Como os fósseis se formam a partir da madeira

Madeira fossilizada (Imagem por: Darwin Pucha Cofrep)

Como um tronco de árvore se transforma em madeira petrificada? Isso pode ocorrer por diversas formas e envolver substâncias químicas diferentes. Para que ocorra a petrificação, é necessário que a madeira seja capaz de interagir com a substância petrificante, fazendo-a precipitar a partir da solução aquosa. Entre as substâncias que possuem essa característica está a sílica (SiO2). Na verdade, não há uma molécula de SiO2. A sílica forma sólidos covalentes. Trata-se uma cadeia ou rede de átomos de oxigênio e silício, unidos por ligações covalentes, na proporção de 1 átomo de silício para 2 átomos de oxigênio. O SiO2 é um dos principais constituintes da areia e pode formar sólidos como o quartzo, a calcedônia e as opalas [1]. A sílica é um sólido insolúvel em água com pH nas vizinhanças de 7 e em temperaturas brandas. Ao bem da verdade, se pulverizarmos vidro (que é em grande parte SiO2) e aquecermos até a ebulição com água por cerca de uma hora, mais ou menos 1% da sílica do vidro será hidrolisada (reagirá com água) e passará para a solução aquosa. Isso faz parte de um dos experimentos de laboratórios dos cursos de graduação para os quais leciono. Todavia, em soluções básicas (pH elevado) a sílica pode ser hidrolisada com mais facilidade e liberar quantidades razoáveis de íons silicato. De forma similar, em soluções ácidas a hidrólise da sílica libera o ácido silícico, Si(OH)4.

