma abordagem mista de datação absoluta e relativa parece sugerir que os fósseis de Galápagos se formaram durante uma parte mais recente da história da Terra, sendo restritos às camadas superiores da coluna geológica.

Por que os paleontólogos estão interessados em estudar fósseis das Ilhas Galápagos?

Fósseis de Galápagos são explorados como um arquivo da vida passada e da ecologia nas ilhas. Tópicos sendo perseguidos pelos paleontólogos incluem: (a) padrões documentados na diversidade de espécies e tendências morfológicas, com potencial de visão sobre a origem da fauna e flora endêmicas;[2, 15] (b) estudo do impacto sobre o ecossistema da introdução de flora e fauna não nativas, com implicações para a ecologia e conservação;[2, 10] e (c) reconstrução de tendências climáticas passadas e eventos na ilha e no sistema do Oceano Pacífico tropical.[3, 4]

Implicações para modelos criacionistas

Embora não sejam tão icônicos e bem conhecidos como seus homólogos vivos, os fósseis das Ilhas Galápagos podem realmente oferecer algumas contribuições valiosas para a discussão das origens, quando abordados a partir de uma perspectiva criacionista. Os seguintes pontos resumem algumas das considerações mais importantes:

Correlação com a cronologia bíblica: uma das questões-chave levantadas a partir de uma perspectiva criacionista seria se os fósseis de Galápagos se formaram antes, durante ou depois do dilúvio bíblico. Dois elementos importantes informam uma possível resposta que, provavelmente, a maioria dos criacionistas abraçaria. Em primeiro lugar, os fósseis parecem ser relativamente jovens, sendo encontrados em depósitos que são muitas vezes dentro de características recentes da paisagem (por exemplo, tubos de lava, crateras) e associados com idades radiométricas do Holoceno e do Pleistoceno. Em segundo lugar, as assembleias de fósseis consistem quase completamente de espécies modernas, e não tipos extintos.[8, 15] A maioria dos criacionistas concorda que espécies modernas diferem das espécies pré-diluvianas, devido ao fato de elas se adaptaram às novas condições ambientais após o dilúvio. Portanto, ao considerar esses dois aspectos, uma conclusão razoável em um modelo criacionista seria a de que esses fósseis se formaram durante o período pós-diluviano.

Estase e taxas de evolução: desde a época de Darwin, as espécies modernas em Galápagos têm sido apresentadas como uma ilustração paradigmática de especiação e origem de novas espécies a partir de uma forma ancestral comum. No entanto, os fósseis conhecidos atualmente em Galápagos não corroboram significativamente essa narrativa. A esmagadora maioria dos fósseis recuperados pertence a espécies modernas conhecidas, com muito poucos exemplos de formas extintas.[2, 6, 15, 16] Portanto, em vez de documentar a mudança gradual, os fósseis de Galápagos ilustram estase. Pode-se objetar que a série de fósseis de transição não é observada, porque o registro fóssil das ilhas é fragmentado e representa apenas o intervalo de tempo mais recente. No entanto, essa é uma sugestão baseada em dados que não temos. O que é observável não captura transições evolutivas.

Ordem no registro fóssil: diferentes tipos de fósseis não são distribuídos aleatoriamente na coluna geológica, mas seguem um padrão específico de aparecimento e desaparecimento. Fósseis de Galápagos podem ser usados como um modelo para explorar por que vários tipos de fósseis não estão todos misturados nos estratos, mas seguem certa ordem. Dois fatores principais parecem estar em jogo: tempo e espaço. Não há fósseis de dinossauros ou leões africanos em Galápagos. Sabemos que os leões africanos não estão extintos, mas eles vivem apenas no continente Africano. Portanto, a razão pela qual os leões não estão fossilizados em Galápagos está ligada à sua distribuição geográfica (espaço). Por outro lado, os dinossauros estão extintos. Portanto, pode ser que eles nunca fossilizaram em Galápagos, porque eles não estavam presentes na Terra no momento da formação dos fósseis de Galápagos (tempo). A presença ou ausência de certos grupos de organismos no tempo e no espaço determina a distribuição ordenada de fósseis, tanto em interpretações criacionistas quanto evolucionistas do registro fóssil.

