A Bíblia não é um livro científico, mas...

As diversas áreas de estudo e as ferramentas da ciência nos fornecem subsídios para ler e interpretar a Bíblia com outros olhos. Gosto de usar a metáfora dos “dois livros do Criador” conhecida originalmente pela afirmação do físico e astrônomo italiano Galileu Galilei. No ano de 1613, em uma carta de Galileu Galilei endereçada a Benedetto Castelli, Galilei disse que tanto a natureza quanto a Bíblia são obras de Deus; são, portanto, dois livros desprovidos de erro e não podem se contradizer.[1: p. 282] No entanto, para Galilei, a natureza e a Bíblia são dois livros escritos em linguagens diferentes, com finalidades diferentes, não se podendo lê-los da mesma forma.

Por sua vez, em 1905 a escritora cristã Ellen White, a fim de demonstrar que não há conflito real entre ciência e Bíblia, disse o seguinte: “Na verdadeira ciência, nada pode haver que esteja em contradição com o ensino da Bíblia; uma vez que procedem ambas do mesmo Autor, a verdadeira compreensão delas demonstrará sua harmonia.”[2: p. 462] Concordo com os dois autores citados acima ao afirmar que ambos os livros se complementam.

Os “pais da ciência”, ao longo do tempo, partiram da Bíblia para investigar o cosmos e nosso planeta, assim como seus fenômenos, sem deixar de lado a submissão a Deus. O astrônomo inglês Sir Frederick William Herschel (1738-1822), que descobriu o planeta Urano, certa vez disse: “Todas as descobertas humanas parecem ter sido feitas com o único propósito de confirmar fortemente as verdades contidas nas Sagradas Escrituras.”[3] Embora a Bíblia não seja um livro científico nem tenha sido escrita com esse propósito, ela apresenta verdades que podem ser consideradas “científicas”. Quando a Bíblia é posta à prova em relação aos aspectos nela relatados, cedo ou tarde finalmente esses fatos são comprovados. A seguir, vejamos alguns desses “fatos científicos” que podem ser encontrados nas Sagradas Escrituras:

As correntes marítimas – No Salmo 8:8, o rei Davi já falava de “caminhos nos mares” (escrito 2.800 anos antes). Isso estimulou Matthew Maury, oceanógrafo e pesquisador marítimo, considerado o “pai da oceanografia moderna e da meteorologia naval”, a descobrir “rios submarinos”, ou seja, as correntes marinhas que hoje conhecemos e que influenciam a natureza por onde passam.

A Terra é redonda – Isaías 40:22 já se referia à Terra como sendo redonda. Mas só no século 15 grandes navegadores como Cristóvão Colombo o provaram na prática, confirmando mais uma vez que a Bíblia estava certa.

O ar tem peso – Jó 28:25 já afirmava que o ar tem peso. Embora a atmosfera seja invisível e aparentemente desprovida de peso, ela, na verdade, tem peso e massa. O barômetro, instrumento usado para medir a pressão atmosférica, só foi inventado em 1643, entretanto, a Bíblia já declarou antes disso que o ar (ou a atmosfera) tem peso.

O universo foi criado do nada – Hebreus 11:3 afirma que “pela fé compreendemos que o universo foi criado por intermédio da Palavra de Deus”. Esse ensinamento bíblico foi atacado tanto pela filosofia grega quanto pelo ateísmo moderno. Mas o descobrimento da relatividade geral na segunda década do século 20 foi seguido por estudos de suas consequências cosmológicas. Tais estudos indicavam que o universo (o espaço-tempo) teve uma origem e se expande desde então (modelo do Big Bang). As primeiras evidências observacionais dessa expansão foram reunidas em 1927 e depois confirmadas por observações independentes em 1929, apoiando o relato bíblico.

O planeta está suspenso sobre o nada – Jó 26:7 diz que “Deus suspende a Terra sobre o nada”. Isso era inadmissível naquela época, quando se pensava que a Terra era carregada pelo deus Atlas ou por um grande animal que o sustentava em seus ombros (1.500 a.C.). Jó, ao contrário, já sabia que a Terra não estava suspensa sobre nada que fosse material, mas sobre um vazio, exatamente como os satélites mostram o nosso planeta. Os naturalistas da época só descobriram que a Terra não era sustentada por nada em 1650.

Os quatro pontos cardeais – A Bíblia usa a expressão “extremidade da terra” como sendo “até à parte mais distante da terra”. Isso não sugere que a Terra seja plana ou que tenha beiradas. 1 Crônicas 9:24 diz: “Os porteiros estavam aos quatro lados; ao oriente, ao ocidente, ao norte, e ao sul.” Em Isaias 11:12 vemos: “E levantará um estandarte entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra.” De igual modo, vemos em Jeremias 49:36 o seguinte: “E trarei sobre Elão os quatro ventos dos quatro cantos dos céus, e os espalharei na direção de todos estes ventos; e não haverá nação aonde não cheguem os fugitivos de Elão.”

A humanidade sempre se direcionou pelos astros. Os rumos dos ventos são conhecidos desde a Grécia Antiga. Durante a Idade Média, esses rumos ganharam nomes relacionados com as localidades próximas ao Mediterrâneo: Tramontana (norte), Greco (nordeste), Levante (leste), Siroco (sudeste), Ostro (sul), Libeccio (sudoeste), Ponente (oeste) e Maestro (nordeste). No século 14, os mapas portulanos começaram a usar essas direções de forma mais sistemática para navegação marítima.

As dimensões da arca de Noé – Em Gênesis 6, Deus revelou a Noé as dimensões da arca que ele deveria construir. Em 1609, em Hoor, na Holanda, um navio foi construído de acordo com essas medidas (30:5:3), revolucionando a engenharia naval. Em 2013, Cientistas da Física da Universidade de Leicester calcularam as dimensões para a construção da arca de Noé e descobriram que ela não poderia navegar, mas poderia flutuar com segurança devido à sua forma retangular, e acomodaria perfeitamente todos os tipos básicos. Thomas Morris, coautor do estudo, disse: “O que está relatado [na Bíblia] definitivamente funciona.” (Clique aqui para saber mais.)