Chamamos de silicificação a penetração e a fixação de sílica no material orgânico que servirá de base para a formação do fóssil. A silicificação é considerada por alguns autores como o processo individual mais importante na preservação de plantas no registro fóssil [3]. Embora alguns autores prefiram manter uma distinção entre silicificação e petrificação, neste artigo vamos usar os dois termos como sinônimos, como tem sido prática comum na literatura da área. Acredita-se que o ácido silícico seja o principal responsável pela silicificação [2]. Os tecidos vasculares das plantas são compostos principalmente por holoceluloses (um grupo de sacarídeos que inclui a celulose) e por ligninas (polímeros complexos compostos de unidades de fenilpropano) [2]. Tanto as holoceluloses quanto as ligninas possuem grupos hidroxila que podem formar ligações de hidrogênio com o ácido silícico.
No processo de petrificação, as moléculas de ácido silícico passam da solução aquosa para a superfície dos constituintes moleculares do tecido vascular da madeira (holoceluloses e ligninas). Na medida em que o ácido silícico vai se acumulando dentro da madeira, suas moléculas começam a se fundir. A continuação desse processo leva à formação de um filme de sílica ao redor das superfícies celulares, reproduzindo as características histológicas da madeira. Por causa disso, a petrificação por meio de sílica é capaz de preservar uma riqueza impressionante de detalhes não observáveis em outros tipos de fossilização.
Por que um pedaço de madeira não se fossiliza se for simplesmente enterrado no solo, pois a areia é formada principalmente por SiO2? A petrificação da madeira depende da existência de uma quantidade razoável de ácido silícico em solução. O ácido silícico, como vimos, é gerado a partir da sílica em meio ácido, e a maioria dos reservatórios naturais de água não é suficientemente ácida para hidrolisar uma quantidade apreciável de sílica.
É muito comum que madeira petrificada seja encontrada em regiões vulcânicas [4], particularmente se uma erupção ocorreu na época em que a madeira foi soterrada [5]. Os vulcões fornecem três elementos fundamentais para o processo de petrificação. Primeiramente, em um ambiente catastrófico as chances de que a madeira seja soterrada rapidamente antes de se decompor são muito elevadas. A madeira precisa ser protegida contra a degradação para que as moléculas de ácido silícico tenham tempo o bastante para se infiltrar e se depositar em seu interior. Em segundo lugar, as cinzas vulcânicas são constituídas em sua maioria por SiO2 [6]. Por fim, os vulcões são responsáveis pela produção de gases como o SO2 que, quando dissolvido em água, deixa o meio ácido gerando ácido sulfuroso (H2SO3) ou mesmo ácido sulfúrico (H2SO4).
Então os eventos são os seguintes. Durante a erupção de um vulcão nas proximidades de fontes de água, plantas podem ser soterradas catastroficamente, sendo encobertas por sedimentos com grande quantidade de cinzas vulcânicas (fonte rica em SiO2). A água misturada aos sedimentos é ácida, sendo capaz de promover a liberação de ácido silícico para a solução. O ácido silícico, por sua vez, se fixa às holoceluloses e às ligninas da madeira por meio de ligações de hidrogênio. O acúmulo de ácido silício leva então à formação de um filme de sílica, como dissemos acima.
Mas o quão rápido é esse processo? Fragmentos de madeira recuperados de cinzas vulcânicas de uma erupção em 1886 na Nova Zelândia estavam parcialmente petrificados apenas 90 anos após o soterramento [2]. Madeira de coníferas soterradas por cinzas vulcânicas na erupção histórica de 1885 do Monte Santa Helena apresentava petrificação incipiente após 102 do soterramento [5]. Mas o resultado mais impressionante vem de um grupo de pesquisadores do Japão [4]. Esses pesquisadores observaram que em um certo lago de águas quentes, nas vizinhanças de um vulcão, eram frequentemente encontrados pedaços de madeira impregnadas com sílica. Esses pedaços de madeira caiam naturalmente das plantas nas vizinhanças do lago. Os pesquisadores notaram que a textura desse material era a mesma de madeira silicificada encontrada em regiões vulcânicas no registro geológico. Eles decidiram, então, conduzir um experimento muito interessante. Pedaços de madeira foram colocados no lago e monitorados ao longo de sete anos. O resultado foi surpreendente. Os pedaços que permaneceram por mais tempo imersos no lago tiveram próximo de 40% de sua massa silicificada. A conclusão dos autores é bastante significativa para a compreensão de como os fósseis se formam. Segundo eles, “madeira silicificada pode se formar, sob condições apropriadas, em períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos” [4]. Um detalhe muito interessante desse trabalho é o fato dos autores citarem um artigo do Geólogo australiano Andrew Snelling publicado na revista criacionista Creation [7].
Vamos agora relacionar essas descobertas com a proposta criacionista do Dilúvio bíblico. Citando John D. Morris,
“O período imediatamente anterior e pouco depois do Dilúvio foi um tempo de imenso vulcanismo, marcado por extensivas erupções na medida em que os continentes se afastavam, as cadeias de montanha eram elevadas, e o fundo do oceano era rebaixado”.
“Considere os Basaltos do Rio Colúmbia, onde os depósitos vulcânicos cobrem mais de 100.000 milhas quadradas no estado de Washington e Oregon, com o basalto tendo até uma milha de espessura!” [8].
Vulcanismo intenso provê as condições perfeitas para a fossilização de plantas. É notável o fato de que encontramos florestas inteiras preservadas desta maneira ao longo do registro fóssil [3]. Em outras palavras, a proposta catastrofista criacionista encontra-se completamente em acordo com o melhor conhecimento experimental de que dispomos. Além disso, a questão do tempo de fossilização também apoia a proposta criacionista. Nas palavras de Alkahane et al. [4], madeira silicificada pode se formar em “períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos”. Portanto, quando falamos de madeira petrificada, um modelo que apela para uma grande catástrofe ocorrida há poucos milhares de anos está em pleno acordo com os dados de que dispomos. Mais do que isso, a proposta catastrofista criacionista tem se mostrado capaz de explicar aspectos de diversas áreas do conhecimento que são passados por alto ou atribuídos a causas improváveis na visão evolucionista.
Se o processo de fossilização da madeira ocorreu há poucos milhares de anos, poderia ter restado alguma matéria orgânica residual? Essa matéria orgânica poderia ser datada por carbono-14? Esse será o assunto de um outro artigo.
Referências:
[1] G. Scurfield, E.R. Segnit, Petrifaction of wood by silica minerals, Sediment. Geol. 39 (1984) 149–167. doi:10.1016/0037-0738(84)90048-4.
[2] R.F. Leo, E.S. Barghoorn, Silicification of wood, Harvard Univ. Bot. Mus. Leafl. 25 (1976) 1–47. http://www.biodiversitylibrary.org/item/31874 (accessed February 12, 2016).
[3] C. Ballhaus, C.T. Gee, C. Bockrath, K. Greef, T. Mansfeldt, D. Rhede, The silicification of trees in volcanic ash - An experimental study, Geochim. Cosmochim. Acta. 84 (2012) 62–74. doi:10.1016/j.gca.2012.01.018.
[4] H. Akahane, T. Furuno, H. Miyajima, T. Yoshikawa, S. Yamamoto, Rapid wood silicification in hot spring water: an explanation of silicification of wood during the Earth’s history, Sediment. Geol. 169 (2004) 219–228. doi:10.1016/j.sedgeo.2004.06.003.
[5] A.L. Karowe, T.H. Jefferson, Burial of trees by eruptions of Mount St Helens, Washington:implications for the interpretation of fossil forests, Geol. Mag. 124 (2009) 191. doi:10.1017/S001675680001623X.
[6] A.C. Sigleo, Geochemistry of silicified wood and associated sediments, Petrified Forest National Park, Arizona, Chem. Geol. 26 (1979) 151–163. doi:10.1016/0009-2541(79)90036-6.
[7] A. Snelling, “Instant” petrified wood, Creation. 17 (1995) 38–40.
[8] J.D. Morris, The Global Flood: Unlocking Earth’s Geology Hystory (Edição para Kindle), Institute for Creation Research, Dallas, 2012.

