O que os cientistas criacionistas entendem por “ciência”?

Para entendermos esse tema, de interesse dos leitores, entrevistei o mestre em Astrofísica Eduardo Lütz, membro e palestrante oficial da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) e editor da Origem em Revista, a fim de entendermos com maiores detalhes esse tema tão importante.

Everton Alves: “O que os cientistas criacionistas entendem por ‘ciência’?”

Eduardo Lütz: O termo ‘teoria científica’ tem sido utilizado de duas formas:

1) No conceito mais popular, trata-se de hipóteses sobre temas de interesse acadêmico.

2) No conceito um pouco mais acadêmico, trata-se de um modelo ou framework conceitual.

A “teoria sintética da evolução” é uma teoria no segundo sentido, acadêmico-popular. Mas não se baseia sequer na metodologia de Aristóteles, que muitos chamam de método científico, embora contenha elementos baseados em observações e se façam pesquisas científicas de verdade em alguns ramos dessa área.

O objetivo não é desmerecer o ‘evolucionismo’, pelo contrário, é mostrar que a nova geração de cientistas deve retornar ao antigo conceito de ciência seguido pelos próprios pais da ciência (Galileu, Kepler, Newton…). Em evolução, também se desenvolvem modelos científicos (matemáticos). Mas eles ainda não atingiram massa crítica para derrubar alguns dogmas mais importantes. Ainda tratam de questões periféricas, como dinâmica de populações, por exemplo. Nessa área, é muito útil expressar leis como algoritmos para ser usados em simulações de computador.

Já no conceito de ‘teoria científica’ compatível com o dos pioneiros da ciência, o qual nós cientistas criacionistas fazemos uso, uma teoria científica é “um conjunto de leis expressas em linguagem formal (matemática) juntamente com os infinitos teoremas demonstráveis a partir delas.”

Atualmente, podemos encontrar mais de uma definição de ‘ciência’ e diferentes abordagens de pesquisa. Fique atento, pois elas não são todas igualmente confiáveis.

Resumo curto da versão de ‘ciência’ dos pioneiros:

1) Deus criou tudo usando Matemática. Portanto, métodos matemáticos são necessários para entendermos mais profundamente o que Deus criou.

2) Se agruparmos os métodos por nível de eficiência (ex.: teorias com alta precisão e exatidão, expressáveis em poucos símbolos), encontraremos duas grandes famílias:

a) abordagens conceituais (pesquisadores confiando na própria genialidade e organização); pesquisa comum, sem pretensão de ser científica; pesquisa usualmente chamada de científica, mas baseada em linhas filosóficas;

b) pesquisas, frameworks, teorias e modelos que usam explicitamente e intencionalmente métodos matemáticos.

A eficiência de “b” é infinitamente maior (isso é literal, não é hipérbole) do que a de “a”. Em outras palavras, se usarmos “b” para definir ciência, chegaremos essencialmente ao mesmo conceito dos pioneiros.

Nesse sentido, entendemos “ciência” como sendo um conjunto infinito de métodos matemáticos, os quais se podem usar em todas as áreas (mas nem todo método é bom para tudo), tanto na pesquisa experimental/observacional quanto na pesquisa teórica (framweorks, teorias e modelos matemáticos).

Porém, devemos atentar que existe mais de uma definição e que existem correntes que lidam com a pesquisa usando métodos mais confiáveis ou menos confiáveis. Por exemplo, as chamadas ciências históricas tipicamente possuem mais dificuldades de conferir conclusões do que as que permitem observação direta.

Quando a definição de ciência é menos rigorosa, os métodos tendem a ser menos rigorosos também. Tomemos como exemplo, o conceito de “teoria científica” apresentado pela Academia Nacional de Ciências dos EUA (National Academy of Sciences, NAS):

“uma explicação bem fundamentada de algum aspecto do mundo natural que pode incorporar fatos, leis e hipóteses testadas”.[1]

“uma explicação detalhada de alguns aspectos da natureza, que é apoiada por um vasto conjunto de evidências”.[2]

Definições como a da Academia Nacional, a rigor não especificam coisa alguma. Se você tomar a definição deles ao pé da letra, consegue encaixar praticamente qualquer coisa como sendo ciência. Esse tipo de definição é muito permissiva, o que nos leva a classificá-la como latu sensu. Nesse sentido, sempre houve ciência e nada de significativamente novo ocorreu na revolução científica. Outro exemplo é o conceito de Popper, baseado em falseabilidade. Pela definição dele, até Astrologia é ciência.

A palavra ciência também tem sido usada equivocadamente para designar áreas do conhecimento. Por isso falamos em ciências sociais, ciências da terra, etc. Mas, precisamos ter cuidado porque isso também nada tem a ver com a revolução científica ou com o uso de métodos confiáveis.

Outro detalhe que nada tem a ver com a revolução científica: o uso do protocolo aristotélico, isto é, a ideia de que o ‘método científico’ consiste naquela sequência de passos que encontramos em livros didáticos, consistindo em: observação, formulação hipóteses para explicar o que se observa, testes das hipóteses, reformulação de hipóteses se necessário, conclusões, formulação de teorias, etc. Mas isso também já era conhecido há milênios e não foi o que provocou a explosão de conhecimento que observamos nos últimos séculos.

O experimentalismo também não foi o que fez a diferença. Experimentos sempre foram feitos desde a antiguidade. Até mesmo superstições têm-se originado da experimentação. Como? Você observa que algumas pessoas que passaram por baixo de uma escada tiveram muito azar (coisas ruins aconteceram a elas). Isso não é uma constatação experimental de que passar por baixo de escada dá azar? O que faltou neste caso?

Antes da revolução científica, as pessoas observavam fenômenos, formulavam hipóteses e as testavam, mas faziam essas coisas com uma estrutura de pensamento qualitativa subordinada à Filosofia. Conclusões fisicamente absurdas eram tão fáceis de aceitar quanto as mais razoáveis.

O que estava faltando? De acordo com os pioneiros da revolução científica, o que faltava era colocar a Matemática em uma posição central. Segundo Galileu, por exemplo, Deus criou o universo usando padrões matemáticos, os quais são como caracteres com os quais foi escrito esse grandioso livro que é o universo. Se não aprendermos esses caracteres matemáticos, disse Galileu, ficaremos como que a vaguear por um labirinto escuro como se fazia até então.

Então, o que faltou na abordagem experimental do azar ao passar por baixo da escada, que mencionei? Faltou Estatística (área da Metamática) e certos cuidados que deveriam ter sido tomados os quais estão ligados à Teoria da Informação (outra área da Matemática). Faltou analisar o resultado com o auxílio de modelos matemáticos (pesquisa teórica) para ter acesso a implicações inacessíveis à intuição e para conseguir verificar o quanto essas consequências se encaixam no mundo observável.

Nesse sentido, a ‘ciência’ passa a ser entendida como “uma coleção infinita de métodos matemáticos que aprendemos ao estudar a natureza e que servem para estudá-la cada vez mais profundamente’. É como um ciclo de aprofundamento. Por exemplo, usando coisas bem acessíveis aos sentidos, como movimentos de objetos, Newton descobriu o Cálculo Diferencial, que inicialmente causou uma explosão de conhecimento na Física e que provocou uma onda de choque que afetou todas as áreas. Até as tecnologias a que temos acesso hoje são consequências de conseguirmos expressar leis físicas como equações diferenciais, graças ao Cálculo Diferencial. O Cálculo diferencial abriu as portas ao princípio da ação mínima, que abriu as portas a todas as leis da natureza.

Pesquisadores de áreas como Química, Biologia, Psicologia, Sociologia, Letras, etc., usam frequentemente conceitos (geralmente pensando que são exclusivos de suas áreas) que foram descobertos e aprofundados graças ao Cálculo Diferencial. Só para citar uns poucos exemplos na Química: entalpia, energia de ativação, entropia, energia livre de Gibbs, orbital, números quânticos, ligação covalente, estado metaestável, etc. E o Cálculo é só um dos infinitos métodos matemáticos que temos à disposição, a maioria dos quais nada tem a ver com números (o Cálculo tem).