A existência de Babilônia – Muitos estudiosos alegavam que a Babilônia era um reino fictício, fruto de uma “mitologia” bíblica, até que arqueólogos encontraram vários indícios de sua existência em artefatos que comprovavam o contexto bíblico e, mais tarde, acharam a própria cidade-estado que já foi uma das mais poderosas de sua época no mundo então conhecido, no atual território do Iraque. (Clique aqui e aqui para saber mais.)

Leis meteorológicas – A Bíblia descreveu o “ciclo” de correntes de ar dois mil anos antes de os cientistas o descobrirem: “O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos” (Eclesiastes 1:6). Atualmente, já está bem estabelecido cientificamente que o ar ao redor da Terra gira em gigantescos circuitos, no sentido horário em um hemisfério e no sentido anti-horário no outro hemisfério.

Ciclo da água – A água evapora de oceanos ou outras fontes e cai no solo em forma de chuva, neve ou granizo, alimentando os rios e nascentes (Jó 36:27, 28; Eclesiastes 1:7 e 11:3; Isaías 55:10; Amós 9:6). Cientistas já descobriram sobre isso, inclusive essas informações constam em livros didáticos de ensino fundamental. Já os gregos antigos acreditavam que era a água de oceanos subterrâneos que alimentava os rios. No século 18 ainda se acreditava nisso.

Fogo no interior da terra – Em Jó 28:5 é dito que “a terra, da qual vem o alimento, é revolvida embaixo como que pelo fogo”. Hoje já conhecemos bem a representação esquemática, presente em livros didáticos, do núcleo terrestre e sua composição magmática.

O barro e a origem da vida – A Bíblia também afirma que o homem foi formado do pó da terra (Gn.2:7) e do barro (Jó 33:6), fato este que era motivo de escárnio por parte dos darwinistas pelo menos até recentemente, quando os cientistas descobriram que os ingredientes necessários para fazer um ser humano podem ser encontrados no barro. Em 2003, uma pesquisa publicada na revista Sciencesugeriu que, tal como é relatado na Bíblia, a vida na Terra possivelmente tenha surgido do barro. Essa foi a forma mais “cientificamente correta” de dizer que a Bíblia acertou exatamente o alvo! Também é bom lembrar que, quando morremos, nosso corpo volta ao pó novamente (Gn 3:19). (Clique aqui para saber mais.)

A diabetes – Em Provérbios 25:27, o rei Salomão advertia que comer muito mel não é bom. O mel também contém sacarose (carboidrato), além de outros tipos de açúcar (frutose e glicose), sendo desaconselhado seu uso generalizado como substituto do açúcar comum. Hoje já se sabe que, em excesso, o mel, assim como o açúcar cristal e o mascavo, também engorda e faz subir o açúcar no sangue. A vantagem no uso do mel é que, enquanto o açúcar de mesa não contém vitaminas nem sais minerais, o mel possui. Estudo publicado em 2009 na International Journal of Food Sciences and Nutrition concluiu: “O consumo cauteloso desse alimento por pacientes diabéticos é recomendado.” Portanto, realmente funciona o conselho bíblico dado por Salomão.

Alimentos limpos e imundos – Em Levítico 11, Deus fala sobre alimentos limpos e imundos. Hoje em dia, a Organização Mundial da Saúde tem regras estritas para a exportação da carne de porco, pelo fato de esta apresentar risco muito elevado de doenças. Já foi verificado também que outras carnes proibidas por Levítico, como mariscos e outros frutos do mar, também transmitem variedade de doenças. (Clique aqui para saber mais.)

Práticas de higiene – As leis de saúde dadas à nação de Israel incluíam regulamentos sobre se lavar depois de tocar num cadáver, isolar pessoas com doenças infecciosas e eliminar fezes humanas de forma segura (Levítico 11:28; 13:1-5; Deuteronômio 23:13). Por outro lado, na época em que esses regulamentos foram dados aos israelitas, os egípcios tratavam as feridas abertas com uma mistura que continha excremento humano.

Jejum e a longevidade – Os judeus e cristãos há milhares de anos se utilizam da prática do jejum para o benefício da saúde física e espiritual. O primeiro jejum coletivo na Bíblia aparece em Juízes 20:26: “Então todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, e vieram a Betel e choraram, e estiveram ali perante o Senhor, e jejuaram aquele dia até à tarde.” Por muito tempo os céticos ridicularizaram os cristãos devido essa prática bíblica. Até que em 3 de outubro de 2016, a Assembleia Nobel no Instituto Karolinska premiou Yoshinori Ohsumi com o Nobel de Fisiologia ou Medicina por suas descobertas dos mecanismos de autofagia. Ele descobriu que o jejum ativa mecanismos de autodefesa das células que garantem a elas maior longevidade. O segredo está na autofagia, um mecanismo importante de autolimpeza que existe em todas as células de nosso corpo. Segundo explica Soraya Smaili, professora livre-docente da Escola Paulista de Medicina, “o jejum induz a autofagia [...] e a autofagia induz a longevidade. A busca agora é entender a conexão entre a autofagia ativada pelo jejum e a longevidade das células”. Smaili acrescenta que jejum adequado é aquele de 12 e no máximo 24 horas. Logo, o jejum tem o poder de desintoxicar o organismo e deixar a mente mais clara, daí porque ele faz parte das práticas espirituais. (Saiba mais aqui.)