Cangurus vivem somente na Austrália?

O que as pessoas não sabem é que cerca de uma dúzia de diferentes tipos de marsupiais básicos vivem, além da Austrália, na Papua-Nova Guiné e na Indonésia. Além dos cangurus australianos, existem os cangurus arborícolas presentes na Nova Guiné. Como eles ficaram isolados nesses locais? Os evolucionistas insistem que eles evoluíram lá, há milhões de anos,[1, 2] mas certos fósseis sugerem uma resposta diferente. Marsupiais incluem grupos de cangurus e coalas, além dos menos conhecidos como os bettongs e toupeiras marsupiais. Em vez de se desenvolverem em úteros, seus filhotes crescem dentro de uma bolsa de pele da mãe chamada marsúpio. Que evidência convenceu os pesquisadores de que os marsupiais evoluíram de um único antepassado marsupial na Austrália ou Nova Guiné ao longo de milhões de anos?

Seja qual for a resposta, não são fósseis, que mostram exatamente o oposto dessa história evolutiva. Os menores e os mais antigos fósseis marsupiais encontrados no sistema de rochas do período Cretáceo “são exclusivamente da Eurásia e da América do Norte”.[3] Se os marsupiais australianos evoluíram na Austrália, então por que seus supostos ancestrais foram enterrados no hemisfério oposto (hemisfério norte)? E por que o “mais antigo” fóssil marsupial, que parece notavelmente com um gambá, vem da China?[4] Uma revisão de 2003 admitiu que “esse interruptor geográfico permanece inexplicado”.[3]

A fim de contornar esse problema, um estudo afirmou que os cangurus evoluíram na China e migraram por meio da América para Austrália e a Antártida;[5] além disso, a mesma pesquisa sugeriu que os cangurus são geneticamente semelhantes aos humanos. Outro estudo sugeriu que os característicos coalas, cangurus e gambás da Austrália teriam dividido um [suposto] ancestral comum americano. Os cientistas elaboraram uma árvore genealógica baseada no DNA e sugeriram que uma única espécie de marsupial ancestral se originou na América do Sul (quanto fazia parte do supercontinente de Gondwana) e se dirigiu rumo à Austrália.[6]

Mas o que é pior para este conto é que os fósseis de mamíferos placentários aparecem nos depósitos australianos do Cretáceo. A Austrália tem mantido há muito tempo suas populações marsupiais, e com pouquíssimos placentários. No entanto, a partir da observação da localização dos fósseis, os marsupiais deveriam ter evoluído fora da Austrália e os placentários é que deveriam ter evoluído na Austrália – o oposto da história evolutiva.