Portanto, para finalizar, devemos ter em mente que o que as pessoas chamam de ciência hoje em dia não tem nada a ver com a revolução científica e muito menos com a explosão de conhecimento que observamos nos últimos séculos. Por isso, costumamos chamar isso de ciência latu sensu, ciência humana ou até de falsa ciência.

É do nosso interessa que tanto criacionistas quanto evolucionistas utilizem cada vez mais métodos matemáticos. Isso ajuda a eliminar uma série de ideias de ambos os lados que são apenas ruídos e não agregam conhecimento real. Nesse sentido, hipóteses inconsistentes, por exemplo, seriam descartadas mais cedo. Com metodologia não científica, só podemos lidar com o que nossa intuição consegue acompanhar. Conclusões inacessíveis à intuição podem ser atingidas e aprofundadas quando nos baseamos no conceito de ‘ciência’ stricto sensu, como a dos pioneiros, que utilizavam métodos matemáticos.

Texto publicado originalmente em 16/11/2017 no site da Origem em Revista.

Referências

[1] Science and Creationism: A View from the National Academy of Sciences. 2. Ed. Washington, DC: The National Academy Press, 1999. Disponível em: https://www.nap.edu/catalog/6024/science-and-creationism-a-view-from-the-national-academy-of

[2] Science, Evolution, and Creationism. Washington, DC: The National Academies Press, 2008. Disponível em: https://www.nap.edu/catalog/11876/science-evolution-and-creationism


Entrevista: a controvérsia criacionismo vs evolucionismo

No dia 05 de novembro foi ao ar na TVC via canal 15 NET uma entrevista concedida ao jornalista Altair Godoy, no Programa Inspire-se, pelo mestre em ciências Everton Fernando Alves, palestrante e membro fundador do Numar-SCB, acerca da controvérsia criacionismo vs evolucionismo. É revigorante ver a mídia popular abrindo espaço para um tema tão importante e sério como este ser apresentado à população de forma honesta. Assista já, pois está imperdível.


Núcleo de estudos criacionista será inaugurado em Blumenau-SC

Nos dias 6 a 7 de outubro acontece, na cidade de Blumenau, a I Jornada Criacionista do Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB).  O evento tem o objetivo de fundar o terceiro núcleo de estudos da SCB e assim iniciar suas atividades de divulgação do criacionismo no estado de Santa Catarina. O criacionismo é uma interpretação alternativa da natureza a partir da cosmovisão bíblica nas discussões acadêmicas sobre a origem da vida. Serão dois dias de muita informação abertos a toda a comunidade, com palestras de cientistas e pesquisadores do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB).

PALESTRAS
06/09 (19:30) – O Criador e o Método Científico

Com o Dr. Agrinaldo Jacinto do Nascimento Júnior, Químico, professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR), e Diretor-Presidente do Numar-SCB.

07/09 (09:30) – Um panorama sobre as atividades criacionistas no Brasil

Cofundador e editor associado da Origem em Revista e Diretor Executivo do NBLU-SCB.

07/09 (10:30) – Evidências bíblicas do Dilúvio

Com o MSc. Everton Fernando Alves, mestre em Ciências e Pós-graduando em Biotecnologia (Biologia Molecular, UEM) e Editor-chefe da Origem em Revista.

07/09 (16:00) – Mitos sobre a Evolução dos Dinossauros

Com o MSc. Everton Fernando Alves, mestre em Ciências e Pós-graduando em Biotecnologia (Biologia Molecular, UEM) e Editor-chefe da Origem em Revista.

MAIS SOBRE O EVENTO

O Simpósio está sendo organizado pelo Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB) e conta com o apoio Da Sociedade Criacionista Brasileira, com sede em Brasília/DF, e do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB). O evento contará com certificação emitida pelo NBLU-SCB.

De acordo com o MSc. Emerson Lubitz, professor do Departamento de Engenharia Civil da FURB e diretor-presidente do NBLU-SCB,

“a I Jornada Criacionista de Blumenau é o evento inaugural do recém-formado Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista do Brasil – NBLU-SCB, criado por um grupo de entusiastas deste tema tão controverso quanto fascinante. Pretende-se, a partir deste começo, unir esforços a outros núcleos formados e em formação na obra de apontar a narrativa bíblica como fundamento real e preciso da origem da vida, enfatizando a atuação de um Ser de infinitas magnificência, sabedoria e excelência, que conhecemos simplesmente por Deus. A Ele daremos honra através de cada ação, cada palavra, cada esforço, enfim, nesta jornada que ora se inicia.”

INSCRIÇÕES:

As inscrições serão gratuitas (com certificação) e deverão ser feitas online através do seguinte link: https://goo.gl/GiJw6v

DATA: 06 e 07 de outubro

LOCAL: Espaço Vida & Saúde. Rua Gustavo Salinger, 500 - Bairro Itoupava Seca - Blumenau-SC.

Maiores informações sobre o evento:
Alexandre Kretzschmar
47 9 9149-0208
alexandre.kretzschmar@gmail.com
Diretor Executivo do NBLU-SCB


Diretor de Ensino do Numar-SCB participa de evento em São Paulo

Everton Alves, mestre em ciências e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB) participará de Encontro Nacional de Universitários que acontecerá entre os dias 28 e 30 de julho em Sumaré (SP). O evento, organizado pela Federação das Uniões da Mocidade Adventista da Promessa (FUMAP), reunirá jovens cristãos universitários para uma ampla reflexão em torno do tema central do evento “A Razão da Fé”.

De acordo com Junior Mendes, comunicador social e diretor da FUMAP,

“Nossa preocupação com esse evento é alcançar o jovem que está na faculdade e que tem que conviver com as demandas que são próprias da rotina acadêmica, além do convívio social do ambiente universitário. A gente quer ajudar o jovem a enfrentar tanto os argumentos filosóficos e técnicos quanto as tentações da vida na faculdade.

Segundo os organizadores do evento, “o jovem universitário, sem o devido preparo, pode não conseguir responder a qualquer um que pedir a razão de sua fé e de sua esperança em Cristo.” Diante disso, eles convidam a todos para o evento a fim de refletir sobre tudo isso e buscar o devido preparo através de cientistas que vivem a rotina acadêmica, sem, contudo, negarem sua fé em Cristo.

PÚBLICO-ALVO

  • Estudantes do Ensino Médio que estejam na fase pré-universitária (treineiros)
  • Estudantes universitários das diferentes áreas do conhecimento e egressos do ensino superior
  • Demais pessoas com ensino superior interessadas no tema

PALESTRANTES

  • Everton Fernando Alves (mestre em ciências e diretor de ensino do NUMAR-SCB)
  • Adauto Lourenço (Mestre em Física pela Bob Jones University [EUA])
  • Michelson Borges (Jornalista, mestre em Teologia)
  • Andréa Vargas (Especialista em Aconselhamento Cristão e em Terapia Familiar)

 DATA E LOCAL E LOCAL

O evento será realizado de 28 a 30 de julho de 2017, na Estância Árvore da Vida, em Sumaré, SP.

INSCRIÇÕES

Faça sua inscrição pelo site: http://uni17.org/inscricao/

VÍDEO PROMOCIONAL


Maringá-PR sediará simpósio criacionista com participação de cientistas

Estão abertas as inscrições para o Simpósio “Diálogos Sobre a Origem da Vida”, que será realizado em Maringá-PR, no Centro Universitário Cesumar – UniCesumar entre os dias 02 e 03 de junho de 2017. O debate científico, que é aberto ao público, é resultado de uma parceria entre a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) e o Núcleo Maringaense da SCB (Numar-SCB).