Vinho e sua proibição – Existem vários termos na Bíblia que são traduzidos como vinho (suco de uva) ou bebida forte. Todos os vinhos embriagantes e as demais bebidas fortes são tidas na Bíblia como mortíferas (Pv 23:29-32) ou alvoroçadoras (Pv 20:1; Ef 5:18) e impróprias para o consumo daqueles que seguem a sabedoria e a justiça (Pv 23:20, 31, 32 e Pv 31:4). Só há um tipo de vinho que é bênção do Senhor: tyrosh, o puro suco da uva recém-espremida. Isaías 65:8 diz: “Assim diz o Senhor: Como quando se acha vinho (tyrosh) num cacho de uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção nele.” Já os críticos e céticos da Bíblia por muito tempo ridicularizaram os que seguiam os conselhos bíblicos de não ingerir bebida alcoólica. A mídia frequentemente tem reportado que uma taça de “vinho” protege as pessoas contra as doenças do coração. Porém, estudo publicado na revista Science em 2006 revelou que a substância que realmente traz benefícios para o ser humano é o composto natural do suco da uva chamado de “resveratrol”. E, em 2012, pesquisa publicada na Circulation Research mostrou que apenas o vinho tinto “não alcoólico” faz reduzir significativamente os níveis de pressão arterial nos homens em comparação com os vinhos alcoólicos.

Quer conhecer mais fatos científicos contidos na Bíblia? Leia os seguintes livros: Ray Comfort, Scientific Facts in the Bible: 100 Reasons to Believe the Bible is Supernatural in Origin (Newberry, FL: Bridge-Logos Publishers, 2001. 95p); Magno Paganelli, Ciência e Fatos Bíblicos (Belo Horizonte, MG: Dynamus, 2004. 124p).

Texto originalmente publicado em 23/01/2017 no Blog Criacionismo.

Referências:

[1] Galilei, G. Lettera a Benedetto Castelli. In: Favaro, A. (Ed.). Edizione nazionale delle opere di Galileo Galilei. Firenze: Barbèra Editore, 1932 [1613]. v. 5, p. 281-8.

[2] White EG. The ministry of healing. Washington, D.C: Riview and Herald Publishing, 1905. 541p.

[3] Herschel J. In: Morris HM. Men of Science, Men of God. El Cajon, CA: Master Books, 1982, p.42.


Lista de artigos científicos que dão suporte ao Design Inteligente

A fim de facilitar as buscas para os iniciantes no assunto, reuni de forma prática e sistematizada um acervo de documentos que compreende um total de 54 artigos científicos publicados ao redor do mundo entre o período de 1999 e março de 2015 que dão suporte ao Design Inteligente (DI). É claro que existem centenas de outras pesquisas em diversas outras áreas que apoiam direta ou indiretamente o DI, no entanto, reuni neste documento apenas alguns campos de estudo mais próximos da minha área de formação. Assim sendo, é possível observar que nas últimas décadas vários estudos científicos vêm dando suporte à Teoria do Design Inteligente (TDI) nos mais diversos campos científicos relacionados as áreas de ciências biológicas e da saúde e/ou correlatos (Quadro1).

Portanto, a fim de conhecer o perfil das publicações que apontam para o design inteligente, foi construído um quadro (clique aqui) onde foi possível caracterizar os estudos, em ordem cronológica, segundo as seguintes variáveis: 1) campo científico; 2) Ano de publicação; 3) Periódico científico; 4) Tipos de estudo; 5) Principais achados; 6) País; 7) Filiação institucional; e 8) Referência.

Caso você queira acesso a mais publicações, em 2015 eu compilei 80 artigos científicos, cada um com seu resumo em português, separados por área de pesquisa, no banco de dados da WikiTDI.

Em dezembro de 2015 o Discovery Institute anunciou uma lista, em inglês, com 90 publicações científicas revisadas por pares que apoiam os argumentos da TDI.

Agora, se você quer ter acesso a mais de 350 artigos científicos revisados por pares que dão apoio à TDI, acesse o e-book: Teoria do Design Inteligente: evidências científicas no campo das Ciências Biológicas e da Saúde.

Texto originalmente publicado em 27/02/2016 no Portal TDI Brasil.


Depressão: problema para a neurociência não materialista?

Marcos Romano é médico-psiquiatra pela Unicamp, ex-professor de Psiquiatria da PUC-Campinas, especialista em Dependência Química pela Unifesp/EPM, com artigos publicados na área de Políticas Públicas para Álcool e Drogas. É psiquiatra clínico há vinte anos, e é um dos primeiros especialistas do Brasil a diagnosticar e tratar o Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH) em adultos, tendo recebido formação em TDAH em cursos com especialistas dos EUA, e no Brasil frequentemente é convidado a palestrar e fornecer treinamento a colegas médicos sobre TDAH. É autor de capítulos nos livros Aconselhamento em Dependência Química (Neliana Buzi Figlie, Selma Bordin, Ronaldo Laranjeira. São Paulo: Roca, 2004), e TDAH ao Longo da Vida (Mario Rodrigues Louzã Neto e colaboradores. Porto Alegre: Artmed, 2010).

A neurociência não materialista é um novo campo de estudo que têm contestado o conceito clássico naturalista de que a eletroquímica do cérebro produz a consciência. Evidências recentes oriundas dessa área de pesquisa têm sido utilizadas pelos proponentes da teoria do design inteligente (TDI) e do criacionismo. Um texto publicado no blog criacionismo no mês de agosto de 2015 intitulado “Evidências de uma consciência além do cérebro”, capítulo do e-book “Teoria do Design Inteligente”, têm suscitado algumas dúvidas entre os leitores. Essas dúvidas foram, então, sintetizadas para a realização dessa entrevista concedida ao mestre em Ciências e Diretor de Ensino do NUMAR-SCB Everton Fernandes Alves:

Como entender a ciência não materialista, visto que a depressão, causada por alterações químicas no cérebro, mostra que tudo acontece na esfera materialista? Uma vez que os remédios atuam e curam a depressão, não seria evidente que tudo está restrito ao âmbito material?

Dr. Marcos Romano: Em primeiro lugar, o diagnóstico de depressão é meramente descritivo e não explicativo. Em segundo lugar, como saber se o que se passa no cérebro de um deprimido é consequência ou causa de ele estar deprimido? Em terceiro lugar, esse raciocínio se baseia em um encadeamento de inferências e associações indevidas. Um exemplo disso é dizer que antidepressivos curam depressão, logo, sabemos como os remédios agem; portanto, a ação desses medicamentos deve estar relacionada à causa da depressão, então, a depressão é um fenômeno biológico e de causalidade conhecida. Certamente, essa é a lógica – equivocada, diga-se de passagem – utilizada por algumas pessoas.