Em geral, os fósseis não mostram nenhuma evidência para a evolução marsupial. Observamos tanto marsupiais quanto placentários completamente formados. Uma vez que os fósseis marsupiais aparecem apenas onde os marsupiais não vivem hoje, eles devem ter se mudado (migrado). Mas onde e quando isso teria ocorrido?

Nenhum cientista criacionista ou evolucionista estava lá para observar e gravar quando os marsupiais realmente chegaram à Austrália, então ambos devem apenas sugerir e testar hipóteses. Evolucionistas sugerem que marsupiais do Cretáceo foram extintos com os dinossauros, apenas para a evolução substituí-los com duplicatas exatas milhões de anos depois na Austrália! É como se um gambá evoluísse, fosse extinto, então forças naturais fossem criando virtualmente a mesma criatura uma segunda vez. Muito imaginativo, mas não muito científico.

Felizmente, um cenário favorável à Bíblia explora os fósseis sem recorrer a histórias de evolução. O modelo criacionista diz que os marsupiais do “cretáceo” morreram no dilúvio de Noé. Eles devem ter vivido em regiões pré-diluvianas que, devido a eventos relacionados ao dilúvio, se separaram em áreas menores conhecidas hoje como América do Norte, Europa e Ásia.[7] O relato da testemunha bíblica ocular do dilúvio garante aos leitores que dois de cada animal que habitava na terra e que respirava ar entraram na Arca de Noé.[8] Isso inclui cangurus, coalas, tilacinas e therizinossauros.

Os eventos associados ao dilúvio teriam dado origem à época do gelo (clique aqui e saiba mais), que teria durado vários séculos.[9] Naquela época, o nível do mar era cerca de 100 metros mais baixo do que é hoje.[10] Os mares mais baixos proporcionavam pontes terrestres entre muitas das ilhas modernas.[11] Animais e homens podiam literalmente caminhar desde as montanhas do Ararat (local onde a Arca de Noé pousou) até a Nova Guiné. Alguns poderiam ter sido transportados em detritos da tempestade ou nadado de ilhas como Nova Guiné para a Austrália.[12] Mas a hipótese mais razoável é que os marsupiais conseguiram realmente migrar enquanto o gelo do mundo estava solidificado e o nível do mar ainda estava mais baixo; o derretimento do gelo no final da época do gelo aumentou o nível do mar o suficiente para isolá-los em terras antigas de ponte terrestre que se tornaram ilhas.[13]

Conforme explica o naturalista Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia) que existiam durante o período glacial, submergiram” [14: p. 70]. Isso explicaria o fato de alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus terem ficado ilhados na ilha continental australiana.

Mas quais seriam as evidências de que os cangurus migraram desde o local onde a Arca de Noé parou (conhecido atualmente como Turquia) até a Austrália, região onde teriam ficado isolados tempos depois? As evidências se encontram no fato de que alguns cangurus ficaram no meio do caminho e não conseguiram chegar até a região da Austrália. Os fósseis de cangurus encontrados em distintas regiões do planeta nos dão indícios de que eles ficaram no “meio” desse caminho. Além disso, como falamos no início deste texto, alguns cangurus arborícolas, tais como os cangurus-arborícolas-de-goodfellow, os wallabies e os pademelon, que vivem na Nova Guiné, e os tenkile e o canguru-de-manta-dourada, da Indonésia, prosperaram, portanto, em outras regiões antes que alguns exemplares chegassem até seu destino final (Austrália).