O evento é uma oportunidade imperdível para a comunidade acadêmica e interessados no tema, de troca de informações e interação com cientistas engajados, em um ambiente voltado para a construção do conhecimento e incentivo do pensamento reflexivo. As inscrições para o Simpósio são feitas apenas pela internet, no site http://numar.scb.org.br/simposio/

SAIBA QUEM SÃO OS PALESTRANTES ABAIXO

As palestras exploram eixos temáticos como:

  • O que é ciência?
  • Astronomia
  • Paleontologia e a complexidade da vida
  • Datação Radiométrica
  • Criacionismo na Mídia

No decorrer do evento será lançada publicação da SCB em parceria com o NUMAR-SCB sobre assuntos afins.

O QUE: Simpósio Criacionista

LOCAL: Auditório Dona Etelvina – Bloco 7, Centro Universitário Cesumar – UniCesumar, Av. Guedner, 1610 – Jd. Aclimação, Maringá – PR.

DATA: 02 e 03 de junho

 

CONHEÇA OS PALESTRANTES:

 

Dr. Ruy Vieira

Ruy Carlos de Camargo Vieira

Engenheiro mecânico-eletricista pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e professor Emérito da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP. Ex-professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) (1954-1956). Foi Diretor-Científico da FAPESP (1979-1985), e um dos fundadores da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Ex-representante do MEC no Conselho da Agência Espacial Brasileira (2003). Cofundador da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Presidente-fundador da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB).

 

 

Me. Michelson Borges

 Michelson Borges

 

Escritor, jornalista e mestre em Teologia pelo UNASP; editor da Casa Publicadora Brasileira (CPB). Idealizador do site www.criacionismo.com.br, Autor de diversos livros criacionistas pela CPB e editor associado da Origem em Revista.

 

 

Dr. Rodrigo Meneghetti

Rodrigo Meneguetti Pontes

 

Bacharel e doutor em Química pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); professor adjunto do Departamento de Química da UEM; membro fundador do Numar-SCB. Editor associado da Origem em Revista. Autor de diversos artigos científicos publicados em prestigiadas revistas internacionais, como Journal of Organic Chemistry, Applied Catalysis A, Journal of Physical Chemistry A, Chemical Physics Letters, entre outras.

 

 

Dr. Marcio Fraiberg

Márcio Fraiberg Machado

 

Biólogo. mestre em Ciências e Matemática e doutor em Educação. Autor de diversos livros didáticos e para-didáticos em Biologia e Ciências naturais pela Casa Publicadora Brasileira (CPB) e editor associado da Origem em Revista. Professor universitário de biologia aplicada à enfermagem na Faculdade Adventista Paranaense (FAP/IAP) e membro do Numar-SCB.

 

Engº Claudio Abeche

Cláudio Luiz Abeche

 

Engenheiro Químico pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduado em MBA em Administração pela mesma Universidade. Empresário no ramo da indústria plástica (Eletroflex), área em que atua há 30 anos. Tem pesquisado assuntos sobre Astronomia há cinco anos.

 

 

Bel. Danilo de Oliveira

Danilo Camargo de Oliveira

 

Bacharel em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Cesumar (UNICESUMAR). Diretor de Assuntos Internacionais do Núcleo Maringaense da SCB (Numar-SCB)

 

 

 

O evento conta com o apoio do Departamento de Educação da União Sul-Brasileira (USB) da IASD, do Instituto Adventista Paranaense (IAP), do UniCesumar, da Eletroflex, da Gráfica Maranata e está sendo patrocinado pela Associação Norte Paranaense (ANP) da IASD.


"Fomos projetados por um designer", diz pesquisador

Foi por meio de um livro publicado pela Casa Publicadora Brasileira que Everton Fernando Alves teve seu primeiro contato com a Teoria do Design Inteligente (TDI). “Fiquei impressionado e interessado pelo tema ao ponto de ir pesquisar na internet se as evidências apresentadas faziam sentido ou não”, conta Alves, que é mestre em Ciências [Imunogenética] pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Depois de ler Por Que Creio, de autoria do jornalista Michelson Borges, ele concluiu: “As evidências de design na natureza não só fazem sentido, como também consistem na melhor explicação para a complexidade percebida com meus próprios olhos nas estruturas biológicas.” “Para mim, o design inteligente foi uma porta de entrada ao criacionismo que, a meu ver, é muito mais amplo”, acrescenta.

Desde então, o jovem pesquisador, de 31 anos, tem dado grande contribuição no país para a disseminação dessa teoria que ganhou status científico há pouco mais de duas décadas. Além de ser autor de dezenas de artigos publicados na área das ciências da saúde e ter escrito o e-book Teoria do Design Inteligente: Evidências científicas no campo das Ciências Biológicas e da Saúde (lançado em 2015), Everton Alves foi convidado recentemente pelo editor de uma importante publicação científica para apresentar e defender a TDI.

Segundo ele, o trabalho publicado na revista Clinical and Biomedical Research consiste na primeira divulgação científica brasileira sobre design inteligente numa revista revisada por pares no campo da Biomedicina (para ler a publicação na íntegra, clique aqui). “Minha contribuição ao periódico é singela e apenas o primeiro de muitos trabalhos de divulgação científicos que estão sendo elaborados e serão publicados também no Brasil pela Sociedade Brasileira do Design Inteligente, a partir de 2016”, ele enfatiza.

Nesta entrevista, concedida à Revista Adventista, Everton, que é membro da Igreja Adventista Central de Maringá e atua como diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (NUMAR-SCB), comenta sobre a abertura no meio científico para a divulgação de cosmovisões contrárias ao evolucionismo e explica em quais aspectos a Teoria do Design Inteligente e o criacionismo bíblico concordam ou não.

Qual é exatamente o caráter dessa publicação e seu significado para os que defendem a Teoria do Design Inteligente (TDI)?

O trabalho publicado na revista Clinical and Biomedical Research é a primeira divulgação científica brasileira com o objetivo exclusivo de apresentar e defender a proposta da Teoria do Design Inteligente (TDI) em uma revista revisada por pares no campo da Biomedicina e, a propósito, a convite do próprio editor da revista! Confesso que fiquei surpreso com o convite, pois a biologia tem sido um campo de estudo que não é muito receptivo a uma ideia ou teoria que não invoque Darwin.

Meu objetivo com esta publicação, de gênero “Carta ao Editor”, foi de estabelecer um diálogo com a comunidade científica, buscando apresentar a ela os principais conceitos ligados à teoria, ressaltar questões de relevância da TDI para o progresso científico e desmistificar alguns argumentos equivocados. Além disso, também procurei contar um pouco da história do movimento do design inteligente ao redor do mundo. Ademais, a publicação cita os principais objetivos, compromissos e desafios da TDI para seu estabelecimento como teoria científica, seus critérios metodológicos, bem como sua literatura especializada nacional e internacional.

É importante mencionar que, em 2004, o historiador da ciência Enézio de Almeida Filho, presidente emérito da Sociedade Brasileira do Design Inteligente (SBDI) e pioneiro na divulgação da TDI no Brasil, também contribuiu com o movimento ao enviar uma Carta a uma tradicional revista científica brasileira, porém, com uma função distinta da minha: a de criticar um artigo que havia sido publicado anteriormente. Nessa publicação, Enézio questionava alguns pontos de um artigo pró-evolucionismo publicado na revista, e o criticava afirmando que o trabalho continha uma análise tendenciosa do livro A caixa preta de Darwin, do bioquímico Michael Behe, além de taxar os proponentes do design inteligente como “criacionistas”.

O que ainda dificulta o desenvolvimento de pesquisas, bem como a publicação dos resultados de estudos que apresentem uma visão alternativa ao evolucionismo em periódicos científicos tradicionais?