Outra falácia seria dizer que antidepressivos “curam a depressão”?

Nenhum estudo jamais demonstrou isso. A “efetividade” de um antidepressivo é medida pela “redução significativa da intensidade e do número de sintomas”. O que é então uma melhora (não “cura”) significativa? Pode-se dizer que é quando o paciente alcança uma melhora de 30 a 40% em comparação com seu estado anterior. É válido acrescentar que os estudos realizados a fim de analisar as melhoras no tratamento duram entre oito e doze semanas. Além disso, os estudos não avaliam como esses pacientes ficam após esse período.

Ainda em relação à “efetividade” existem outros pontos a serem discutidos, tais como: (1) Qual o percentual dos pacientes avaliados no estudo que melhoram de forma significativa? Podemos dizer que entre 60-64%. Dentre esses, muitos irão piorar novamente dentro de um ano. (2) Qual o índice de efetividade do placebo nesses estudos (lembrando que são estudos “controlados”, isto é, o medicamento é avaliado comparando seu efeito com o efeito de um placebo)? O índice é de cerca de 50% (note que a efetividade do medicamento não é muito superior à do placebo, é apenas um pouco superior). Aliás, por que o placebo faz com que 50% dos pacientes avaliados nos estudos melhorem? Isso é algo ainda não respondido pela ciência.

Vale lembrar que esses índices de efetividade são os medidos nos estudos, em que as condições favorecem a melhora (por isso o placebo também atinge índices tão altos). A realidade clínica, no entanto, é bem diferente. Porém, o remédio ainda assim é melhor que o placebo, caso contrário não haveria razão para usá-lo. Mas não é uma Brastemp, nem de longe (risos).

Afirmações do tipo “Sabemos como o antidepressivo age” também são uma grande mentira. O correto seria dizer que sabemos como ele age in vitro. O efeito dele in vivo nunca foi verificado, sendo apenas inferido.

E o que dizer em relação à teoria dos neurotransmissores?

Ela nunca foi confirmada. E existem grandes furos nela. Por exemplo, o efeito dos inibidores seletivos de recaptura da serotonina (ISRS). Eles agem, em tese, bloqueando o receptor pré-sináptico da serotonina, dificultando sua recaptação, aumentando dessa forma o tempo de permanência da serotonina na fenda sináptica e, por conseguinte, seu efeito.

O problema é que se sabe que em poucos dias esse efeito é revertido por um aumento do número de receptores! E, quando o medicamento faz o efeito clínico, algumas semanas depois, o efeito neuroquímico dele já teria sido revertido pelo organismo. Por que então ele funciona? Pois é, ninguém nunca conseguiu explicar...

Entrevista originalmente publicada em 12/08/2015 no Blog Criacionismo.


Criacionismo científico e design inteligente

Existem três principais ramificações distintas dentro do criacionismo: a religiosa, a bíblica e a científica.

Normalmente, quando falamos de criacionismo, as pessoas associam apenas aos dois primeiros e se esquecem de que existe uma terceira ramificação, que também surgiu há algumas décadas, nos Estados Unidos, chamada de “criacionismo científico”. Logo, não são todos iguais. O criacionismo científico vem sendo definido e divulgado desde a década de 1970.[1] A propósito, associações e institutos criacionistas norte-americanos há muito tempo defendem que apenas o “criacionismo científico” seja ensinado nas escolas públicas como uma alternativa válida ao evolucionismo.[2] Porém, de acordo com o engenheiro Dr. Henry Morris, fundador e presidente emérito do Institute for Creation research (ICR), “em uma escola ou faculdade cristã, [...] é apropriado e muito importante demonstrar que o criacionismo bíblico e o criacionismo científico são totalmente compatíveis, dois lados da mesma moeda.” Para ele, “a criação revelada nas Escrituras é apoiada por todos os verdadeiros fatos da natureza; o estudo combinado pode corretamente ser chamado ‘criacionismo bíblico-científico’.”[2]

Segundo Morris, “os criacionistas não propõem que as escolas públicas ensinem a criação em seis dias, a queda do homem e o dilúvio de Noé. Eles propõem, entretanto, que devem ser ensinadas apenas questões discutidas pelo criacionismo científico, tais como as evidências de uma criação complexamente completada, o princípio universal da decadência (em contraste com a suposição evolutiva de organização crescente) e as evidências mundiais de catastrofismo recente. Todos esses temas estão implícitos em dados científicos observáveis”.[2]

Quando tratamos especificamente do criacionismo científico, é possível, sim, demonstrar cientificamente que o universo e a vida foram criados.[3] Só não é possível demonstrar quem criou. Portanto, o criacionismo científico trabalha apenas a questão de se o universo e a vida foram criados ou surgiram espontaneamente. Como se pode ver, a proposta do criacionismo científico não é religiosa, embora, por vezes, possua implicações religiosas.

É válido lembrar que o criacionismo científico não se preocupa em defender uma Terra jovem, de cerca de seis mil anos de idade, tal como faz grande parte dos adeptos do criacionismo bíblico. Por exemplo, o Dr. Thomas Barnes analisou as medições diretas feitas do campo magnético da Terra durante os últimos 140 anos e observou um declínio rápido da sua força; um decaimento da ordem de 5% por século.[4, 5] Diante disso, o Dr. Barnes calculou que esse campo não poderia estar decaindo há mais de dez mil anos, o que significa que essa evidência sugere a possibilidade de a vida na Terra ter dez mil anos de idade, em lugar dos usais seis mil anos. No entanto, questões sobre a idade são irrelevantes para o criacionismo científico.