Ademais, é interessante pensarmos no porquê de os cangurus terem se dirigido rumo à Austrália. Alguns criacionistas desenvolveram a hipótese de que talvez eles estivessem apenas retornando ao seu local de origem, uma vez que antes do dilúvio existia apenas um único continente não fragmentado.[15] Mas como eles teriam reconhecido o caminho de volta? A ideia é que eles retornaram ao seu território nativo por meio de uma direção “especial”, ou seja, por meio de instintos de localização (GPS biológico), como os que se observam em pássaros, peixes, insetos e outros animais migratórios.

Mas o que podemos de fato observar é que cangurus e coalas não evoluíram na Austrália. Eles simplesmente não evoluíram. Deus os fez marsupiais desde o início. Muitos deles morreram junto com dinossauros e outras criaturas durante o dilúvio. Aqueles que sobreviveram ao dilúvio na Arca tiveram descendentes que podem ter migrado à frente de muitos mamíferos placentários. Eles provavelmente chegaram à Austrália antes que o aumento dos níveis do mar interrompesse os placentários de continuar a jornada até o fim do caminho. Essa solução se encaixa nas observações fósseis e nas Escrituras.

(Texto adaptado do original Thomas [16], postado originalmente no Brasil em 01/03/2017 no Blog Criacionismo)

Referências e notas:

[1] Janis CM, et al. Locomotion in Extinct Giant Kangaroos: Were Sthenurines Hop-Less Monsters? PLoS One. 2014;9(10):e109888.

[2] Butler K, Travouillon KJ, Price GJ, Archer M, Hand SJ. Cookeroo, a new genus of fossil kangaroo (Marsupialia, Macropodidae) from the Oligo-Miocene of Riversleigh, northwestern Queensland, Australia. Journal of Vertebrate Paleontology. 2016; 36(3):e1083029.

[3] Cifelli RL, Davis BM. Marsupial Origins. Science. 2003;302(5652):1899-1900.

[4] Luo ZX, et al. An Early Cretaceous Tribosphenic Mammal and Metatherian Evolution. Science. 2003;302(5652):1934-1940.

[5] Kangaroos similar to humans, claim Australian researchers. Telegraph (18/11/2008). Disponível em:http://www.telegraph.co.uk/news/science/3477482/Kangaroos-similar-to-humans-claim-Australian-researchers.html

[6] Nilsson MA, et al. Tracking Marsupial Evolution Using Archaic Genomic Retroposon Insertions. PLoS Biol. 2010 Jul 27;8(7):e1000436.

[7] Clarey T. Hot Mantle Initiated Ocean and Flood Beginnings. Acts & Facts. 2013;42(8):15.

[8] "[Gênesis 10: 1] diz respeito à quarta geração do livro de Gênesis (anteriormente observado em Gênesis 2: 4; 5: 1 e 6: 9), presumivelmente marcando as assinaturas de Sem, Cam e Jafé após completar sua narrativa do Dilúvio e os anos pós-dilúvio imediatos. Ver: Morris H. The Henry Morris Study Bible. Green Forest, AR: Master Books, 2012, p.45.

[9] Hebert J. Was There an Ice Age? Acts & Facts. 2013;42(12):20; ver também: “Alves EF. A era do gelo: uma perspectiva bíblico-científica. NUMAR-SCB (31/10/2016). Disponível em: http://numar.scb.org.br/artigos/era-do-gelo-uma-perspectiva-biblico-cientifica/

[10] Gomitz V. Sea level rise, after the Ice Melted and Today. Science Briefs. Goddard Institute for Space Studies da NASA (10/01/2007). Disponível em: https://www.giss.nasa.gov/research/briefs/gornitz_09/

[11] Clarey T. The Ice Age and the Scattering of Nations. Acts & Facts. 2016;45(8): 9.

[12] Mesmo os evolucionistas há muito invocaram a migração em esteiras de detritos flutuantes para explicar o transporte de animais para as ilhas. Tipos de plantas similares em diferentes continentes, florescendo bem onde as correntes oceânicas os levariam, apoiam o transporte

[13] Possivelmente, marsupiais e placentários competiram fora por recursos, assim os marsupiais continuaram a migrar para os habitats com menos competição.