O problema se encontra no fato de que a ciência adotou a teoria da evolução como paradigma na academia. Cientistas que aceitam a evolução são tratados como “racionais” enquanto os demais são taxados como “ignorantes” e “fundamentalistas religiosos”. Há 150 anos a ciência baniu a possibilidade de que exista algo além de matéria e energia nesse universo. Só que a comunidade científica se esqueceu de que existe um terceiro elemento envolvido: a informação. A informação é aperiódica e imaterial, não podendo ser explicada pela teoria da evolução. A informação somente pode vir de uma atividade intelectual, ou seja, de uma fonte inteligente.

Sabemos que não é fácil combater e desconstruir uma crença profundamente enraizada na ciência como é o caso do naturalismo filosófico (a propósito, cheio de lacunas e hipóteses imaginativas que não podem ser testadas em laboratório). Mas, o fato de a teoria evolutiva ainda ser um paradigma dentro da academia se deve também ao apoio da mídia que tenta blindar o darwinismo a todo custo. As últimas gerações foram doutrinadas a aceitar por meio da fé, e não dos fatos, esse modelo filosófico. Por meio de desenhos animados, filmes, novelas, jornais e, principalmente, dos livros didáticos, as crianças são bombardeadas com a ideia de “milhões de anos”.

Dessa forma, toda ideia distinta desse conceito tende a ser ignorada ou até mesmo combatida pela academia. Quer um exemplo? Pesquisadores que não aceitam o evolucionismo têm enfrentado dificuldades em obter financiamento para seus projetos de pesquisa e em publicar seus resultados em anais de congressos ou em periódicos de alto fator de impacto. Por esse motivo, pesquisadores do design inteligente têm sido injustamente excluídos da literatura científica por muitos anos. Eu pude vivenciar algumas experiências nesse sentido. Há algum tempo vinha tentando publicar um manuscrito com base em design e só recebi sonoros “nãos” de revistas científicas. A desculpa é sempre a mesma: “a submissão não se encaixa no escopo e foco de nossa revista”. Será esse mesmo o real motivo? Eu creio que não!

No que consiste a Teoria do Design Inteligente?

A TDI talvez seja hoje a maior novidade no meio científico. Ela pode ser entendida como o estudo dos padrões na natureza que carregam as marcas de causalidade inteligente. De maneira mais simples, podemos considerá-la uma teoria de detecção de design. Mas como detectar design? Os passos são os seguintes: um cientista pró-design analisa um objeto de estudo e busca distinguir se esse objeto possui informação que lhe confere as características de um design intencional (projetado por uma mente inteligente) ou se esse objeto é produto do acaso, necessidades, ou leis naturais.

A TDI não tem como foco principal estudar a origem da vida e do Universo, mas sim analisar as estruturas biológicas complexas que podem ser observadas na natureza. Entretanto, os teóricos do design também entendem que os mecanismos propostos pelo atual paradigma para explicar as origens (a hipótese do “Mundo RNA”, por exemplo) são demonstrados inadequados no contexto de justificação teórica. Ademais, o problema da origem da vida é indissociável do problema da origem da informação contida no DNA. Como afirma o filósofo e historiador da ciência Stephen Meyer, “sem informação, não há a possibilidade de construir nada em biologia”. É com base na presença de informação que conseguimos distinguir entre produtos do acaso e produtos da inteligência.

A ideia da existência de design na natureza não é recente. Filósofos gregos como Platão e Aristóteles já defendiam isso. Mas quando foi que esse conceito se popularizou e se estabeleceu oficialmente como teoria científica?

O argumento de design se tornou popular através da famosa tese de William Paley, publicada em 1802, conhecida como a “tese do relojoeiro”. Por outro lado, o design inteligente, como uma teoria científica, surgiu oficialmente em 1993 em Pajaro Dunes, Califórnia (EUA), em uma reunião coordenada pelo Dr. Phillip Johnson, fundador do movimento do design inteligente, juntamente com outros dissidentes da teoria evolucionista. Portanto, a TDI ainda é uma teoria muito jovem. Formulada em 1993, ela tem pouco mais de 20 anos.

No que ela difere da visão criacionista e, por outro lado, quais são os pontos em comum?

A TDI difere em quase todos os aspectos do modelo criacionista. O criacionismo assume o pressuposto de que Deus é o Criador da vida e do Universo. Por sua vez, a TDI não pretende identificar a fonte de inteligência, nem tem como foco principal explicar a origem da vida e do Universo. Seu ponto central é a detecção de informação existente na natureza e não a busca da origem dessa informação, no sentido de um designer (projetista). Embora a informação complexa e específica por si só – como no caso do DNA – aponte para a existência de uma mente inteligente devido à atribuição de propósito. É apenas nesse argumento teleológico de design (componente filosófico) que o criacionismo e o design inteligente convergem.

Embora o objetivo da TDI não seja identificar o Criador do Universo e da vida, quem ela supõe que seja esse designer inteligente?

Como uma teoria plenamente científica, a TDI não assume a priori quem seja esse designer. No entanto, os adeptos da teoria possuem cosmovisões diferentes entre si e podem interpretar a identidade dessa mente inteligente através de uma escolha pessoal, não científica. Entre os integrantes da TDI, existem cientistas de diversas religiões, alguns agnósticos e até mesmo ateus. Alguns pesquisadores cristãos brasileiros, entre os quais me incluo, extrapolam as evidências e assumem por meio da fé que esse designer é o Deus judaico-cristão.

Por não atribuir necessariamente os créditos da criação a Deus, até que ponto essa teoria é aceita no meio adventista? É possível conciliar o criacionismo bíblico com a Teoria do Design Inteligente?

É correto afirmar que, tanto o modelo criacionista quanto os princípios da biologia histórica dentro do evolucionismo são estruturas conceituais, e não teorias científicas. Assim sendo, a única que tem as características necessárias para ser considerada uma teoria originalmente “científica” é a do design inteligente. Atualmente, a TDI tem sido utilizada por criacionistas para complementar as explicações referentes ao campo da biologia funcional, ou seja, explicar a existência de informação biológica complexa na natureza. Como mencionei anteriormente, a convergência entre as duas teorias no argumento de design (propósito) possibilita o uso da TDI pelos criacionistas. No entanto, o inverso não é verdadeiro, isto é, a TDI não utiliza os argumentos e conceitos criacionistas para suas observações e experimentos científicos.

Dessa forma, cada vez mais os argumentos, predições e evidências levantados pela TDI tem sido utilizados também por criacionistas adventistas a fim de demonstrar os sinais de inteligência detectados na natureza e a assinatura de um projeto da vida que “só provém de vida”. A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), cujo presidente-fundador é adventista, tem publicado muitos materiais que incluem os argumentos do design. Cabe ainda mencionar que a SCB recém-lançou um curso a distância sobre criacionismo, que também traz bastante conteúdo relacionado ao design inteligente. O mesmo programa já está sendo ofertado em uma pós-graduação sobre criacionismo pelo Unasp. Além disso, nos últimos anos alguns líderes adventistas têm divulgado veementemente os atributos da teoria do design inteligente juntamente com as evidências criacionistas. Como podemos observar, é plenamente possível conciliar o criacionismo bíblico com a Teoria do Design Inteligente, e isso tem sido feito a cada ano com mais intensidade dentro da igreja.

Destaco, por exemplo, o trabalho feito pelo jornalista Michelson Borges. Desde 1998, ele vem incluindo o tema em suas palestras e pregações. Outros nomes se destacam no meio científico adventista, a exemplo do Dr. Ruy Vieira, do Dr. Nahor Neves de Souza Jr., da Dra. Marcia Oliveira, do Dr. Urias Takatohi, entre outros. Na região em que moro, o pastor Ericson Danese, líder de Jovens da sede administrativa adventista para a região Norte do Paraná, bem como o Dr. Agrinaldo Jacinto Jr. e o Dr. Rodrigo Meneghetti Pontes, diretor-presidente e vice-presidente, respectivamente, do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (NUMAR-SCB), têm dado especial contribuição para essa divulgação.

Como a TDI vê a questão da evolução proposta pelo naturalismo filosófico?