Por outro lado, muitos acusam a Teoria do Design Inteligente (TDI) de ser apenas um “criacionismo disfarçado”. Pensando nisso, o físico Adauto Lourenço explica a diferença existente entre as duas propostas: “É verdade que ela [TDI] encontra-se incorporada direta e indiretamente na maioria das posições criacionistas conhecidas. No entanto, ela não é um sinônimo de criacionismo, pois sua ênfase está na busca por sinais de inteligência na estrutura da vida e do universo, e não nas causas que teriam produzido esses sinais. A existência de um Criador, quem seria Ele e quais os Seus propósitos na criação não fazem parte dos questionamentos da teoria do design inteligente.”[6: p. 14]

O biólogo molecular Dr. Michael Denton também já havia feito distinção há algum tempo entre o design inteligente (DI) e a acusação de “premissas religiosas”: “A inferência de planejamento é uma indução puramente a posteriori, baseada numa aplicação inexoravelmente consistente da lógica e da analogia. A conclusão pode ter implicações religiosas, mas não depende de pressuposições religiosas.”[7: p. 341]

Outro fato que não se pode ignorar é que, dentro do escopo do criacionismo científico, é possível acomodar, de igual modo, algumas de suas variações, tais como: criacionismo do dia-era, criacionismo da Terra velha e criacionismo da Terra jovem.

Para o médico Carl Wieland, fundador da Journal of Creation e ex-diretor geral do Creation Ministries International (CMI), na Austrália, o design inteligente pode ser entendido como um “subconjunto” do criacionismo científico.[8] Em relação ao mérito do pioneirismo, o Dr. Henry Morris afirma que as ideias de “design inteligente estavam em nossos argumentos criacionistas desde que começamos [em 1970]”.[9] Segundo ele, “um de nossos cientistas do ICR (o falecido Dr. Dick Bliss) já usava este exemplo [do flagelo bacteriano] em suas conversas sobre criacionismo há algumas décadas”.

Inclusive, o Dr. William Dembski, proponente do DI, concordou com a afirmação de Morris ao dizer que ele [Morris] “aptamente nota” o uso do flagelo como exemplo.[10] O Dr. Morris acrescenta: “Os criacionistas deram as boas-vindas aos insights e argumentos do DI: certamente não vemos qualquer conflito com o criacionismo científico. Para nós, não é criação ou design Inteligente.”

Vale lembrar que o design inteligente, tal como o conhecemos hoje, foi oficialmente estabelecido como teoria científica no ano de 1993, quando um grupo de cientistas e filósofos norte-americanos se reuniu em uma conferência na cidade de Pajaro Dunes, Califórnia, a fim de questionar a teoria da evolução.[11]

Por outro lado, a geneticista criacionista Dra. Geórgia Purdom diz que “as raízes históricas do movimento do DI estão no movimento de teologia natural dos séculos 18 e 19.”[12] Ademais, cientistas cristãos respeitados como Newton e Kepler e a maioria dos outros “pais da ciência” acreditavam no design inteligente como o próprio fundamento da ciência.[13, 14]

Para o físico Adauto Lourenço,

“o ‘criacionismo científico’ procura demonstrar que processos naturais e leis da natureza não teriam trazido à existência o universo, a vida, nem a complexidade neles encontrada. Logo, o criacionismo científico trabalha apenas com processos naturais e leis da natureza. Por outro lado, o ‘design inteligente’ procura demonstrar se o design observado na natureza é genuíno ou um produto das leis naturais, necessidades e do acaso. Logo, o design inteligente trabalha apenas com a detecção de design.”

Em outras palavras, “o criacionismo científico não faz do design o seu objetivo final, mas, sim, as leis da natureza e os processos naturais. O design inteligente faz do design o seu objetivo final”, afirma Adauto.

Portanto, podemos concluir, diante da análise das evidências levantadas, que apesar de alguns autores afirmarem que o criacionismo foi o ponto de origem do design inteligente, este se desenvolveu ao longo do tempo e se tornou uma teoria independente, isenta de pressuposições religiosas.[15] A conclusão é esta: o criacionismo científico e o design inteligente são proposições distintas uma da outra.

Artigo em co-autoria com Michelson Borges.

Texto originalmente publicado em 09/01/2017 no Blog Criacionismo.

Referências:

[1] Morris HM (Ed.). Scientific Creationism. San Diego: C.L.P. Publishers, 1974, p.12.

[2] Morris HM. The Tenets of Creationism. Acts & Facts. 1980;9(7). Disponível em: https://www.icr.org/article/168/

[3] Entrevista concedida por Adauto Lourenço. Pesquisador defende criação do mundo. Entrevistadora: Gisele Barcelos. JM Online, (16/06/2013). Disponível em: http://www.jmonline.com.br/novo/?noticias,27,entrevista,82036

[4] McDonald KL, Gunst RH. Na analysis of the Earth’s Magnetic Field from 1835 to 1965. ESSA Technical Report, IER 46-IES 1, U.S. Government Printing Office, Washington, 1967.

[5] Barnes TG. Origin and Destiny of the Earth’s Magnetic Field. 2. Ed. El Cajon, CA: Institute for Creation Research, 1983, p. 101-106.

[6] Lourenço A. Como tudo começou: uma introdução ao criacionismo. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2007.

[7] Denton M. Evolution, A Theory in Crisis. Bethesda, MD: Adler and Adler, 1986.

[8] Wieland C. Intelligent Design: why the fuss, and what’s it about? Creation.com. Disponível em: http://creation.com/intelligent-design-why-the-fuss-and-what-is-it-about

[9] Morris HM. Intelligent Design and/or Scientific Creationism. Acts & Facts. 2006; 35(4). Disponível em:https://www.icr.org/article/2708/

[10] Dembski WA. Intelligent design's contribution to the debate over evolution: a reply to henry morris. Site pessoal de Dembski, (01/02/2005). Disponível em: https://billdembski.com/documents/2005.02.Reply_to_Henry_Morris.htm

[11] Nelson PA. Life in the Big Tent: Traditional Creationism and the Intelligent Design Community. Christian Research Journal 2002; 24(4):20-25. Disponível em: http://www.equip.org/article/life-in-the-big-tent/

[12] Purdom G. The Intelligent Design Movement: Does the identity of the Creator really matter? Answers magazine, (02/05/2006). Disponível em:  https://answersingenesis.org/intelligent-design/the-intelligent-design-movement/

[13] Stewart MA (Ed.). Selected Philosophical Papers de Robert Boyle. New York e Manchester: Manchester University Press, 1979, p.144.