[14] Baerg HJ. O mundo já foi melhor. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992.

[15] Gibson LJ. Patterns of mammal distribution. Manuscrito não publicado, distribuído pelo Geoscience Research Institute, Loma Linda University, Loma Linda, CA.

[16] Thomas B. Why Do Kangaroos Live Only in Australia? Acts & Facts. 2017; 46(2):20.


Bactérias consideradas as formas de vida mais antigas na Terra eram apenas rachaduras em cristais

Microcristais que foram confundidos com bactérias

A explosão do Cambriano é uma das muitas pedras nos sapatos dos defensores da Teoria da Evolução. Isso os tem levado a um busca desesperada por formas de vida simples nas camadas pré-cambrianas que apresentem qualquer conexão com aquelas encontradas nas camadas superiores. Algumas algas e supostas bactérias são relatadas nessas camadas pré-cambrianas, mas não se veem ali formas intermediárias claramente identificáveis como ancestrais de trilobitas ou de braquiópodes, por exemplo. Uma explicação simples para a presença de algas e bactérias nessas regiões é a observação de que nos dias atuais algas e bactérias também habitam rochas profundas. Na época do dilúvio, essas criaturas poderiam ter sido fossilizadas ali.

Estruturas microscópicas filamentosas, encontradas na Austrália ocidental, são consideradas por evolucionistas as formas de vida mais antigas de que se tem relato. As rochas nas quais essas estruturas se localizam têm idades estimadas em 3,5 bilhões de anos, na cronologia evolucionista. Essas estruturas foram encontradas há mais de duas décadas e foram identificadas como fósseis de bactérias fotossintéticas do Archeano.

Pois bem, um grupo de pesquisadores do Instituto Carnegie decidiu fazer aquilo que sempre coloca os evolucionistas em maus lençóis, ou seja, analisar as alegações de forma detalhada. Os pesquisadores, usando técnicas de construção de imagens sofisticas, observaram os interstícios entre os grãos microscópicos de cristais de quartzo nas vizinhanças de um dos supostos microfósseis e descobriram que esses interstícios estavam preenchidos por carbono.

Quando os pesquisadores olharam para o suposto microfóssil usando essa mesma técnica, perceberam que o filamento dividia vários pequenos microcristais, de forma que partes correspondentes desses microcristais eram encontradas nos dois lados dos filamentos. Isso é como cortar uma laranja ao meio e colocar um objeto entre as duas metades. Não é o que se espera de um processo de fossilização. Além disso, o carbono encontrado ao longo do filamento liga-se a outros veios que parecem estar preenchendo fissuras e o filamento parece também estar conectado a uma espécie de cratera local que não faz o menor sentido do ponto de vista biológico. Tudo isso indica que a rocha hospedeira e a estrutura filamentosa não se formaram juntamente. Ao invés disso, o cristal maior no qual a estrutura filamentosa é encontrada se partiu (dividindo também os grãos de tamanho menor) e as fissuras formadas foram posteriormente preenchidas por material rico em carbono. Em outras palavras, olhar para essa estrutura e ver ali uma bactéria é como olhar para as nuvens e tentar identificar figuras familiares.

O estudo não afirma que todas as estruturas microscópicas desse tipo são pseudofósseis, mesmo porque nem todas foram estudadas com o mesmo rigor, mas nos mostra que deve-se exercitar muita cautela para não tirar conclusões precipitadas baseadas em uma visão de mundo equivocada e sem o suporte experimental necessário.

Referências:

[1] D.M. Bower, A. Steele, M.D. Fries, O.R. Green, J.F. Lindsay, Raman Imaging Spectroscopy of a Putative Microfossil from the 3.46 Ga Apex Chert: Insights from Quartz Grain Orientation, Astrobiology. 16 (2016) 169.