Em primeiro lugar, é importante esclarecer alguns pontos para que não haja generalizações e sejam entendidos dentro do contexto adequado. Os proponentes do design entendem e aceitam que a teoria da evolução trouxe grandes contribuições à história da ciência. Já está bem estabelecido o papel da seleção natural, das variações de baixo nível (conhecidas como o processo de microevolução observado nos experimentos de Lenski), especiação e ancestralidade comum com limitações.

Em segundo lugar, é preciso definir o que é “evolução” ou a qual tipo de evolução estamos nos referindo. Há pelo menos seis definições de “evolução”. Se por “evolução” entendemos “mudança ao longo do tempo” (microevolução ou “diversificação de baixo nível”, como alguns estudiosos propõem) ou até mesmo que organismos vivos estão relacionados pela ancestralidade comum (a origem das raças de cães a partir de lobos, por exemplo), então não existe nenhum conflito entre a teoria da evolução e a teoria do design inteligente. Porém, a TDI rejeita as propostas evolutivas ainda dominantes (Síntese Evolutiva Moderna ou neodarwinismo) que afirmam a possibilidade de grandes mudanças ao longo de milhões de anos dando origem a novas espécies conduzidas pela seleção natural que supostamente agiu por meio de mutações aleatórias. Ou seja, um processo não dirigido, imprevisível, sem nenhum propósito ou objetivo discerníveis e que não podem ser testados em laboratório.

Em sistemas biológicos, por exemplo, a TDI contraria tais pressupostos, pois defende a existência do conceito de complexidade irredutível no mundo molecular que jamais poderia ter se formado por meio de processos lentos, sucessivos e graduais. Já a ideia de ancestralidade comum no contexto neodarwinista ainda é uma questão em debate. No entanto, as evidências disponíveis levam a maioria dos adeptos da TDI a rejeitar também essa hipótese.

“Muitos cientistas têm se declarado publicamente contra a teoria da evolução. Isso demonstra que eles têm percebido suas falhas e lacunas”

Como é a aceitação da Teoria do Design Inteligente pela comunidade científica?

Muitos cientistas têm se declarado publicamente contra a teoria da evolução. Para se ter uma ideia, existe uma lista criada pelo Discovery Institute intitulada A Scientific Dissent from Darwin (A Dissidência Científica de Darwin). Isso demonstra que muitos têm percebido as falhas e lacunas que existem na teoria evolucionista. Sendo assim, a TDI encontra abertura ao redor do mundo para explanar suas propostas e argumentos. Isso porque muitos cientistas de renome têm aberto a mente para explicações alternativas sobre a complexidade da vida e a biodiversidade da natureza.

No Brasil, por exemplo, em 2013, foram realizadas palestras sobre Design Inteligente na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), espaço cedido pela própria instituição. No ano passado, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) promoveu e apoiou totalmente um curso de extensão acerca dos diferentes olhares sobre as origens (design inteligente, evolucionismo e criacionismo). A abertura ao debate e questionamentos em instituições públicas de ensino é um marco na história da ciência brasileira. Diversas outras instituições públicas e privadas de ensino também têm dado seu apoio para a causa. É necessário mencionar que muito dessa abertura ao diálogo se deve ao mérito do cientista e maior propagador atual da TDI no Brasil: o Dr. Marcos Nogueira Eberlin, presidente da Sociedade Brasileira do Design Inteligente (SBDI).

Quando você aceitou essa teoria e passou a defendê-la?

A primeira vez que li a respeito da TDI foi por meio do livro Por que Creio (CPB), do jornalista Michelson Borges. Fiquei impressionado e interessado pelo tema ao ponto de ir pesquisar na internet se as evidências apresentadas pela TDI faziam sentido ou não. A conclusão: não só fazem sentido, como também consistem, na minha opinião, na melhor explicação para a complexidade percebida com meus próprios olhos nas estruturas biológicas. Entretanto, quando ganhei o exemplar da obra durante o I Congresso de Universitários Adventistas da Associação Norte Paranaense, em 2004, fiz uma leitura superficial dela. Considero que somente em 2013 eu estava realmente preparado para assimilar seu conteúdo. Reli o livro e fiquei maravilhado com as evidências científicas apresentadas por cientistas criacionistas e pró-design entrevistados pelo autor.

Na época em que tive esse primeiro contato com a TDI, estava fazendo pesquisas dentro de um laboratório de imunogenética. Assim, todas as evidências estavam diante dos meus olhos. Quer mais design do que na estrutura tridimensional do DNA? Ela é o melhor exemplo de codificação e compactação de informação. Desse modo, por meio da TDI é possível entender o ajuste fino nas sequências do código genético (ordem e organização) e a complexidade irredutível presente no ciclo de síntese de proteínas, no armazenamento e leitura da informação genética necessária para a construção dos blocos da vida e a transmissão de dados.

No fim de 2014, entrei de cabeça nas pesquisas sobre a TDI. Tudo aconteceu rápido demais, de maneira inesperada. Ao pesquisar grupos que tratavam sobre o tema, conheci alguns jovens de valor que já divulgavam a teoria nas mídias sociais. Então, em 2015, fui convidado por um deles para ser colunista do site TDIBrasil.org, uma das maiores fontes de divulgação da teoria no Brasil, e também iniciei o projeto de escrita do meu e-book.

Quais são os principais desafios para a disseminação da TDI?

A meu ver, o principal desafio se encontra no âmbito da divulgação científica. A ciência especializada se desenvolve, em grande parte, através do processo de publicação em revistas avaliadas por pares. Portanto, podemos fazer a seguinte pergunta: qual será o futuro das pesquisas com base em design? Apesar de os pesquisadores do design terem sido injustamente excluídos da literatura científica por muitos anos, acredito que as expectativas futuras sejam positivas, em grande parte, igualmente, devido à atual abertura científica ao diálogo, debate e crítica. Como escritor e divulgador da TDI, espero que os editores e revisores de periódicos científicos tradicionais tenham a mente aberta para uma análise justa e imparcial. Assim, os méritos científicos do design dependerão, exclusivamente, de seu conteúdo.

Em junho de 2015, você publicou o e-book Teoria do Design Inteligente: Evidências científicas no campo das Ciências Biológicas e da Saúde. Qual é a contribuição dessa obra para a TDI?

Capa do livro Teoria do Design Inteligente

A ideia desse livro eletrônico surgiu durante o período em que atuei como colunista do site TDIBrasil.org. Percebi a escassez de bibliografia em português sobre o assunto. Tendo em vista que muitos brasileiros ainda não dominam idiomas como o inglês, decidi pesquisar, traduzir e desenvolver material bibliográfico de alta qualidade em nossa própria língua, fundamentado nas mais diversas e atuais evidências científicas disponíveis sobre o assunto. Por meio da obra, o leitor pode ter acesso a mais de 350 evidências científicas que apoiam o design. O e-book tem sido considerado uma contribuição ímpar no Brasil. Está registrado como uma das duas primeiras obras genuinamente brasileiras, relevantes e exclusivas acerca do design inteligente, ficando atrás apenas – em ordem cronológica – do livro Fomos planejados: a maior descoberta científica de todos os tempos, do Dr. Marcos Eberlin.

Fonte: Revista Adventista.