[14] Torley VJ. Newton on Intelligent Design. Uncommon Descent, (14/03/2013). Disponível em:http://www.uncommondescent.com/intelligent-design/newton-on-intelligent-design/

[15] Numbers RL. The Creationists: From Scientific Creationism to Intelligent Design. Harvard University Press, 2006. 624p.


Pesquisas censuradas: Inteligência não é permitida

Qualquer semelhança não é mera coincidência! Em nossa sociedade, a liberdade de expressão é tolerada, mas não no que diz respeito à questão das origens. O documentário Expelled: No Intelligence Allowed, que serve de inspiração para o título deste artigo, é um dos mais polêmicos já produzidos. Ele ficou em 12º lugar em uma lista de documentários mais assistidos dos EUA, desde 1982. A produção não é do gênero religioso e, sim, do gênero científico, e aborda a questão da “liberdade de expressão” no meio acadêmico para os cientistas renomados que perdem suas cadeiras após falarem contra o neodarwinismo e suas implicações filosóficas.

Uma das críticas principais aos movimentos criacionista e do design inteligente − o qual a partir de agora chamarei de “TDIsta” − é que são poucos os trabalhos de pesquisa que apoiam diretamente ambas as posições em revistas científicas avaliadas por pares. O que não é levado em consideração pelos críticos é o fato de ser ainda um grande desafio a publicação de artigos com opiniões discordantes do consenso evolutivo. A partir do momento em que um cientista desafia uma crença profundamente defendida, como no caso do naturalismo filosófico, ele enfrenta grande dificuldade em obter financiamento para seus projetos de pesquisa, depositar seus trabalhos em repositórios científicos e, principalmente, em publicar seus resultados em anais de congressos ou em periódicos de alto fator de impacto.

No verão de 1985, o Físico criacionista Dr. Russell Humphreys, membro do conselho da Creation Research Society, escreveu para a revista Science apontando que artigos abertamente criacionistas são reprimidos pela maioria dos periódicos. Ele perguntou se a Science tinha "uma política oculta de suprimir cartas criacionistas” [1]. Christine Gilbert, o então editor de cartas, respondeu e admitiu: "É verdade que não é provável que publiquemos cartas de apoio ao criacionismo". Essa admissão é particularmente significativa, uma vez que a política oficial de cartas da Science é que ela representa "a variedade de opiniões". No entanto, de todas as opiniões que recebem, a Science não publica as criacionistas.

Em 2001, o Físico criacionista Dr. Robert Gentry enviou 10 artigos para Los Alamos National Laboratory E-Print arXiv (um repositório científico para preprints eletrônicos de artigos científicos nos campos da matemática, física, etc), e automaticamente eles receberam o número arXiv impresso na primeira página de cada artigo [2]. Cada um desses dez artigos colocaria em xeque a cosmologia do Big Bang e forneceria, de acordo com o autor, evidências para o registro de Gênesis da criação.[3] No entanto, os funcionários do arXiv, temendo os resultados dos artigos que suportam o registro da criação em Gênesis e a reviravolta da cosmologia do Big Bang, apagaram esses artigos antes de serem divulgados ao mundo. Essa é a censura científica no mais alto nível. A notícia foi reportada em algumas edições da revista Nature.[4, 5] Os dez artigos, além de detalhes sobre a censura em curso pela Universidade de Cornell, podem ser acessados ​​em www.orionfdn.org.

Em 2004, a mídia reportou um caso polêmico relacionado à publicação de um artigo que apoiava o design inteligente em uma revista científica, bem como as perguntas subsequentes se os procedimentos editoriais adequados foram seguidos e se ele foi devidamente revisado. O filósofo da ciência Dr. Stephen C. Meyer, diretor do Instituto Discovery (EUA), havia publicado um artigo intitulado “The origin of biological information and the higher taxonomic categories”, na Proceedings, revista de biologia do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsoniano, em Washington.[6] Um mês depois, o conselho do periódico de Biologia emitiu uma nota em que criticou o artigo, dizendo que ele não atendia aos padrões científicos do processo, e enfatizou que a decisão de publicá-lo foi do ex-editor Richard Sternberg (saiba mais no documentário “Expelled”, citado acima). O detalhe é que esse artigo causou polêmica por afirmar que a explosão cambriana não poderia ser explicada por processos naturais, isto é, nenhuma teoria materialista atual seria suficiente para explicar a origem da informação necessária para construir novas formas de vida presentes na explosão cambriana do registro fóssil. O artigo foi além: propôs o design inteligente como uma alternativa para a explicação da origem da informação biológica e para a taxonomia superior. O artigo que antes fora aceito, publicado e indexado em importantes bases de dados, acabou sendo removido.

Em 2008, dois autores, Mohamad Warda e Jin Han, submeteram um manuscrito para avaliação na revista Proteomics.[7] O artigo potencial apresentado por Warda e Han foi um estudo de revisão sobre as mitocôndrias. Como muitas outras revistas, Proteomicslibera documentos online antes da publicação oficial. No início de fevereiro de 2008, evolucionistas descobriram que Warda e Han eram criacionistas, e alegaram que sua revisão foi uma tentativa furtiva de fixar suas afirmações criacionistas na literatura científica. O manuscrito intitulado “Mitochondria, the missing link between body and soul: Proteomic prospective evidence” chamou a atenção devido a quatro pontos: o título, o resumo, a argumentação e a conclusão. Os autores fazem a seguinte declaração:

Alternativamente, em vez de afundar em um pântano de debates intermináveis ​​sobre a evolução das mitocôndrias, é melhor chegar a uma suposição unificada. [...] Mais logicamente, os pontos que mostram sobreposição proteômica entre diferentes formas de vida são mais susceptíveis de ser interpretados como um reflexo de uma única impressão digital comum iniciada por um poderoso criador do que confiar em uma única célula que é, de forma duvidosa, surpreendentemente originadora de todos os outros tipos de vida.”