O processo de fossilização: fósseis de Galápagos podem ser usados para mostrar como o processo de fossilização depende de ambas as características de um organismo e seu ambiente deposicional. Por exemplo, as criaturas marinhas mais bem representadas nos fósseis de Galápagos são aquelas com conchas e partes duras. Animais de corpo mole, como pepinos do mar, apresentam menor probabilidade de ser fossilizados. O meio de deposição também é crucial para a fossilização. Por exemplo, lavas vulcânicas não são favoráveis para a preservação de organismos mortos, mas se armadilhas onde os sedimentos podem acumular estão presentes (por exemplo, os tubos de lava), fósseis podem ser encontrados mesmo em terreno vulcânico. Além disso, os ambientes terrestres (por exemplo, lagos e pântanos) são mais propensos a preservar fósseis de organismos terrestres (por exemplo, plantas terrestres), e ambientes marinhos tendem a ser dominados por fósseis de organismos marinhos. Usando as Ilhas Galápagos como estudo de caso, pode-se concluir que a fossilização certamente não é onipresente e não preserva todos os tipos de organismos, mas mesmo em ambientes desfavoráveis (por exemplo, províncias vulcânicas), a fossilização não é tão improvável quanto se poderia pensar. Representar o registro fóssil como altamente fragmentado e incompleto pode ser uma má caracterização de um arquivo muito rico de formas de vida passadas.

Traduzido do original Geoscience Research Institute[17] e publicado originalmente em 07/12/2016 no Blog Criacionismo.

Notas e referências:

  1. Hickman, C.S. and J.H. Lipps, Geologic youth of Galápagos Islands confirmed by marine stratigraphy and paleontology. Science, 1985. 227(4694): p. 1578-1580.
  2. Steadman, D.W., et al., Chronology of Holocene vertebrate extinction in the Galápagos Islands. Quaternary Research, 1991. 36(1): p. 126-133.
  3. Colinvaux, P.A., Climate and the Galapagos Islands. Nature, 1972. 240(5375): p. 17-20.
  4. Collins, A.F., M.B. Bush, and J.P. Sachs, Microrefugia and species persistence in the Galápagos highlands: a 26,000-year paleoecological perspective. Frontiers in Genetics, 2013. 4: p. 269.
  5. Finger, K.L., et al. Pleistocene Marine Paleoenvironments on the Galapagos Islands. in GSA Abstracts with Programs. 2007.
  6. Ragaini, L., et al., Paleoecology and paleobiogeography of fossil mollusks from Isla Isabela (Galápagos, Ecuador). Journal of South American Earth Sciences, 2002. 15(3): p. 381-389.
  7. Johnson, M.E., P.M. Karabinos, and V. Mendia, Quaternary Intertidal Deposits Intercalated with Volcanic Rocks on Isla Sombrero Chino in the Galápagos Islands (Ecuador). Journal of Coastal Research, 2010: p. 762-768.
  8. Steadman, D.W., Holocene vertebrate fossils from Isla Floreana, Galápagos. Smithsonian Contirbutions to Zoology, 413: 104 pp.
  9. Chambers, S.M. and D.W. Steadman, Holocene terrestrial gastropod faunas from Isla Santa Cruz and Isla Floreana, Galapagos: evidence for late Holocene declines. Transactions of the San Diego Society of Natural History, 1986. 21(6): p. 89-110.
  10. Coffey, E.E.D., C.A. Froyd, and K.J. Willis, When is an invasive not an invasive? Macrofossil evidence of doubtful native plant species in the Galápagos Islands. Ecology, 2011. 92(4): p. 805-812.
  11. Uma discussão sobre abordagens criacionistas para a datação radiométrica está além do escopo deste artigo, mas um resumo útil pode ser encontrada em: https://grisda.wordpress.com/2013/07/29/radiometric-dating/
  12. ka = milhares de anos antes do presente
  13. van Leeuwen, J.F., et al., Fossil pollen as a guide to conservation in the Galápagos. Science, 2008. 322(5905): p. 1206-1206.
  14. Ma = Milhões de anos antes do presente
  15. James, M.J., A new look at evolution in the Galapagos: evidence from the late Cenozoic marine molluscan fauna. Biological Journal of the Linnean Society, 1984. 21(1‐2): p. 77-95.
  16. Steadman, D.W. and C.E. Ray, The Relationships of Megaoryzomys curioi, an Extinct Cricetine Rodent (Muroidea: Muridae) from the Galapagos Islands, Ecuador. Smithsonian Contributions to Paleobiology, 51: 24 pp.
  17. Fossils of the Galápagos: A review with implications for creationist models. Geoscience Research Institute (29/05/2016). Disponível em: https://grisda.wordpress.com/2016/05/29/fossils-of-the-galapagos-a-review-with-implications-for-creationist-models/