Carta ao Editor: Uma Ferramenta Científica Útil ao Design Inteligente

O gênero Carta ao Editor é considerado uma publicação científica e tem sido foco de interesse na área do design inteligente. Cartas ao Editor representam a correspondência entre diversos autores e os leitores, através dos editores das revistas.[1] Portanto, uma Carta irá ser avaliada pelo Editor, que avaliará a pertinência de sua publicação. Dessa forma, elas oferecem a oportunidade de debater em um fórum aberto, e contribuem para a validação da pesquisa. Praticamente todas as grandes revistas científicas têm, na atualidade, uma seção de Cartas ao Editor, que possui basicamente duas funções: 1) servir de Opiniões e comentários sobre um artigo específico publicado nos últimos números da Revista; 2) servir de espaço para que autores possam apresentar resultados preliminares de suas próprias pesquisas ou sobre temas de relevância científica de interesse à comunidade tais como a descrição de riscos à saúde pública ou avanços em uma nova área da ciência.[1]

Em relação à primeira função, tem sido a mais frequente entre os trabalhos publicados nesse tipo de seção. Os leitores constantemente apresentam suas críticas ou solicitam esclarecimento de eventuais dúvidas suscitadas por um artigo publicado na revista.[1] Nesse formato, há a possibilidade de haver réplica por parte do autor do artigo que está sendo criticado, e até mesmo uma tréplica por parte do leitor que apresentou a crítica. A depender do periódico, há um prazo, que varia entre 15 dias e 3 meses, para comentar um artigo depois de sua publicação.

Ainda em relação à função da Carta ao Editor, pesquisadores concordam que

“mesmo com a nítida melhora da produção científica e do rigor metodológico dos artigos publicados, não há trabalho científico perfeito, vieses pós-publicação podem ser identificados e motivar até mesmo a retratação dos autores ou, em caso de se constatar fraude ou manipulação dos resultados, a retirada do artigo da revista. Em outros casos, erros estatísticos podem ser evidenciados, ou, ainda, mínimas correções requeridas, não comprometendo as conclusões do artigo”.[1: p. 1]

Em 2004, por exemplo, o professor mestre em História da Ciência Enézio Eugênio de Almeida Filho, o então coordenador do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente (NBDI), enviou uma Carta ao Editor para a revista História, Ciências, Saúde-Manguinhos onde questionava especificamente alguns pontos de um artigo publicado na revista, e o criticava afirmando que o trabalho, “documentalmente infundado”, distorceria a realidade.[2]

O artigo criticado, intitulado “De Darwin, de caixas-pretas e do surpreendente retorno do criacionismo”, publicado no Dossiê Darwinismo de 2001, afirmava a equiparação, no segundo semestre de 1999, da teoria da evolução de Darwin ao texto bíblico do Gênesis nos currículos escolares de um estado norte-americano.[3] Para o professor Enézio, este ponto não corresponde aos fatos, e suas críticas direcionadas ao artigo são justificadas diante da tendenciosa análise e crítica de seu autor para com o livro A caixa preta de Darwin, do bioquímico Michael Behe. Além disso, o artigo criticado por Enézio identificou os proponentes do design inteligente como “criacionistas”, polarizando o tema em “ciência versus religião” quando o que estava em debate era a questão científica da “complexidade irredutível” levantada por Behe.[2]

A propósito, considero uma das maiores publicações científicas no design inteligente exatamente uma Carta ao Editor escrita por Michael Behe.[4] Em 2009, Behe escreveu essa carta a fim de exercer o direito de resposta a um artigo original publicado no ano de 2008, cujo objetivo do autor era expor as supostas falhas de Behe acerca dos limites matemáticos para a evolução darwiniana, publicadas no ano de 2007 em seu livro The Edge of Evolution. Para entendermos melhor a situação é necessário analisarmos o que dizia o livro de Behe. No livro, baseando-se em estudos de saúde pública sobre a malária, Behe observou que um novo aparecimento de resistência à cloroquina em parasitas da malária foi um evento de probabilidade de 1 em 1020 (para o cálculo, a propósito, ele utilizou uma estatística empírica da literatura).[5]

Assim, a probabilidade de ocorrer em seres humanos uma dupla mutação simultânea por acaso seria de 1 para 10 bilhões.[5] Isso exigiria mais organismos e gerações do que os que estiveram disponíveis ao longo de toda a história da Terra. Portanto, quando múltiplas mutações devem estar presentes simultaneamente para haver ganho de uma vantagem funcional, a evolução darwiniana fica limitada. Diante disso, em 2008, numa tentativa improdutiva de expor supostas falhas nos argumentos de Behe, os biólogos Rick Durrett e Deena Schmidt acabaram reconhecendo a contragosto que o argumento de Behe estava basicamente correto.[6]

Na ocasião, os biólogos usaram uma estimativa teórica a partir de um modelo de genética populacional para calcular a probabilidade de duas mutações simultâneas ocorrer por evolução darwiniana em uma população de seres humanos. Para Behe, o modelo utilizado pelos biólogos para o cálculo é inadequado [4]. Durrett e Schmidt descobriram que um evento como esse levaria 216 milhões de anos para acontecer, enquanto o cálculo de Behe foi “5 milhões de vezes maior” do que eles encontraram [6: p. 1507]. Ainda assim, 216 milhões de anos continuavam sendo um tempo demasiadamente longo. Tendo em vista que os humanos supostamente divergiram de seu ancestral comum com os chimpanzés há apenas 6 milhões de anos, eles reconheceram que tais mutações são “muito pouco prováveis de acontecer em uma escala razoável de tempo”.[4; 5: p. 1507]

Em 2015, eu também contribuí com o movimento do design inteligente ao publicar uma Carta no Clinical and Biomedical Research, periódico revisado por pares situado no campo de interface entre Biologia e Medicina. Foi mais uma divulgação com o objetivo exclusivo de apresentar e defender a proposta da Teoria do Design Inteligente (TDI) em uma revista revisada por pares na área de Biomedicina. A propósito, a convite do próprio editor da revista!

Através desse convite, pude abordar os principais conceitos ligados à teoria, ressaltar questões de relevância da TDI para o progresso científico e desmitificar alguns argumentos equivocados, constantemente divulgados por seus oponentes a fim de descaracterizar o design inteligente. Também apresentei a história do movimento do design inteligente ao redor do mundo, bem como de suas publicações científicas. Ademais, citei os principais objetivos, compromissos e desafios da TDI para o seu estabelecimento como teoria científica, seus critérios metodológicos, sua literatura especializada nacional e internacional, além de deixar registrada minha perspectiva futura em relação às futuras publicações científicas baseadas em design.

Essas evidências nos mostram a influência e/ou poder que uma Carta ao Editor pode exercer sobre uma determinada área da ciência.

Fonte: Texto publicado em 14/01/2016 no Portal TDI Brasil.org.

Referências:

[1] Amorim MMR, Souza ASR. A cultura da carta ao editor. Femina. 2013; 41(1):1-4. [Link]

[2] Almeida Filho EE. Cartas. Hist. cienc. saude-Manguinhos. 2004; 11(2):519-20. [Link]

[3] Martins MV. De Darwin, de caixas-pretas e do surpreendente retorno do ‘criacionismo’. Hist. cienc. saude-Manguinhos. 2001; 8(3):739-756. [Link]

[4] Behe MJ. Waiting Longer for Two Mutations. Genetics. 2009; 181(2): 819–820. [Link]

[5] Behe MJ. The Edge of Evolution: The Search for the Limits of Darwinism. New York: Free Press, 2007.

[6] Durrett R, Schmidt D. Waiting for Two Mutations: With Applications to Regulatory Sequence Evolution and the Limits of Darwinian Evolution. Genetics 2008; 180(3):1501-1509. [Link]


Design Inteligente na morte?

Argumento evolucionista:

O design inteligente é capaz de verificar um projeto intencional nas garras e dentes de um leão que os utiliza para caçar e matar um antílope a fim de saciar sua fome? Em outras palavras: é capaz de identificar um projeto intencional na morte?

Argumento do design:

Alguns adeptos da Teoria do Design Inteligente (TDI) até poderiam levantar objeções de natureza moral a esse respeito, porque muitas vezes a intencionalidade desperta essa questão. Mas devemos nos restringir apenas ao campo científico. Nesse sentido, o design está especificamente comprometido com forma e função (Ex.: como lindas e eficientes facas de cozinha). A propósito, as espadas são projetos formidáveis (design para a morte).