(Origem e Vida)

 


O criacionismo e a variabilidade dos seres vivos

Matthew Ravosa, da Universidade de Notre Dame, liderou uma equipe que publicou recentemente um artigo na Biological Reviews [1, 2] a respeito da plasticidade dos aspectos físicos de uma dada espécie. Animais submetidos a dietas diferentes possuem desenvolvimento diferentes nos mais diversos níveis, como afirma o professor Ravosa: “Durante o crescimento pós-natal, mostramos que essas variações no estresse de mastigação relacionadas à dieta induzem uma cascata de mudanças nos níveis celular, de tecidos, protéicos e genéticos, de forma a manter a integridade das estruturas craniomandibulares envolvidas no processamento de alimento.” [1]

As variações induzidas nesses experimentos chegam mesmo a ser comparadas a diferenças observadas entre espécies distintas: “Em terceiro lugar, dada a longa duração dos experimentos, somos capazes de demonstrar que um padrão dietético iniciado ainda no período pós-natal e de duração prolongada pode resultar em níveis de variações das mandíbulas de uma única espécie em par com aquelas observadas entre espécies.” [1]

O professor Ravosa também chama a atenção para o tipo de dificuldade que isso traz para a interpretação dos fragmentos de ossos encontrados no registro fóssil: “Essas análises longitudinais mostram que os efeitos morfológicos da ‘sazonalidade’ dietética são detectados apenas em algumas regiões do crânio, o que atrapalha ainda mais nossa habilidade de reconstruir acuradamente a biologia de organismos fósseis representados por espécimes singulares e fragmentados.” [1] Em outras palavras, um pesquisador corre o risco de anunciar a descoberta de uma nova espécie com base em uns poucos fragmentos de ossos, quando na verdade o que tem em mãos pode ser apenas uma variação de uma espécie já conhecida induzida pela própria alimentação. Ressalte-se que a definição de espécies é, há muito tempo, um tema controverso.

Os criacionistas, ao contrário do que afirmam determinados livros-texto universitários, [3] não são fixistas, isto é, não defendem que as espécies que existem hoje foram criadas da forma como as conhecemos desde o início. A própria tese criacionista para o repovoamento do mundo animal após o dilúvio depende da existência de variabilidade. Alguns chamam isso de microevolução, embora existam boas razões para utilizarmos termos como diversificação de baixo nível.

O tipo de variabilidade que normalmente é encontrado no registro fóssil, e que é invocado exaustivamente como evidencia a favor da evolução, ajusta-se melhor à ideia criacionista de variações limitadas. É comum, quando se pesquisa o argumento em fonte evolucionista, encontrarmos um cenário que coloca de um lado a proposta evolucionista, que prevê variações, e do outro uma distorcida proposta criacionista, que não prevê variações. Diante das variações observadas em experimentos e no registro fóssil, argumenta-se então que a evidência é favorável à evolução. Nada mais enganoso.

Quando se entende que ambas as proposta preveem variações, recai sobre os evolucionistas o ônus de demonstrar as transformações que excedem essas mudanças em pequena escala, ou o que muitos chamariam de macroevolução. Nas palavras de um evolucionista sincero neste ponto, “é possível imaginar, por extrapolação, que, se os processos em pequena escala que vimos continuassem por um período de tempo suficientemente longo, eles poderiam produzir a variedade moderna da vida”.[3]  E é esse o ponto que realmente deveria figurar no centro do debate: essa extrapolação é válida? Não seriam o grande número de fraudes e interpretações equivocadas sintomas de que a extrapolação evolucionista se sustenta forçosamente, mais apoiada em uma visão de mundo do que em evidência paupável?

Referências:

[1] University of Notre Dame. "Reinterpreting the fossil record on jaws." ScienceDaily. ScienceDaily, 17 August 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/08/160817133139.htm>

[2] Matthew J. Ravosa, Rachel A. Menegaz, Jeremiah E. Scott, David J. Daegling, Kevin R. McAbee. Limitations of a morphological criterion of adaptive inference in the fossil record. Biological Reviews, 2015; DOI: 10.1111/brv.12199

[3] Mark Ridley, Evolução, 3a. Ed., Artmed, 2006,  p.67, 77.

 

(Origem e Vida)