Na conclusão do manuscrito também continha a seguinte sentença:

"ainda precisamos saber o segredo por trás dessa disciplinada sabedoria organizada.".

Assim, graças à “união” da comunidade evolucionista, esses detalhes foram questionados, e somados a isto a alegação de plágio. O artigo foi, então, removido do site da revista, que agora diz que a retração é

"devido a uma sobreposição substancial do conteúdo deste artigo com artigos publicados anteriormente em outras revistas".

Porém, no ano seguinte o artigo continuava a ser o quarto mais acessado da revista. Em um e-mail citado por James Randerson, jornalista do The Guardian, Warda negou a acusação de plágio e disse:

Nós reafirmamos nossos resultados de que [as evidências mostram] que a mitocôndria não evoluiu a partir de outros procariotas. Eles querem nos destruir porque dizemos a verdade; somente a verdade.” [8].

Em 2011, outro artigo científico foi revisado, aceito e publicado. Porém, pouco tempo depois, foi removido devido a contrariar a perspectiva naturalista da origem da vida. Para que a vida tivesse evoluído a partir de matéria inorgânica, na visão naturalista, os átomos e as moléculas teriam que se mover de um estado de organização inferior para um estado de organização superior, além de se auto-organizarem de forma a gerar maiores estruturas precisas e complexas. Mas a Segunda Lei da Termodinâmica (SLT), generalizada para a informação, demonstra que, sem um agente inteligente a controlar e a influenciar o processo, as moléculas caminham sempre para um estado de menor organização informacional. Portanto, o artigo técnico em questão sugeriu que a perspectiva naturalista para a origem da vida está em oposição à SLT.

No artigo intitulado “Um segundo olhar à Segunda Lei”, o professor Granville Sewell, da Universidade de Texas, mostrou que a hipótese que defende a capacidade da natureza de gerar as complexas estruturas do DNA é tão improvável quanto a natureza construir um computador.[9] Qualquer um dos eventos violaria a SLT. Depois de o artigo ter sido aceito para publicação na revista Applied Mathematics Letters, um militante evolucionista escreveu uma carta aos editores avisando-os de que a “reputação” da revista seria “manchada” se eles publicassem o artigo. Devido a isso, os editores o retiraram. Como o artigo de Sewell não continha erros ou problemas técnicos, os editores da revista endereçaram-lhe um pedido de desculpas e concederam-lhe permissão para colocar versão pré-publicada do seu artigo na página web da universidade. (clique aqui para saber mais).

Em 2012, uma equipe de pesquisadores criacionistas fez uma apresentação em um encontro anual de Geofísica do Pacífico Ocidental, em Cingapura, na qual mostrou resultados de datação de carbono 14 (C-14) de múltiplas amostras de ossos a partir de oito espécimes de dinossauros (veja aqui). Todos deram positivos para C-14, com idades variando de 22.000 a 39.000 anos de radiocarbono. Esse foi um evento conjunto da União Americana de Geofísica (AGU) e da Sociedade de Geociências da Oceania Asiática (AOGS).[10] Os pesquisadores abordaram o assunto com profissionalismo considerável, inclusive tomando medidas para eliminar a possibilidade de contaminação com carbono moderno como uma fonte de sinal de C-14 nos ossos. O trabalho foi apresentado oralmente pelo Dr. Thomas Seiler, um físico alemão cujo PhD é da Universidade Técnica de Munique. (clique aqui para assistir o vídeo).

O trabalho também foi publicado na forma de resumo, no entanto, pouco tempo depois, esse resumo foi retirado do site da conferência por dois presidentes, porque eles não podiam aceitar as conclusões. Recusando-se a desafiar os dados abertamente, eles apagaram o resumo da vista do público, sem comunicar os autores ou membros oficiais da AOGS, mesmo após uma investigação. É possível ainda acessar online a captura de tela feita do programa original (confira aqui). Mas, indo para o site oficial da conferência, pode-se ver que a conversa foi claramente removida. Parece que mais uma vez a verdade apresentada foi pesada demais para a suposta abertura da ciência aos dados.

Em 2014, um cientista microscopista da Universidade Estadual da Califórnia (UEC), em Northridge, foi demitido de seu emprego depois de descobrir tecidos moles em um fóssil de Tricerátops e publicar seus resultados na revista Acta Histochemica.[11] Seus advogados entraram com uma ação judicial contra a universidade (veja mais aqui). O chifre de tricerátops foi escavado em Hell Creek, no estado de Montana, e o pesquisador criacionista Mark Armitage o examinou com um potente microscópio na UEC. Armitage ficou “fascinado” por encontrar tecidos moles na amostra – uma descoberta que espantou tanto os membros do departamento de biologia da escola quanto alguns estudantes, “porque indicaria que os dinossauros teriam vivido na Terra há apenas milhares de anos, ao invés de terem sido extintos há 65 milhões de anos”, como se crê. Embora os achados de Armitage tenham sido publicados em uma revista científica, a universidade decidiu dispensá-lo, afirmando que o que ele havia achado era inaceitável. Felizmente, no fim das contas, Armitage obteve a vitória judicial (confira).