Mas em relação a questionamentos como esse, precisamos separar o que é científico do que não é científico. Esse tipo de argumento é científico, mas a analogia não. Por quê? Porque estão sendo usadas duas coisas ontologicamente diferentes: uma teoria e um leão. Uma teoria científica é uma tentativa LÓGICA de nos levar ao conhecimento. O leão é um ser.

Essa pergunta científica se reduziria a pó numa análise filosófica. Por quê? Porque está atribuindo à TDI o status de TEORIA DO TUDO – capaz de identificar um projeto intencional de morte! Os proponentes do design buscam esclarecer que a TDI é uma teoria científica minimalista que IDENTIFICA sinais de inteligência. Só isso!

Quanto ao leão, se realmente suas garras e dentes foram projetados para matar, por que nem sempre ele mata um antílope? Quanto ao antílope, se suas pernas foram projetadas para correr, por que nem sempre sobrevive? Aqui entramos em outro ponto. É preciso entender que a TDI possui um comprometimento mínimo com o grau de otimização (eficiência) de um projeto. Aliás, esse comprometimento mínimo está relacionado às regras básicas de sistemas. Portanto, uma das predições da TDI é que existem fatores que podem vir a interferir no design de um projeto.

(Texto publicado em 25/02/2017 em coautoria com Junior Eskelsen, responsável pelo Portal tdibrasil.org)


Cangurus vivem somente na Austrália?

O que as pessoas não sabem é que cerca de uma dúzia de diferentes tipos de marsupiais básicos vivem, além da Austrália, na Papua-Nova Guiné e na Indonésia. Além dos cangurus australianos, existem os cangurus arborícolas presentes na Nova Guiné. Como eles ficaram isolados nesses locais? Os evolucionistas insistem que eles evoluíram lá, há milhões de anos,[1, 2] mas certos fósseis sugerem uma resposta diferente. Marsupiais incluem grupos de cangurus e coalas, além dos menos conhecidos como os bettongs e toupeiras marsupiais. Em vez de se desenvolverem em úteros, seus filhotes crescem dentro de uma bolsa de pele da mãe chamada marsúpio. Que evidência convenceu os pesquisadores de que os marsupiais evoluíram de um único antepassado marsupial na Austrália ou Nova Guiné ao longo de milhões de anos?

Seja qual for a resposta, não são fósseis, que mostram exatamente o oposto dessa história evolutiva. Os menores e os mais antigos fósseis marsupiais encontrados no sistema de rochas do período Cretáceo “são exclusivamente da Eurásia e da América do Norte”.[3] Se os marsupiais australianos evoluíram na Austrália, então por que seus supostos ancestrais foram enterrados no hemisfério oposto (hemisfério norte)? E por que o “mais antigo” fóssil marsupial, que parece notavelmente com um gambá, vem da China?[4] Uma revisão de 2003 admitiu que “esse interruptor geográfico permanece inexplicado”.[3]

A fim de contornar esse problema, um estudo afirmou que os cangurus evoluíram na China e migraram por meio da América para Austrália e a Antártida;[5] além disso, a mesma pesquisa sugeriu que os cangurus são geneticamente semelhantes aos humanos. Outro estudo sugeriu que os característicos coalas, cangurus e gambás da Austrália teriam dividido um [suposto] ancestral comum americano. Os cientistas elaboraram uma árvore genealógica baseada no DNA e sugeriram que uma única espécie de marsupial ancestral se originou na América do Sul (quanto fazia parte do supercontinente de Gondwana) e se dirigiu rumo à Austrália.[6]

Mas o que é pior para este conto é que os fósseis de mamíferos placentários aparecem nos depósitos australianos do Cretáceo. A Austrália tem mantido há muito tempo suas populações marsupiais, e com pouquíssimos placentários. No entanto, a partir da observação da localização dos fósseis, os marsupiais deveriam ter evoluído fora da Austrália e os placentários é que deveriam ter evoluído na Austrália – o oposto da história evolutiva.

Em geral, os fósseis não mostram nenhuma evidência para a evolução marsupial. Observamos tanto marsupiais quanto placentários completamente formados. Uma vez que os fósseis marsupiais aparecem apenas onde os marsupiais não vivem hoje, eles devem ter se mudado (migrado). Mas onde e quando isso teria ocorrido?

Nenhum cientista criacionista ou evolucionista estava lá para observar e gravar quando os marsupiais realmente chegaram à Austrália, então ambos devem apenas sugerir e testar hipóteses. Evolucionistas sugerem que marsupiais do Cretáceo foram extintos com os dinossauros, apenas para a evolução substituí-los com duplicatas exatas milhões de anos depois na Austrália! É como se um gambá evoluísse, fosse extinto, então forças naturais fossem criando virtualmente a mesma criatura uma segunda vez. Muito imaginativo, mas não muito científico.

Felizmente, um cenário favorável à Bíblia explora os fósseis sem recorrer a histórias de evolução. O modelo criacionista diz que os marsupiais do “cretáceo” morreram no dilúvio de Noé. Eles devem ter vivido em regiões pré-diluvianas que, devido a eventos relacionados ao dilúvio, se separaram em áreas menores conhecidas hoje como América do Norte, Europa e Ásia.[7] O relato da testemunha bíblica ocular do dilúvio garante aos leitores que dois de cada animal que habitava na terra e que respirava ar entraram na Arca de Noé.[8] Isso inclui cangurus, coalas, tilacinas e therizinossauros.

Os eventos associados ao dilúvio teriam dado origem à época do gelo (clique aqui e saiba mais), que teria durado vários séculos.[9] Naquela época, o nível do mar era cerca de 100 metros mais baixo do que é hoje.[10] Os mares mais baixos proporcionavam pontes terrestres entre muitas das ilhas modernas.[11] Animais e homens podiam literalmente caminhar desde as montanhas do Ararat (local onde a Arca de Noé pousou) até a Nova Guiné. Alguns poderiam ter sido transportados em detritos da tempestade ou nadado de ilhas como Nova Guiné para a Austrália.[12] Mas a hipótese mais razoável é que os marsupiais conseguiram realmente migrar enquanto o gelo do mundo estava solidificado e o nível do mar ainda estava mais baixo; o derretimento do gelo no final da época do gelo aumentou o nível do mar o suficiente para isolá-los em terras antigas de ponte terrestre que se tornaram ilhas.[13]

Conforme explica o naturalista Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia) que existiam durante o período glacial, submergiram” [14: p. 70]. Isso explicaria o fato de alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus terem ficado ilhados na ilha continental australiana.

Mas quais seriam as evidências de que os cangurus migraram desde o local onde a Arca de Noé parou (conhecido atualmente como Turquia) até a Austrália, região onde teriam ficado isolados tempos depois? As evidências se encontram no fato de que alguns cangurus ficaram no meio do caminho e não conseguiram chegar até a região da Austrália. Os fósseis de cangurus encontrados em distintas regiões do planeta nos dão indícios de que eles ficaram no “meio” desse caminho. Além disso, como falamos no início deste texto, alguns cangurus arborícolas, tais como os cangurus-arborícolas-de-goodfellow, os wallabies e os pademelon, que vivem na Nova Guiné, e os tenkile e o canguru-de-manta-dourada, da Indonésia, prosperaram, portanto, em outras regiões antes que alguns exemplares chegassem até seu destino final (Austrália).

Ademais, é interessante pensarmos no porquê de os cangurus terem se dirigido rumo à Austrália. Alguns criacionistas desenvolveram a hipótese de que talvez eles estivessem apenas retornando ao seu local de origem, uma vez que antes do dilúvio existia apenas um único continente não fragmentado.[15] Mas como eles teriam reconhecido o caminho de volta? A ideia é que eles retornaram ao seu território nativo por meio de uma direção “especial”, ou seja, por meio de instintos de localização (GPS biológico), como os que se observam em pássaros, peixes, insetos e outros animais migratórios.

Mas o que podemos de fato observar é que cangurus e coalas não evoluíram na Austrália. Eles simplesmente não evoluíram. Deus os fez marsupiais desde o início. Muitos deles morreram junto com dinossauros e outras criaturas durante o dilúvio. Aqueles que sobreviveram ao dilúvio na Arca tiveram descendentes que podem ter migrado à frente de muitos mamíferos placentários. Eles provavelmente chegaram à Austrália antes que o aumento dos níveis do mar interrompesse os placentários de continuar a jornada até o fim do caminho. Essa solução se encaixa nas observações fósseis e nas Escrituras.

(Texto adaptado do original Thomas [16], postado originalmente no Brasil em 01/03/2017 no Blog Criacionismo)

Referências e notas:

[1] Janis CM, et al. Locomotion in Extinct Giant Kangaroos: Were Sthenurines Hop-Less Monsters? PLoS One. 2014;9(10):e109888.

[2] Butler K, Travouillon KJ, Price GJ, Archer M, Hand SJ. Cookeroo, a new genus of fossil kangaroo (Marsupialia, Macropodidae) from the Oligo-Miocene of Riversleigh, northwestern Queensland, Australia. Journal of Vertebrate Paleontology. 2016; 36(3):e1083029.

[3] Cifelli RL, Davis BM. Marsupial Origins. Science. 2003;302(5652):1899-1900.

[4] Luo ZX, et al. An Early Cretaceous Tribosphenic Mammal and Metatherian Evolution. Science. 2003;302(5652):1934-1940.

[5] Kangaroos similar to humans, claim Australian researchers. Telegraph (18/11/2008). Disponível em:http://www.telegraph.co.uk/news/science/3477482/Kangaroos-similar-to-humans-claim-Australian-researchers.html

[6] Nilsson MA, et al. Tracking Marsupial Evolution Using Archaic Genomic Retroposon Insertions. PLoS Biol. 2010 Jul 27;8(7):e1000436.

[7] Clarey T. Hot Mantle Initiated Ocean and Flood Beginnings. Acts & Facts. 2013;42(8):15.

[8] "[Gênesis 10: 1] diz respeito à quarta geração do livro de Gênesis (anteriormente observado em Gênesis 2: 4; 5: 1 e 6: 9), presumivelmente marcando as assinaturas de Sem, Cam e Jafé após completar sua narrativa do Dilúvio e os anos pós-dilúvio imediatos. Ver: Morris H. The Henry Morris Study Bible. Green Forest, AR: Master Books, 2012, p.45.

[9] Hebert J. Was There an Ice Age? Acts & Facts. 2013;42(12):20; ver também: “Alves EF. A era do gelo: uma perspectiva bíblico-científica. NUMAR-SCB (31/10/2016). Disponível em: http://numar.scb.org.br/artigos/era-do-gelo-uma-perspectiva-biblico-cientifica/

[10] Gomitz V. Sea level rise, after the Ice Melted and Today. Science Briefs. Goddard Institute for Space Studies da NASA (10/01/2007). Disponível em: https://www.giss.nasa.gov/research/briefs/gornitz_09/

[11] Clarey T. The Ice Age and the Scattering of Nations. Acts & Facts. 2016;45(8): 9.

[12] Mesmo os evolucionistas há muito invocaram a migração em esteiras de detritos flutuantes para explicar o transporte de animais para as ilhas. Tipos de plantas similares em diferentes continentes, florescendo bem onde as correntes oceânicas os levariam, apoiam o transporte

[13] Possivelmente, marsupiais e placentários competiram fora por recursos, assim os marsupiais continuaram a migrar para os habitats com menos competição.

[14] Baerg HJ. O mundo já foi melhor. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992.

[15] Gibson LJ. Patterns of mammal distribution. Manuscrito não publicado, distribuído pelo Geoscience Research Institute, Loma Linda University, Loma Linda, CA.

[16] Thomas B. Why Do Kangaroos Live Only in Australia? Acts & Facts. 2017; 46(2):20.


Por que ler o livro A História da Vida

Descreverei aqui os principais motivos pelos quais o livro A História da Vida [adquira aqui], do jornalista e mestre em teologia Michelson Borges, me cativou:

  1. O autor conseguiu traduzir com maestria conteúdo acadêmico para uma linguagem simples e de fácil compreensão para pessoas que, como eu, ainda estão aprendendo sobre o criacionismo.
  1. Possui abordagem "científica", visto que a cada nova ideia introduzida, evidências científicas que a corroboram são apresentadas em abundância. O livro traz referências de pesquisas que seguiram adequadamente o rigor metodológico (assim como o método científico usual exige); muitas dessas referências são resultantes de pesquisas evolutivas, mas, apoiam, sob uma reinterpretação despreconceituosa, o modelo bíblico das origens (evidenciando mais ainda sua incoerência).
  1. O leitor é estimulado a pesquisar por si próprio. O autor fornece instrumentos e recursos para que o leitor não acredite apenas no que ele diz (assim como a pesquisa científica deve ser feita). Se não bastasse, o autor insiste no aprendizado do leitor por conta própria ao estimulá-lo com questionamentos ao final de cada capítulo (assim como a educadora cristã Ellen White descreve a verdadeira educação que proporciona o raciocínio crítico).
  1. As ideias são claras, concisas e organizadas, desde o conteúdo mais simples ao mais complexo, e as evidências são apresentadas em ordem cronológica (seguindo os passos das técnicas e métodos de pesquisa).
  1. No decorrer da leitura de A História da Vida fica evidente o fascínio do autor pela ciência, o respeito com que a trata e a seriedade com que aborda cada capítulo selecionado a dedo (aliás, um conteúdo mais interessante que o outro).
  1. Michelson fala com autoridade, pois, como todo honesto intelectual, buscou conhecer os dois lados da mesma moeda, ou melhor, as duas possíveis interpretações de um mesmo dado científico.
  1. O capítulo “O Autor da história da vida” introduz o Criador de forma suave e a escrita é coerente com o estilo redacional científico que já vinha sendo utilizado. Digo isso porque eu esperava uma quebra abrupta na leitura e uma passagem completa ao campo filosófico. Para minha felicidade, o autor trouxe testemunhos vivos (renomados ex-ateus) que descrevem com maestria as “razões” que os convenceram da existência de um Criador e, principalmente, explora o capítulo 3 do livro A Prova Evidente, que introduz os argumentos (complexidade, ajuste fino) do design inteligente e traz, mais adiante, evidências da Arqueologia e da História. E, a partir de então, o livro segue com os argumentos lógicos (pautados em evidências) para a existência de um Criador (embora não sejam absolutistas).

Mas eu quero aproveitar o espaço para comentar e testemunhar dos efeitos na minha vida de outro livro do mesmo autor: Por Que Creio [adquira aqui]. Este livro chegou às minhas mãos numa época crucial da minha vida. Eu estava fazendo o mestrado, me aprofundando mais em alguns aspectos da ciência. Ao lê-lo, fui instigado a buscar mais sobre um assunto que, até então, eu desconhecia: o design inteligente.

O trabalho do jornalista Michelson foi essencial na minha formação intelectual e na forma como, a partir de então, eu olharia para a Bíblia. Minha mente se abriu, e eu realmente senti a necessidade de informar as pessoas outra maneira de aprender sobre a Palavra de Deus, isto é, fazendo uso do processo de análise histórico-crítica. Dessa forma, é possível contextualizar cada registro bíblico com o auxílio das mais diversas descobertas do conhecimento humano, principalmente as que dizem respeito às nossas origens.

Hoje, tenho o autor como referencial e por isso sei que não devemos nos conformar com respostas medíocres, do tipo “Deus quis assim”, ou “Eu acho que foi assim”. Hoje eu busco respostas na convergência entre ciência e Bíblia. Portanto, hoje eu busco me capacitar cada vez mais a fim de compartilhar com o máximo de pessoas possível a história da nossa vida.