Em 2016, a revista científica PLoS ONE publicou um artigo sobre as características biomecânicas de coordenação da mão humana.[12] O texto incluiu a afirmação de que a característica biomecânica da arquitetura evidencia “projeto/design adequado pelo Criador”, o que foi motivo de desespero (clique aqui para saber mais). A polêmica levantou protestos por parte da comunidade evolucionista e levou os responsáveis pela revista a pedir desculpas pela publicação do artigo e a exigirem uma retratação dos autores do estudo.[13] Conforme indaga o jornalista Michelson Borges:

“tanta celeuma por causa disso? O artigo deixou de ser menos científico por apontar para a ideia de design inteligente? Ou se trata de puro preconceito mesmo? Preconceito de uma academia e de uma comunidade (científica) dominada pelo naturalismo ideológico que não suporta ver Deus colocando o pé na porta, tentando voltar ao cenário de onde vem sendo expulso há algum tempo”.

Durante algum tempo, eu [autor deste artigo] também tentei submeter a algumas revistas científicas na área de Biologia um manuscrito que havia elaborado no ano de 2015. Todas as respostas que recebi foram semelhantes a esta (abaixo) por parte dos editores de periódicos:

Conforme afirma o blog Darwinismo,

“é desta forma que a teoria da evolução se mantém como a ‘melhor explicação para a origem das espécies’: [através da negativa], da censura, [da remoção], da intimidação e/ou da demissão de quem encontra dados que não se ajustam à ‘verdade estabelecida’”.

No entanto, apesar de os pesquisadores criacionistas e TDIstas terem sido injustamente excluídos da literatura científica por muitos anos, acredito que as expectativas futuras são positivas, em grande parte, também, devido à observação da atual abertura científica ao diálogo, debate e crítica.

A propósito, alguns artigos contendo conceitos criacionistas têm passado pela revisão por pares em revistas científicas seculares com as seguintes afirmações:

1) “A luz é extremamente importante para o ser humano, tal como afirma a descrição bíblica em Gênesis 1 de que o primeiro ato criativo de Deus foi para gerar luz” [14];

2) Em relação às dimensões da arca de Noé, “a arca seria de flutuabilidade suficiente para suportar” todos os animais citados na Bíblia [15];

3) “A água é uma dádiva de Deus” [16].

Inclusive, em 2015, o periódico científico Clinical and Biomedical Research aceitou uma carta de minha autoria, concedendo-me a oportunidade de apresentar à comunidade científica um tema de relevância tal como o avanço das pesquisas em design inteligente [17].

Diante disso, sinceramente espero que cada vez mais os editores de periódicos científicos tradicionais mantenham a mente aberta para uma análise justa e imparcial. Assim, os méritos científicos, tanto do criacionismo quanto do design inteligente, dependerão, exclusivamente, de seus conteúdos.

Texto originalmente publicado em 02/01/2017 no Blog Criacionismo.

Referências:

[1] Buckna D. Do Creationists Publish in Notable Refereed Journals? Creation.com, 1997. Disponível em: http://creation.com/do-creationists-publish-in-notable-refereed-journals

[2] Gentry RV. Session M's Speakers Promote Evolution and Deny Creation Without Reference to My Widely Published Evidence of Earth's Rapid Creation and Without Reference to My Recent Discoveries Disproving the Big Bang: Congress Should Investigate Why They Did This. In: 2006 APS March Meeting - American Physical Society Meeting, March 15, 2006, Session Q1, Poster Session III, Baltimore Convention Center — Exhibit Hall. (Abstract ID: BAPS.2006.MAR.Q1.325). Disponível em: http://meetings.aps.org/Meeting/MAR06/Session/Q1.325

[3] Gentry RV. Collapse of Big Bang Cosmology and the Emergence of the New Cosmic Center Model of the Universe. Perspectives on Science and Christian Faith 2004; 56(4):266-76.

[4] Brumfiel G. Ousted creationist sues over website. Nature. 2002; 420(597): doi:10.1038/420597b.

[5] Rejected physicists instigate anti-arXiv site. Nature. 2004; 432:428-29.

[6] Meyer SC. The origin of biological information and the higher taxonomic categories. Proceedings of The Biological Society of Washington 2004; 117(2):213-239. Disponível em: http://www.discovery.org/a/2177

[7] Warda M, Han J. Mitochondria, the missing link between body and soul: Proteomic prospective evidence. Proteomics. 2008; 8(3):1-23.

[8] Randerson J. How was this paper ever published? The Guardian (13/02/2008). Disponível em: https://www.theguardian.com/science/blog/2008/feb/13/thankstocjv5040forputting

[9] Sewell G. A second look at the second law. Applied Mathematics Letters. 2011; Article in press. Disponível em: http://www.math.utep.edu/Faculty/sewell/AML_3497.pdf

[10] Miller H, Owen H, Bennett R, De Pontcharra J, Giertych M, Taylor J, Van Oosterwych MC, Kline O, Wilder D, Dunkel B. “A comparison of δ13C&pMC Values for Ten Cretaceous-jurassic Dinosaur Bones from Texas to Alaska, USA, China and Europe.” In: AOGS 9th Annual General Meeting. 13 to 17 Aug 2012, Singapore. Disponível em: http://newgeology.us/presentation48.html

[11] Armitage MH, Anderson KL. “Soft sheets of fibrillar bone from a fossil of the supraorbital horn of the dinosaur Triceratops horridus”. Acta Histochem. 2013; 115(6):603-8.

[12] Liu M-J, et al. Biomechanical Characteristics of Hand Coordination in Grasping Activities of Daily Living. PLoS One. 2016; 11(1):e0146193.

[13] Cressey D. Paper that says human hand was ‘designed by Creator’ sparks concern. Nature. Posted on nature.com March 3, 2016, accessed July 12, 2016. Disponível em: http://www.nature.com/news/paper-that-says-human-hand-was-designed-by-creator-sparks-concern-1.19499

[14] Hong Y, et al. Aggregation-induced emission. Chemical Society Reviews. 2011; 40(11):5361-5388.

[15] Youle O, et al. The animals float two by two, hurrah! Physics Special Topics. 2013; 12(1):1-2.

[16] Kabeel AE, et al. Solar still with condenser: a detailed review. Renewable and Sustainable Energy Reviews 2016; 59:839–57.

[17] Alves EF. Teoria do Design Inteligente. Clin Biomed Res. 2015;35(4):250-251.